quarta-feira, 9 de maio de 2012

Universo Simbólico - Desvendando a Mulher Deusa

Olá pessoal, escrevi este texto pensando no real valor que a mulher possui como ser divino e que não o recebe como deveria. Pensei também não somente no valor empregado pelas pessoas, mas no valor através da auto-análise, que de certa se torna o mais importante.
Auto-análise, valor, Por quê?
“Partindo do quesito Imanência, onde a Divindade habita em todos os seres, darei ênfase neste texto, na conexão Dela para com as mulheres (e vice-versa) através de suas quatro faces, que por natureza são um reflexo vivo de um Ser tão Sagrado que revela suas faces desde o inicio dos tempos.
Existem várias formas de criar uma conexão com as quatro faces da Deusa e cada uma delas desperta a mulher para compreender toda a sua sensibilidade e ressonância de sua Divindade interior. Assim como quatro são as faces da Deusa, quatro são os cantos do mundo, que somados faz com a Mulher se torne o Pentagrama Universal, o quadrado da fundação que em plena estabilidade e sabedoria dá forças para todas aquelas que mergulharem em seus mistérios. Abençoadas são as mulheres pelos dons da maternidade com seus úteros, da criação de realidades, sonhos e sentimentos que são expressos principalmente pela Roda do Ano, onde fica claro toda especialidade neste Ser que é análogo a Grande Mãe dos Homens.
Enraizada através de seus pés a Mulher e a Deusa são a própria Terra e em seu respirar, o Ar, seu eterno amante e confidente, enche seus pulmões e envolve todo o seu corpo num êxtase de prazer e sensibilidade. A Mulher nas passagens da vida pode ser a menina que é pura, virtuosa e bela como uma flor, que corre pelas matas e deixa-se levar pelo brilho do sol. Pode ser a Jovem caçadora que seduz e encanta; Que sente a felicidade e o prazer em cada parte pulsante de seu corpo desnudo a correr pela relva. Pode ser Mãe madura, sedutora a seu modo e responsável em todas as suas ações. A Mulher Plena, que conhece todos os mistérios, senhora de si e do mundo a sua volta; Maturidade, equilíbrio e intuição são as suas vivências. A que não somente é Mãe de outro ser, mas que pode ser sim Mãe de projetos e ideias. 


Ela se torna também a Sábia Anciã que conhece todos os mistérios da vida, da morte e do renascimento; A noite sem lua e a escuridão sem limites; As quatro faces da Deusa que a completam e contemplam toda sua existência; Ela ao centro sendo a essência de toda a essência natural, pois todas as mulheres são Deusas refletindo a luz do Sol que também faz parte Dela. A Mulher é a Filha, mas também é a Mãe; É a Jovem, mas também é a Anciã. Um elo inquebrável entre ela e a Terra, onde cada uma tem seu ritmo e nesta ciranda da vida todos os Elementos se oferecem nesta contradança.”
A Todos,
Bons estudos!

Pax, Lux et Nox.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Filosofia Oculta: O pré principio anterior ao inicio sem fim - pt.2

O ser primeiro 



- Lord Vincus: Ora Orodreth, pensa que é necessário que tudo que existe tenha vindo de uma fonte única? Quero dizer, que mesmo apesar de tantos deuses, a princípio, um único ser começou toda a ordem de existência.


- Orodreth: Necessário efetivamente.

- Lord Vincus: E se ele era único, e a partir dele veio toda a existência, não seria necessário pensar que nada lhe era maior, e que o todo era ele e ele era tudo?

- Orodreth: Concordo.

- Lord Vincus: Mas como ser gerador, criador de todas as coisas, onde ele poderia criar se tudo que havia era ele? Ora, se houvesse um espaço além dele no qual ele estivesse contido, logo ele não poderia ser onipresente, nem o maior dos seres. E ainda mais, se houvesse um espaço que o contivesse, isso levaria a pensar que ele de fato não é o primeiro ser, e sim o espaço onde ele está.

- Orodreth: De fato não poderia.

- Lord Vincus: E por um acaso, não nos seria necessário pensar também que esse ser primeiro precisa ser eterno? Se o ser primeiro em algum momento não tivesse existido, como poderia existir agora, se nada havia que pudesse cria-lo?

- E uma vez que não foi criado, nada há antes dele. Tudo que veio a ser veio a partir dele, e o ser primeiro não é passivo a nenhum outro ser, ou seja, é o mais potente, e até mesmo onipotente.

- Orodreth: Obviamente. 

- Lord Vincus: Mas a partir de que substância este ser supremo poderia criar?

- Orodreth: De sua própria substância, ou seja, de uma parte sua.

- Lord Vincus: Quanta desatenção Orodreth, por acaso não ouviu o que falei? Como ele pode separar uma parte dele? Pois se separo algo, separo fora de seu espaço original, e não havia espaço fora para que uma parte pudesse ser separada e transformada.

- Orodreth: De uma parte sua, dentro de si mesmo Lord Vincus.

- Lord Vincus: Mas pensar isso, não deixaria a entender que o ser primeiro é mutável? E se ele é mutável, logo é imperfeito, pois a perfeição e a onipotência não podem ser passivas de mudança, melhor ainda, a onipotência não pode ser passiva de nada.

- Orodreth: De acordo. Mas como ele fez então, para poder criar?

- Lord Vincus: Só vejo uma solução possível, e é em cima desta que pretendo me apoiar. Tudo que veio a ser a partir do todo, precisou antes ser pensado, e o ser pensado existe como pensamento do todo.

- Orodreth: Somos então meros pensamentos? Imaginações irreais?

- Lord Vincus: Vela pela tua língua, pois há grande realidade no pensamento, e é a partir dele que o mundo veio a ser, e é ainda a partir dele que podemos conhecer o mundo, e mais que isso, é a partir do pensamento que podemos, ao menos, aproximarmo-nos grosseiramente do conhecimento sobre o ser primeiro. Lembre-se do que eu disse, só o semelhante pode conhecer o semelhante, só podemos conhecer as coisas pelo pensamento, e ora, as coisas são formadas essencialmente pelo pensamento.

- Orodreth: Contra isso é realmente difícil fazer oposição.

(continua...)

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A Lança: Osíris (parte 2)

Semana passada vimos que Osíris foi assassinado e preso em uma arca que foi jogada no rio Nilo (clique aqui para ver o início da história). Esta semana continuaremos sua história que nos faz refletir sobre os mistérios da morte e da vida.

Osíris desceu todo o Nilo. E enquanto seu povo e sua amada choravam sua morte, Osíris fazia uma jornada que um dia todos iremos fazer.

Não existem muitos registros históricos sobre os ritos que aconteciam para celebrar os mistérios de Osíris e Ísis, pois apenas uma parte da celebração podia ser vista: a dor de Ísis pela perda de seu amado. A dor do luto. A dor do Egito. Então, o que sabemos é que enquanto Ísis procurava por toda a extensão do Nilo a arca com o corpo do seu amado, Osíris percorria um caminho que o que imaginamos é que seja sombrio e escuro.

Osíris encarna os mistérios da morte. Desta jornada nada podemos saber até chegar a nossa hora, por isso, o que acontecia com a alma de Osíris no mundo dos mortos, o que ele aprendia e descobria atravessando este caminho não nos é dado saber.

Mas, o corpo de Osíris foi protegido até que sua esposa o achasse. A arca foi depositada gentilmente nas margens do Nilo em Biblos, perto de uma moita de urze que cresceu e cobriu toda a arca protegendo-a. O rei destas terras ficou maravilhado com a árvore que cresceu de uma forma tão estranha em sua terra, da noite para o dia. E mandou que cortassem um pedaço, que era justamente o que continha a arca e com ela fez um pilar de sustentação em seu palácio.

Ísis acabou por saber dessa história e foi até lá buscar o seu amado, ao conseguir permissão para cortar a árvore e levar consigo a arca, ela ficou extasiada. Seu marido precisava ser enterrado no Egito. Era preciso seguir os antigos costumes, pois só assim seu amado descansaria em paz.

Ísis levou consigo a arca e continuou sua jornada escondendo-se de Seth que não gostaria de ver Osíris de volta as terras egípcias. No entanto, a sua dor era tão grande que ela não resistiu, encontrou um lugar tranquilo e acolhedor e abriu a arca para ver mais uma vez o rosto do seu amado. Ao fazer isso, ela chorou e suas lágrimas banharam a face de Osíris, e acredito que um pouco de sua dor acabou por tocar a alma de seu amado que já ia distante. Ísis chamou por ele e beijou-o, e ao beijá-lo, ela sentiu um pouco de Ka (a energia vital, para os egípcios) em seu amado. Ísis ficou exultante, descobriu que ainda havia esperança de trazer Osíris de volta. Ela beijou-o novamente e fez amor com ele, a fim de trazê-lo de volta à vida pelo poder do seu amor e da sua dor, respectivamente. Osíris voltou um pouco mais à vida, mas Ísis percebeu que precisaria da ajuda de Néftis e Anúbis para curá-lo totalmente e trazê-lo de volta em todo o seu esplendor.

Ela então disse para ele que já voltava, e fechou a caverna em que se encontravam com uma pedra, pois estavam no meio de uma plantação de papiro e ela acreditou que as plantas iriam proteger o seu esconderijo. Partiu com pressa a fim de chamar sua irmã e seu sobrinho. No entanto, Seth caçava ali perto e seus cães farejaram o seu inimigo, e  ao entrar na caverna e ver Osíris ainda com Ka e se fortalecendo cada vez mais, fez sua fúria ser imensa e tamanha que ele despedaçou o corpo do irmão em 14 pedaços. Cada pedaço ele jogou em um canto diferente do Nilo, para que Ísis não fizesse novamente sua mágica, para que ela nunca mais pudesse ver o corpo de seu amor.

Osíris assim foi definitivamente jogado no mundo dos mortos. Não havia mais um corpo para o qual pudesse retornar.

E o resto da história ficará para a semana que vem. Beijocas estaladas no coração de todos!

Bibliografia Consultada:
- ELLIS, N.; Deusas e Deuses Egípcios: Festivais de Luzes: Celebrações para as estaões da vida baseadas nos mistérios das deusas egípcias. São Paulo: Mandras, 2003;
- GENEST, E., FÉRON, J., DESMURGER, M. ;  As mais belas lendas da mitologia. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
- REGULA, D.; Os mistérios de Ísis: seu culto e magia. São Paulo: Mandras, 2004;

domingo, 6 de maio de 2012

Cultus Deorum: A Lição da Deusa do Amor

Estive lendo um livro muito interessante sobre mitologia e psicologia, chamado "Mitologia Viva", da editora Nova Alexandria. Gostei muito dos textos e principalmente das lições que pude extrair do mesmo. A seguir, compartilho um interessante trecho do livro, sobre uma das lições da Deusa Afrodite (a Vênus de Roma, adotada pela interpretatio), em relação a arte de amar.

"Afrodite representa a arte de amar por excelência, mas trata-se de uma arte voltada ao cultivo do amor genuíno e desinteressado. 
Não defende o amor único, e muito menos confunde fidelidade com exclusividade. 
Não considera ilegítimo ou prostituinte amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo ou ao longo da vida, desde que com sentimentos verdadeiros.
Seu culto considerava que mesmo o amor exclusivo a uma pessoa seria condenável se estivesse baseado em conveniências e sentimentos falsos, inclusive em um casamento. 

Mas também condenava severamente a falta de recato, seja no homem ou na mulher, que era o apaixonar-se e o entregar-se de modo desvairado, praticando uma sexualidade sem limites.

Isso era considerado a autodestruição da dignidade e da honra, seja no homem ou na mulher. 
A arte de amar era vista como o elixir da vida e não se restringia ao sexo, mas significava amar o mundo, as pessoas, enfim, tudo que é vivo."
(Viktor D. Salis, em Mitologia Viva. Ed. Nova Alexandria)


A mensagem de Vênus é altamente válida, atual e aplicável para a vida do homem moderno, e creio que o amor ensinado por ela, de forma pura e despretensiosa, é a fórmula certa para a libertação e a evolução do homem.

sábado, 5 de maio de 2012

Cotidiano Pagão: Apanha-Sonhos

Apanha-Sonhos


Hoje vou ensinar como funciona fazer um apanha-sonhos É algo bastante comum e que a maioria das pessoas adora ter por perto, seja porque acredita no seu propósito (proteger os sonhos, fazendo com que a pessoa tenha somente bons sonhos e todos os maus sonhos/pesadelos desapareçam) ou porque gosta do aspecto visual.
Vamos passo-a-passo...


Começa com um ramo de salgueiro fresco, com 60cm a 1.80m de comprimento. Cuidadosamente comece a dobrar o ramo para formar um círculo com 7-20cm de diâmetro (dependendo do tamanho do seu ramo), você é que decide o diâmetro do seu apanha-sonhos mas, tradicionalmente, não costumam ter mais do que uma mão de adulto de diâmetro.



Utilize um fino fio (o comprimento é determinado pelo diâmetro do seu apanha-sonhos, entre 1.20m - 1.80m) e ate um nó na ponta mais fraca do seu arco, esse será a zona por onde irá pendurar o seu apanha-sonhos quando estiver pronto.




O apanha-sonhos repete o mesmo nó do início ao fim. Para começar, agarre o fio e coloque-o de forma solta no topo do arco. Comece a mover o fio pela parte de trás do arco (formando um buraco) e puxe o fio de novo pelo buraco que acabou de fazer, como mostra a imagem.




  
Vá puxando cada nó cuidadosamente para não ficar muito apertado, caso contrário irá deformar o arco do apanha-sonhos e não ficará uniforme no final.




Continue com o mesmo nó até ao final da primeira volta em redor do arco do apanha-sonhos. Deixe um espaço igual entre cada nó, cerca de 2 até 5 cm entre cada.
O último nó da primeira volta deverá ser a cerca de 1.3cm de distância do arco que deixou para pendurar o apanha-sonhos, como está na imagem.




A segunda volta:
Na segunda e nas restantes voltas, coloque o fio no centro de cada nó da ronda anteriormente (ao invés de ser à volta do arco). Assim que vai puxando para nó, o fio da anterior deverá dobrar-se ligeiramente para o centro, formando uma forma em diamante. Deverá começar a ver formar-se uma teia de aranha (imagem).
Na terceira ou quarta volta, adicione uma miçanga ou uma concha para simbolizar a aranha na teia. Simplesmente coloque a miçanga e continue a fazer os nós como é costume.




Continue a fazer os nós até ao centro, eventualmente os nós começaram a ficar tão pequenos que será complicado passar o fio no meio deles. Garanta que deixa um espaço no meio do seu apanha-sonhos.
Pare de dar nós no fundo do buraco que fica no centro do apanha-sonhos. Acabe por dando dois nós no mesmo sítio, formando um nó final, e puxando para prender.





Deverá ter 15-20cm de fio para prender duas ou três penas que irão pender do centro do apanha-sonhos. Ate duas ou três penas e dê um nó.






Coloque 2.5cm de feltro em redor do nó do fio e sobre a base das penas, como demonstra a imagem.






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Agora, bem, tenha bons sonhos! Espero que tenha gostado.

Bênçãos da Deusa,
MissElphie

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Runenmagie: Introdução à Runas


 

Heil! Meu nome é Luan, sou neopagão e membro da Tradição de Bruxaria Wanen no Brasil e em Pernambuco. Vou estar com vocês tratando sobre Magia Rúnica, ou em alemão a Runenmagie (lê-se: “runenmaguí”) e explorando este universo que é completamente vasto e compreende várias formas e técnicas de magia já conhecidas e outras adaptações interessantes para quem vai querer ter com as runas mais que um oráculo ou alfabeto mágicko.

Fiquei pensando em como começar e nada melhor do que entender o que são runas, para começar a utilizar os seus conhecimentos. Para minha surpresa encontrei um paradoxo interessante sobre o que são runas que vai me servir de base para a sua explicação.
Temos três pontos de vistas distintos: as runas históricas, as runas Aesir e as runas Wanen. As duas primeiras são parecidas, quase as mesmas, mas por uma se basear em fatos e outra em mitologia achei melhor dividi-las em campos diferentes. A terceira é um tanto mais complicada, pois depende da crença da minha Tradição nos resquícios da sabedoria passada através da oralidade. Por isso, desde já deixo claro que muito do que eu falar sobre o aspecto Wanen das runas não terá uma bibliografia, ou livro base. Apenas o conhecimento tradicional fruto da oralidade. Para aqueles que necessitem de fatos comprobatórios peço paciência e compreensão.
 
Vamos explanar então sobre runas!

Para quem não sabe, a Mitologia Nórdica compreende duas famílias divinas distintas, os Aesir (ou Asen) e os Vanir (ou Wanen). Enquanto uma é patriarcal e com uma tônica bélica, a outra é o que se compreende como matriarcal e mais ligada ao aspecto da relação com a natureza, magia, fertilidade e sexualidade.
Dos vários pontos em comum entre os dois clãs, o que mais se destaca em grau de importância e registro são as Runas. As duas divindades principais destes povos (Freyja, ou Mardöll e Odin, ou Wotan) estão intimamente ligadas à elas, fazendo sua cultura também girar em torno destes estranhos e tão individuais símbolos.

Nas suas várias raízes etimológicas, a palavra ‘runa’ tem como significado “sussurro”, “mistério”, “segredo”. Em todas as regiões, países e tribos em que elas estiveram presentes, este aspecto de segredo e sigilo estava intrínseco. Isto sugere que as runas eram parte de uma tradição oral, ou eram chaves para sabedorias que não havia como serem expressas. Estas sabedorias quando reunidas (os “alfabetos” rúnicos) dão ao individuo um pleno conhecimento deste e de outros planos, além de um intenso processo introspectivo e de expansão da consciência. Guia também num código de moral, conduta e ética de maneira natural, quase imperceptível por conta da atuação das energias rúnicas no indivíduo. 



Vários são os alfabetos rúnicos, comumente chamados de FUTHARK. Isto porque numa comparação dos símbolos rúnicos com os vários outros alfabetos, como o grego, foi feita uma associação e numa classificação bastante recente das runas em três clãs distintos (vou ainda falar mais sobre isso), Futhark seriam as primeiras runas da primeira das três famílias. Como apresentado na imagem.

Os Futhark’s variam de acordo com a região e país onde foram utilizados. Os mais conhecidos são o Elder Futhark (Futhark Antigo) composto por 24 runas, o Novo Futhark, com 18 runas, o Anglo-saxão e o da Northumbria. Há vários outros que chegam a ter até 33 runas. Mas no nosso estudo vamos nos focar no mais utilizado, no mais comum: o Elder Futhark e seus 24 símbolos.

           Por hoje é só. Veremos mais na próxima explanação do que são Runas.


           Honrados sejamos!
Até a próxima

Bibliografia consultada:
- FAUR, Mirella. Mistérios Nórdicos: deuses, runas, magias, rituais. Ed. Pensamento, 2007
- BLUM, Ralph. O Livro das Runas. 3ª Edição em Ebook

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A Lança: Osíris

Recado da autora: Excepcionalmente a coluna "A Lança" foi postada nesta quinta feira. Semana que vem ela volta ao seu dia normal: segunda feira!

Osíris, filho de Geb e Nut, irmão e consorte de Ísis, irmão de Néftis e Seth. Ensinou aos antigos egípcios os segredos da agricultura, da guerra e foi um rei bondoso e querido. E ficou conhecido por ser o Deus perecível da vegetação e muito mais por ser o soberano do mundo dos mortos.

Esta é a sua história:

Nut, sua mãe, deitou-se com Geb, seu pai. Rá pai de Nut com tanta raiva desta união proibiu a filha de ter filhos em qualquer dia do mês ou do ano. Nut ficou muito triste, em seu ventre já estavam seus cinco filhos: Osíris, Isís, Seth, Néftis e Hórus.  Ainda no ventre de sua mãe, Osíris desposou Isís.

Nut ficou muito triste por não poder dar à luz seus filhos. E o Deus Thot vendo toda aquela tristeza, resolveu tentar ajudar Nut. Thot procurou a Lua, que era o olho esquerdo do Hórus mais velho, e convidou-a para jogar dados. Para que o jogo ficasse mais interessante ele lançou um desafio: a cada partida que ele ganhasse a Lua lhe daria um setenta e dois avos do seu brilho. A Lua muito convencida, não pediu nada em troca se ele perdesse, e assim iniciaram os jogos.

Thot ganhou a primeira partida e a Lua franziu a testa. E quando Thot ganhou a segunda partida ela ficou preocupada, e eles continuaram jogando até que o olho esquedo de Hórus mais velho escureceu. Ele levou então os cinco setenta e dois avos do brilho da Lua a que tinha direito, e com eles aperfeiçoou o calendário egípcio. Já que Ele era o Deus do calendário, ele criou com o brilho da Lua mais cinco dias que colocou à parte no final dos dozes meses de trinta dias que formavam calendário da época. Com cinco dias fora do ano e do mês, Nut pode assim dar à luz seus filhos.

Primeiro nasceu Osíris, e por ser o primogênito ele recebeu o direito ao trono. Neste dia, uma voz estranha anunciou: "Quem está vindo à luz é o senhor de todas as coisas". E em Tebas, no mesmo instante, um sacerdote que havia ido buscar água no templo de Amon ouviu uma voz a lhe dizer: "Acaba de nascer o Grande Rei, o benfeitor Osíris!"

Osíris e Ísis regiam o Delta Inferior do Nilo. Ele foi considerado o Deus da civilização, do casamento, do dever do homem para com sua esposa. Ensinou a todos a arte da agricultura e da vida em comunidade. Ele era o Deus dos grãos do mundo, e sua vida representava o sacrifício e a renovação. Osíris era o Deus do Nilo e por isso a fonte de abundância.

Seu reinado prosperou ao lado de sua querida esposa. Ele viajava em sua barca por todo o Nilo, mantendo as fronteiras e ensinando as artes das quais era regente ao seu belo povo. No entanto, no 28° ano do seu reinado, que também é considerado o seu 28° aniversário, Osíris foi traído e assassinado pelo seu irmão Set, que tinha ciúmes da estima do povo pelo rei e invejava as qualidades do irmão, além da raiva de não poder ser o senhor do Egito.

Set recebeu seu irmão de braços abertos, depois de mais uma conquista pacífica de Osíris e seu exército em solo estrangeiro. Disse que estava feliz com sua volta e convidou-o para um banquete em sua honra. Durante o banquete, Set apresentou uma arca e prometeu dá-la àquele que ocupasse exatamente todo o seu espaço. Todos tentaram alegremente, mas ninguém conseguiu, até que chegou a vez de Osíris. Assim que ele entrou na arca, os 72 convidados presentes se precipitaram e fecharam a tampa, pregando-a com marteladas e lacrando-a com chumbo derretido. Depois, jogaram a arca com o corpo de Osíris dentro do rio Nilo.

Bem... o resto da história fica para a semana que vem. Beijos estalados na bochecha de todos.

Bibliografia Consultada:
- ELLIS, N.; Deusas e Deuses Egípcios: Festivais de Luzes: Celebrações para as estaões da vida baseadas nos mistérios das deusas egípcias. São Paulo: Mandras, 2003;
- GENEST, E., FÉRON, J., DESMURGER, M. ;  As mais belas lendas da mitologia. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
- REGULA, D.; Os mistérios de Ísis: seu culto e magia. São Paulo: Mandras, 2004;

Caminhando entre as Deusas: Ísis (parte 2)

A Noite das Lamentações, o derramento das lágrimas de Ísis que é o que dá início às cheias do Nilo foi uma pequena parte da história que vimos na semana anterior.

Osíris foi assassinado no vigésimo oitavo ano do seu reinado, e alguns afirmam que esta era a sua idade.

Ísis perguntou para as crianças e as pessoas que moravam nas margens do Nilo se haviam visto o ataúde com o corpo de Osíris. Algumas crianças contaram para ela o nome da foz do rio, e ela seguiu por este caminho até que ouviu dizer que o ataúde havia sido levado pelo mar até a terra de Biblos. O ataúde havia sido docilmente deixado pelas águas do mar no meio de uma moita de urze, que cresceu em pouco tempo e cobriu toda a arca. O rei daquela terra vendo aquela planta tão frondosa quis tê-la em seu palácio, e cortou exatamente o pedaço em que o ataúde estava escondido, transformando este pedaço em um pilar que sustentava o telhado de seu palácio. 

Ísis soube disso tudo através da inspiração divina de Rumor, e seguiu seu caminho até a cidade de Biblos. Contam que em suas andanças, Ísis foi protegida pela Deusa Selkis, a Deusa dos escorpiões que apiedou-se da Deusa Ísis e ofereceu nove escorpiões para protege-la. Certa noite Ísis pediu abrigo, sendo maltratada pela mulher da casa que não reconheceu em seu semblante transtornado a Deusa que ela era. Os escorpiões então picaram um dos filhos da mulher que ficou desesperada, e Ísis compadecendo-se do tormento pelo qual a outra passava e conhecendo a dor da perda, decidiu parar o veneno do escorpião e devolver a vida a esta criança. A mãe ficou maravilhada e pediu desculpas ao reconhecer a Deusa.

Ísis prosseguiu sua jornada até chegar em Biblos, sentou-se junto a uma nascente e se pôs a chorar novamente. Sentia-se traída e não confiava mais em ninguém. Não conversou com ninguém, exceto as servas da rainha que falavam sobre a maravilhosa madeira que agora estava no palácio. Ísis trançou os cabelos destas servas, deu-lhe fragrâncias tiradas do seu próprio corpo, mas ninguém a reconheceu. A rainha em dado momento foi estar com suas servas, e ao ver Ísis foi tomada por tal anseio que não conseguiu desprender os olhos da mulher. O nome da rainha, dizem alguns, era Astarte.

Astarte chamou pela desconhecida e ofereceu aos seus cuidados o seu filho mais novo, Isís prontamente aceitou, pois só assim estaria perto do seu amado. Por isso dizem que Ísis amamentou a criança oferecendo o seu dedo em vez de seu seio, e que toda noite queimava as porções mortais do corpo do bebê, para assim dar-lhe a dádiva da imortalidade. Enquanto a criança queimava no fogo restaurador, Ísis transformava-se em andorinha e lamentava em prantos dando voltas em torno do pilar. Um belo dia no entanto, Astarte entrou no quarto e viu o seu bebê coberto em chamas e se colocou a gritar desesperada, retirando a criança do meio das chamas e privando-a assim da imortalidade. Ísis então se revelou e pediu o pilar que servia de suporte ao telhado. Astarte ao reconhecer a Deusa, compadeceu-se de seu sofrimento e deu-lhe de bom grado o pilar. Ísis com facilidade cortou o pedaço da madeira que cercava o ataúde e logo após envolveu a madeira em um tecido de linho e derramou perfume sobre ela, deixando o resto da madeira aos cuidados dos reis. Ao ver o ataúde, Ísis jogou-se em cima dele em prantos e deu um grito tão horrível que o filho mais novo do rei morreu na mesma hora. O filho mais velho então pediu para partir com ela, e assim partiu com a Deusa, que colocou o ataúde num barco e deixou aquele país.

Ao conseguir privacidade, Ísis abriu o ataúde e encostou o seu rosto quente no rosto frio de Osíris, acariciou aquele rosto que tantas vezes disse que amava e chorou docemente. A criança aproximou-se para ver o que havia dentro da arca e olhava para a Deusa sendo inocente expectadora daquela dor. A Deusa ao perceber a intromissão em seu momento íntimo olhou para a criança com tal fúria, que esta não resistindo olhar o rosto transfigurado da Deusa morreu no mesmo instante, caindo no mar. A Deusa logo se arrependeu do destino trágico do garoto e ordenou que ele seria honrado.

Ísis tornou a olhar para Osíris, e entre lágrimas nos olhos pediu ao seu amado que voltasse para ela. Beijou-lhe os lábios e assim soprou um pouco de vida para dentro do corpo inerte de Osíris. Ao notar que seu amado respondia pouco a pouco, resolveu esconder seu corpo e ir buscar a ajuda de Néftis e Anúbis para terminar de realizar os ritos que trariam Osíris de volta a vida.

Nesta parte a história ganha duas versões. Alguns dizem que Ísis concebeu Hórus neste pedaço da história. Outros dizem, que foi mais a frente. E segundo Plutarco, Ísis levou o ataúde até onde estava seu filho Hórus que era criado por Buto, e colocou a arca em um local escondido. Ísis deixou a arca escondida e tornou a sair para pedir ajuda a Néftis e Anúbis.

No entanto, Seth caçava por ali e acabou por achar o esconderijo do ataúde. Ao ver  Osíris com um sopro de vida ficou com tanta raiva que desmembrou o corpo do seu irmão em 14 pedaços, espalhando-os pelo rio Nilo.

Ps.: Tenho que terminar por aqui, mas semana que vem contarei o final da história. Beijos estalados na bochecha de todos!


Bibliografia Consultada:
- ELLIS, N.; Deusas e Deuses Egípcios: Festivais de Luzes: Celebrações para as estaões da vida baseadas nos mistérios das deusas egípcias. São Paulo: Mandras, 2003;
- DONATELLI, M. (coord.); O livro das Deusas – Grupo Rodas da Lua. São Paulo: Publifolha, 2005;
- IONS, V.; História ilustrada da Mitologia. 1° Ed., São Paulo: Editora Manole Ltda, 1999; - MARASHINSKY, A. S.; O oráculo da Deusa: um novo método de adivinhação. São Paulo: Pensamento, 2007;
- MONAGHAN, P.; O caminho da Deusa: mitos, invocações e rituais. São Paulo: Pensamento, 2009.
- PIETRO, C.; A arte da invocação: invocações, textos ritualistícos e orações sagradas para praticantes de Wicca, Bruxaria e Paganismo. São Paulo: Gaia, 2008;
- PIETRO, C.; Todas as Deusas do mundo: rituais wiccanos para celebrar a Deusa em suas diferentes faces. 2° Ed. São Paulo: Gaia, 2003 (Coleção Gaia Alémdalenda);
- REGULA, D.; Os mistérios de Ísis: seu culto e magia. São Paulo: Mandras, 2004;

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Universo Simbólico: O Pentagrama - Parte II




Olá Pessoal, antes de mais nada gostaria de desejar um ótimo Samhain e que cada um de nós possamos interagir com nossas sombras sem medo de alcançar através delas a eterna Luz! Continuando nosso assunto da Parte I sobre a origem deste símbolo fantástico chamado Pentagrama, vamos lá.


Para os agnósticos, era o pentagrama a "Estrela Ardente" e, como a Lua crescente, um símbolo relacionado à magia e aos mistérios do céu noturno. Para os druidas, era um símbolo divino e, no Egito, era o símbolo do útero da terra, guardando uma relação simbólica com o conceito da forma da pirâmide. Os celtas pagãos atribuíam o símbolo do pentagrama à Deusa Morrigan. 

O imperador Constantino I, depois de ganhar a ajuda da Igreja Cristã na posse militar e religiosa do Império Romano em 312 d.C., usou o pentagrama junto com o símbolo de chi-rho (uma forma simbólica da cruz), como seu selo e amuleto. Tanto na celebração anual da Epifânia, que comemora a visita dos três Reis Magos ao menino Jesus, assim como também a missão da Igreja de levar a verdade aos gentios, tiveram como símbolo o pentagrama, embora em tempos mais recentes este símbolo tenha sido mudado, como reação ao uso neopagão do pentagrama. 

Sendo a estrela do Microcosmo, onde o Espírito domina a Matéria e com sua estrema ligação com a proteção o Pentagrama, já foi utilizado por diversos povos e assim atravessando Eras seu significado permanece vivo em nossas memórias ancestrais. É o “laço infinito” e natural dos Templários que une perfeitamente suas montanhas e o centro de sua antiga ordem.; Éra o “Pé de Druida” e em outras épocas ficou conhecido como "Cruz dos Goblins"; Símbolo de toda o poder Mágicko, o Pentagrama ao ser olhado por leigos não passa de uma mera estrela, mas para quem se abre a essência do Divino á este é mostrado bem mais além dos véus que encobrem nossas visões. Ele é o nosso eu gráfico em comunhão com o Sagrado e todas as maravilhas que o Universo nos mostra sem palavras. O Próprio corpo em quatro membros e uma cabeça que se eleva e assim marca a nossa vida e a passagem dos cinco estágios do Homem:

Nascimento: o início de tudo

Infância: momento onde o indivíduo cria suas próprias bases

Maturidade: fase da comunhão com as outras pessoas

Velhice: fase de reflexão, momento de maior sabedoria

Morte: tempo do término para um novo início

O Pentagrama é o símbolo da Bruxaria. Os Bruxos usam um Pentagrama para representar a sua fé e para se reconhecerem. O Pentagrama é tão importante para um Wiccaniano, assim como uma cruz é importante para um cristão, ou como um Selo de Salomão é importante para um judeu. O Pentagrama representa o homem dentro do círculo, o mais alto símbolo da comunhão total com os Deuses. É o mais alto símbolo da Arte, pois mostra o homem reverenciando a Deusa , já que é a estilização de uma estrela (homem) assentada no círculo da Lua Cheia (Deusa). Cada uma das pontas possui um significado particular:

PONTA 1 - ESPÍRITO: representa os criadores , a Deusa e o Deus, pois eles guiam a nossa vida e nos ajudam na realização dos ritos e trabalhos mágicos. O Deus e a Deusa são detentores dos 4 elementos e estes elementos são as outras 4 pontas.

PONTA 2 - TERRA: representa as forças telúricas e os poderes dos elementais da terra, os Gnomos. É a ponta que simboliza os mistérios, o lado invisível da vida, a força da fertilização e do crescimento.

PONTA 3 - AR: representa as forças aéreas e os poderes dos Silfos. Corresponde à inteligência , ao poder do saber, a força da comunicação e da criatividade.

PONTA 4 - FOGO: representa a energia, a vontade e o poder das Salamandras. Corresponde às mudanças, às transformações. É a força da ativação e da agilidade.

:PONTA 5 - ÁGUA representa as forças aquáticas e aos poderes das Ondinas. Está ligada às emoções, ao entardecer, ao inconsciente. Corresponde às forças da mobilidade e adaptabilidade. Portanto, o Bruxo que detém conhecimento sobre os elementos usa o Pentagrama como símbolo de domínio e poder sobre os mesmos.

O Pentagrama invertido remete a matéria sobre o espírito e é muito aconselhado para as pessoas que têm o Elemento Ar em demasia e necessitam do equilíbrio e o contato mais aproximado com o Elemento Terra. Houve ao longo da história dos símbolos uma deturpação e má associação com este gráfico corpóreo somando suas mensagens ao Satanismo e a outras vertentes de cargas mais densas, porém como nós sabemos a essência de um símbolo permanece dentro de nossos corações etéreos.

A Todos,
Bons estudos.
Pax Lux et Nox

terça-feira, 1 de maio de 2012

Filosofia Oculta: O pré-principio anterior ao inicio sem fim - pt.1

O encontro entre o Ocultista e o Bruxo

Era sábado, e como era de costume decidi ir até o Parque da Cidade estudar um pouco, meditar e se fosse o caso, praticar as Artes Augustas. Enquanto me aproximava do local onde sempre ficava, um chão coberto de folhas com um pequeno e lento riacho e próximo dele, uma árvore singular com um tronco largo muito baixo, que em aproximadamente noventa centímetros de altura dividia-se em dois e seguiam horizontalmente até que subiam e ramificavam-se. O espaço entre essa divisão é onde normalmente me sento e medito.

Antes de chegar ao local fui tocado por um som encantador, era o som da flauta doce. Uma musica mágica entrava pelos meus ouvidos e embriagava meus sentidos, fazendo tudo parecer ainda mais belo.

Orodreth sentava-se no chão em frente à dita árvore, enquanto tocava para esta rendendo-lhe graças. Para ele esta lembrava muito uma cabeça de homem, com grandes chifres de cervo brotando-lhe. Uma vez ou outra, podia-se encontrar este velho conhecido por ali.

- Lord Vincus: Boa tarde, velho amigo, é mesmo um belíssimo som que toca.

- Orodreth: Ora velho Vincus, não esperava encontra-lo hoje, ainda mais tão cedo. Toco aqui para essa representação do grande pai cornífero, um som que pelos deuses me fora ensinado.

- Lord Vincus: Com toda certeza, essa música possui algo de divino.

- Orodreth: Andei lendo alguns de seus textos; um deles, o da semana passada, intitulado o mago e a religião, no jornal O Bruxo, me chamou a atenção, quando você faz sérias afirmações sobre o divino, e o diz desnecessário. Poderia falar melhor sobre isso? Para mim não ficou tão claro.

- Lord Vincus: Pretendia dedicar este momento a mim, mas como tua dúvida é interessante, posso lhe explicar mais detalhadamente.

- Orodreth: Instrua-me primeiro sobre o divino.

- Lord Vincus: Aí está um assunto complexo, quase impossível de se tratar, mas esforçar-me-ei a fazer-te esse favor. Como um mero vivente perecível, evocarei aqueles sobre o qual irei tratar, pois como já dizia o hermetismo, apenas o semelhante reconhece o semelhante. [...]

E, na tentativa de ser um pouco próximo do eterno, chamo a plenos pulmões o grande Hermes, mensageiro dos deuses, que me tome por completo, e me conceda a capacidade de deliberar sobre o divino cuidando para que eu não venha a cometer nenhuma impiedade, me guiando com a mesma consideração com que guiara Asclépio. 

(Uma sensação de paixão despertou-se em mim, e pude perceber que o mesmo ocorrera a Orodreth, me sentei na árvore sagrada, e neste momento ela nada mais era que um trono). 

- Orodreth: Vejo que lhe empolga tratar de tais assuntos...

- Lord Vincus: Cala-te Orodreth, pois irei começar, e tu deve ficar atento ao que vou te dizer, e se por ventura eu não for suficientemente claro, deve me pedir para ser mais limpo.

- Orodreth: calo-me, e ouço-o com toda a atenção.


(Continua...)

 
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