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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Runenmagie: Runas e os Wanen/Vanir


Hail!

Primeiramente, desculpem pela ausência da última postagem. Estive na organização do ENCPENP (Encontro Pernambucano de Neopaganismo) e realmente me fugiu da memória a publicação. Novamente, desculpem.

Em segundo lugar, hoje iremos finalmente concluir os aspectos mitológicos das runas e partir para suas particularidades oraculares. Deixei para o fim, propositalmente, a análise do mito presente na Tradição Wanen.


Vou ressaltar mais uma vez que a Tradição Wanen segue uma via de conhecimento e crenças que não dá para em todas as suas tônicas ser comparadas com o que foi datado ou documentado. Ou seja, muito do que vou escrever aqui não vai ser encontrado em livros, pois a Tradição tem uma visão própria e diferente dos Deuses.

Mandala com a presença de Mardoll, seus gatos (Trygull e Bygull),
o colar mítico e a espiral dupla, simbolo da Tradição Wanen.
 Na mitologia Wanen, as runas foram criadas por Mardoll, ou a Freyja germânica. Freyja é a Deusa da beleza, do prazer e da magia, nos mitos a que todos tem acesso. Para a Wanen, Freyja é um título e a primeira a utilizar tal título, foi Mardoll, a principal Deusa dos cultos da Tradição.


Além dos atributos já citados, Mardoll também é reconhecida como a Deusa dos Nascimentos, do Fogo e do Gelo, da Criação, da Arte, das Runas, do Seidr (técnica de xamanismo nórdico), das Valquírias e do Galdr¹.


Seu surgimento, assim como dos principais Deuses da Tradição e das runas é contado no Mito de Criação. Segundo ele



tudo era vazio, e no vazio rompeu-se a luz e seu nome era Mardoll²; sozinha no infinito, ela criou com um hálito gelado um espelho no qual se mirou e apaixonou-se pela sua própria imagem. Traçou nele um símbolo³ e sobre ele sussurrou "Galdr". O seu reflexo no espelho de Gelo se tornou sua segunda polaridade e traçou de maneira invertida o mesmo símbolo formando assim a runa Inguz. O reflexo de Mardoll então tomou forma e emergiu do espelho4 na forma do Deus Inguz, consorte de Mardoll.

Os Deuses dançaram e se amaram no vazio e, neste ato surgiram outros Deuses. Enquanto amava Inguz, Mardoll continuou traçando os símbolos rúnicos e sussurrou sobre eles. Os Espíritos Rúnicos foram então tomando também forma e começaram a dançar e se amar entre si e a criar novas combinações rúnicas. E destas combinações que foram surgindo os mundos, os seres e cada coisa existente



As runas, ou Espíritos Rúnicos, são agentes diretos no momento da Criação, sendo a matéria prima para tudo o que existe (tal quais os códigos do filme Matrix). São sigilos para a sabedoria primitiva. Cada sussurro de Mardoll continha determinada energia fundamental para a criação dos mundos. E é isso que as runas são para os Wanen: Espíritos Sagrados essenciais para a existência e harmonia das coisas.

¹Técnica germânica de magia sonora.
²Significa: “aquela que brilha sobre o mar” 
³Ela traçou a Runa Kaunaz (<), a runa do fogo espiritual, da criação e que a representava.
4Que por si só já era uma runa, a Isa. Runa do gelo e da forma concreta e material.

 Fonte: Tradição Wanen

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Runenmagie: Havamal e o Sacrifício de Odin

Hail!

Vamos finalmente começar a compreender as runas pelo sentido mitológico e assim compreenderemos a sua importância para a religião Asatrú (fé nos Asen) e Vanatrú (fé nos Wanen), assim como para as várias tradições germânicas e nórdicas.

Um erro bastante comum para quem começa a estudar runas é compreender na visão Asen e odinista que Odin foi quem criou as runas. Há muitos autores e próprios membros de tradições e vertentes Asatrú que dizem isto, mais no sentido de atribuir o fato das runas existirem à falácia da mitologia nórdica do que dizer que foi ele quem criou. De todo modo ainda é uma proclamação errada. 

Segundo o poema Havamál (presente nas Eddas Poéticas), Odin teria recebido as runas e sua sabedoria após um ritual iniciático que ele fizera na grande árvore Yggdrasil. O ritual feito por ele foi um sacrifício e auto-imolação, em que ele ficou suspenso de ponta cabeça num dos galhos da grande árvore da vida, com uma lança transpassada em seu corpo pelo período de nove dias e nove noites.

O sacrifício, feito dele para ele mesmo – como é dito no poema – é motivo de muitas especulações. Dizem que o Odin que fez o sacrifício não era o Odin divindade, talvez um líder da tribo que cultuava um Deus com seu mesmo nome. O que torna este ritual o caso de uma jornada xamânica em que o xamã se sacrifica ao seu Eu Superior para alcançar a sabedoria. Alguns autores sustentam esta teoria, afirmando que o indivíduo que se sacrificou teria sido apenas um mortal que entrou em contato com sua essência divina e mais tarde, depois de passar o conhecimento e sabedoria deste ato, assim como sua historia foi divulgada e transformada em lenda, ele foi dito como Deus.

Ainda falando sobre o ritual, ele é presente em muitas culturas antigas. Quando um individuo, por meio da morte ou sofrimento extremo do corpo físico e oferta tal ato a alguma divindade, penetra o mundo dos espíritos superiores e tem a possibilidade de arrecadar sabedorias. A volta desta jornada mais sábio, divinizado e com uma ponte eterna com o mundo dos espíritos é um renascimento e o que faz do individuo um ser entre os mundos, o que o torna, de fato, um xamã.

No caso de Odin, a sabedoria veio em forma dos símbolos rúnicos. Que no Havamál ele dita ter vislumbrado no fundo das raízes da árvore da vida e de lá as agarrou. Vale salientar que os símbolos rúnicos citados não tem uma origem definida. É como se já existissem até antes dos Deuses sendo apenas adicionados na cultura dos Aesir com este ato de Odin. Também estes símbolos são desprovidos de espíritos, como é visto em algumas Tradições. São apenas os mesmos símbolos, chaves e portais para sabedorias e mundos próprios, oposta da visão de espíritos individuais.

Do Havamál, também se compara os nove dias e nove noites de sacrifício como uma assimilação dos nove mundos que compõem a mitologia nórdica e a Árvore Yggdrasil. Supõe-se que cada dia seria dedicado a meditação dos mundos externos e internos de Odin, reforçando que as runas e o xamanismo nórdico estão muito ligados ao autoconhecimento e ao desdobramento entre mundos.

Segue uma tradução do Havamál e até o próximo texto! Onde sairemos da zona do conceito de runas, para começar a verificar as runas em seu sentido individual.

"Estive pendurado nove noites
na árvore açoitada pelos ventos,
por lança trespassado e dado a Odin
eu mesmo, a mim mesmo, naquela árvore
que nenhum homem sabe de onde brota.
Com pão não me abençoaram, nem com chifre,
olhava para baixo; e então tomei
as runas eu tomei vociferando,
de lá tombei de novo depois disso.
Encantamentos nove eu aprendi
daqueles filhos célebres de Boltor,
o pai de Bestla; e foi-me dado então
beber do hidromel caro de Odreri.
Depois revigorei-me e fiz-me sábio,
cresci e logrei ter maior poder;
dito buscava dito de meu dito,
obra buscava obra de minha obra.
Runas tu hás de encontrar e letras lidas,
letras mui grandes, letras mui robustas,
e pelo grande sábio desenhadas
e pelos grandes deuses engendradas,
e pelo Hropt divino entalhadas.
Entre os ases Odin, e entre os elfos
Dáinn, e Dvalinn diante dos anões,
e diante dos gigantes está Ásvid,
e eu próprio talhei algumas delas.
Sabes como entalhar, tu sabes ler?
Sabes como traçar, sabes testar?
Sabes como pedir, como imolar?
Sabes sacrificar, sabes matar?
Melhor é não pedir que imolar muito,
sempre o regalo atenta ao pagamento;
melhor sem sacrifício que matança.
Assim à gente diva Thund talhou;
lá, de onde retornou, ele se ergueu."


Bibliografia consultada:
- FAUR, Mirella. Mistérios Nórdicos: deuses, runas, magias, rituais. Ed. Pensamento, 2007
- DAVIDSON, Hilda R. E. Myths and symbols in pagan Europe.
- Link (www.pget.ufsc.br/in-traducoes/edicao_3/o_verso_theo.pdf)




sexta-feira, 15 de junho de 2012

Runenmagie: Sobre a Mitologia Nórdica


Hail, leitores!

Após compreender o que de fato é uma runa, vamos começar a ver os conceitos mitológicos sobre elas. O material-base para vários mitos nórdicos são os chamados Eddas.
A Edda em Prosa (Prose Edda), escrita por Snorri Sturluson, é uma coletânea de textos nórdicos que por mais que escritos sob uma ótica cristã e masculina tem muito valor para a cultura nórdica por conta do grandioso trabalho feito pelo seu autor. Foi muita busca, pesquisa e dedicação para a produção dos textos.
A Edda Poética (Poetic Edda), também conhecido como Codex Regius e Elder Edda, são um conjunto de textos que foram encontrados em um antigo manuscrito na Islândia. É deste texto que se tem a maioria das explanações sobre os mitos nórdicos. Tanto por ser mais antigo, como por sua forma de vesros nos darem abertura para várias interpretações e visões amplas dos mitos antigos.
Dentro da visão mitológica, como já citei antes, temos duas teorias, assim como na própria mitologia nórdica/germânica temos duas famílias divinas: os Aesir (ou Asen) e os Vanir (ou Wanen). Os Eddas reforçam em muito a visão Aesir dos mitos. Visto que eles foram os povos que dominaram de certa forma os Vanir, nada mais plausível que seus mitos serem os levados adiante. Já o que se tem sobre os Wanen é fruto de interpretações a partir dos Eddas e da oralidade da Tradição que vive aqui no Brasil.
Para facilitar a compreensão de quem é quem, e assim facilitar a noção de onde as runas entram em cada um dos povos ou clãs divinos, reservo esta postagem para a explicação de cada um dos povos e norteá-los sobre as diferenças entre ambos e o que eles tem em comum.

Os Aesir

Liderados por Odin, este povo bélico migrou da Índia e norte da Europa (sendo assim chamados indo-europeus) para as regiões onde seus mitos tiveram mais ênfase. Segundo os seus mitos mais conhecidos, Odin e seus irmãos (Vili e Vê) deram origem aos homens e aos mundos a partir do corpo de Ymir, um gigante de Fogo, filho de uma outra família divinizada dos povos europeus.
São Deuses normalmente ligados à guerra, justiça, ordem e englobam os arquétipos de Deuses dos Céus. Poucos sendo ligados à energias telúricas (terra) e aos mares. Vivem em Asgard, de onde governam Midgard e todos os outros mundos de Yggdrasil.
Entre os Aesir mais conhecidos temos o “trapaceiro”, Loki, responsável pelo estopim do Ragnarok; o Deus do Trovão, Thor, bastante em evidência graças à Marvel e aos filme “The Avengers” e o que leva o próprio nome; Frigga, a esposa de Odin, geralmente confundida com Freyja ou Mardoll; o Deus Benevolente, Baldur, geralmente associado pelos mitólogos cristão a Jesus Cristo, visto que os arquétipos das divindades são bastante semelhantes e ambos desempenham papel parecido em seus mitos; Heimdall que é o guardião da ponte arco-íris, Birsfrost, responsável pela guarda de Asgard. E tem, é claro, Odin, que é o Deus Supremo deste clã. É o Pai de todos, soberano por natureza, também conhecido como Wotan em algumas regiões. É um deus misterioso e paradoxal, que migra de guerreiro à xamã dentre os vários mitos em que se apresenta.

Os Vanir

Os Deuses Vanir sãos os Deuses mais arcaicos, nos Eddas e em outros escritos não há menção de sua origem, mas crê-se que como deuses primitivos eles tenha iniciado seu culto pela relação do homem primitivo com as forças e mistérios da natureza. Os Wanen são deuses ditos mais pacíficos, relacionados à fertilidade, sexualidade, agricultura, riqueza, e às forças da natureza. Ainda segundo os registros diz-se que eles já se encontravam no continente quando os Aesir chegaram e por anos tentaram conviver com as diferenças, mas elas ainda foram motivos para a famosa Guerra das Tribos.
Segundo a Tradição, os Deuses Wanens foram originados e primeiramente cultuados em Thule, um antigo arqupélago ao norte Europeu que desapareceu da mesma forma que Atlântida e Hiperbórea. Só depois do desaparecimento de Thule é que a tribo migrou para o continente europeu e se instalou lá.
Liderados por Mardoll (aquela que brilha sobre o mar), que recebe o titulo de Freyja (Senhora) vivem em Wanaheim, são detentores do conhecimento e sabedoria assim como da magia e dos seus usos. São os Deuses Xamãs, já que foi Freyja Mardoll quem detinha o conhecimento sobre o Seidr (xamanismo nórdico) e depois passou este conhecimento para Odin.
Entre os Deuses Wanens mais conhecidos estão Freyr, dito irmão gêmeo  de Freyja nos Eddas, Senhor das Florestas, Animais e Instintos; Ran, Senhora dos oceanos; Aegir, consorte de Ran; Njord e Nerthus; Deuses Ancestrais do Mar e da Terra, respectivamente. Há quem diga que Tyr também seja um Deus Vanir, visto que seu culto é mais antigo em algumas regiões que o culto do próprio Odin. E tem a famosa Gulltweig/Heide, Deusa da Transformação, Magia e do Renascimento que foi o estopim da guerra entre os Wanen e os Asen.
Há uma variedade de contradições entre o que os Eddas falam sobre os Wanen e o que a Tradição conta sobre eles. O que sabemos ocorrer com freqüência quando um povo “vence” outro. A verdade é de quem ganha. E no caso desta guerra os “vencedores” foram os Aesir.

Guerra das Tribos

Diz o mito que Gulltweig foi como uma diplomata fazer uma visita aos Asen em Asgard. A Deusa Wanen despertou a cobiça pelo ouro entre os filhos de Odin, visto que um dos seus poderes era tornar ouro tudo o que desejasse, assim como andava repleta de jóias e adornos dourado. Seu próprio nome significa “O Caminho Dourado”.

Odin deve ter interpretado isto como uma ofensa. O que se sabe é que não há razão aparente para o que houve em seguida a esta visita. Os Asen a fizeram prisioneira e por três vezes a queimaram e por três vezes ela renasceu das próprias cinzas sendo chamada depois disso de Heidhe, a Brilhante.
Após este acontecimento várias batalhas ocorreram e como não havia um vencedor entre eles foi feito um acordo de paz, onde dizem terem sido trocados alguns deuses. Indo alguns Wanen indo viver em Asgard e outros Asen indo para o Wanaheim.

Para a Tradição Wanen, a guerra ocorreu com os mesmos moldes, mas no fim enquanto não houve algum vencedor, após o acordo selado. Houve uma mescla entre os povos, mas os Wanen, orgulhosos como bem são, migraram novamente se instalando onde seria hoje a Escandinávia. E diferente do dito, a soberana Mardoll ou Freyja não ficou em Asgard, o que pode ter acontecido é uma das sacerdotisas dela ter ficado lá. Mas isto é uma outra questão de interpretações que se distancia da base acadêmica para a interpretativa e religiosa.

Por hoje é só pessoas!
Na próxima postagem descreverei por fim os mitos Wanen e Aesir sobre a aparição e criação das Runas em seus clãs.

Bibliografia consultada:
- FAUR, Mirella. Mistérios Nórdicos: deuses, runas, magias, rituais. Ed. Pensamento, 2007
- DAVIDSON, Hilda Ellis. Gods and Myths of Northern Europe. Peguin Books, 1964

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Runenmagie: Runas e a História - Parte I

Hail!* 
E chega a nossa Sexta-Feira em honra à Mardoll (Freyja) e suas runas!
Como prometido, vou começar a explanação do que são runas sob a ótica histórica (registros, teorias e arqueologia) e a visão mitológica (Aesir e Wanen). Estas últimas ainda tem subdivisões bastante interessantes que iremos explorar ao longo do tempo.



RUNAS E A HISTÓRIA



Dentro do imaginário popular, se pensarmos rapidamente na origem de instrumentos ligados à magia e ao paganismo, principalmente os envoltos de mistérios (como Runas e Tarot) temos a tendência de deixar a fantasia vagar e pouco nos fixamos nos fatos.
Assumo que para mim, descobrir que as runas tem registros válidos em tempos mais recentes do que eu previa foi um baque num chão raso. Em minha concepção, a história e os mitos se mesclavam em dado ponto em certa época. Tive por base teorias exotéricas que tentavam comprovar a veracidade de mitos, e nisso me perdi. Caindo em eloqüência somente posteriormente, com um estudo superficial e compreensão mais ampla sobre o assunto.

Runas, como as conhecemos hoje, para chegarem a este ponto sofreram grandes e diversas mudanças durante os anos em que se disseminaram pela Europa. Como já citado, em vários pontos distintos do continente foram encontrados registros e artefatos que comprovam a utilização dos talismãs e do alfabeto rúnico gravados em rochas. Ainda com todo este material, não se pode precisar em que época se deu a origem real dos grifos. O período mais convincente é o que se situa próximo ao ano 1300 AEC. Com esta falta de registros mais sólidos, os historiadores, pesquisadores e antropólogos tomam o rumo da especulação e com os rastros encontrados parte-se então para a formulação das teorias.

1-      Teorias

Das quatro mais conhecidas e divulgadas, duas já foram descartadas por não serem compatíveis com outros achados arqueológicos e as datas não são convincentes.
São elas:

- Latina/Romana: defende que o as runas foram originadas de uma adaptação do alfabeto latino. A semelhança entre alguns símbolos e as letras é o que dá base à teoria. Contudo, achados arqueológicos anteriores à data atribuída de quando teria ocorrido a origem do alfabeto tornam a versão inválida.

- Grega: posterior à romana, diz que os godos reformularam a escrita cursiva dos gregos e exportaram esta nova escrita por certa região da Europa (Mar Negro – Escandinávia). Vários achados na Rússia e Romênia comprovam a teoria, mas datas desencontradas também dão invalidez à hipótese.

Essas duas teorias formuladas nas últimas décadas de 1800 por mais que já descartadas, ainda têm validade para alguns. Porém não são mais bem aceitas dentro das vistas acadêmicas, por motivos óbvios.

As que tem mais respaldo histórico e que tem uma certa lógica são as seguintes:

- Etrusca: diz que as runas teriam surgido do alfabeto do povo etrusco que vivia ao norte ibérico e que eles teriam difundido-as pelos povos teutônicos e posteriormente pelo resto da Europa. Em favor desta teoria tem a descoberta de diversos artefatos arqueológicos com símbolos semelhantes às runas gravados neles do século IV AEC, além de outro oráculo inscrito em varetas com um sistema bastante semelhante ao rúnico. Por mais que a semelhança de alguns símbolos seja indiscutível, o alfabeto etrusco ainda não foi compreendido nem decifrado, logo não se pode dizer que eles e as runas tem realmente uma ligação efetiva, apenas que houve um ponto de encontro.

- Hallristinger: (mais aceita pelos historiadores acadêmicos) tem como base a semelhança das runas com as inscrições rupestres datadas em 1300-800 AEC (Idade do Bronze e Ferro).
Estas inscrições eram símbolos religiosos provavelmente ligados a um xamanismo europeu primitivo. Os caracteres não deixam sobrar dúvidas de que estão ligados a adoração ao Sol e ao Sagrado Feminino, além de ter a presença da famosa suástica, símbolo de fertilidade e que remete a fenômenos climáticos e astrológicos. Sobre o alfabeto Hallristinger pode-se deduzir que assim como as runas eles eram um sistema simbólico para expressar a sabedoria e os mistérios sagrados.
Segundo a teoria, as runas teriam sido resultado de uma modificação causada pelas várias gerações e transmigrações destes antigos símbolos rupestres estacionado entre os etruscos e os teutônicos onde conseguiram uma identidade própria e se tornaram uma linguagem escrita – ainda mantendo toda a simbologia sagrada.

Sob a ótica histórica, particularmente sou seguidor da última teoria. Fazendo uma revisão antropológica, a ligação entre as runas, seus portadores e usuários e o alfabeto que as originou tem uma linearidade mais convincente e provável.
Ainda podemos encontrar mais duas visões bastante difundidas. Classificadas como esotéricas, estas teorias nos remetem a compreensão de um outro mistério mundial. São representadas por dois grandiosos e bastante reconhecidos pesquisadores e runólogos: Guido Von List e Friedrich Berhnard Marby.
As correntes esotéricas afirmam que as runas sejam códigos cósmicos que teriam sido herdados de uma cultura antediluviana de povos evoluídos que habitavam terra lendárias.
List defende que as runas teriam sido trazidas por sua concepção do que foram os arianos.  Já Marby aponta que as runas vieram de Thule que afundou no Mar Norte há milênios atrás.
Continua...
* Nota: uma correção deve ser feita em relação ao meu primeiro texto em que usei “Heil”. Escrevi a fonética ao invés da palavra correta. No mais, “Hail” é uma saudação em alemão.


Bibliografia consultada:- FAUR, Mirella. Mistérios Nórdicos: deuses, runas, magias, rituais. Ed. Pensamento, 2007- Runemal (www.runemal.com)- MonteMor (www.marquesdemontemor.blogspot.com.br)

domingo, 17 de julho de 2011

Resposta a contestações feitas sobre o texto "WYRD: A Runa do Vazio"

Estou aqui para responder a algumas contestações comentadas sobre o texto "WYRD: A Runa do Vazio", feito por um de nossos leitores, Luan Silva.

1 - "No Futhark antigo são apenas 24 runas primordiais [...] ela seria assim a vigésima quinta runa. Não a vigésima quarta como deu a entender no texto"

 Bem, minha intenção não foi o de atribuir a Runa Branca as 24, por isso que citei no texto "existe uma a mais que foi criada no decorrer das eras", visto que alguns pesquisadores afirmam que ela talvez tenha sido introduzida no decorrer dos anos. Acredito que a confusão foi feita pela palavra 'Dentre', que já modifiquei para que não resulte em más interpretações. Obrigado por avisar.

2 - "[...] nenhuma runa tem 'poucos significados', mesmo a branca [...] o poder das Norns que estão numa hierarquia maior que os Deuses - controlando assim o destino destes [...] Talvez até sejam tangentes numa interpretação metafísica e/ou quântica. Mas o nada e o vazio na visão nórdica são coisas totalmente diferentes de WYRD [...] Em essência esta rua é um acréscimo supérfluo, pois a runa PEORTH [...]"
Também não quis dizer que alguma runa possui 'poucos significados', mas sim que contrário a opinião de diversas pessoas, essa runa possui uma profundidade imensa de significados e simbologias. Os Norms, dentro da visão nórdica, foram citados nesse texto como 'Princípios', visto que é uma palavra sem conexão cultural, tentando abranger todos, visto que estes são fundamentados nas Leis Universais. O Nada e/ou o Vazio são Princípios, então sua visão deve ser metafísica, já que não se tem como ter uma visão total destes conceitos. Não concordo no que diz que esta runa possui um significado supérfluo, já que a mesma apresenta diversas questões que fogem a visão da runa Peorth.

3 - "Não diria que a runa trata de uma plena confiança. Fala é claro que você deve saber impor sua vontade, visto que em momentos caóticos, ou de predestinados ela conta mais do que qualquer coisa [...] Num contexto mais elaborado, eu diria que se a plena confiança se referir ao próprio individuo, sim, a Runa talvez se aplique nesta interpretação. Pois para você saber sua vontade você deve antes de tudo, confiar em si mesmo e conhecer a si mesmo"

'A Confiança Plena' é um dos nomes pela qual esta runa é chamada. No caso, ela vem a significar que a confiança em si, se jogando nas mãos veredas do tempo, e assim submetido aos jogos da consequência de suas escolhas, assim sendo, mesmo que breve, um destino.

4 - "Foi citada a Fênix no texto. mas a fênix do mito greco-romano, eu acho. Na mitologia germânica há um mito próprio para a fênix. E tem mais a ver com orgulho, transmutação e honra do que auto-conhecimento"

Sim, a referência da Fênix, citada no texto é dentro do mito grego, porém esta tende a se aplicar de certa forma, visto que a transmutação vem acompanhada da mudança interna, tendendo a evolução do ser. O Auto-conhecimento é justamente a forma de se alcançar essa evolução, tendo sempre uma mudança, ou uma transmutação em si. Adorei a referência do texto, obrigado.


5 - "Seria o "Tudo OU Nada", a aposta no que se acredita ser o verdadeiro destino [...] A dança cósmica destes princípios é, como foi citada, muito profunda e é especulada em outras runas, não totalmente, mas ainda ligeiramente na Wyrd."

Tudo e Nada foram referidos aqui como dois Princípios, não a relação da aposta, porém sendo o exemplo muito válido. Na verdade, cada runa apresenta esses princípios de formas diferentes, a Wyrd também. Cada uma apresenta sua forma bem aprofundada e múltipla, então dizer que a Wyrd apresenta esse conceito ligeiramente seria equivocado, visto que o próprio significado dela 'Destino', remete a estes significados plenamente.


Eu gostaria de agradecer Luan Silva pelas críticas e sugestões feitas, visto que é isto que prezamos, a interação com os leitores. Uma crítica quando bem fundamentada, como foi a dele, só tende a ajudar a melhorar o blog. Sintam-se livres para contestarem aonde acham que deva ser necessário, tudo de maneira respeitosa. Caso também queiram contribuir com textos para o Jornal O Bruxo PE, basta mandar um e-mail para douglasphoenix.3@gmail.com.

Sem mais nada a dizer, Bênçãos Plenas a todos!

sábado, 16 de julho de 2011

WYRD: A Runa do Vazio

O Vazio é o fim ou é apenas o princípio?
Talvez os dois.

Dentre as 24 Runas de Odin, existe uma a mais que foi criada no decorrer das eras. Um pedaço de madeira em que nenhum desenho ou forma se representa, apenas o ciclo que se revela em seu vazio. Essa runa que aparentemente não tem muito significado, possui todo o simbolismo das Leis Universais, representado em sua ausência de representação. Runa do Vazio, Wyrd ou 'A Confiança Plena', como alguns preferem chamá-la, remete ao encontro com nosso próprio destino, renascendo continuamente como a Fênix renasce das cinzas que jogou ao mar.

O Vazio ou o Nada, é um dos Princípios que regem toda a criação. Na origem dos Universos e dos vastos mundos, O Tudo e o Nada surgiram por razões que são profundas demais para o nosso conhecimento, porém as manifestações destes são claramente evidentes em todas as formas da Sabedoria a que estamos submetidos, sejam estas ao nosso redor ou a sabedoria que desconhecemos em nós mesmos.

Assim como diz um antigo provérbio asiático: "O Tudo se revela no Nada, e este por pura conclusão, é a imagem do Tudo", ou seja, O Tudo é Nada e o Nada é Tudo, assim como o ciclo que torna a nascer e a morrer, desde que o Caos e o Equilíbrio foram estabelecidos. Esta runa, que ao mesmo tempo apresenta esses dois princípios, contém a totalidade renovadora do ser. Esta runa tende a revelar os mais profundos medos de nossa alma, porém também revela as certezas e virtudes adquiridas ao longo de nossa jornada.

Apesar dessa imensa força, sentimos receio de trabalhar com a mesma, visto que uma pergunta sempre martela em nossa mente: Como podemos controlar aquilo que não tem forma? A resposta é simples: Não podemos. Temos que aceitar que há coisas que não podemos ter um controle, coisas que são muito maiores do que as leis que fundamentamos. Os próprios Deuses estão submetidos aos Grandes Princípios, isto não poderia ser diferente para conosco. Aí está o segredo que rege tal runa: a coragem de se jogar no vazio de olhos fechados. Como diz a passagem de um livro famoso: "Se quiseres realmente saber como é algo, mergulhe nele". O despertar de coisas além do nosso consciente é necessário, independente de nosso caminho espiritual.

A utilização oracular desta runa representa o desfecho de um momento em sua vida, representando assim as diversas mortes que vamos tendo ao longo de nosso curto espaço na Terra, e os renascimentos que são tidos. Simbolizando o desconhecido ou o destino. Porém nada está predestinado, o que está na essência é o poder dos Princípios. 

Desenhar a Runa Wyrd representa uma mudança em se interior, adquirindo auto-conhecimento. Queime ardentemente nas sombras do Nada, deixando-se consumir no âmago do Vazio, até que, das cinzas de sua vida passada, renasça o Outro Eu que carrega a sabedoria adquirida nas areias da ampulheta, que pelas fendas saíram, ao piar ensurdecedor da Coruja que nos guarda. Um novo dia começou.

Texto de Douglas Phoenix

quarta-feira, 15 de junho de 2011

ESP-PE JUNHO 2011 - RUNAS: HISTÓRIA E MITOS


O Encontro Social Pagão de Pernambuco (ESP-PE) promete mudanças em sua organização. O evento marcado para este sábado, 19 de junho, traz o tema 'Runas: história e mitos' sendo ministrado pelo palestrante André Raven, pertencente a Tradição Telúrica. Ele promete abordar a origem das runas, sua variação de acordo com os lugares, além dos mitos que a envolvem, não só no Asatrú, mas também em outras culturas.

O evento ocorre exatamente às 14hs com uma pré-palestra marcada por consultas gratuitas de oráculos como Tarot, runas e leitura de mãos. O local do evento continua sendo próximo ao Baobá da Praça da República (em frente ao Teatro Santa Isabel), Recife. A organização do evento pede que quem desejar leve papel e lápis para possíveis anotações, além de lanches e bebidas (não alcóolicas) para uma confraternização no evento. Chamem sues amigos e se reunam para um debate e confraterinzação com diversos praticantes e curiosos do espaço neopagão no estado.

O evento é totalmente gratuito. Para mais informações acesse www.esppe.net ou entre em contato pelo e-mail: esp_pe@yahoo.com.br

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Fenris

Fenris, Fenrir, ou ainda Fenrisulfr, é um lobo monstruoso da mitologia nórdica. Filho de Loki (filho de criação de Odin) com a giganta Angrboda. Tem como irmãos Jormungand (a serpente de Midgard) e Hel (a Morte).
Acorrentado pelos deuses até o advento do Ragnarok (O Destino Final dos Deuses), Fenrir se solta e causa grande devastação, antes de devorar o próprio Odin (O Supremo deus Guerreiro), sendo morto, posteriormente, pelo filho do grande deus, Vidar, que enfiará uma faca em seu coração.
A fonte mais importante de informação sobre Fenrir aparece na seção de Gylfaginning no édico de Snorri Sturluson, embora haja outros, freqüentemente contraditórios. Por exemplo, em Lokasenna, Loki ameaça Thor com a destruição por Fenrir durante o Ragnarök, uma vez que Fenrir pode destruir Odin.
Fenrir tem dois filhos, Hati ("Odioso") e Skoll. Os dois filhos perseguem os cavalos Árvakr e Alsviðr, que conduzem a carruagem que contém o sol. Hati também persegue Mani, a lua. Deve-se notar que Skoll, em determinadas circunstâncias, é usado como um heiti (palavra que descreve uma espécie de kenning, frase poética que é utilizada substituíndo o nome usual de um personagem ou de uma coisa) referenciando, indiretamente, ao pai (Fenrir) e não ao filho (esta ambigüidade também existe no outro sentido.
A partir da "A profecia dos Völva" ou "A profecia de Sybil",(Völuspá) e de sua luta com Vafthruthnir (também relatado no Vafthruthnismal ), Odin percebe que as crianças de Loki e de Angrboda trariam problemas aos deuses. Logo, o poderoso deus traz a sua presença o lobo Fenrir, junto com seu irmão Jormungand e sua irmã, Hela. Após lançar Jörmungandr nas profundezas do mar e enviar Hel para baixo, na terra dos mortos (Niflheim), Odin mandou que o lobo fosse levado pelos Æsir.
No entanto, somente o deus Týr era audaz o bastante para alimentar o monstro crescente. Os deuses temiam pela força crescente do lobo e pelas profecias de que o lobo seria sua destruição. Duas vezes, Fenrir concordou em ser acorrentado e, pelas duas vezes, ele estourou facilmente os elos que o prendiam. A primeira corrente, feita do ferro, foi chamada Loeðingr. A segunda, também de ferro, mas duas vezes mais forte, foi chamada Drómi. Finalmente, Odin pediu ajuda aos anões, e eles fizeram um grilhão chamado Gleipnir, era macio como a seda e foi feito com ingredientes muito especiais.
Os deuses então, levaram Fenris-lobo para uma ilha deserta e o desafiaram a quebrar Gleipnir. Percebendo a armadilha, o lobo concorda, mas com a condição de que um dos deuses pusesse a mão em sua boca, como sinal de "boa fé".
Assim, o bravo Tyr enfiou a mão direita entre as mandibulas do terrível monstro.
Eles amarraram o lobo com os grilhões macios, mas, dessa vez, quanto mais Fenris-lobo puxava, mais Gleipnir apertava-se em seu pescoço. Furioso, ele fechou vigorosamente suas enormes mandíbulas e decepou a mão do deus.
Tyr ainda teve a oportunidade de se vingar colocando uma espada na boca do lobo para que ele não fizesse tanto barulho.
Mesmo sabendo que chegaria um dia em que Fenrir se libertaria e traria morte e destruição a todos eles, os deuses não o mataram. "O que tem de ser, será", disseram.

 
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