quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Caminhando entre as Deusas: Kuan Yin (parte 1)

 Yin  ou Kwan Yin é considerada a Deusa da Compaixão Profunda, na China, na Coréia e no Japão. Ela é considera um bodhisattva, um ser que está a um passo de alcançar o estágio de Buda, ou seja a iluminação total..

Sua história é a seguinte: Ela chamava-se Miao Shan e era filha única. Na China, as filhas mulheres não são levadas em consideração. Mas o pai de Miao Shan resolveu que iria concentrar sua atenção nos pretendentes da filha para alcançar a prosperidade que ele almejava. Mas a garota queria ser monja budista. O pai ficou revoltada, onde já se viu uma monja na família? Seria o fim de seus sonhos de prosperidade, pois seria muito embaraçoso. E, ele achou melhor pensar que a filha esqueceria desses planos.

Enquanto ele procurava o pretendente e acertava os detalhes do casamento com um homem da região que possuía uma grande riqueza, sua filha passava horas e horas rezando. O dia do casamento aproximava-se e Miao Shan não havia se interessado por nada no casamento, apenas rezava. Seu pai, frustado e começando a perceber que estava perdendo, resolveu tranca-la em uma torre com apenas arroz seco para comer, para que a garota caísse em si. Mas de nada adiantou. Na paz do claustro, a garota poderia rezar finalmente em paz! Dando-se enfim por vencido, ordenou  que seus soldados matassem sua filha. 

Todos os criados da casa, amavam e respeitavam a moça e os soldados para quem ele incumbiu a missão ficaram decepcionados e envergonhados com suas ordens, mas o medo do seu chefe era maior do que o amor que sentiam pela jovem. Levaram-na para a floresta e ela andou ao lado deles com coragem e sem temor no coração, rezando. Ela preparava-se para a vida seguinte. 

Antes que a espada caísse sobre sua cabeça, um tigre, muito maior do que os que eles já haviam visto, saltou da floresta e derrubou a espada que estava prestes a tirar a vida da jovem. Pegou a jovem pela cabeça e sumiu com ela por entre a densa floresta. Levou-a até o sopé de uma montanha, depositou a jovem lá e desapareceu. Logo após a partida do tigre, a montanha se dissolveu e Miao Shan flutuou para um outro lugar. Quando a jovem deu por si, estava aos pés de Yen Lo Wang, regente da morte. Ao seu redor várias almas viviam sobre a regência desse Deus, sem poder reencarna ou livrar-se das consequências das suas transgressões passadas. Mas a jovem também não o temeu e o desafiou. Chamas saltaram da cabeça dele, numa tentativa de assustar a jovem que levantou-se e reluzindo em luz clara e reconfortante pôs-se novamente a rezar. As outras almas começaram a ser atraídas para Miao Shan que as abençoou, depois disso, elas flutuavam e ascendiam, deslizando novamente para uma nova reencarnação. O Deus percebeu que não tinha poder sobre a jovem. Quando deu novamente por si, ela estava novamente nos pés da caverna.

Pôs-se a rezar novamente e a sentir a luz ficando cada vez mais forte dentro de si e cada vez mais pura, até que Buda apareceu diante dela com um pêssego na mão. Ele entregou para ela e disse que a comesse, pois assim não sentiria mais fome ou sede até que tivesse atingido seu objetivo. Disse para a jovem partir para a ilha de P'u T'o Shan, pois seu pai havia descoberto que ela havia escapado dos soldados e estava a sua procura para matá-la. Mas que dentro de um ano, ela atingiria a perfeita iluminação e ficaria além do alcance das espadas do pai.

Ela seguiu as instruções do Buda, até chegar ao limiar onde poderia ter ingressado diretamente na luz, deixando para traz as misérias da vida terrena. Porém, ela parou. Lembrou-se de todos aqueles que ainda sofriam, que não haviam encontrado o caminho da luz. Ela jurou as portas do limiar que permaneceria na terra até que todas as coisas vivas se tornassem divinas, até que todos alcançassem a iluminação. Assim, ela tornou-se um bodhisattva e instalou-se na ilha de P'u T'o Shan, atendendo a todas as preces que lhe eram dirigidas.

Por isso, Ela ficou conhecida como aquela que escuta todas as dores do mundo.

Semana que vem falarei um pouco sobre seus símbolos e formas de entrar em contato com Ela. Até a próxima!


Referências Bibliográficas:
- DONATELLI, M. (coord.); O livro das Deusas – Grupo Rodas da Lua.  São Paulo: Publifolha, 2005;
- MONAGHAN, P.;  O caminho da Deusa: mitos, invocações e rituais. São Paulo: Pensamento, 2009;

1 comentários:

Márcia M@rimite disse...

História inspiradora!

 
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