quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A problemática das pseudo-previsões oraculares e suas tendências (Parte 02)

Se me perguntarem “Vinicius o que espera para tempo amanhã?” e eu responder “Afirmo que pelo vento, amanhã poderá chover”, independente do resultado eu não estarei errado, e caso chova terei creditado algum título a meteorologia. Exemplos clássicos são os adivinhos que aparecem na TV aos montes fazendo adivinhações para o ano novo, cada um com um chute diferente dado de forma ampla, para caso errem a visão acertem no que não viram. Os que passarem longe serão simplesmente esquecidos, os que se aproximarem de algo serão reentrevistados aumentando assim sua clientela. Ex: “Esse próximo ano um ator famoso da rede globo irá morrer.”

Considerando a idade de vários atores e seu quadro de saúde, esse me parece um chute de ano novo muito bom, afinal não é incomum que em uma empresa com tantos atores em idade avançada perca algum durante o ano que se inicia, se o ator morrer é lucro para a adivinha, se não ninguém lembrará de suas previsões.

Penso agora ser necessário refletir sobre a possibilidade de ver o futuro ou o passado. Afirmo sem necessidade de explicar muito, por se tratar de uma afirmação de algo tão evidente que até mesmo uma criança reconheceria, que toda previsão falsa ou verdadeira se dá na memória imagética e sempre se dão no tempo presente. Com efeito, se vejo o futuro ou o passado, vejo-os no presente e não nos seus respectivos tempos.

Sobre o tempo é comum o homem dividi-lo em 3, esses são passado, presente e futuro. O passado já não mais existe, existiu, tudo que possuo são memórias de fatos passados, não um local ou espaço, onde o passado esteja contido e crescendo de acordo com o nascimento e morte do presente.

O futuro ainda não existe, não é pronto, não o esperamos como se fosse um conjunto de quadros de um filme que necessariamente irá tornar-se presente, como algo já escrito. O fato de o sol ter nascido ontem e nascido hoje não significa que exista um futuro pronto e que ele nascerá amanhã, mas podemos dizer que há grande probabilidade de que amanhã ele nasça a partir de uma relação de casualidade.

O fato de o sol ter nascido ontem e hoje, não é suficiente para afirmar que ele continuará a nascer, muito embora a indução possa vir a acertar o que irá ocorrer, ela não justifica o ocorrido (petição de principio) e mesmo que a indução acerte, não significa que só por que a lua dá voltas ao redor da terra, já exista um futuro pronto e repetitivo onde ela dará voltas ao redor por toda a eternidade (por mais que se tome o movimento dos astros como cíclico, essa tomada é falsa, já que o ciclo pressupõe ausência de principio e de fim, com efeito basta um corpo errante chocar-se com a lua para mudar seu movimento ou até mesmo despedaçá-la de uma hora para a outra, deixando-nos todos surpresos por ela não aparecer no dia seguinte, o mesmo pode se dar com qualquer outro fenômeno chamado cíclico.)

Partindo do principio que a opinião popular se engana e que não há passado, mas apenas memórias de fatos passados, tal como não há futuro, mas prognósticos (presente) que se efetivaram em uma esperança de um fato futuro. Parece-me sensato afirmar que é impossível prever um futuro pronto, uma vez que esse não existe, entretanto é possível ver as probabilidades maiores do que será presente.

Crendo na impossibilidade de um futuro, mas apenas de um presente em devir, a idéia de um adivinho que vê em um momento presente o que irá ocorrer como já existente é absurdo. Além disso a afirmação de um futuro feito, anula também as possibilidades mínimas de escolhas humanas, as afirmações de N futuros possíveis existentes em mundos paralelos é uma péssima saída racional, primeiro por não poder sustentar-se ou se provar, segundo que não resolve o problema mas criam-se outros que não se podem resolver.

Outra promessa dos oráculos é afirmar que a natureza humana se da por influência de números, planetas e outros astros, os números não existem na natureza são convenções humanas, afirmar que os números exercem influências sobre o homem (a partir do valor numérico do seu nome ou a data do seu nascimento) deixa a seguinte questão: “O primeiro homem não havia quantificado as coisas ou nomeado, sem nome e sem números, era nulo de influência numérica?” E quando os dias não eram contados, quando não havia calendário, já que o mesmo é uma convenção (datas e meses) o efeito desses também era nulo? Uma vez inventados, como passaram a ditar o comportamento humano?

Peço desculpas ao senhor Israil Wulfric por talvez não ter resolvido o problema e talvez criado outros, mas infelizmente minhas limitações me seguram a esse parco resultado, deixo aqui minhas investigações para que alguém mais hábil possa melhor termina-la.

2 comentários:

Frutos Carvalho disse...

Vinícios você não acredita em signos e nem em astrologia? teria alguma explicação científica ou social para o fato de inúmeras pessoas se sentirem realmente identificadas com os padrões descrevidos em seus mapas astrais? P.S.:Isso é uma pergunta e não uma provocação. :)

Alberto Alfredo disse...

Bom dia. Primeiramente quero parabenizar pelo blog, procuro algo assim a muito tempo e não havia encontrado, ate hoje.
Segundo, belo ponto de vista sou pagão, tenho meus oráculos mas seu ponto de vista é muito relevante e foi maravilhosamente esposto, este sim é um ceticismo construtivo.
Muitas bençãos

 
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