sexta-feira, 8 de junho de 2012

O Bosque: O Salmão do Conhecimento

A lenda conta a história de como um garoto chamado Fionn tornou-se um sábio homem ao ser a primeira pessoa a comer o Salmão do Conhecimento. Fionn depois iria liderar um bando de caçadores e guerreiros conhecidos como Fianna, e tornou-se um dos maiores heróis na mitologia celta. 

A história se passa próximo ao rio Boyne, o qual tem maior fluxo através dos condados de Louth e Meath na Irlanda. Neste rio vivia um salmão mágico. Sua pele brilhava como prata e ele comia a avelã que crescia na margem do rio. O peixe era chamado de Salmão do Conhecimento. Um druida tinha predito que qualquer um que comesse o salmão ganharia seus poderes mágicos e teria o conhecimento de todas as coisas. O velho poeta Finnegas, que vivia junto ao Boyne, tentava há muitos anos pegar o salmão. Ele tinha esperança de ser o primeiro a comê-lo e obter seus poderes mágicos. Um dia um jovem garoto veio correndo em direção a ele. “Quem é você?” perguntou Finnegas, “por que você está correndo”? “Meu nome é Fionn, disse o garoto”. “Meu pai foi morto em batalha, agora seus inimigos querem matar a mim também”. “Não tenha medo”, Finnegas disse gentilmente. “Fique comigo e eu cuidarei de você”. Fionn viveu alegremente com Finnegas, aprendendo a ser um poeta. Um poeta era tido em alta estima na civilização celta. Fionn pensou que ao tornar-se um poeta estimado estaria protegido dos guerreiros. Em retribuição Fionn passava o dia limpando a cabana e cozinhando as refeições à noite. Ele adorava ouvir o velho homem contar histórias maravilhosas. 

Um dia Finnegas foi pescar como sempre, tentando pegar o salmão. Depois de pouco tempo ele veio correndo para a porta da cabana. Em suas mãos ele carregava um enorme peixe. “Eu peguei o Salmão do Conhecimento,” gritou ele alegremente. “Agora terei grande conhecimento”. Rapidamente Fionn acendeu o fogo e em breve o salmão estava cozinhando. “Cuide do peixe, enquanto pego mais lenha para o fogo”, ordenou Finnegas, “mas você não deve prová-lo”, avisou ele a Fionn. 

Fionn sentou olhando o salmão cozinhar sobre o fogo. Ele ficou ali sonhando acordado com quais poderes maravilhosos o salmão poderia trazer. Enquanto ele sonhava olhando o salmão cozinhar, percebeu uma bolha se erguendo nele. Sem pensar ele furou a bolha e no processo queimou seu dedo. Automaticamente ele colocou o dedo na boca para esfriá-lo. Inconscientemente ele foi o primeiro a provar o Salmão do Conhecimento. Finnegas voltou e Fionn contou a ele o que tinha acontecido. Finnegas decretou “Você ganhará grandes poderes, deve ir agora e tornar-se líder dos Fianna”. E assim foi. 

Com Finnegas, Fionn aprendeu as três coisas que fazem um poeta, e elas são o Fogo da Canção, Luz do Conhecimento e a Arte da Recitação Improvisada.

Fonte: http://www.lookaroundireland.com/irish-legends/salmon-of-knowledge/
Tradução: Renata Gueiros

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Caminhando entre as Deusas: Urvashi

No hinduísmo as ninfas que conhecemos nos mitos gregos e romanos possuem o nome de apsaras. As apsaras são portanto espíritos femininos das nuvens e da água. Elas banham-se em lagos e rios e passam a maior parte do tempo provocando o desejo dos asuras (demônios hindus) e possuem uma mitologia própria ligada aos ritos de fertilidade.

No entanto, estamos aqui para falar de Urvashi. Urvashi é uma das 26 apsaras que existem na corte do Deus Indra (Rei dos Deuses no hinduismo). Na verdade, ela foi criada pelos sábios Nara e Narayana (encarnações do Deus Vishnu) quando Indra mandou que duas apsaras os tentassem. Ela era uma mulher de beleza inigualável e foi dada a Indra pelos dois sábios e todas as outras apsaras ficaram envergonhadas frente a Urvashi.

Uma de suas histórias mais famosas é a de sua relação com o rei Pururavas. Conta a lenda, que Urvashi certa vez estava no rio a banhar-se completamente nua e assim exercendo o seu ofício, quando um trio de asuras resolveu tê-la como alvo. Eles sequestraram-na e ela pôs-se a gritar pedindo ajuda. O rei, que passava por ali, logo ouviu os gritos de uma donzela em perigo e como não poderia deixar de fazer, foi ajuda-la. Os demônios que já esperavam por isso, haviam preparado uma armadilha, deixaram um cuidado de Urvashi e os outros dois posicionaram um pouco mais adianta em posições opostas, assim um teria que lutar contra três. E foi isso que o asura falou ao ver chegar o rei.

O rei nem tomou conhecimento do desafio que havia à sua frente, simplesmente pegou o seu arco, colocou três flechas e disparou cada uma delas atingiu em cheio o seu alvo. Urvashi assistia a tudo e estava embevecida com o seu salvador e seduziu-o, chamando-o de "meu herói". O rei por ela se encantou e pediu-a em casamento. Ela aceitou mas com uma condição que ele NUNCA aparecesse em sua frente nu.

Na noite de núpcias, no entanto, aconteceu um pequeno problema. Urvashi tinha dois cordeiros que amava bastante e que sempre levava-os consigo. Ela amarrou um de cada lado da cama e enquanto aproveitava a noite com o seu marido, os gandharvas (a contrapartida masculina das apsaras e extremamente ciumentos para com elas) aproveitaram para se vingar de Urvashi, carregando um de seus cordeiros. Urvashi ao acordar e ver que um dos seus queridos animais não estava lá, pois se a gritar desesperada para acordar Pururavas. Por mais que não quisesse levantar e que a esposa deixasse o assunto de lado, o rei teve que levantar pois a esposa já estava fazendo um escândalo por ele não ser o herói que ela esperava. Ele levantou de um pulo, esquecendo-se que estava nu. Ela viu suas nádegas e foi logo tomada de um tom de vermelho de pura vergonha e reclamando com ele por ele ter quebrado a promessa que lhe fizera. Ele pediu que ela o esperasse e saiu correndo para procurar o animal de sua amada, no entanto ela não esperou e foi embora.

Pururavas enlouqueceu ao retornar e não encontrar sua amada e saiu em busca dela. Desesperadamente ele procurou em todos os cursos d'água da Índia e depois de muito andar é que encontrou um cisne no qual reconheceu sua amada. O cisne tentou ir embora, mas o rei desesperado pediu para que ficasse, que o escutasse e neste momento já tomado de um misto de amor e ódio ele falou com ela asperamente e isso foi o que fez com que ela dissesse para ele que voltasse no último dia do ano para gerarem um filho. 

No último dia do ano, ele voltou e ela concedeu a ele um desejo que ele ingenuamente pediu para que ela escolhesse, Urvashi disse para ele escolher ser um gandharva e ele aceitou para que pudesse ficar perto de sua amada. Para que o pedido fosse concretizado ele recebeu um prato com uma chama celestial no qual ele deveria fazer suas oferendas. Contudo, ao retornar para casa com seu filho e o prato, a chama apagou-se, nascendo dela uma árvore, Ashvatta, e um arbusto, Shami.Um gandharva que lhe acompanhava disse-lhe para usa-los para acender novamente o fogo sagrado, assim ele conseguiu reacender o fogo e ao chegar em casa, fez suas oferendas e viu seu desejo ser realizado. Logo tratou de trazer de volta sua amada e assim os três viveram felizes (obs.: a lenda não explica se o bebê virou um gandharva).

Outra história sua conta de uma lição que ela deu em Arjuna (um herói da mitologia hindu) por ele rejeita-la, por ela ser como uma mãe para ele. Ela amaldiçoou-o com a perda de sua masculinidade, a maldição teria efeito por um ano e durante este ano Arjuna viveu como mulher, servindo em uma corte e ensinando outras mulheres a dançar e cantar.

Estas são algumas das historias de Urvashi. Ela seduziu e encantou, usou de seus dotes para tentar e testar a capacidade das pessoas se superarem. 

Beijocas estaladas no coração de todos e até a semana que vem!

Bibliografia consultada:

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Universo Simbólico - As Velas, os Dias e os Planetas.



Olá pessoal, velas nos acompanham desde as eras mais remotas, imersas em seus mistérios e regras, e com utilidades que foram mudando ao longo do tempo. Hoje temos todos os tipos, tamanhos, cores com suas vibrações muito úteis e formas, porém nem sempre sabemos utilizá-las de forma adequada. Pensando nisso criei este post para que possamos entender um pouquinho deste elemento, de onde ele surgiu e como atua seu papel que apesar de tão característico não somente foi criado para iluminar ambientes.

As velas são mencionadas desde as escrituras bíblicas por volta do sec 10a.c., mas desde 50.000a.c. já eram utilizadas como bastões para iluminar nos diversos cantos do mundo. Feitas com banhas de animais ou até mesmo cera de abelha, eram mal cheirosas e soltavam uma fumaça que ninguém aguentava, porém não tinha outra saída já que na antiguidade não haviam pessoas especializadas nesta arte. Somente na França por volta de 1292 que elas viraram comércio e em 1921 elas começaram a se tornar o que basicamente hoje entendemos por velas.

Na Magiah as utilizamos para nos ligar com o lado espiritual, pois os pagãos antigos assim como os modernos, olhavam para o interior das chamas e desvendavam coisas que eram misteriosas como prever o futuro, ver espíritos ou entrar num estado alterado de consciência, seja num simples oratório ou até mesmo em rituais mais elaborados. O ato de acender uma vela com uma intenção Mágicka é conhecido como “Balfire”. 

Por volta do Sec. IV a Igreja utilizou das velas santas e consagradas como meio de redenção de pecados e extermínio de demônios, além de ficarem muito populares na idade média para espantarem as bruxas, na cruel caçada, segundo o Livro  Malleus Maleficarum (1486). É necessário alguns cuidados com o manuseio de velas e muitas mensagem a nós são passadas quando fazemos um Balfire, o que nos falta é abrir a mente e receber. As velas possuem uma correspondência que é similar aos cristais com suas as cores, planetas e dias da semana. Todas estas correspondências são de total importância para as nossas atividades. Um potencializador que será descrito agora num breve Sinthema:

Domingo (Sol) – Propício para nos dar energia e vitalidade. Ideal para rituais de prosperidade. Cores: Dourado, vermelho, amarelo e laranja.

Segunda (Lua) – Dia que propicia a conexão com o oculto. Essencial feminino e ótimo para ritos de vidência e espiritualidade. Cores: Azul-claro, Prata e branca.

Terça (Marte) – Ideal para rituais de transpor obstáculos e vencer batalhas. Cores: Vermelho, verde e Magenta.

Quarta (Mercúrio) – Dá mente ativa e serena para atingir projetos, alem de favorecer a comunicação. Cores: Amarelo claro, Azul escuro e violeta.

Quinta (Júpiter) – Dia de resolver temas ligados a liderança. Dia mais favorável para todas as atividades Mágickas. Cores: Azul escuro, Púrpura e Lilás.

Sexta (Vênus) – Bom para feitiços amorosos de amizade e beleza. Cores: Rosa e azul celeste.

Sábado (Saturno) – É o dia de queima de Karma e propício para termos paciência e concretizarmos projetos demorados. Cores: Violeta, púrpura e branca.

Sabendo cada utilidade fica mais fácil realizar nossos ritos e as chances de fracasso se convertem em pedras que se tornam base para alcançar o pleno êxito.



"Que as chamas destas velas possam sempre iluminar o nosso caminho!"

A Todos,
Pax Lux et Nox!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Filosofia Oculta: Parte 06 [final]

(Parte 06: O Homem)

Lord Vincus: Me parece este, um assunto mais fácil, e por ser mais próximo, menos passível de erro. [...]
Primeiro é necessário recordar que o homem médio é um ser hibrido, é ao mesmo tempo composto de substancias sensíveis e supra sensíveis, e cada uma de suas partes possuem uma natureza própria e diferentes ofícios. [...]

O corpo tende sempre a saúde e a beleza, isso o torna feliz, um corpo que vive de forma desregrada, onde sua aparência denuncia o descaso, e sua imagem diante de si mesmo não é agradável, tende a adoecer, e adoecendo, pode fechar aos os poucos o canal do intelecto impedindo que a alma, sua governante, tome seu devido poder sobre ele. [...]

Ao passo que a alma,tende sempre ao conhecimento, apenas até onde o corpo permite, pois como não é da natureza corpórea o conhecimento dos seres ou do divino, a alma precisa estar livre do corpo ou momentaneamente separada, para vislumbrar verdades superiores.

Orodreth: E todos os homens são iguais?

Lord Vincus: Não, como ousa pensar isso, oh Orodreth...  Entre os homens deste mundo, e existem vários grupos de homens, uns são superiores e outros inferiores em relação à ascensão, e assim é necessário ser, pois o movimento das almas jamais para, se parassem, seria por que o motor primeiro parou de mover, e se ele não mover mais, será por que mudou sua antiga função, e como já foi dito muitas vezes, ele não é passivo de mudança.

Orodreth: Mas como você explica o momento em que este não criava e passou a criar?

Lord Vincus: Ótima pergunta, mas este momento não existe, o motor primeiro não situa-se em um espaço, como já demonstrei, pois nada pode conte-lo, e também não situa-se no tempo, logo cria e move sempre, em sua eternidade.

Orodreth: Ainda me restam algumas duvidas...

Lord Vincus: Então vamos adiantar-nos, pois já passamos muito tempo conversando.

Orodreth:  Considerando que o pré principio criou tudo por pensamento, e nos pensa eternamente, e assim sabe tudo em todos os tempos de ocorrência, aquela antiga ideia de livre arbítrio, é verdadeira?

Lord Vincus: Quer saber se somos livres?

Orodreth: Sim Lord Vincus, como desejo saber!

Lord Vincus: Tudo que foi criado, está sujeito a leis intransponíveis de criação, não somos livres em relação a tais leis, que somos obrigados a obedecer, que são leis de nossa existência, mas partindo delas, podemos tomar escolhas e criar, tal como o demiurgo fez, afinal, também somos mentes. [...]

O único ser realmente livre, é o motor primeiro, pois não é sujeito a tais leis.

Orodreth: E quais são essas leis?

Lord Vincus: As citarei apenas, pois pretendo deliberar sobre elas em outro momento. Estas são 7, conhecidas também como axiomas herméticos e elas são:

A lei do mentalismo: Tudo que veio a ser, veio a ser a partir do pensamento.
A lei da correspondência: Tudo que foi criado pode ser conhecido, não importa quão distante esteja, pois tudo está sob as leis.
A lei da vibração: Tudo se move.
A lei da polaridade: Tudo tem seu oposto.
A lei do ritmo: Tudo se manifestas por oscilações compensadas.
A lei de causa e efeito:  Toda causa tem um efeito, e tudo que ocorre, tem uma causa.  (“O acaso é somente uma lei não conhecida” O caibalion)
A lei do gênero: Tudo tem seu principio masculino e feminino.

Orodreth: Oh, como tornou mais claro meus pensamentos, e me parece que está trazendo uma nova via de adoração.

Lord Vincus: Afaste-se disso. Por acaso não me ouviu dizer que todos os deuses não são perfeitos e assim como nós, são passiveis de erro? Por que adora-los? E se tu te referes ao motor primeiro, não me ouviu dizer também que só podemos conhecer as coisas pelo pensamento, usando a lei de correspondência ou se preferir da semelhança, e Deus não criou a si mesmo, logo ele não é seu próprio objeto de pensamento, e se ele não é pensado, como já foi dito, não pode ser conhecido, afinal, ele não é sujeito às leis. Como adorar aquilo que não posso pensar? E mais, o que esperaria dele, se em sua imobilidade apenas cria e move? E o que eu poderia oferecer? Orações? Sendo ele perfeito, o que posso oferecer que ele já não possua?

Orodreth: Mas você disse que ele é o único bem.

Lord Vincus: Disse, pois ele é o único dos seres, que tudo dá e nada recebe, pois não há nada que lhe falte.

Orodreth: Então reconhecendo isso, deveríamos ignora-lo?

Lord Vincus: De forma alguma, devemos conhecer sua criação, para assim nos aproximarmos dele, embora, nunca venhamos a alcançá-lo. Pois o homem nada mais é que um eterno andarilho. E a única forma de viver feliz sob as leis divinas, é com o cumprimento do oficio, no nosso caso, é conhecer e ter saúde.

E é aí que a religião, no sentido de adoração a algo, torna-se mera bajulação que adoece os homens, os torna dementes na tentativa de pensar algo que não pode ser pensado, e imploram por atenção, acabam inúteis para o oficio.

Orodreth: Eu, como um bom pagão, sou obrigado a discordar de tal pensamento, muito embora não possa ir de contra a ele. E agradeço-lhe por me instruir tão pacientemente, pois queimo de felicidade por tudo o que aprendi.

Lord Vincus: Disponha caro amigo. Vou indo, pois não pretendo privar-lhe nem mais um segundo, de tentar ter a atenção desta arvore.


Referencias Bibliográficas

Corpus Hermeticum ( Hermes Trimegisto)
O caibalion ( Os três iniciados)
Fédon ( Platão)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A Lança: Rama (parte 3)


Recado da autora:

Para ler a parte 1, clique aqui!
Para ler a parte 2, clique aqui!

Kumbakarna, o devorador, que dormia há séculos, ficou logo enfurecido porque ousaram desperta-lo. O filho de Ravana explicou que seu pai havia mandado chama-lo para que devorasse um exército inimigo que estava invadindo a cidade. Kumbarkana, provavelmente morto de fome, logo aceitou o convite para um banquete que o saciaria de uma fome de milênios.

Ao avistarem o terrível demônio, as tropas de Jambavan e Sigra ficaram com medo e logo viram boa parte de seus amigos serem engolidos ou esmagados pela grande fera. O medo se espalhou e acharam que a batalha estava perdido, mas Rama que já havia se lembrado que era uma encarnação do Deus Vishnu preparou o seu arco e as suas flechas e mirou na terrível fera e com a ajuda de Hanuman (se não me engano), conseguiram fazer com que Kumbakarna fosse derrotada. Ravana ao ver seu último truque ser  derrotado por Rama e seus amigos notou que teria ele mesmo que ir atrás de Rama.

Ficou decidido que a Batalha de Lanka, como ficou conhecida esta batalha, seria decidida por um duelo entre Rama e Ravana, ninguém poderia intervir. O duelo começou e por mais que Rama acertasse com suas flechas a cabeça de Ravana outra cabeça surgia em seu lugar. Até que ele recebeu uma iluminação que em vez de mirar nas cabeças, mirasse no umbigo, pois era ali que estava a energia de Ravana que fazia suas cabeças se regenerar.

Ravana caiu por terra e Rama mandou que o funeral dele fosse feito como merecia alguém de sua posição com flores e condolências, como a viúva do terrível demônio pediu ao grande ganhador. O exercito de macacos e ursos comemoraram e todos estavam felizes, menos Sita. Rama entrou para buscar sua esposa, mas ao encontra-la e olhar a tristeza do olhar de sua querida mulher, lembrou que agora Sita estava impura pois havia estado na casa de um outro homem sem o seu marido. Marido e mulher olharam-se tristemente não havia o que fazer, toda há batalha havia sido em vão.

Sita, no entanto, assegurou a sua inocência e pediu para que sua pira funerária fosse construída e disse que queimassem-lhe o corpo, pois se Rama não acreditava nela, ela não poderia viver com esta desonra em sua vida. A pira foi construída e a grande esposa de Rama enfrentou sem medo a sua provação. Ele estava triste mas nada poderia fazer para salvar sua amada, pelas leis Hindu, ela agora era impura e não poderia estar com ele, assistiu então sem fazer nada sua amada entrar nas labaredas de fogo. Mas, para surpresa de todos, o corpo de Sita não queimava, lá estava ela em agonia, mas nada acontecia com ela. Agni, o Deus do Fogo, não aguentando mais ver tanta aflição, apareceu para Rama e disse-lhe logo: "Você não nota? Ela purificou-se com minhas labaredas, ela agora é pura novamente, ande, vá buscar sua amada, tire-a das chamas"!

Rama correu para buscar sua amada e assim uniu-se novamente a Sita. Ele, ela e seu irmão continuaram o tempo do exílio e depois voltaram para assumir novamente o reino que por direito pertencia a Rama. Esta é a história da Ramaiana.

Rama representa para a sociedade hindu o homem ideal: bom marido, bondoso, bom rei, sábio, um líder corajoso e que se sacrificava pelos outros se assim preciso fosse. E sua história é quem demonstra tudo isso. Ele sofreu injustiça e aceitou de bom grado, cumpriu sua pena, teve sua mulher sequestrada, foi salva-la mesmo sabendo que já não poderia mais ficar com ela, no entanto, foi recompensado com a devolução de sua amada e um reino próspero. Pois, aceitou com coragem o seu destino e suas leis, não descansou, nem maldisse seus infortúnios, aceitou de bom grado o que recebia, lutou com as armas que tinha e por isso é um exemplo não só para o povo hindu, mas para todos, como exemplo de virtude, honra e amor.

Portanto, meus caros leitores, confiem em sua força, ajam com o coração, escutem sua intuição e aceitem com bom grado os desafios da vida, pois eles enriquecem a alma e são lições que devemos aprender, nada mais e nada menos.

Beijocas estaladas para todos e uma ótima semana! Lembrem-se não a demônios, por mais terríveis que sejam, que não possam ser vencidos por aqueles que levam em sua alma a força de um coração puro.

Bibliografia consultada:

domingo, 3 de junho de 2012

Cultus Deorum: Templo de Vesta, uma reconstrução



Situado em Roma, o Templo de Vesta se caracteriza pelo singular formato redondo. É parte do complexo do Fórum Romano e remonta ao século II a.C., sendo um dos mais antigos templos romanos hoje existente. Na tentativa de reproduzir essa construção, dedicada à Deusa Vesta (guardiã do fogo sagrado) pesquisei as texturas, cores, estruturas e dei uma olhada na planta baixa para tentar fazer uma réplica mais detalhada. 
Fiz esse templo todo em papel couché, com as 18 colunas e os dois tetos, faltando apenas a escadaria, mas ainda vou concluir. Para dar um toque a mais, acrescentei duas piras de fogo nas laterais de entrada, e vou trabalhar um pouco mais no gramado.

Modelo tridimensional no qual me baseei


Ruínas do Templo de Vesta

sábado, 2 de junho de 2012

Cotidiano Pagão: Dias e Horas Astrológicas


A cada dia que passa na minha vida, eu reparo que, com meu estudo da Astrologia, que a posição dos planetas, realmente afeta certos aspectos do meu cotidiano. Tem alturas que todas minhas tecnologias parecem estar contra mim, tem alturas em que eu ando feliz e nem sei ao certo porquê ou alturas em que acontece exatamente o contrário, ando triste e nem sei porque razão ando triste!

E, exatamente por ter começado a notar isso, que achei importante voltar a trazer ao público estas informações que podem ajudar muita gente, tal como ajudou a mim, a entender certas coisas que ocorrem na sua vida, em determinada altura!

Cada dia da semana e cada hora é influenciada por um planeta. E essa influência, poderá afetar os eventos que possam ocorrer nesse mesmo dia ou hora, por isso, vou explicar para vocês como isto funciona e dar as tabelas de correspondência relativas às posições astrológicas! 
  • Dias Planetares
Cada dia da semana é associado a um Planeta que o rege. Com isto quero dizer que o dia toma características desse planeta. Inclusive, podemos ver esse fato nos nomes. 
Domingo, em inglês, é Sunday (Sun Day = Dia do Sol) e é regido pelo Sol. Segunda-Feira, em inglês, é Monday (Moon Day = Dia da Lua). Segue uma lista de cada um dos dias da semana e para que são propícios, com base no seu planeta regente.


Domingo: Dia do Sol, propício para nos proporcionar alegria de viver, força espiritual e muita energia física e mental. O domingo é o dia ideal para meditarmos e fazermos pedidos ligados a prosperidade e vida financeira.

Segunda-feira: Dia da Lua. É um dia ligado ao universo feminino. Este dia é importante para despertar nossa percepção das coisas, aumentarmos nossa intuição, e fazermos pedidos relacionados a causas de união em família e pedir sabedoria para resolução de problemas aparentemente insolúveis.

Terça-feira: Dia de Marte, dia que aguça nossa vontade vencer. Ligado à cor vermelha. Pode ser eventualmente um dia conturbado, por ser ligado a Marte, planeta que simboliza as guerras. Dia propício para mentalizar a vitória em algum empreendimento.

Quarta-feira: Mercúrio rege este dia, sendo propício para elaborarmos nossas metas, dia bom para concentração. Dia ideal para mentalizar mudanças de rumo em sua vida, e segurança nas decisões a serem tomadas. Ligado a cor branca.

Quinta-feira: Dia de Júpiter, ideal para para início de empreendimentos, novos projetos, mudança de casa, ou iniciar num novo emprego.

Sexta-feira: Dia regido por Vénus, é o dia do amor, do companheirismo, da afinidade, da cumplicidade e da paixão. Ideal para despertar o nosso amor-próprio, ideal para se usar roupas rosas. Dia propício para o romance, e fazer pedidos de amor.

Sábado: Dia regido por Saturno, dia propício para conseguirmos paciência e concretização de projetos lentos, demorados e que estão estagnados já há muito tempo.
  
  • Horas Astrológicas
Também as horas ao longo do dia são regidas pelos Planetas do nosso Sistema Solar. Estas regências, tal como ocorre com os dias da semana, influenciam e dão características à hora em questão. É com base nas horas astrológicas que se atribuem os dias planetários. A primeira hora do dia é associada a um planeta e esse planeta é o regente do dia.

A regência das horas segue uma sequência fixa: Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vénus, Mercúrio e Lua. Esta sequência é denominada a Ordem Descendente ou Ordem Caldeia e têm a sua origem na sequência das esferas planetárias, segundo conceito aristotélico do Universo.

A sequência prossegue de forma ininterrupta originando os vários dias da semana. Podemos representar a sequência total de horas planetárias através de uma espiral que se repete todas as semanas. Em baixo é possível ver uma figura que mostra isso.


Mas, para um melhor entendimento sobre qual o planeta que influencia cada hora, criei esta tabela para simplificar:


E por fim, para quem não está totalmente familiarizado com os símbolos astrológicos de cada planeta, uma pequena tabela para ajudar a entender a que planeta pertence cada símbolo:


 Espero que seja de ajuda para alguém!

Bênçãos da Deusa,
MissElphie
Fontes:



Cerca de 3000 pessoas foram mortas sob a acusação de bruxaria na Tanzânia


Cerca de três mil pessoas sob suspeita de praticar bruxaria, em sua maioria mulheres de idade avançada, foram linchadas na Tanzânia entre 2005 e 2011, denunciou a principal organização local de defesa dos Direitos Humanos.


"Entre 2005 e 2011, cerca de três mil pessoas foram linchadas por vizinhos que suspeitavam de bruxaria", afirmou o Centro Jurídico e de Direitos Humanos em um informe enviado nesta terça-feira à AFP.

De acordo com a entidade, cerca de "500 pessoas de idade bastante avançada, em especial mulheres com os olhos vermelhos", foram acusadas de bruxaria. As províncias mais afetadas são Mwanza e Shinyanga, no norte do país, acrescenta a fonte.

"Como exemplo, 242 pessoas foram assassinadas por crenças em bruxaria na província de Shinyanga entre janeiro de 2010 e janeiro de 2011", denunciou o grupo humanitário.

Segundo a entidade, as crenças populares consideram a vermelhidão nos olhos como um sinal de bruxaria. Segundo especialistas, a irritação ocular deve-se ao fato de que muitas mulheres são obrigadas a cozinhar utilizando esterco de vaca como combustível.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A Feitiçaria e a pena de morte na Arábia Saudita (Parte 2)



Não há justificativa para que sejam consideradas como crime a feitiçaria, a bruxaria ou o lançamento de sortilégios. O termo feitiçaria implora por uma definição baseada em evidências e categorização. O crime de feitiçaria, na verdade, não se refere a qualquer ação que possa ser concretamente provada e demonstrada. Devido à falta de definição adequada e justiça, sociedades ditas esclarecidas descriminalizaram a feitiçaria. A Arábia deveria seguir este exemplo sem demora.

Enquanto isso, neste caso, o ônus da prova cabe ao acusador - o homem - que na verdade deveria ser preso e obrigado a convencer o júri, para além de qualquer dúvida razoável, que o comportamento anormal da menina era resultado de um feitiço - e neste caso o feitiço da mulher, e não qualquer outra coisa. Na verdade é o homem, não a mulher cingalesa, que tem uma questão para responder. Este caso realmente apresenta às autoridades sauditas a oportunidade de acabar com esse julgamento ultrapassado e trazer um fim ao flagelo da caça às bruxas no país. Mas será que a Arábia Saudita vai aproveitar esta oportunidade?

Qualquer um que esteja familiarizado com a história legal da bruxaria na Europa sabe que a região passou por esse processo que levou o continente ao fim da caça às bruxas e removeu a bruxaria de seu código criminal. A Arábia Saudita deveria aprender com o lado negro da história da Europa, e parar de gastar seus recursos judiciais tentando manter os casos de crimes de feitiçaria. As autoridades sauditas deveriam parar de desperdiçar vidas inocentes decapitando pessoas acusadas de terem cometido o "crime quimérico" de feitiçaria. Em vez disso, o governo deveria tentar iluminar a mente de seus cidadãos para que eles parem de associar a feitiçaria com qualquer ato de maldade ou comportamento anormal.

Deve ser dito em termos muito claros ao Governo da Arábia Saudita que poupem a vida desta cingalesa e terminem imediatamente o estado de caça às bruxas patrocinado no país. O Governo deve colocar em prática as reformas legais e jurídicas para impedir este desenvolvimento constrangedor no futuro. Aliás, muitos países na África e em todo o mundo olham para a Arábia Saudita como um modelo em termos de direito, política, religião e governo. Muitas teocracias islâmicas e repúblicas ao redor do mundo copiam e imitam os precedentes legais na Arábia Saudita, em termos de interpretação da lei Sharia. O que acontece na Arábia Saudita tem um enorme impacto sobre o que acontece em muitas comunidades e países do mundo.

Parar a caça às bruxas na Arábia Saudita é fundamental para acabar com esta campanha violenta na África e em outras partes do globo. Mais ainda, o Governo da Arábia Saudita é um dos apoiadores de mudanças democráticas e reformas - também conhecida como A Primavera árabe - no norte da África e no Oriente Médio. A Arábia Saudita não pode apoiar mudanças progressistas em outros países enquanto está impondo apologia, sistemas injustos, opressão e assassinatos em casa. A Arábia Saudita não pode apoiar o respeito pelos direitos humanos e o Estado de Direito em outros países, negando seu povo - e outros - o mesmo.

Tradução de Rita Gehlen

Runenmagie: Runas e a História - Parte II


Hail!
Na última postagem nós conhecemos as teorias da origem histórica dos grifos rúnicos e um pouco do que dizem terem sido seus antecessores. Hoje vamos vasculhar as evidências, os vestígios arqueológicos de alguns dos Futharks mais difundidos.




RUNAS E A HISTÓRIA II

Os Vikings são os maiores responsáveis pelas evidências arqueológicas acerca das runas. O costume (mistico ou não) que eles tinham de cravar runas em seus escudos, elmos, espadas e outros utensílios de casa ou de uso doméstico foi essencial para a catalogação das runas e a fundamentação das teorias.
Além disso, é justo por estas evidências que somos cientes hoje de uma magia rúnica básica a Taufr (magia talismânica). Acredita-se que todos os artefatos de guerra encontrados foram um dia talismãs mágicos para os guerreiros. As principais runas cravadas nestes objetos são a Týr e a Sowelo, ambas runas ligadas à vitória, a primeira a um Deus de Justiça e de Batalha e outra a runa do Sol. 
Outros ainda são runas cravadas em sua utilização alfabética, sem nenhum apelo mágico. Como é o caso de alguns Runestones e outros artefatos presentes em tesouros.
Não sei dizer se foi encontrado algum oráculo rúnico como o utilizamos hoje (o jogo de 24 "pedrinhas"). Creio que não já que era costume que as runas fossem cravadas em materiais facilmente consumidos pelo tempo (ossos, madeira e varetas).
A seguir, alguns dos objetos mais famosos. 



2-      Vestígios Arqueológicos 



 A Pedra Kylver (Gotland, 1903): a pedra é a tampa de uma sepultura. Encontrada num dos maiores sítios arqueológicos de runas. Nela é que está inscrito o mais antigo Futhark conhecido. Ele está cravado na parte interna da sepultura de frente ao cadáver (o que sugere que a sequência rúnica tenha sido parte de algum rito funerário envolvendo magia). Há também uma Bindrune (runas atadas) com a runa Týr e uma palavra não tão bem decifrada.



O Torc de Pietroasa (Torc de Buzău): parte de um misterioso tesouro datado por volta entre 250 e 400 DEC numa colina em Pietroasele junto a outros objetos de ouro. Foram encontrados originalmente dois anéis sob uma massa negra, o que foi deduzido como sendo couro ou algum tipo de pano desintegrado onde os objetos foram enrolados. Um dos anéis foi roubado logo durante a descoberta e o outro foi cortado e teve os símbolos danificados por um ourives.



Runestones: Grandes pedras com runas gravadas. A primeira tem 18 metros de circunferência e se encontra no caminho arborizado que dá para uma igreja. Foi colocado por um ex-capitão em memória à sua mãe e em honra própria por ter sido um sobrevivente da guarda a que serviu. Já a segunda está numa cidade da Suécia e ainda é debatido o propósito da criação, assim como o significado de seus símbolos.



Os Chifres de Ouro de Gallehus: dois chifres feitos de folhas de ouro, um mais curto que o outro encontrados em anos diferentes em Jutlândia do Sul e na Dinamarca. Os chifres originais foram também roubados, mas réplicas deles estão expostas no Museu Nacional e no Museu Moesgaard, ambos na Dinamarca.



O Caixão Frank: o caixão é densamente decorado com runas anglo-saxônicas e com cenas diversas que remetem ao cristianismo, mitos e imperadores romanos e a algumas lendas germânicas. As inscrições são em alto relevo e suas traduções estão disponíveis para quem tiver curiosidade.

Outras Imagens:


 




Terminamos aqui, uma breve explicação das runas históricas. Mas aviso que este conhecimento é bastante superficial, quem se interessar para adentrar neste estudo, me procure que indico alguns livros e sites bons.

Até mais!


Bibliografia consultada:
- FAUR, Mirella. Mistérios Nórdicos: deuses, runas, magias, rituais. Ed. Pensamento, 2007
- Wikipédia (http://en.wikipedia.org/wiki/Portal:Ancient_Germanic_culture/Runic_inscription)
- Rune Web Vitki (www.runewebvitki.com)



 
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