segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A Lança: O Ancião.

Já a algum tempo um casal de Deuses me acompanham. Eles são velhos e exalam sabedoria e confiança como só aqueles que já passaram por diversas provações podem ter.

O Deus Ancião, se apresenta pra mim, com cabelos cumpridos e brancos, uma longa barba, usa tranças em seus cabelos e possui um ar de "bom velhinho"; Ele também é duro e me lembra os guerreiros, em sua postura marcial, pronto para qualquer batalha. Possui o porte daqueles que estão acostumados a serem obedecidos, seja lá o que aconteça.

Por que Ele aparece pra mim? É uma boa pergunta... Mas nem eu sei responder. Ele pode me ensinar sobre o tempo da espera, sobre os meandros das batalhas, as perdidas e as que já estão supostamente ganhas. Ele fala sobre liderança. Sobre a paz nos tempos de guerra. E ajuda na travessia pelas diversas fases da vida, afinal ele já passou por todas.

Ele já viveu a pressa da juventude, com todos os seus impulsos. Já teve o peso de um reino em seus ombros. E agora observa e contempla atenciosamente as gerações que virão.

Seu nome não importa! Perdeu-se nas linhas do tempo...

Sua missão, hoje, é acalmar e transmitir a paciência e sua sabedoria antes que a roda da vida complete o seu ciclo e ele volte a ser um jovem impetuoso que necessita aprender várias coisas.

Em toda cultura, existe um Deus Ancião. O mais velho, que querendo ou não precisa abrir espaço para os novos descendentes da cultura. Se ele tiver apreendido bem o seu caminho. Ele cederá de bom grado as informações e o seu poderio. Pois, compreende que isto faz parte do ciclo.

Para entrar em contato com ele, feche os olhos, sinta o ar ao seu redor e perca-se nas linhas do tempo. Passado, futuro e presente não mais existirão. Apenas a existência do existir por existir. Sinta e deixe-se sucumbir na imensidão do seu olhar e nas ondas de sua sabedoria eterna.

Até a próxima semana!

sábado, 3 de novembro de 2012

Diocese no sul da Rússia tentou proibir o Halloween


População cossaca de Stavropol e Diocese da Igreja Ortodoxa local haviam pedido às autoridades para proibir a festa de Halloween prevista para a sexta-feira (25) na cidade, segundo informações da assessoria de imprensa da Diocese de Piatigorsk e Tcherkéssia.
O Ministério da Educação da região de Krasnodar recomendou na quinta-feira (25) que o Halloween não fosse celebrado nos estabelecimentos de ensino locais, por ir “contra o caráter laico da educação e prejudicar a saúde mental e moral dos estudantes”.

No entanto, o governo de Piatigorsk já havia organizado uma festa de Halloween em uma das praças principais da cidade para a sexta-feira (26). Foi a primeira vez que o Dia das Bruxas fez parte dos eventos culturais para jovens promovidos na cidade.

“Acho isso absolutamente inaceitável por uma série de motivos. A celebração do Halloween, que nos foi imposta há 20 anos, é conhecida pelas travessuras e zombaria aos mortos, atingindo a memória de pais e amigos de todos nós”, disse o padre da Diocese local Andrêi Sakhno, citado pela agência de notícias “RIA Nóvosti”.

“Concordo plenamente com os jovens que estão protestando contra a imposição da barbárie e vulgaridade, misturada com paganismo. Nossa Diocese está ativamente reavivando a rica herança cultura de nossos antepassados, para que a comunidade crie cultura ao invés de meramente consumi-la”, afirmou Sakhno, comentando sobre os apelos que diz ter recebido de alguns jovens.

O líder da sociedade cossaca de Stavropol, Anatóli Smolkov, apoia a iniciativa da igreja. “Essa data comemorativa deveria ser banida”, diz.

Há dois anos, a apresentação do curandeiro psíquico Anatóli Kachpirovski foi proibida na cidade a pedido dos representantes da Igreja Ortodoxa Russa, desencadeando uma onda de vetos às suas aparições pelo sul da Rússia.

Publicado originalmente pelo The Moscow News

Fonte consultada: Gazeta Russa

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Caminhando entre as Deusas: Branwen (Parte 2)

Recado da autora: Para ler o início desta história, clique aqui.

Branwen, mesmo estando em uma terra distante e com seus compatriotas presos, não desistiu. Ela treinou um pássaro para que este levasse um recado para seu irmão Bran, o rei da Gália. Enquanto treinava o pássaro, Branwen fazia as atividades que o rei exigia dela e nesse ínterim teve um filho, que também passou a ser maltratado pelos habitantes do reino, ficou conhecido por ser o filho da rameira galesa.

Quando este recebeu a notícia de que sua querida irmã estava sendo maltratada na corte do rei Irlandês, correu logo a preparar uma missava para busca-la.

Bran era muito alto e muito grande, pelo que reza a lenda, e por conta de sua pressa não teve a paciência necessária para esperar sua frota. Então, colocou a frota em suas costas e partiu  a nada para o reino irlandês.

Os Irlandeses começaram a notar de longe algo estranho se movendo, parecia o cume de uma floresta e ficaram a olhar atentamente para ver se conseguiam identificar o que era aquilo que vinha em direção as suas terras.

Branwen quando viu a movimentação entendeu logo o que estava acontecendo e avisou a seu "querido" marido que era o seu amado irmão que estava vindo resgata-la. Matholwch estremeceu dos pés a cabeça e mandou uma comitiva de paz ir receber o rei Galês, lhe dizendo que ele era bem vindo nas terras de seu sobrinho, pois como ardil para diminuir a fúria de Bran, o rei abdicou da sua coroa em favor de seu filho com Branwen.

Bran não quis saber e disse que não lhe interessava saber quem era o rei. Ele havia vindo para resgatar sua irmã e tornar-se rei daquelas terra também. Não abriria mão por conta de seu sobrinho.

Quando Matholwch soube que mesmo com seu ardil a fúria de Bran não  havia cessado, mandou que se preparasse um magnífico banquete e que abrissem espaço em seu castelo para que o rei Galês pudesse entrar, em contrapartida, ordenou aos seus soldados que se escondessem em sacos de grão e ficassem posicionados em várias posições altas do castelo, para que quando o outro rei chegasse, eles o atacassem, matando-o de uma vez por todas.

Bran ficou satisfeito ao saber do suntuoso banquete que o rei Irlandês preparava em sua honra, contudo, seu irmão, Evnissyen, que estava louco e sedento por sangue e batalha, desconfiou do ardil logo que pôs os seus pés no salão e perguntou ao rei irlandês que especie de coisas havia dentro dos sacos. Matholwch lhe disse que era farinha ensacada, que ele havia pendurado para não empedrar e para certificar-se Evnissyen foi até um dos sacos e começou a apertar como se espreme um limão.  Um gemido e um gosma vermelha começou a pingar do saco.

O irmão louco de Branwen disse ao rei que com certeza sua farinha não estava boa e precipitou-se para o rei. Neste momento, Bran também ia chegando o que fez com que o rei Irlandês lhe desse as boas vindas e mandasse trazer seu filho e sua esposa para mostrar aos seus irmãos como ela estava feliz e satisfeita. Todos os galeses cumprimentaram Branwen e seu filho de forma respeitosa e amável. Até chegar a vez de Evnissyen, que louco como estava não teve dúvidas, agarrou a criança e jogou-a no fogo da lareira do salão. 


Referências:

PIETRO, C.; Todas as Deusas do Mundo: rituais wiccanianos para celebrar a Deusa em suas diferentes faces. 2ª ed. - São Paulo: Gaia, 2003 (Coleção Gaia Além da Lenda) 


FRANCHINI, A. S.; As melhores histórias da mitologia Celta. Porto Alegre, RS: Artes e Ofícios, 2011.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Universo Simbólico: Sobre a Fé. (Parte 2)





Olá pessoal, voltamos com os questionamentos sobre fé vistos na semana passada. (Vide Parte 1) Desde já mais uma vez agradecendo a todos pela leitura e um ótimo Beltane para todos!


(...)

Só que o mundo não acaba ai. Levando-se em consideração que cada pessoa possui o seu ritmo, a fé pode ser compreendida e até mesmo conquistada ao longo da jornada com o estudo e fatos que acontecerão. Outro ponto negativo é encarar a Magiah somente como ciência, pois se isso acontece deixa-se passar todo o lado espiritual, ou seja, a razão tomaria conta de seus feitos, só que a Magiah nem sempre é racional.

Encará-la como ciência é perder os fatos extra-sensoriais que a razão não permite que tomemos conhecimento. Quando a fé se torna técnica demais a vivência do natural se torna nula, pois a visão é totalmente diferente do conceito de fé.  Ela jamais pode ser retirada do Magista sem que o mesmo seja destruído. Eles são um só desde o princípio do acreditar. Quando dizem que a fé move montanhas é uma metáfora mais que real.

Pessoas morrem, matam, mudam e criam conflitos pelo simples ato da fé, então se raciocina que ela tem forte influência sobre os homens, pois o ser humano é feito de puro desejo. Não há nada no ser humano que não seja fruto de seus anseios, do ponto mínimo até o seu ápice.

“Quando mais o ser humano deseja, mais insatisfeito ele fica, pois o próprio desejo deseja novamente desejar.”
(D’anjeloTerah)


Exemplos de ações provocadas pela fé:

 A Inquisição
II Guerra Mundial (Fé no poder do Estado)
 Disputas em Jerusalém entre Palestinos e Judeus.

Sem Ela o caminho é completamente vazio, mas também não seria negar a razão e a inteligência por completo, pois a fé se divide em várias características e é fundamentada em diversos fatores:

 A Fé como conhecimento: Conceito de que o conhecer é a Luz da fé e é a aceitação do conteúdo como verdadeiro.

A Fé como obediência: É a conversão interior e entendimento profundo da crença revelada. Uma fé natural por acreditar.

 A Fé opção fundamental do homem: É a pura conversão. O acreditar que é inerente ao homem, uma mudança definitiva.

 A Fé irracional: Mesmo não abandonando a razão, o homem tem que justificar sua crença, chegando a ser uma fé inumana, pois vai contra a sua natureza.

Imanência e Transcendência da Fé: “O acesso da fé fundamenta-se unicamente em Deus e exige a iluminação interior, mas a fé não pode ser privada da luz da razão”. (São Tomaz)

É a iluminação interior voltada á Deus sem abandonar a voz da razão.

Inculturação como aspecto negativo: A fé só existe se estiver ligada a uma cultura, para que venha ser vivida, sentida e aceita. Assemelhando-se a cultura, a fé incultura-se fazendo presente em qualquer sociedade.


Portanto, com tudo que foi comentado entendemos a importância de se estar equilibrado, mantendo os lados da teoria e da prática, unidos até o fim do caminho. Percebemos também a necessidade de se ter foco no que realmente se quer e saber expressar a sua verdadeira vontade após descobrí-la. Para querer é preciso que se acredite, e este acreditar deve ser levado a sério, pois é essencial para o fim do objetivo. Dedicar-se não se torna apenas cumprir um prazo de estudos, e sim, procurar manifestar todas as suas vontades no próprio cotidiano.

A "verdadeira" Magiah deve ser sentida e vivenciada. Temos que pensar mais em sermos grato por Aquela que nos deu a vida, e sermos gratos também por tudo que está a nossa volta, afinal a Magiah está em tudo e principalmente é parte da Divindade que habita cada Magista.


A Todos,
Pax, Lux et Nox

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A Lança: Tropeços! E acertos!




Caminhar entre Deuses e Deusas é sempre algo deveras complicado, vocês devem saber bem disso! No entanto, sempre existe um ou outro com o qual você mais se identifica!

Eu, por exemplo, quando sentei para escrever o post desta semana pensei: "Hum... quem será?"... Me vieram alguns nomes mas não consegui desenvolver, e foi quando saquei pela milésima vez que entrar em contato com a parte masculina externa é deveras complicado! Ops! Ela é interna também!

Thot, por exemplo, pega no meu pé desde fevereiro para que eu sente e vá conversar com ele. Inclusive para criar um meio próprio de comunicação. Eu até tentei... mas fiquei no meio do caminho. Linhas malucas pra se criar um alfabeto todo... Mas quem foi que disse que ele me deixou???


Mesmo problema tenho com Apolo. Utilizo muito a ajuda dele para tirar o tarot mas às vezes, Ele gosta de me deixar cega com sua luz estonteante!

Osíris, eu vou deixar passar! Principalmente, Ele depois de ressuscitado! Sem comentários!

Já Shiva e seu mantra de limpeza é genial! Mas me deixa totalmente arrepiada!

Enfim, conversar com as Deusas é muito mais fácil para mim. Os Deuses me metem medo ou é necessário uma reverência que eu teimo em ter. Não por conta de sua sabedoria, não é isso! Mas por conta das minhas experiências com a imagem masculina do homem atual, entrar em contato com os Deuses é muito mais complicado. Ou talvez, tenha sido uma crise de fé que tenha iniciado na infância.

Das três facetas, a que melhor eu converso seria a do "Velho Sábio", mas também eu converso melhor com a "Anciã". O "Pai" e o "Jovem" são demais tempestuosos e malucos, me deixam confusa, me deixam aos tropeços.

Então, a pergunta de hoje, a grande reflexão de hoje é, como tropeçar e continuar a jornada rumo ao conhecido e desconhecido dos Deuses antigos? Como posso reverenciá-los atualmente? Sem me despojar do manto do amor? Como entender o lado da guerra, do seco, do amante? Eles são carinhosos e compreensivos como as Deusas que cruzaram meu caminho? Ou Eles pedem e requerem o que eu ainda não posso dar? Como confiar? Como ter fé na figura que foi talvez a mais deturpada?

Creio que com a evolução do neopaganismo, a imagem da Deusa foi muito mais cultuada e adorada. Precisávamos disso no início, mas agora... Ela sente falta do seu Consorte e é preciso resgatar e recuperar as imagens dos Deuses tais quais Eles verdadeiramente são e não como a cultura patriarcal e machista construiu ao longo dos últimos séculos.

Por isso, é preciso que tanto os homens como as mulheres compartilhem suas experiências com estes Deuses. São poucos os comentários sobre Eles. Sobre as Deusas são abundantes... Mas Ela precisa do equilíbrio que Ele também lhe concede. Porque os dois juntos formam o Uno.

O post dessa semana foi para refletir sobre como andam a relação de cada um de nós com os Deuses, com o Deus que habita em cada um de nós. Até a semana que vem e boa reflexão!

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Índios guarany-kaiwá: 555 suicídios já foram registrados na região


Integrantes do grupo de guaranis-kaiowá que ocupam área de fazenda na região de Iguatemi (MS) (Foto: Ascom/MPF-MS)
O caso do grupo de 170 índios Guarany-Kaiwá que ocupa 2 hectares (20 mil m²)  de uma fazenda privada em Iguatemi (MS), a 466 km de Campo Grande, desde novembro de 2011, e teve sua retirada decretada pela Justiça é resultado de um longo processo de conflito na região. Nesta quinta-feira (25), o Ministério Público Federal (MPF) e a Fundação Nacional do Índio (Funai) recorreram da determinação da Justiça Federal de devolução da área.

Na última semana, uma carta divulgada pelos indígenas pediu a intervenção do governo federal para evitar a retomada. Os índios alegam “ter direito de sobreviver à margem do Rio Hovy e próximo do território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay”, nome antigo da região que, segundo estudos da Funai, era ocupada desde tempos ancestrais pela etnia.
'Morte coletiva'
Na carta divulgada pelo Conselo Indigenista Missionário (Cimi) no último dia 19, escrita pela comunidade da Terra Indígena Pyelito Kue, os índios pediam que a reintegração de posse não fosse feita e afirmaram que, se a Justiça Federal continuar com a decisão, isso decretaria sua “morte coletiva”. A expressão chegou a ser interpretada como a possibilidade de este grupo cometer suicídio coletivamente. O Cimi, no entanto, explicou que a expressão se referia ao fato de que os indígenas pretendiam resistir juntos, a todo custo.

Apesar de não pretenderem se suicidar coletivamente neste caso, a população guarany-kaiwá de Mato Grosso do Sul é marcada por uma alta taxa deste tipo de morte. Segundo relatório do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI/MS), entre 2000 e 2011 foram registrados 555 suicídios entre jovens guarany-kaiwá (com idade entre 15 e 29 anos) - uma taxa de mortalidade 62,01 mortes para cada grupo de 100 mil pessoas. Em 2007, o índice nacional era de 4,7 para cada grupo de 100 mil pessoas.
São jovens, principalmente, “sem perspectiva de vida, frustrados, que, às vezes, por conta de pequenos problemas cotidianos, chegam a essa decisão extrema. A responsabilidade pela situação, evidentemente, não é dos indígenas, é de quem criou o confinamento, o estado brasileiro”, complementa.
Com 43.401 indígenas guarany-kaiwá vivendo no estado, a disputa por terras entre índios e produtores rurais é resultado de um longo processo histórico. Dados do levantamento “As violências contra os povos indígenas em Mato Grosso do Sul”, divulgados no ano passado pelo Cimi, afirmam que entre 2003 e 2010, 250 indígenas morreram assassinados. Entretanto, não há comprovação de que os crimes têm relação com conflitos agrários.
A Funai aponta que em todo o estado existem atualmente 24 terras indígenas regularizadas ocupadas pelos guarany-kaiwá. O total de terras equivale a 90,4 km² -- cinco vezes o tamanho da Ilha de Fernando de Noronha. No entanto, a área atual destinada aos indígenas está muito aquém de uma estimativa feita em 2008 por um grupo de estudo da própria Funai, que informou serem necessários 6 mil km² apenas para a população dos guarany-kaiwá – área cinco vezes maior que o tamanho do município do Rio de Janeiro.
Sobre o caso de Pyelito Kue, a Funai afirma que acompanha o processo judicial aberto pelo proprietário de terra contra a demarcação feita pela instituição e complementa informando que continuará prestando assessoria e acompanhamento jurídico, “confiando na decisão em favor dos indígenas, no sentido de reconhecimento e da reafirmação do povo guarany-kaiwá às suas terras de ocupação tradicional”.
Fonte: G1

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Caminhando entre as Deusas: Branwen (parte 1)

Branwen, Deusa galesa do amor. É filha de Llyr e Penarddun. Seu nome significa "corvo branco". Considerada muitas vezes como matriarca da Britânia, também é associada a Afrodite, Ártemis e Ériu. Sua faceta primordial é o aspecto Virgem da Deusa, no entanto, também possui muitos atributos da Mãe.

Dizem que ela é a materialização da soberania e representa o espírito da terra. Possui um coração puro e a capacidade de promover os reinícios, pois em seu poder está o caldeirão da plenitude que restaura a vida e onde os novos inícios são formados. 


É celebrada na lua cheia de Junho e reverenciada em cada lua crescente. E sua lenda explica o porquê de tantos atributos:

Conta-se que um belo dia o rei irlandês Matholwch aportou nas terras do rei galês Bran, o Abençoado, atrás de casar-se com a irmã deste, Branwen, a fim de fortalecer o poder das duas coroas. 

Bran reuniu-se com seu conselho e resolveram dar a mão da moça em casamento. Este ocorreria dentro de poucos dias, e os preparativos começaram e todos ficaram extasiados, principalmente o rei Matholwch, pois a beleza da moça era inacreditável. No entanto, houve um pequeno problema!

Evnissyen, outro irmão da noiva, estava em viagem e não soube do ocorrido. Ao chegar no castelo do irmão e ver aquela correria toda perguntou a um cavalariço o que estava ocorrendo, e quando este lhe contou sobre o noivado de Branwen, ele ficou estarrecido e completamente furioso. Como haviam dado a mão da sua irmã sem seu consentimento e ainda mais para aquele rei irlandês?! 

Ele não teve dúvidas, dirigiu-se ao estábulo e perguntou ao servo que guardava os cavalos qual era o do rei irlandês, mandou o servo afastar-se e rumou para o cavalo de Matholwch, retalhando o cavalo em várias partes. Mas isso não acalmou sua ira e ele continuou a matar todos os cavalos da corte do rei irlandês.

Matholwch ao saber da notícia quis partir imediatamente, e Bran tentou aplacar sua fúria dizendo-lhe que restituiria os cavalos com os melhores cavalos de suas terras e lhe daria uma bacia de ouro e um báculo de prata de seu tamanho. Matholwch aceitou o ouro e a prata desde que fossem do tamanho de Bran e pediu ainda que lhe fosse restituído o caldeirão mágico. O caldeirão mágico havia sido dado de presente a Bran em uma de suas visitas a Irlanda, e ele possuía o poder de restituir a vida aos guerreiros mortos que fossem mergulhados no seu interior. No entanto, eles voltavam mudos. Bran aceitou de malgrado devolver o caldeirão, mas era melhor do que ter a fúria do outro rei. 

Com suas novas preciosidades no navio, o caldeirão mágico e Branwen, o rei irlandês voltou para suas terras. O povo da Irlanda e a nobreza não gostaram do que havia acontecido, e mesmo Matholwch dizendo que o que havia sido feito já estava reparado, eles não aceitaram e trataram de exigir ao rei que este tratasse Branwen como uma rameira e criada qualquer. Além disso todos os galeses que viviam na corte do rei foram presos. E assim, a mais nova rainha percebeu-se sem meios de pedir ajuda a seus irmãos...

Bem, o resto da história fica para a semana que vem... Até a próxima!


Referências:



PIETRO, C.; Todas as Deusas do Mundo: rituais wiccanianos para celebrar a Deusa em suas diferentes faces. 2ª ed. - São Paulo: Gaia, 2003 (Coleção Gaia Além da Lenda) 

FRANCHINI, A. S.; As melhores histórias da mitologia Celta. Porto Alegre, RS: Artes e Ofícios, 2011.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Universo Simbólico: Sobre a Fé. (Parte 1)


Olá pessoal, resolvi postar sobre a fé, não com o intuito de propagar uma visão ideológica baseada no fanatismo, nem ofender a nenhuma tradição e suas pessoas envolvidas, muito menos criar “viagens”, onde a fantasia, que infelizmente assola nossos dias, roubam as cenas da realidade pagã protagonizando um espetáculo triste aos nossos olhos. O texto que apresento é a síntese de um reestudo do Codex Hermeticum, onde surgiu através de um debate feito no “Círculo de Estudos Pagãos Tuatha Lunar” um texto denominado “Raízes- Conclusões da alma”. Partindo do princípio que NÃO existe verdade absoluta, desde já agradeço a todos pela leitura.


A Fé como base de tudo

O ser humano por si necessita de uma crença para responder aos seus questionamentos, para isso tem que haver fé acima de tudo. Segundo o contexto Bíblico (Hebreus, Cap. 11 e 12) temos o maior e melhor conceito de fé já desenvolvida:

“A Fé é a expectativa certa de coisas esperadas, a demonstração evidente de realidades, embora não observadas”.

Ou seja: “É a certeza de coisas que se esperam, e a convicção de fatos que não se vêm!”.

Mesmo tendo que acreditar em alguma coisa, com o passar do tempo a fé transformou-se em sinônimo de caretice religiosa, e falar nela em público tornou-se motivo para ser taxado como maluco ou fanático, porém a fé e tão antiga quanto o próprio homem.

Na Magiah, Ela é tão fundamental quanto se ter uma boa oração gravada na mente, até porque, se o Magista não possuir acreditar suficiente na oração, ela somente será um amontoado de palavras sem sentido e com certeza o destino será a queda.

No caminho do Magista mesmo antes dele sonhar em ser um estudante da Arte, em sua vida considerada “normal”, ele já possui várias dificuldades. Quando ele conhece o caminho essas dificuldades parecem que se duplicam fazendo com que o Magista além de acreditar que ao adentrar no caminho sua vida desmoronou faz também com que desista de prosseguir.

“Para cada fase da vida, dificuldades em níveis semelhantes”.


Em contra partida existem lados opostos de outros religiosos que dizem: “Bastou me afasta da Magiah e abraçar a Jesus (ou outro Avatar de qualquer religião) para minha vida mudar”. Ou ainda: “Esses crentes fazem tudo colocando a fé em Deus e FUNCIONA!”.

Com o Magista deveria ser da mesma forma, porém hoje vemos pessoas que mal começaram a trilhar os caminhos e se acham os donos da verdade, os todos poderosos e de puros pensamentos, que acreditam que tudo é pensar. Enquanto o Magista pensa, o crente FAZ. Eis o segredo do sucesso deles.

Crentes, (aqueles que acreditam) estão à frente de uma visão de fé totalmente eficaz e que de certa faz parte de um todo. E porque não também da Magiah? Será que nós também não acreditamos que existe uma Divindade que zela por tudo e por todos? Será que é caretice ou vergonhoso expressar Amor e Fé naquilo que realmente acreditamos? Será que nós também não devemos demonstrar todo o nosso acreditar?  Perguntas como essa devem ser feitas a muitos Magistas e se observar as respostas insensíveis (existem exceções) que se obtém. Particularmente é desanimador saber que essa falta de sentimento para com a Divindade existe.


FAZER, esse é o segredo. E se o estudante deixar a ignorância (ato de ignorar) e de julgar, mais rápido perceberá que o caminho da Arte será mais fácil de seguir. Se for feito o contrário o estímulo do Magista tende a regredir drasticamente. Mesmo o caminho mais fácil faz com que o pensamento seja de estrada árdua e a motivação desaparece. A maioria dos Magistas, como citado acima,sentem-se os donos do mundo e conhecedores de sua própria vontade, acham-se bons o suficiente para fazerem tudo sozinhos e quando erram não são humildes para assumirem o tal erro.

A Magiah assim como outra religião qualquer não atrairá problemas para o estudante. A religião em si veio para religar (daí o nome Religião do Latim= Religare = Unir) o homem com Deus. Já a Magiah tem o compromisso em restabelecer o contato e fazer com que o ser humano perceba o ser Divino que ele é, e que com o passar dos séculos se deixou esquecer. Ela como qualquer crença é baseada em princípios éticos que devem ser seguidos. E uma coisa que se observa na maioria das vezes é que a Magiah é utilizada como primeiro recurso, ou como uma fonte de resolução de problemas de forma instantânea, coisa que não se deve fazer, pois é como normalmente se ouve:

“Deus não fará pelos homens aquilo que eles não fazem por si mesmos!”

Daí acontece também que na maioria dos casos o Magista não consegue realizar aquilo que desejava. Primeiro por falta de Fé, (ingrediente fundamental) segundo por utilizá-la antes que os métodos convencionais. (lembrando que existem exceções)

Certamente não podemos ser hipócritas em dizer que temos o "poder" de mudar as situações e não devemos usar, mas é bem comum por uma forma de vício esquecermos de utilizar métodos naturais para a resolução de nossos problemas. Sendo assim, até que ponto é válido possuirmos tal conhecimento e quais as formas de expressar o nosso acreditar? Até a semana que vem.

A Todos,
Pax, Lux et Nox

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A Lança: Brahman x Brahma

Olá, queridos leitores!

Semana passada falei um pouco para vocês sobre Brahman, Deus Hindu. E um de nossos leitores ficou com a seguinte dúvida: 

"O mantra 'OM NAMO BRAHMAYAYA', não seria 'OM NAMAH BRAHMAYA'?"

E fez o seguinte comentário:

"Ah, e não confundir Brahman com Brahma, que juntamente com Vishnu e Shiva formam a trindade clássica hindu. Brahman está acima da trindade Brahma-Vishnu-Shiva. Fica a dica".

Então, hoje irei responder a dúvida e falar sobre o comentário.

Iniciarei sobre o comentário: realmente, existe uma diferenciação entre Brahma e Brahman. Brahman, como eu falei no primeiro texto sobre Ele nesta coluna (clique aqui, para ler), é aquele que estava no vazio primordial e Tornou-se, Ele é, simplesmente: "Ele nasceu do infinito oceano da existência, foi o primogênito e primeiro entre os Deuses. Dele nasceu o universo e por isso Ele o protege. Seu conhecimento é o alicerce de todo o conhecimento [...]" (A Lança: Brahman, parte 1). Dele, nasceu tudo o que conhecemos e todos os outros Deuses. Por isso, ao sair do ovo dourado depois de um ano de cósmico, ou um ano de gestação, assim digamos, ele tornou-se Brahma, já sem o N. 

Ou seja, Brahman é a essência que não pode ser dita, que não é compreensível, Ele cria a si próprio e dá-se à luz como Brahma. Esta faceta de Brahman torna-se, então, incumbida da grande tarefa de construir o mundo tal qual o conhecemos, e suas criaturas. Ele torna-se o equilíbrio entre Vishnu e Shiva. Além disso, existem várias outras histórias de como Brahma nasceu.

Então vejam bem, eu não sou hinduísta e tenho uma visão deveras particular das divindades. Para mim, todas as divindades são faces de algo que eu não posso compreender totalmente com o intelecto que eu tenho. Por isso, crio aspectos, facetas e leio as histórias que mais se assemelham ao que eu estou passando pelo momento. Assim, Elas tornam-se um aspecto perto do meu Eu individual, algo mais próximo de mim, algo que eu possa entender. Por isso, não me preocupei antes em fazer a distinção, muito bem pontuada por nosso leitor. 

Para mim, Brahman será uma palavra que abrange tudo e possui as facetas e particularidades de Brahma, Vishnu e Shiva. Ou melhor dizendo, Brahma, Vishnu e Shiva, também são Brahman. Me repito? Repetirei mais uma vez: Brahma, Vishnu e Shiva são manifestações de Brahman, pois, Brahman, tal qual Ele é, não pode ser entendido visto que Ele é algo ilimitado e os conceitos de ilimitado, de um mundo sem dualidades, de um espaço primordial onde só existe potencial é algo que nossa mente praticamente não consegue conceber. A gente tem um vislumbre... apenas...

Alguns autores também compartilham desta visão. Abaixo, deixo algumas fontes para que se possa ler mais sobre Eles e suas histórias.

Agora, vamos ao Mantra...

Os mantras que encontrei que se assemelham em escrita e som dos mantras indicados: OM NAMAH BRAHMAYA e o OM NAMO BRAHMAYAYA.

Foram os seguintes:

OM HRIM BRAHMAYA NAMAH (mantra para elevar o estado de ânimo, para felicidade)

OM NAMAH SHIVAYA (Saudações a Shiva, o grande transformador, o grande yogue.)

OM SRIM NAMAHA (mantra chakra plexo)

e o composto:

"OM NAMAH SHIVAYA
OM NAMAH BRAHMAYA"

Ou seja, não sei qual das duas versões está certa, mas pelo que eu pude entender das pesquisas que fiz, NAMAH, significa eu me curvo, eu me prostro, diante do senhor tal. Assim como NAMO, também pode ter o significado de prostrar-se diante de, como reverenciar. Por isso, normalmente eles se encontram antes dos nomes dos Deuses. E o YA Do BRAHMAYAYA significa a caraterística masculina ativa do mantra.

Enfim, quaisquer comentários que possam vir a ter, por favor, comentem, inclusive no corpo do blog, assim poderemos manter um diálogo e aprender juntos cada vez mais.

Até a próxima!

Referências:


domingo, 21 de outubro de 2012

O Desafio do Paganismo



O paganismo foi uma bela criança. Teve alguns probleminhas de saúde mas vingou, frequentou a escola, teve professoras ruins que serviam magia feita de leite em pó, que misturavam umas coisinhas no mingau para ficar mais gostoso, teve amigos e desafetos, ficou adolescente e se rebelou, até anjo entrou no círculo mágico. Fez 18 anos e virou piada de mal gosto, ainda havia acne em seu rosto. 

Agora é um adulto de pele linda, cabelo escovado e roupa nova, sabe arrumar o armário e não gasta R$ 4.90 em literatura barata, aprendeu a ler coisa decente. Mas este adulto sabe para onde deve ir?

Provavelmente não!

Cair não nos ensina a andar, nos ensina a levantar. Precisamos exercitar as pernas para saber dar passos. Atualmente temos pouca produção, pouca originalidade e nada de questionamentos. Afinal de contas, quem disse que quartzo rosa serve para atrair amor? E se no fim ele serve para repelir? Os pagãos acostumaram-se a começar do nada, enfrentar a família e a errar horrores para depois acertar, mas neste processo perderam completamente a criatividade e o bom senso, utilizando-se de tabelas há muito obsoletas, sem nenhum sentido em sua cabeça.

A lua azul é poderosa. Sabbath é pela roda norte. Turmalina negra serve para proteção. Deus tal é para tal coisa...

O pagão aprendeu a colar na escola, aprendeu a decorar, mas esqueceu de pensar. Este adulto é sério, tem uma casa e uma esposa, mas não sabe o que fazer com um livro de receitas. Sabe que sal é salgado, mas nunca engoliu uma colher dele. Este adulto é preguiçoso, egocêntrico, deslumbrado e impulsivo. Este adulto precisa de amigos, precisa passar necessidade e estender mais a mão, precisa sair do sonho cor de rosa e ver que há muito a ser feito, antes que vire um velho ranzinza, e perca toda a graça (Amém refresca a memória).

 
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