quinta-feira, 21 de junho de 2012

Exército espiritual de reserva




Um erro crasso ! É sobre isso meu texto hoje.

Fazemos rituais, oferendas muitas vezes, e buscamos um contato senão diário pelo menos frequente com nossos Deuses, mas estaremos procedente da maneira correta?
Existe um movimento egocêntrico e possívelmente antropocêntrico no tocante às “Espiritualidades da terra” que prezam as observações pessoais antes das tradicionais. Isso vem junto com nossa sociedade ocidental e consumista, onde cada um representa um universo a ser conquistado pelo estômago, olhos ou bolso, que prioriza os desejos mantidos de forma pessoal ante a saúde da comunidade.

A psicologia moderna só veio a piorar este quadro, dando argumento e embasando as distorções como flores de plástico em um linda ravina, de longe convencem, mas um olhar mais demorado perceberá o estranho habitando ali. Pegar um caminho tradicional, recortar e colar sobre outro costuma funcionar para desenhos, quadrinhos e filmes em 3D, mas em movimentos ritualísticos não surtem tanto efeito (a não ser para fins comerciais), onde elementos geralmente opostos e não complementares fazem a energia estagnar e emperrar no segundo ciclo da engrenagem.

Não estou com isso querendo dizer que o ser humano é fraco ou inferior, longe disso, só estou dizendo que em sociedades tradicionais o indivíduo não existe e não é celebrado, como é o caso da nossa sociedade, e isso tem interferido na construção plena de caminhos espirituais, de grupos e lideranças. Todos os dias brotam tradições e grupos com propostas inovadoras, indo de miscelâneas culturais ao mais louco hightech ( já temos e-religion! ), sem estudos prévios ou qualquer argumento e embasamento que funcione na prática, criando um “Exército espiritual de reserva” ávido por vagas no mercado religioso e buscando oportunidades mais lucrativas ou com planos de carreira.

Somos ensinados desde pequenos que somos únicos e valiosos por isso, sempre foi assim a bem da verdade, mesmo em sociedades tradicionais, mas existe a continuação deste texto tão bonitinho: sendo únicos-e-valiosos compomos junto com outros únicos-e-valiosos uma comunidade única e valiosa !

Viver religião não é cantar um hino de independência, é inserir-se em uma comunidade ou cria-la, sem distorce-las porque parece mais fácil ou adequado sem antes avaliar as perdas e ganhos, não é clamar aos ventos que “Eu odeio grupos” ou “ Grupo não funciona”, aliás sabe porque grupos não funcionam? Pelo mesmo motivo que os casamentos não duram ou as amizades não se mantém: individualismo consumista ocidental. Todos armados para um guerra épica quando simplesmente vão sentar-se para o jantar não poderia dar um boa coisa, bombas explodem e munições ficam engatilhadas nestas horas. Um grupo ou comunidade não é composto de pequenos pedaços bem polidos e excessivamente brilhantes, são compostos de pedaços que se acomodam aos outros. Qual grão de areia brilha mais que o outro para formar a praia? Se queremos ser praia, devemos ser grão de areia, porque se todos quiserem ser a mais bela pedrinha brilhante vai virar uma boate.

Para celebrarmos Deuses de verdade e da forma tradicional sem dar a pitadinha ocidental e consumista que transforma tudo em business, devemos antes sair do jardim de infância e encarar religião como adultos.

3 comentários:

Vinicius Pimentel Ferreira disse...

Nada como um bom texto ^.^

Jéferson Matthes disse...

Ai que eu fico todo-todo huehuehue obrigado

margarida correa disse...

Falou pouco e disse muito. è justamente as guerras de egos inflados como balões gigantes que destroem os grupos com seu poder de fogo incontrolável.Outro perigo mortal, são as linguas que não cabem dentro das bocas,esquecendo a quarta coluna da Magia: Calar

 
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