Mostrando postagens com marcador Druidismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Druidismo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O Bosque: Oráculos e Divinação no Druidismo

(Do site da OBOD) 

Nos tempos antigos druidas utilizaram muitos métodos de adivinhação: de simples adivinhação do tempo até a interpretação sofisticada do vôo das aves, a partir da observação do comportamento animal para a interpretação de configurações planetárias. É quase certo que cada um dos quatro elementos foi usado para augúrio, bem como foram usados ​​para a cura. É provável que os sinais e sentimentos associados transmitidos pelo atirar de terra em uma folha ou tambor de pele foram lidas como uma cartomante pode ler as folhas de chá, e as formas das nuvens que passam ou das imagens encontradas no fogo ou no olhar em piscinas de água foram, sem dúvida, mais fontes de inspiração. Conhecemos o termo que os druidas irlandeses usavam ​​para adivinhação com as nuvens - Neldoracht - e sabemos também de métodos mais complexos de adivinhar utilizados na Irlanda, incluindo o Tarbhfeis, que implicavam no adivinho ser envolto em pele de touro para ajudar a sua clarividência.

A divinação, porém, não precisa ser simples adivinhação. Ela pode ser um meio eficaz de revelar dinâmicas escondidas – estejam elas dentro de si mesmas ou dentro de um relacionamento, ou dentro de um grupo. A divinação então torna-se um meio de ganhar auto-conhecimento e uma compreensão mais profunda das causas ocultas por trás das aparências. Visto dessa forma, torna-se ainda de outra maneira que podemos tentar ir além da superfície, para sondar as profundezas, a olhar para as causas em vez de efeitos.

Druidas modernos são capazes de transformar nessa busca de uma série de métodos distintamente druídicos de divinação, incluindo o trabalho com os animais e plantas sagradas da tradição celta e druida e trabalhar com Ogham, que veio a ser conhecido como o alfabeto druídico sagrado das árvores. Alega-se que os druidas teriam usado o Ogham para adivinhação. Histórias irlandesas medievais, como Etaine Tochmarc sugerem que era assim, apesar de inscrições reais em Ogham, encontradas em pedras, só terem sido datadas como dos séculos quarto e quinto. Embora do ponto de vista do historiador não podermos estar certos de que os antigos druidas usaram o Ogham, certamente hoje ele nos proporciona um meio evocativo da compreensão das dinâmicas ocultas e eventos futuros, e tornou-se parte integrante da formação Ovate moderno na Ordem. 

Para explorar diferentes métodos de divinação, veja:

The Druid Animal Oracle, The Druid Plant Oracle, The DruidCraft Tarot, todos por Philip & Stephanie Carr-Gomm e ilustrados por Will Worthington

Ogam: The Celtic Oracle of the Trees: Understanding, Casting, e Interpreting the Ancient Druidic Alphabet por Paul Rhys Mountfort, Destiny, 2003

Celtic Wisdom Sticks, Caitlin Matthews, Connections, 2001 

Tradução: Renata Gueiros



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O Bosque: Polêmicas

Fazer suas oferendas, celebrar e honrar os deuses, viver em harmonia com o meio ambiente no qual você habita, ser justo, ser honrado, buscar a sabedoria e ser verdadeiro com os outros e com você mesmo, em primeiro lugar. Esses são apenas alguns dos valores que movem druidas, druidistas e simpatizantes do pensamento celta nos tempos modernos.


De certa forma isso deixa implícito que todos os indivíduos que partilham das mesmas crenças e práticas pensam e agem da mesma maneira. Bem, não poderíamos estar mais enganados. Cada cabeça é um mundo cheio de pensamentos, de experiências, de conceitos formados e de formas próprias de se comunicar com o mundo exterior, ou seja, aquele que está do lado de fora do seu pensamento e da sua visão de mundo.

Bem, há uns dias atrás a comunidade druídica online foi ‘abalada’, por assim dizer, por uma página humorística dentro do Facebook, intitulada “Druida da Depressão”. Pois bem, na tal página existem piadas muito engraçadas, e outras nem tanto assim. O julgamento vai de acordo com o ponto de vista de cada um. Algumas das piadas que estão lá são o que a gente pode chamar de piada interna – ou seja, só aqueles que são praticantes ou já possuem pelo menos uma familiaridade com o contexto é que vão entender – e claro, achar graça da ironia.

A polêmica começou justamente quando as visões de cada um a respeito da religião entraram em atrito, o que é totalmente normal e até esperado, já que (como disse anteriormente) cada cabeça é um mundo. Enquanto alguns acharam divertido, outros ficaram ofendidos e consideraram um desrespeito ao Druidismo e aos deuses, e também um desserviço àqueles que não conhecem absolutamente nada e estão iniciando sua busca espiritual no caminho druídico. Depois de um debate acalorado num dos grupos de discussão sobre Druidismo, RC e cultura celta em geral, e de uma reunião dos administradores de tal página, ficou decidido que o “Druida da Depressão” será deletado do Facebook no dia 20/09.

Agora, você pode estar pensando, esse assunto precisava virar um post de jornal? Em minha opinião precisava, sim. Claro que não vou utilizar o espaço que tenho aqui no Jornal O Bruxo para puxar sardinha pra um lado ou para o outro, para dar sugestões pessoais ou fazer críticas baseadas em minha própria opinião. Nem cabe fazer isso aqui. 

No entanto, vou deixar bem claro que acredito na liberdade de expressão, seja na vida pública ou na privada, seja na institucional, política ou religiosa; e que o politicamente correto ao qual nos habituamos virou uma triste faca de dois gumes. 

Se algo de positivo ficou nessa polêmica toda sobre fazer ou não piadas com a nossa religião e nossas práticas, foi a constatação de que precisamos caminhar bastante para alcançarmos o respeito mútuo e a sabedoria que tanto prezamos nesta religião/filosofia de vida que seguimos. E que no fim das contas, continuamos com tribos tão desunidas agora quanto foram as dos antepassados aos quais prestamos nossas honras.

Continuamos os mesmos. Continuamos humanos, por fim.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O Bosque: Jornada aos 3 Mundos

Hoje deixo os leitores com uma meditação criada pelo druida americano Ian Corrigan, intitulada “Jornada aos Três Mundos”. Basicamente é uma introdução prática aos mundos da Terra, Mar e Céu que fazem parte da concepção celta. Não é nada complicada de fazer, e uma vez que você tenha a sequência em mente, o resto vai fluindo. Se tiver alguém junto que possa conduzir a jornada, melhor ainda. De qualquer forma, é um excelente exercício. 

Preparação 


Respiração básica e relaxamento. Indução de névoa, que aos poucos vai cobrindo e tomando conta do espaço onde você se encontra e o faz flutuar. Depois sinta-se flutuando para baixo. 
Repouse, a névoa clareia... 

1: A Terra 

Você veio descansar em um solo estranho. A névoa clareia, e se espaça em uma gentil brisa. À medida que sua visão vai melhorando, você percebe que está na clareira de uma floresta. Você lembra sua busca – procurar o contato com a essência dos três mundos. 

A floresta está por toda a volta, luz cinza salpicada através das folhas das árvores. O chão de plantas e folhas macias abaixo de você, o cheiro da terra ao seu redor. Você se levanta em sua visão. Acima de você, o céu tem uma claridade prateada, mas sem sol, a luz quebrando aqui no chão da floresta. 

Enquanto você está parado de pé na clareira, vai se virar para as quatro direções. Contemple cada direção, e deixe a visão se tornar clara e completa. Enquanto você vira, um animal ou pássaro vai aparecer em algum lugar à sua frente. Você começa a andar, procurando pelo povo da terra. 

Enquanto você anda através da floresta, observa a natureza. Abra seu coração e busque um contato amoroso com os espíritos da terra. Observe qualquer resposta, mas continue andando, andando através dessa floresta. 

Finalmente você chega a uma clareira bem larga na floresta. No centro da clareira está um monte, do tipo antigo, um pequeno monte funerário, dentro de um círculo de pedras. À sua frente, a porta de entrada para o monte, um arco estreito de pedras gigantes, cujo batente de pedra é esculpido com círculos e espirais. No interior da porta tudo está escuro, e dela sobe uma fina corrente de fumaça. 

Você sabe que esse é seu local de destino, então você caminha sem medo para o portal e adentra o escuro, para dentro de um túnel descendente, com paredes de pedra fria. O túnel vira para a esquerda e para baixo na escuridão, vira novamente voltando para a direita, até que adiante uma ofuscante luz vermelha se torna visível. Seus passos te levam para dentro de uma câmara de teto alto e paredes de gigantescas lajes. A luz vem de um fogo, queimando em um altar circular erguido no centro da câmara. A luz oscilante do fogo revela entalhes de animais e plantas. 

Você vai até o fogo e contempla sua luz que sempre muda. Você volta sua mente para a terra. Conforme você olha o fogo, os espíritos da terra podem vir a você, podem se revelar. Deixe a sua mente alcançar os desertos e selvas, as tundras e bosques, as planícies e montanhas. Chame pelas mentes vivas que repousam dentro da pedra e do solo. 

Você se encontra dentro do monte, o chão abaixo de seus pés, o fogo diante de seus olhos. Você sente uma presença às suas costas e se vira. Você vê um espírito da terra parado à sua frente. 

A forma do espírito se torna clara – seu rosto, seu corpo, suas vestes. O espírito estende uma mão, oferecendo-lhe um presente. Você aceita o presente com agradecimentos a este guia da terra. 

O espírito gesticula, e atrás do altar ardente um painel de pedra entalhada se abre. Pela porta, você pode ver o oceano. Você pisa em torno do fogo, e sai para a praia. 

2: O Mar 

Você para na beira mar, e lembra-se da terra e seu presente. Você olha para o oceano, ouve o som das ondas na areia, sente o vento que sopra do mar, cheira o ar salgado. 

Um bela gaivota prateada voa da direita para a esquerda atravessando o céu. Seus olhos seguem o pássaro. Na praia você vê um navio, um navio de madeira branca, com velas azuis e acessórios de prata. Uma rampa de desembarque desce do navio para a praia. 

Você anda pela praia e sobe da rampa para o convés do navio. Nenhuma tripulação é visível, mas a rampa é puxada para cima, as velas se enchem com um vento refrescante, e a proa se vira para longe da terra enquanto o barco veleja. 

O navio veleja com velocidade mágica, deslizando sobre as ondas enquanto as gaivotas chamam acima da cabeça. Peixes o seguem, e pulam em volta da embarcação. Três golfinhos vêm para pular e brincar, correndo a frente do navio. 

Longe da terra firme, o navio diminui para uma parada. Na calmaria gentil das ondas, a prancha de desembarque abaixa de novo, para a água. No fim dela, os golfinhos esperam. 

Você desce pela prancha para dentro das águas do mar. A água fria é refrescante e te ampara. Os golfinhos vêm e levantam você, e rindo o carregam com eles enquanto mergulham no mar. 

Você não sente necessidade de respirar enquanto passa por baixo das águas, enquanto você desce na viagem entre a vida do mar. Abra seu coração à vida do mar conforme viaja em seu país. 

Você é levado através do mar pelos fortes e amigáveis animais até que chega numa grande montanha embaixo do mar, seu pico muito abaixo da superfície. A água agora fica morna, e você vê que o topo dessa montanha é plano. Sobre ele, está um anel de pedra, e em seu centro uma piscina de lava fumega e borbulha. Ela brilha em um vermelho quente, e fluxos de lava correm para o mar, esfriando-o. 

Os golfinhos o levam em direção da lava e você olha fixamente seu brilho. Você volta sua mente para o oceano. Deixe sua mente te levar para as valas e os recifes, para as estranhas fontes das correntezas, para os quentes bancos de areia e as estradas de baleias, para a tempestade furiosa e calmas profundezas cheias de vida. Conforme você olha a lava, os espíritos do oceano podem vir a você, podem se revelar. Chame pelas mentes que vivem nas profundezas antigas. 

Flutuando lá na montanha, os golfinhos esperando ao seu lado, você sente uma presença às suas costas. Você vira e lá está um espírito do oceano. A forma do espírito pode ser agradável a você, seu semblante, seu traje. Ele, ou ela oferece um presente, e você pode optar por aceitá-lo. 

O espírito gesticula, e o golfinho carrega você novamente. Eles começam a levá-lo para cima, acelerando através das águas escuras para mares mais claros, para cima em direção à clara superfície. Eles alcançam a superfície e pulam alto, levando-o acima das ondas. De repente você se sente pego no ar por um poderoso corpo, que te leva em direção ao céu. 

3: O Céu 

Conforme você sobe no ar, ao olhar para baixo você vê um enorme cisne branco, te carregando gentilmente pelos céus. Suas poderosas asas batem e seu nobre pescoço se estende à sua frente. Você se lembra do oceano, e de seu presente. 

Você sobe mais e mais alto, através de bancos de nuvens, passa por bandos de pássaros cantando. Você sente o ar frio e puro do céu, vê o passar das nuvens e correntes de ar, o céu que circunda completamente o globo do mundo. Abra seu coração para o céu, buscando a consciência de seus espíritos, tempestade e estimada noite, vento e gentil chuva, enquanto o cisne o carrega através do céu prateado. 

O cisne voa a uma velocidade impressionante. Vocês se aproximam de um enorme banco de nuvens, onde elas se empilham brancas e fofas para o alto, acima de sua cabeça, você vê canyons e vales de nuvens. Perto de sua base está preto, e você ouve o ribombar de um trovão. 

O cisne o carrega para uma pequena planície na nuvem, e você desce escorregando pelo dorso, para ficar em pé na superfície branco acinzentada. Diante de você as convoluções das nuvens abrem como um labirinto, no qual você entra. 

O caminho é livre através de um vale de nuvens, até você chegar a um arco de puro branco, com uma torre de nuvem se erguendo por atrás. No centro do arco uma bola de fogo flutuante lampeja, crepitando e silvando no ar úmido. 

Contemple o fogo, e volte sua mente para o céu. Enquanto você olha o fogo, os espíritos do céu podem se revelar a você. Deixe sua mente alcançar o céu, para os ciclos de chuva e vento, ao reino dos pássaros logo acima dos topos das árvores, para o alto onde os ventos são mais fortes e velozes. Chame pelas mentes vivas que existem por trás do vento e da chuva. 

Você se encontra em pé em um templo de nuvens, o branco imponente, o estrondo do trovão e a labareda de fogo. Você sente uma presença atrás de você, que se vira para ver o mensageiro do céu. 

A forma do espírito se torna clara, seu traje, sua aparência. O espírito te oferece um presente, o qual você pode aceitar se quiser. 

O espírito faz um gesto, e o cisne o pega e o coloca em seu dorso, acelerando para cima de novo, para acima das nuvens, até o céu prateado ser deixado para trás, até o sol e a lua serem ambos visíveis em sua glória. 

Você se lembra dos três mundos, de sua experiência em cada um, e das dádivas recebidas. Agradeça, e lembre que quando você desejar retornar aos mundos interiores, para entrar em contato com os espíritos, este terá sido o primeiro passo. Ele abriu o caminho. 

4: O retorno 

Você monta nas costas do cisne e ele começa a descer gentilmente, de volta para a névoa espiralada abaixo. Juntos vocês voam para baixo, em direção ao mundo comum, relembrando de tudo à medida que você desce de volta para seu corpo. 

O cisne parte, e novamente aparece à sua volta aquela bruma. Lembre-se de seu corpo, sentado aqui. Você flutua de volta para seu corpo, acomodando-se gentilmente. 

Respire profundamente. Se estique e sinta sua carne se mover. Enquanto abre seus olhos, perceba que retornou a sua vida comum. Sua mente clara e descansada, preenchida com a memória do maravilhoso, mas pronta para retornar à sua vida comum, com as bênçãos dos três mundos! 

Tradução: Renata Gueiros

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O Bosque: Sobre os Ancestrais

Hoje eu gostaria de falar um pouquinho sobre os ancestrais. Em praticamente todas as religiões pagãs atuais que bebem nas fontes antigas, o respeito e a honra aos ancestrais faz parte de todos os ritos, e não somente dos que acontecem na época do Samhain, por exemplo. Eles fazem parte do cotidiano de muitos druidas e druidistas, que em seus altares lhes fazem oferendas e lembram sua memória. Mas quem são os ancestrais, no Druidismo? Eles são de sangue, são de alma, e são da terra. Sua bisavó, celtas galeses e os indígenas e povos que aqui viveram muito antes de nós chegarmos são exemplos de ancestrais. Ao lado de deuses, não-deuses e dos espíritos dos 3 reinos, estão os ancestrais. Fazem parte da nossa “grande tribo espiritual”.

Nas lendas irlandesas, por exemplo, muitos deuses e/ou heróis são apresentados com suas genealogias, algumas citadas até o parente mais antigo conhecido. É a forma de saber de onde ele (ou ela) procede, qual é a sua linhagem. Mabon ap Modron, Cormac, filho de Art, filho de Conn das Cem Batalhas e a Rainha Medb, que tem sua linhagem apresentada no conto Táin Bo Cuailnge, são apenas três exemplos de como era importante a memória da linhagem da qual se provinha, que podia não ser só de sangue como também de criação. A adoção de um filho para os celtas era um aspecto de grande dignidade, que além de um costume social era também uma forma de aliança e respeito entre as famílias. Mas isso é assunto para outro dia.

Aqui no Brasil ainda se vê muito esse costume de "apelidar" os filhos com o nome de seus genitores, principalmente nas cidades do interior. Tem sempre um “Roberto de Mariana” ou uma “Fabiana de Zé Maria”, sempre um filho ou filha que mesmo com o sobrenome dos pais, é mais lembrado pelo nome de seu pai ou sua mãe, depende de qual dos dois é mais conhecido na comunidade.

No entanto, os ancestrais não são apenas os que estão na árvore genealógica dessa vida. No Druidismo também se honram os ancestrais da tribo e os da terra onde vivemos, como já foi dito acima. Há deuses que são reverenciados como ancestrais de tribos, há pessoas que se identificam com determinados povos em especial: gauleses, celtibéricos, galeses, irlandeses... e a eles fazem suas oferendas, pedem sua sabedoria e os reverenciam. E claro, também há os que honram toda a herança celta que foi deixada para aqueles que hoje seguem seus passos.

E por último, temos os ancestrais da terra que vivemos - em nosso caso, o Brasil. São aqueles que estiveram aqui antes de nós: povos indígenas e os que vieram antes deles, todos merecem nossa reverência.

Guardar a memória e a sabedoria dos antigos pode parecer uma bobagem, uma coisa fora de moda, e não duvido que muitas pessoas pensem dessa forma. Só basta assistir aos telejornais, ou somente ler as notícias em um site. São pais matando filhos, filhos matando os pais ou avós, pessoas que não dão o mínimo valor às suas heranças culturais, depredando e destruindo monumentos que representam essa herança. Perdemos muito desse respeito pelos ancestrais, e reencontrar esse respeito é muito importante não só para um druidista, mas para qualquer pagão de qualquer vertente.

Bem, é isso. Ficam aí minha opinião e sugestão de reflexão, leitores. Até a próxima!


Sugestão de leitura - Táin Bó Cúailnge


sexta-feira, 8 de junho de 2012

O Bosque: O Salmão do Conhecimento

A lenda conta a história de como um garoto chamado Fionn tornou-se um sábio homem ao ser a primeira pessoa a comer o Salmão do Conhecimento. Fionn depois iria liderar um bando de caçadores e guerreiros conhecidos como Fianna, e tornou-se um dos maiores heróis na mitologia celta. 

A história se passa próximo ao rio Boyne, o qual tem maior fluxo através dos condados de Louth e Meath na Irlanda. Neste rio vivia um salmão mágico. Sua pele brilhava como prata e ele comia a avelã que crescia na margem do rio. O peixe era chamado de Salmão do Conhecimento. Um druida tinha predito que qualquer um que comesse o salmão ganharia seus poderes mágicos e teria o conhecimento de todas as coisas. O velho poeta Finnegas, que vivia junto ao Boyne, tentava há muitos anos pegar o salmão. Ele tinha esperança de ser o primeiro a comê-lo e obter seus poderes mágicos. Um dia um jovem garoto veio correndo em direção a ele. “Quem é você?” perguntou Finnegas, “por que você está correndo”? “Meu nome é Fionn, disse o garoto”. “Meu pai foi morto em batalha, agora seus inimigos querem matar a mim também”. “Não tenha medo”, Finnegas disse gentilmente. “Fique comigo e eu cuidarei de você”. Fionn viveu alegremente com Finnegas, aprendendo a ser um poeta. Um poeta era tido em alta estima na civilização celta. Fionn pensou que ao tornar-se um poeta estimado estaria protegido dos guerreiros. Em retribuição Fionn passava o dia limpando a cabana e cozinhando as refeições à noite. Ele adorava ouvir o velho homem contar histórias maravilhosas. 

Um dia Finnegas foi pescar como sempre, tentando pegar o salmão. Depois de pouco tempo ele veio correndo para a porta da cabana. Em suas mãos ele carregava um enorme peixe. “Eu peguei o Salmão do Conhecimento,” gritou ele alegremente. “Agora terei grande conhecimento”. Rapidamente Fionn acendeu o fogo e em breve o salmão estava cozinhando. “Cuide do peixe, enquanto pego mais lenha para o fogo”, ordenou Finnegas, “mas você não deve prová-lo”, avisou ele a Fionn. 

Fionn sentou olhando o salmão cozinhar sobre o fogo. Ele ficou ali sonhando acordado com quais poderes maravilhosos o salmão poderia trazer. Enquanto ele sonhava olhando o salmão cozinhar, percebeu uma bolha se erguendo nele. Sem pensar ele furou a bolha e no processo queimou seu dedo. Automaticamente ele colocou o dedo na boca para esfriá-lo. Inconscientemente ele foi o primeiro a provar o Salmão do Conhecimento. Finnegas voltou e Fionn contou a ele o que tinha acontecido. Finnegas decretou “Você ganhará grandes poderes, deve ir agora e tornar-se líder dos Fianna”. E assim foi. 

Com Finnegas, Fionn aprendeu as três coisas que fazem um poeta, e elas são o Fogo da Canção, Luz do Conhecimento e a Arte da Recitação Improvisada.

Fonte: http://www.lookaroundireland.com/irish-legends/salmon-of-knowledge/
Tradução: Renata Gueiros

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O Bosque: Druidismos pelo Brasil afora

Há três anos estou conhecendo, estudando e praticando o Druidismo. E durante esse tempo, conheci pessoas que estão nele há mais de vinte anos (e são druidas de fato e formação) e pessoas como eu, que começaram há poucos anos ou que ainda estão começando. É interessante perceber as abordagens e manifestações de cada um, as dúvidas, a curiosidade a respeito das celebrações rituais, das lendas, do Ogham. Aos poucos e com a ajuda valiosa dos mais experientes, vamos discernindo o que é “viagem esquisotérica” do que é o real, possível e praticável dentro da religião que chamamos de Druidismo.

Como não vivemos juntos e estamos espalhados por todo o país (ou pelo menos por uma parte dele), a maneira que a maioria dos interessados tem de aprender e desmistificar o Druidismo é muitas vezes virtual mesmo, já que os bons livros sobre o assunto são caros para muitos, e ainda por cima são em outras línguas. Então, através de listas de discussão e grupos em redes sociais são feitas amizades e trocam-se conhecimentos e ensinamentos. E eles aparecem até mesmo em brincadeiras: um jogo de charadas, por exemplo. A pessoa que participa do jogo é levada a estudar para encontrar a resposta (caso não saiba), ou é levada a vasculhar na memória aquilo que aprendeu anos atrás. É uma forma divertida e leve de se aprender e compreender as lendas que guardam os mitos, o comportamento e as regras dos povos de origem celta. 

Alguns grupos druídicos do Brasil
Apesar de serem poucos (se comparados aos covens Wicca, por exemplo) os grupos druídicos no Brasil, há uma união saudável e respeitosa entre eles. Claro que não são todos iguais, há os que seguem uma linha reconstrucionista, mais ligada ao factual e, há os que estão ligados ao Renascimento Druídico do século XVIII, que abrange outras linhas como o ocultismo e a maçonaria. Há grupos devotos de deuses irlandeses, gauleses, celtibéricos, e por aí vai. Existem grupos druídicos no Pará, na Paraíba, em Brasília, em São Paulo (a maior concentração), no Rio de Janeiro, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. 

Se são assim tão diversos, o que todos possuem em comum? Talvez, a busca pelo equilíbrio, honradez e sabedoria, qualidades tão divulgadas a respeito dos druidas da antiguidade; o respeito e devoção à Terra sagrada, aos deuses e ancestrais. 

Ainda existem indivíduos que não estão ligados a nenhuma escola ou grupo druídico em particular no Brasil, o que não os torna de forma alguma menos importantes, muito pelo contrário. Conheço dois que são de extrema importância para a comunidade druídica (e para todos que tenham curiosidade pelos celtas e druidas) pelo trabalho excelente que realizam ‘online’: o druida Bellovesos Isarnos e o celtista Claudio Quintino Crow. Pode parecer rasgação de seda (e é), mas sem a consulta ao material que eles disponibilizam eu não saberia muito do que sei hoje, tanto sobre os celtas, quanto sobre Druidismo. Extremamente válida e recomendável a leitura de ambos. 

Essa união saudável da qual falei acima gerou um encontro nacional itinerante, que em 2012 vai para a sua terceira edição. Através dele podemos assistir a várias palestras, além de participar de vivências que nos conectam uns aos outros, e nos direcionam ao estudo sério e prática sincera da espiritualidade ancestral dos sábios druidas do passado. 

Vida longa ao Druidismo brasileiro. /|\


Links para pesquisa e estudo:

* Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta - EBDRC:

*Bellovesos Isarnos:

*Claudio Quintino Crow:

*Druidismo Brasil - lista de discussão no Yahoo! Grupos:

*Teallach - lista de discussão no Yahoo! Grupos:

*Grupo de estudos Caer Siddi



sexta-feira, 11 de maio de 2012

O Bosque: Animais na mitologia celta

Os animais faziam parte do cotidiano das tribos celtas, fosse para servirem de alimento, fosse para caça, montaria, carga ou guarda. Alguns, como o javali, eram respeitados e temidos por sua ferocidade. As lendas estão repletas deles e, a iconografia encontrada nos locais onde existiram tribos celtas também demonstra a importância dada aos animais, principalmente quando relacionados a divindades. 

O cavalo (ou a égua), sem dúvida, é um dos mais retratados. Ele aparece nas estátuas de Epona (como a própria deusa ou servindo de montaria para ela), e ainda é associado a outros deuses, como é o caso do cavalo Enbarr pertencente ao deus Mananánn, e de Macha, que mesmo grávida de gêmeos é obrigada a apostar uma corrida com os cavalos do rei. Ela ganha a corrida provando ser mais rápida que todos os cavalos (daí a associação com eles), e já sentindo as fortes dores do parto amaldiçoa todos os guerreiros da província do Ulster, por não terem atendido seus pedidos de ajuda. 

Os cães também eram animais importantes e sagrados aos celtas, por protegerem e ajudarem seus senhores durante a caça, como é o caso dos cães da matilha de Gwyn ap Nudd, senhor de Anwnn, o outromundo dos mortos. E quem é que não conhece o herói Cúchulainn? Setanta era seu nome, antes de ser atacado e matar o enorme e até então invencível cão de guarda da morada de Culainn. Ao deixar o anfitrião sem seu animal guardião, Setanta ofereceu a si mesmo como “cão de guarda”, assumindo assim o nome de Cúchulainn, que literalmente quer dizer ‘Cão de Culainn’. 

Em uma lenda irlandesa chamada “O Salmão do Conhecimento”, o jovem Fionn Mac Cumhaill, enquanto acompanhava seu mestre Finnegas na preparação de um salmão mágico que conferia grande saber a quem dele comesse, acidentalmente torna-se primeiro a provar do peixe, ganhando assim um imenso conhecimento, para depois seguir seu caminho tornando-se o líder dos guerreiros intitulados Fianna. Um salmão também é o animal que revela onde está escondido o jovem Mabon, no conto “Culhwch e Olwen”. 

Outro animal extremamente conhecido e reverenciado é o corvo, relacionado com a profecia, a morte na batalha e com deusas como Morrigan e Badba. 

Lobos, pássaros, cervos, o cisne, a vaca e o touro, o javali e o urso também são animais relacionados tanto a personagens das lendas irlandesas e galesas, como também a deuses e deusas. É o caso da deusa Artio, relacionada com o urso, e também do cisne, relacionado com os filhos encantados de Lir e com a bela Caer, donzela-cisne com quem Óengus sonha e se apaixona perdidamente. 

É fácil perceber que praticamente todos os animais que fizessem parte da vida dos celtas seriam relacionados de alguma forma ao divino ou ao fantástico. Então vem a pergunta: por quê? Pela forma como viviam, pela proximidade com tais animais, era possível conhecer seus hábitos e comportamentos, e dessa forma perceber e relacionar a manifestação das divindades dos três mundos em determinados seres que não os humanos. 

Até a próxima. 


* Referências: 

- Green, Miranda Aldhouse. An archaeology of images - Iconology and cosmology in Iron Age and Roman Europe, pgs. 113 - 148.

- Mabinogion, analisado por Will Parker - http://www.mabinogion.info/index.html

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Pagã ganha processo por “assédio religioso” no Reino Unido



O druidismo, uma vertente do paganismo, é reconhecido como religião no Reino Unido e já está, inclusive, sendo ensinado em sala de aula. Para a maioria dos ingleses, de tradição cristã, esse é apenas um outro nome para as antigas práticas de bruxaria que sempre fizeram parte da cultura em algumas regiões do país.

Um estudante de 16 anos de idade, que não pode ser identificado por razões legais, foi ouvido por um tribunal inglês em um caso inédito na Inglaterra. O jovem foi acusado de praticar “assédio religioso” contra uma funcionária da rede McDonald’s que se declarou  pagã.

O réu descobriu através de amigos em comum que a jovem dizia ser pagã e por isso, negava os ensinamentos da Igreja oficial da Inglaterra, que é Anglicana, um ramo dos evangélicos. Durante mais de seis semanas enquanto ela estava no trabalho na lanchonete ele a criticou e zombou publicamente dela por causa de sua opção religiosa.

Simon Newell, representante do Ministério Público, disse: “O réu estava ciente dos efeitos que estava causando na vítima e nos outros funcionários. Ele sabia que isso era inaceitável e, mesmo assim, continuou. Ele admitiu que fez isso apenas para irritá-la”. O adolescente declarou-se culpado de “assédio religioso agravado”, uma forma de ofensa pouco comum, mas que gera pena ao acusado.

O tribunal da juventude de Colchester ouviu o adolescente que vive em Lawford e assediou a empregada do McDonald’s entre 24 de dezembro de 2011 e 18 de fevereiro deste ano.
Ele repetidamente entrava no prédio onde funciona lanchonete na High Street para “provocar” a sua vítima, deixando a funcionária “muito chateada com isso”.

Nos termos do artigo 32, da Lei de Crime e Desordem, uma pessoa é culpada do delito, se cometer assédio “racial ou religioso agravado”. Após o julgamento na corte juvenil, os magistrados decidiram que o adolescente deverá cumprir pena em meio aberto durante três meses. Ele será obrigado a fazer trabalho não remunerado na comunidade e está proibido de ter contato com sua vítima até novembro deste ano.

A Federação Pagã da Grã-Bretanha comemorou, afirmando que os pagãos praticantes são livres para “buscar sua própria visão do Divino, como uma experiência direta e pessoal”. Ela define o paganismo como uma “religião que adora a natureza”. Também explica que eles incorporam uma “rica diversidade de tradições”, incluindo druidas e xamãs, enquanto se dedicam à bruxaria ou ecologia.

Laura Austin, que julgou o caso, disse ao tribunal que não sabia que o paganismo era uma religião reconhecida. Após a audiência, acrescentou: “Até onde sei, este é o primeiro caso desse tipo. Eu tive que fazer uma série de perguntas para me convencer de que era uma religião reconhecida e que se encaixava na legislação atual”.
Cas Morehan, dono da franquia da loja do McDonald, disse que: “Infelizmente existem casos onde os funcionários são submetidos a assédio e abuso por parte dos clientes… reconhecemos nosso dever de cuidar de nossos funcionários e tomar as medidas necessárias para proteger nossa equipe. Neste caso particular, precisamos chamar a polícia”.

Traduzido e adaptado de Telegraph

Fonte: Gospel Prime

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O Bosque: Códigos de Conduta

Antigamente (bem antigamente), religião, valores morais e os costumes sociais dos povos andavam de mãos dadas, não havia separação. Uma coisa levava à outra, eram partes de um todo. Com os celtas não haveria de ser diferente.

Graças aos textos medievais de Irlanda e Gales (que remontam a uma tradição oral ainda mais ancestral), podemos hoje ler alguns desses códigos que guiavam os soberanos e toda pessoa de bem. Como exemplo, temos o texto irlandês Tecosca Cormaic (As Instruções de Cormac, encontrado no Livro de Ballymote), no qual o rei Cormac passa diversos ensinamentos para seu filho e sucessor Cairpre, apontando a conduta correta para diversas situações. Outro exemplo é o Audacht Morainn (também irlandês), texto-testamento que aponta o modelo de conduta do soberano honrado.

Em tempos atuais, muitas linhas de druidismo - e também o reconstrucionismo celta - propõem um retorno ao druidismo histórico, mas sem esquecer que vivemos em outros tempos. É o que acontece com a ADF – sigla para Ár nDraiócht Féin: A Druid Fellowship (algo como “Uma sociedade druídica”), que também possui em suas normas, uma lista de nove virtudes pagãs. São elas:

Sabedoria – Piedade Religiosa – Visão – Coragem – Integridade –

Hospitalidade – Moderação – Fertilidade – Perseverança


Agora vamos trazer isso para as vidas daqueles e daquelas que vivem o druidismo. Ou mesmo para as vidas das pessoas que nem mesmo sejam pagãs. Certamente, muitas dessas virtudes são especialmente difíceis de cumprir, dado o tamanho da decadência moral e social em que vivemos. Violências, preconceitos, injustiças, intolerâncias, corrupções. Tirando nossas próprias crises pessoais, dificuldades que todos passamos e precisamos superar. Não é fácil. Quando nos comprometemos a seguir e viver uma religião, não vale só da boca pra fora, ou da porta de casa pra fora. Vale para todos os momentos da sua vida; especialmente – e talvez unicamente – para você mesmo.

Enquanto devota dos antigos deuses observo, através de lendas e relatos históricos, que a fraqueza, a mentira e a indignidade, se não eram punidas com severidade por si só encontraram tristes fins. Ah, então quer dizer que devemos seguir tais valores por temor? Claro que não. Devemos segui-los porque são a maneira mais digna e mais proveitosa de vivermos nossas vidas. Porque é o certo.

“- Ó Cormac, filho de Conn – disse Cairpre – quais são o pior pedido e a pior argumentação?

- Não é difícil dizer – falou Cormac. - Combater contra o conhecimento, argumentar sem provas, escudar-se em linguagem imprópria, uma elocução tensa, falar resmungando, excesso de minúcias, provas duvidosas, desprezo aos livros, voltar-se contra os costumes, mudar o pedido, instigar a ralé, soprar a própria corneta, berrar a todo pulmão.

- Ó Cormac, neto de Conn – disse Cairpre -, quem são os piores com quem podes fazer uma comparação?

- Não é difícil dizer – falou Cormac. - Um homem com o descaramento de um satirista, com a belicosidade de uma escrava, com a negligência de um cão, com a consciência de um patife, com a mão de um ladrão, com a força de um touro, com a respeitabilidade de um juiz, com saber engenhoso e perspicaz, com o discurso de um homem majestoso, com a memória de um historiador, com o comportamento de um abade, com o juramento de um ladrão de cavalos. E sendo inteligente, mentiroso, grisalho, violento, blasfemo, falastrão, quando diz: “a questão está decidida, eu juro, jurarás também”.”

Trecho de Tecosca Cormaic – As Instruções de Cormac.
Tradução do druida Bellovesos Isarnos.

* Referências:


ADF - http://www.adf.org/core/
Tecosca Cormaic - http://bellovesos.multiply.com/journal/item/62/62
Audacht Morainn - http://bellovesos.multiply.com/journal/item/57/O_Testamento_de_Morann

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Nova Coluna: O Bosque (Druidismo) por Renata Gueiros

Este é meu primeiro artigo para O Bruxo, e não sei bem como começar; inícios sempre são delicados. Em nossa vaidade, queremos causar boa impressão, ao mesmo tempo em que desejamos compartilhar um pouco do nosso conhecimento com aqueles que se interessam e seguem o mesmo caminho. Resolvi começar apontando como uma pessoa pode iniciar sua busca pelo Druidismo e/ou Reconstrucionismo Celta (RC). Creio ser um bom começo.

É sempre importante que se tenha em mente que o conhecimento druídico da Idade do Ferro (ou seja, o “original”) era transmitido de forma oral. Durante longos anos, aqueles que eram enviados para os druidas aprendiam os ensinamentos, mitos, canções, códigos de conduta, sistemas mágicos, entre outros conhecimentos, de forma oral e prática, quase nunca escrita. E apesar de lamentar bastante por isso, é fácil reconhecer a sabedoria dos que optaram por este sistema. 

A palavra escrita pode ser interpretada da forma que se quiser, pode ser “roubada”, deturpada, mal entendida. E pior, o conhecimento escrito fica lá, eternamente gravado, como se fosse algo imutável, engessado, fixo. Em minha opinião, isso é um perigo para qualquer religião que tenha como base a sacralidade da natureza e do universo. Uma vez que tudo é vivo, mutável e cíclico, como se pode querer definir esse tudo em meras palavras escritas?

Enfim... os celtas e druidas do passado se foram, dizimados por guerras, conquistados e assimilados por outros povos, outras culturas, outra religião. E o que restou de seus costumes e ensinamentos, pode ser encontrado em obras de escritores gregos e romanos, como é o caso do relato bélico de Júlio César – De Bello Gallico, ou nas lendas irlandesas e galesas compiladas na Idade Média, por monges cristãos. Que ironia, não? Como material de estudo ainda podemos contar com publicações arqueológicas e antropológicas, que ajudam a confirmar e esclarecer (ou não) as fontes escritas.

Mas e aí, onde estão os bardos, vates e druidas? Hoje em dia, aqueles que seguem o caminho druídico não vivem mais em tribos no meio de florestas, não guerreiam por sua liberdade ou caçam por sua comida, mas ainda procuram seguir os códigos morais e as práticas dos antigos. Moram em cidades ou na zona rural, a maioria tem acesso a todas as ‘modernidades’, como computador e internet. 

Aqui no Brasil o Druidismo/RC é uma religião que vem crescendo em adeptos, pouco a pouco, com pessoas de todas as partes do país. E é importante que nos conheçamos e troquemos conhecimentos, experiências, idéias... porque há muita desinformação e interpretações errôneas. E sem ter mestre que guie, como pode um aluno aprender adequadamente?

Procurar por pessoas que estejam há mais tempo no Druidismo/RC é o primeiro passo. Através delas, você pode tirar dúvidas, receber indicações de bons livros, bons sites, trocar idéias e tirar dúvidas sobre como celebrar os festivais, por exemplo. Se não existir algum grupo na sua cidade, as redes sociais e listas de discussão estão aí para isso. E claro, não esqueça que não se vive virtualmente, tem que sair de casa, tem que sentir os pés na terra, na grama, sentir o cheiro de mato e o vento nos cabelos. E por favor, não se engane... o Druidismo, como toda religião, é um caminho de buscas e encontros com o divino e sua sabedoria. Não espere que alguém procure o conhecimento por você, isso deve ser de sua iniciativa, de seu interesse. E seja uma pessoa melhor por isso.

domingo, 4 de março de 2012

Druidismo será tema de palestra no ESP- PB

O ESP-PB (Encontro Social Pagão da Paraíba) será realizado no dia 11 de março de 2012, às 15:00h, impreterivelmente. O tema abordado será a "INTRODUÇÃO AO DRUIDISMO ( Da Idade de Ferro ao Renascimento, e os dias atuais)", com Marcílio Diniz (Nemetios Ypuaranako), Druidista, Lituvirus e Fundador dos BRIGAECOI (Castro Druidico Paraibano Brigaecoi), e Recontrucionista Ibero Celtico.

O endereço é na rua Cônego Luiz Gonzaga, 551 - Bairro dos Estados, João Pessoa-PB, na TABA DA ÀGUIA , e a Xamã Yatamalo como nossa querida colaboradora. Os organizadores estarão a disposição para esclarecimentos pelo e-mail: pmalbec33@hotmail.com (Paulo Magno) e pelo telefone (83) 8814-4121 (Kátia Santos)

Os organizadores lembram para aqueles que não sabem chegar ao local, para marcarem um ponto de encontro em frente ao supermercado EXTRA, localizado na av. Epitácio Pessoa, até no máximo às 14:15h. Todos que puderem devem colaborar com o lanche coletivo e/ou uma bebida não alcóolica. A participação é gratuita e aberto para todos os pagãos e simpatizantes.



sábado, 24 de dezembro de 2011

Cientistas descobrem local exato de onde vem certas pedras de Stonehenge

Os cientistas sabem há muito tempo que os monólitos de pedra que compõem o misterioso local Stonehenge, no Reino Unido, viajaram uma grande distância para chegar lá. Porém, até hoje, a origem exata das pedras era desconhecida.
Agora, uma equipe de geólogos britânicos encontrou o local exato de onde o círculo mais interno de rochas foi extraído.
Stonehenge é um antigo local de sepultamento/templo da lua/terra alienígena que foi formado pelos antigos dinamarqueses/um gigante/uma raça alienígena inteligente.

Os pesquisadores calculam que suas pedras maiores vieram aproximadamente de um local a apenas 32 quilômetros de distância, mas os tipos de pedras que compõem o círculo interno – que teriam sido colocadas cerca de 5.000 anos atrás – não são encontradas em centenas de quilômetros.


Usando petrografia (que é basicamente a ciência de detalhar rochas), uma equipe de cientistas pegou amostras da composição mineral de vários afloramentos de rocha em Pembrokeshire, País de Gales.


Em seguida, cruzaram as amostras com as de Stonehenge. Eles descobriram que uma rocha no norte de Pembrokeshire, a 257 quilômetros de Stonehenge, correspondia com a amostra do local.


Ainda há muito mistério em torno de Stonehenge, como a maneira e os motivos pelos quais uma cultura antiga moveu tais grandes pedaços de pedra por tantos quilômetros.


Uma teoria afirma que as geleiras é que movimentaram as rochas durante a última idade do gelo, enquanto outros pensam a pedra era explorada em Pembrokeshire e de alguma forma transportada de Gales para Stonehenge (tarefa mais facilmente realizada por uma nave espacial, daí as teorias loucas que circundam o local).


Ao identificar exatamente de onde a pedra veio, os pesquisadores esperam responder alguns desses mistérios.[POPSCI]

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Pagãos celebram a chegada do inverno em Stonehenge

Druidas e pagãos participaram de uma cerimônia em comemoração ao solstício de inverno no famoso círculo de pedra, Stonehenge, que está no condado de Wiltshire, na Inglaterra. Este dia - o mais curto do ano - marca a entrada da estação no hemisfério norte. Os participantes praticaram rituais típicos da cultura celta e dançaram no local  Foto: Getty ImagesOntem (22) no condado de Wiltshire, na Inglaterra, pagãos de várias partes do país e do mundo participaram de uma cerimônia em comemoração ao solstício de inverno no famoso círculo de pedra, Stonehenge. Esse data foi o dia mais curto do ano no Hemisfério Norte, onde marca a chegada do inverno no hemisfério. Os participantes praticaram rituais típicos da cultura celta e dançaram no local.

A anormal alta temperatura para esta época do ano na Inglaterra encorajou a participação de um maior número de pessoas na comemoração, que no Solstício de Verão do ano passado conseguiu reunir cerca de 20.000 pessoas. Logo após a celebração, danças, música e alegria invadiram o local.

A comunidade druídica do país - Druid Network - foi a responsável pela organização do evento que acontece todos os anos em Stonehenge. Os Druidas são um povo de origem indo-européia que habitavam extensas áreas da Europa pré-romana. Dotados de uma cultura com mistérios e respeito a sacralidade da terra, eles eram sacerdotes do antigo povo celta, sendo conselheiros de reis e mestres espirituais de diversas tribos que habitavam a antiga Gália. Em 2010 o neodruidismo (reconstrução dessa antiga forma espiritual) foi reconhecida como religião na Inglaterra.


Texto de Douglas Phoenix
Fontes consultadas: Terra


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Fotos do II Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta

Nos dias 12, 13 e 14 de Novembro aconteceu o II Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta, sediado na cidade de Cotia (SP). Nesse evento houve a união de diversos grupos e diferentes formas de pensar, onde as diferenças tidas foram deixadas de lado para que o foco fosse o que lhes uniam.

Muitos grupos de todo o país estiveram no evento, dentre eles os Caer Tabebuya, Tyba Imbas hAmairgin, Ramo de Prata, Ramo de Carvalho, Tribo da Onça Parda, Filhas da Lua, Nemeton Samaúma, Anhangapó Brasilis, Clareira Figueira Branca e Caer Ynis, além de diversos outros grupos. O encontro também contou com a presença de pessoas que mesmo não pertencendo a grupos, compartilham da mesma visão que os une.

O encontro do próximo ano já está sendo organizado e promete surpresas. Confira algumas fotos do evento.




Imagens cedidas pelo blog do grupo Caer Ynis

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Líder druida perde caso contra exumação em Stonehenge

Stonehenge é uma das maravilhas do mundo antigo mais famosas de todos os tempos. O curioso círculo de pedras estonteantemente grandes foi construído por volta de 3.000 a.C., como afirmam alguns estudiosos. Realizando pesquisas em 2008, arqueólogos da Universidade de Sheffield exumaram cerca de 50 corpos enterrados no local, na tentativa de entender para quê e o porquê dos círculos terem sido erguidos. Os corpos, segundo análises, são datados de cerca de 5 mil anos.

Entretanto pagãos britânicos, mais especificamente pertencentes ao Druidismo, são contra a exumação dos restos mortais, e estes entraram na justiça pedindo a devolução dos corpos ao seu jazigo. Liderando esse processo contra a ação dos arqueólogos está o líder druida e ex-militar King Arthur Pendragon, que trocou legalmente seu nome. Em entrevista a rede britânica BBC, este disse que teme que os corpos não retornem ao local onde foram encontrados e que ele fará o possível para que isso não aconteça.

Ontem, 23, o líder druida perdeu o processo na Justiça Britânica, e os corpos poderão ser estudados pelos cientistas da Universidade até o ano de 2015. Veja abaixo a matéria feita pela BBC sobre o caso.


Texto de Douglas Phoenix
Fonte: BBC Brasil

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Hostgator Discount Code