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sábado, 18 de agosto de 2012

O Bosque: As Quatro Jóias das Tuatha Dé Danann


*Livro Amarelo de Lecan

Havia quatro cidades nas quais as Tuatha Dé Danann aprenderam sabedoria e magia, pois a sabedoria e a magia e a magia negra estavam a serviço deles. Estes são os nomes das cidades: Failias e Findias, Goirias e Murias. De Failias foi trazida a Lia Fail, que está em Tara, e que costumava clamar sob cada rei que assumia a soberania da Irlanda. De Gorias foi trazida a espada que pertenceu a Nuada. De Findias foi trazida a lança de Lug. E de Murias foi trazido o caldeirão do Dagda.

Quatro magos estavam nessas cidades. Fessus estava em Failias, Esrus estava em Gorias, Uscias estava em Findias, e Semias estava em Murias. Deles as Tuatha Dé Danann aprenderam sabedoria e conhecimento. Nenhuma batalha mantinha-se contra a lança de Lug ou contra o que a tinha em sua mão. Ninguém escapou da espada de Nuada após ter sido ferido por ela, e quando era puxada de sua bainha guerreira, ninguém resistia contra o que a tinha em sua mão. Nunca houve uma assembleia de convidados insatisfeita pelo caldeirão do Dagda. E a Lia Fail, a qual está em Tara, jamais falou exceto sob um rei da Irlanda.

Alguns historiadores, de fato, dizem que as Tuatha Dé Danann vieram para a Irlanda numa nuvem de bruma. Mas isso não é assim; pois eles vieram em uma grande frota de navios, e após desembarcarem na Irlanda, eles queimaram todas as suas embarcações. E da fumaça que se ergueu delas, alguns disseram que eles tinham vindo numa nuvem de bruma. Isto, entretanto, não é verdade; pois essas são as duas razões pelas quais eles queimaram seus barcos: a de que a raça dos Fomorians não pudesse encontrá-los e atacá-los, e a de que Lug não pudesse vir a fim de competir com Nuada pela soberania. A respeito deles, o antiquário compôs esta balada:

“As Tuatha Dé Danann das jóias preciosas,
Onde elas encontraram o saber?
Vieram na perfeita sabedoria
Em druidismo (e) em malignidades.

O justo Iardanel, um profeta da excelência,
Filho de Nemed, Filho de Agnoman,
Teve como insensata prole o ativo Beothach,
Que era um herói do (golpe de) trespassar, cheio de maravilhas.

Os filhos de Beothach, —-muito tempo durou sua fama -—
A horda de valentes herois veio,
Após a mágoa e após grande tristeza,
Para Lochlann com todos os seus delitos.

Quatro cidades, -—apenas sua fama -—
Inclinaram-se com grande vigor.
Por conta disso apaixonadamente competiram
Pelo aprendizado de sua genuína sabedoria.

Failias e a brilhante Gorias,
Findias (e) Murias de grandes proezas,
Das quais batalhas foram vencidas do lado de fora,
(Foram) os nomes das principais cidades.
Morfis e o nobre Erus,
Uscias e Semiath, sempre-feroz,
Nomear-lhes,—-um discurso necessário --
(Estes foram) os nomes dos sábios da sabedoria nehle.

Morfis (foi) o poeta da própria Failias,
Em Gorias (estava) Esrus dos profundos desejos,
Semiath (estava) em Murias, a fortaleza de pináculos,
(E) Uscias (era) o honesto vidente de Findias.

Quatro presentes (foram buscados) com eles aqui, pelos nobres das Tuatha Dé Danann:
Uma espada, uma pedra, um caldeirão de valor, (e) uma lança para a morte dos grandes campeões.

De Failias (veio) cá a Lia Fail, que gritava sob os reis da Irlanda. A espada na mão do ágil Lug de Gorias (foi adquirida), -— uma escolha de vastas riquezas.

Da distante Findias além do oceano foi trazida a mortal lança de Nuada. De Murias (foi transportado) um enorme e poderoso tesouro, o caldeirão do Dagda de feitos grandiosos.

O Rei do Firmamento, o Rei dos homens fracos,
Que ele possa me proteger, o Rei das frações reais,
O Ser no qual está a resistência dos espectros,
E a força da gentil raça.”

Tuatha Dé Danann.

Fim. Amém.

Fonte:
Vernam Hull. "The Four Jeweles of the Tuatha Dé Danann." ZCP. vol. XVIII. NY: G.E. Stechert Co. 1930.
Tradução: Renata Gueiros

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O Bosque: A Rainha Guerreira

Há uma lenda a respeito de um poço de Sta. Keyne, na Cornualha. Quando um casal está recém casado, aquele que primeiro beber da água do poço vai governar a casa pelo resto do casamento. É um gracioso fragmento do folclore, o qual gerou alguns poemas e canções divertidas. É dito que o poço obteve seu poder de Sta. Keyne, uma ermitã do século quinto que torturou seu corpo pelo bem de sua alma. Em sua morte, de acordo com a lenda, anjos clementes vieram e removeram a camisa de pelos* que ela usara por anos, e a substituíram por um celestial robe branco. Na verdade, Keyne foi uma rainha antes de ser uma santa, e é possível que a lenda venha mais da lembrança dela como uma rainha guerreira, do que como uma eremita cristã. Ela era filha do Rei Brycham de Brecknock, o pequenino reinado no sul de Gales que manteve uma linha de sucessão independente todo o tempo, do quinto ao décimo século. Como ocorre com tantos dos primeiros santos célticos, há muito pouca evidência dos fatos históricos de sua vida, uma vez que todas as hagiografias são extremamente fantasiosas e pouco confiáveis. Entretanto, sabemos que Brecknock sobreviveu a muitas tentativas de conquista ou assimilação violenta, e podemos razoavelmente deduzir que a dinastia real de Brecknock teria sido muito familiarizada com as artes da guerra. Seria muito interessante voltar numa máquina do tempo, e ver como a Princesa Keyne da família real de Brecknock em Gales tenha acabado vivendo a desesperadoramente pobre e solitária vida de uma eremita, nos confins da Cornualha. Sua lenda – a qual é praticamente tudo o que nos restou dela – parece sugerir que ela foi uma mulher de grande poder em algum momento de sua vida.

Era claramente esperado que as rainhas célticas demonstrassem fisicamente tanta fortaleza de espírito quanto os reis celtas. Mesmo daquelas que não se tornaram comandantes na guerra, como as bem-atestadas Boudica e Cartimandua, se esperava que tivessem qualidades guerreiras. Quando a deusa irlandesa Macha dá à luz seus famosos gêmeos, é nas circunstâncias físicas mais árduas:

Logo, uma feira foi realizada em Ulster. . . . Crunniuc arrumou-se para a feira com o resto . . .

- ‘Seria bom não bancar o fanfarrão ou o descuidado em qualquer coisa que diga’, a mulher [Macha] disse a ele.
- ‘Isso não é provável', ele disse.

A feira aconteceu. No fim do dia o coche do rei foi trazido ao campo. Seu coche e seus cavalos venceram. A multidão disse que nada poderia bater aqueles cavalos.

- 'Minha esposa é mais rápida', disse Crunniuc.

Ele foi imediatamente levado ao rei, e a mulher foi chamada. Ela disse ao mensageiro:

-'Seria para mim um fardo pesado ir libertá-lo agora. Eu estou grávida'.
- 'Fardo?' disse o mensageiro. 'Ele morrerá a menos que você venha'.

Ela foi à feira, e começou a sentir as dores. Ela gritou para a multidão:

- 'Uma mãe pariu cada um de vocês! Ajudem-me! Esperem até que nasça a minha criança'.

Mas ela não podia movê-los.

- 'Muito bem', disse ela. 'Disso, um mal duradouro virá para todos de Ulster'.
- 'Qual é o seu nome?' disse o rei.
- 'Meu nome e o nome de minha prole', ela disse, 'será dado a este lugar. Eu sou Macha, filha de Sainrith mac Lmbaith.'

Então ela correu a carruagem. Assim que a carruagem chegou ao fim do campo, ela deu à luz ao lado dele. Ela pariu gêmeos, um filho e uma filha. O nome, Emain Macha, os Gêmeos de Macha, veio disto. Conforme dava à luz, ela gritava que todos os que ouvissem aquele grito iriam sofrer dos mesmos tormentos por cinco dias e cinco noites nos momentos de suas maiores dificuldades. Tal aflição, mesmo depois, agarrou-se a todos os homens de Ulster que estiveram lá naquele dia, e nove gerações após eles.

O conto faz recordar das lendas dos índios americanos sobre mulheres-apache parindo nas costas dos cavalos, enquanto o resto da tribo continuava na ida. Há um tema similar de um grito como presságio na história de Derdriu ou Deirdre das Tristezas, cujo grito de dentro do útero antes de seu nascimento pressagia um grande mal. A morte de Derdriu também é tão intencional e violenta quanto a de qualquer guerreiro:

- 'O que você vê que mais odeia?' Conchobor disse.
- 'Você, é claro', disse ela, 'e Eogan mac Durthacht!'
- 'Vá e viva por um ano com Eogan, então', disse Conchobor.

Então ela foi mandada para Eogan.

Eles partiram no dia seguinte para a feira de Macha. Ela estava atrás de Eogan no coche. Ela tinha jurado que dois homens juntos vivos no mundo nunca a teriam.

- 'Isso é bom, Derdriu,' Conchobor disse. 'Entre mim e Eogan você é uma ovelha mirando dois carneiros'.

Um grande bloco de pedra estava na frente dela. Ela impeliu sua cabeça contra a pedra, e fez uma massa de fragmentos dela, e morreu. A treinadora em armas de Cu Chulainn, mencionada acima, era Scathach, uma guerreira e profetiza. Ainda mais feroz que Scathach é Aife, 'a guerreira mais dura do mundo', que desafia Scathach para um combate corpo a corpo, o qual Cu Chulainn aceita no lugar de Scathach. Ainda sim, Cu Chulainn tem que usar de artifícios para vencer a luta, sem mencionar um apoio que a luta moderna não permitiria:

Cu Chulainn foi até Scathach e perguntou o que Aife tinha de mais querido sobre todas as coisas.

- As coisas que ela possui de mais caro', disse Scathach, 'são seus dois cavalos, seu coche e seu cocheiro'.

Cu Chulainn encontrou e lutou com Aife sobre a corda de talentos. Aife esmagou a arma de Cu Chulainn. Tudo que ela deixou foi uma parte de sua espada, não maior que um punho.

- 'Olhe! Oh, veja!' disse Cu Chulainn. 'O cocheiro de Aife e seus dois cavalos e o coche caíram dentro do vale! Todos estão mortos'!

Aife olhou em volta e Cu Chulainn saltou para ela e a agarrou pelos dois seios. Ele a pôs nas costas como um saco, e a trouxe de volta para seu próprio exército.

Quando a Rainha Medb está revendo seus exércitos com seu consorte, o Rei Ailill, ela se preocupa com os Galeoin, uma tropa de três mil homens de Leinster. Quando Ai Hill pergunta que falhas ela encontra neles, ela responde que não encontra nenhuma, e então lista suas excelentes qualidades como soldados. ‘O problema’, ela diz, ‘é que se eles forem com os outros, eles terão todo o crédito’.

- 'Mas eles estão lutando do nosso lado', disse Aiti.
- 'Eles não podem vir', disse Medb.
- 'Deixe-os ficar, então', Ailill falou.
- 'Não, eles também não podem ficar', disse Medb.
- 'Eles apenas viriam e se apossariam de nossas terras quando tivessemos ido'.
- 'Bem, então o que vamos fazer com eles’, disse Ailill, ‘se não podem ficar nem vir?’
- 'Matá-los’, Medb disse.
- 'Que esse é o pensamento de uma mulher e não um engano!' Ailill disse. 'Uma má coisa a se dizer'.

No caso, os Galeoin são dispersos para diferentes partes do exército, mas o ponto que foi criado foi o de que uma rainha guerreira pode ser ainda mais implacável que um rei guerreiro, e muito menos suscetível a questões triviais sobre honra ou lealdade.

Os exemplos mais poderosos da rainha guerreira são os das deusas-de-batalha, a Morrigan, Badbh, Macha (que deu à luz os gêmeos, mencionados acima) e Nemhain. Nas lendas, a deusa aparece como uma lavadeira no vau de um rio, lavando as armas e a armadura do herói, em preparação para sua partida desta vida. Ela, ou elas (essa é uma deusa com muitos aspectos), podem mudar de forma à vontade. Sua forma favorita é a de um corvo, escolhendo entre os cadáveres quando é finda a batalha, os membros ainda se contraindo, e o sangue negro está esfriando sobre o chão. Nemhain, cujo nome significa 'Frenesi', mata uma centena de guerreiros apenas soltando seu horrendo grito para eles. A Badbh, frequentemente chamada Badbh Catha ou o Corvo de Batalha, aparece na lenda do Hotel Da Derga como uma mulher-corvo velha, hedionda, sangrando, e com uma corda ao redor de seu pescoço, para predizer Conaire de sua morte. A Morrigan ou Grande Rainha é uma instigadora da guerra, uma portadora da morte e destruição, assim como, aparentemente incongruente, uma poderosa deusa da fertilidade. Ela é instável: amorosa e apoiadora do herói-guerreiro quando o favorece, perversa e destrutiva quando ele está desvalido. Quando Cu Chulainn finalmente morre, a Morrigan é vista empoleirada em seu ombro.

A 'banshee', que é a pronúncia inglesa do irlandês bean sidhe ('mulher fada'), é um tipo genérico da deusa da guerra ou da morte. Seu choro lamentoso, que prediz a morte, é chamado “caoin” em irlandês, pronunciado 'keen', que é a origem do uso do inglês 'keen' para significar 'lamento' ou 'chorar por'. Há várias lendas do folclore irlandês sobre a bean sidhe. Uma é a de que ela lidera pavorosas procissões fúnebres, com um imenso coche negro puxado por quarto cavalos negros sem cabeça, e se algum dos residentes de uma casa for tolo demais para abrir a porta quando a bean sidhe bate nela, eles receberão uma tigela de sangue atirado em suas faces.

*N.T. Em inglês, hair shirt: é uma peça grossa de roupa, normalmente feita de pelos de bode, destinada a ser usada junto ao corpo para manter quem usasse em um estado de desconforto constante. Eram usadas por algumas ordens religiosas cristãs, como forma de penitência por determinadas atitudes, ou estilo de vida. 

Bibliografia:
King, John em Kingdoms of the celts – A History and Guide
Cap. 11 – The Kings and Queens of Mithology – The Warrior Queen pgs. 212-215

Imagem: Queen Maeve, por J. C. Lyendecker

Tradução: Renata Gueiros

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O Bosque: Animais na mitologia celta

Os animais faziam parte do cotidiano das tribos celtas, fosse para servirem de alimento, fosse para caça, montaria, carga ou guarda. Alguns, como o javali, eram respeitados e temidos por sua ferocidade. As lendas estão repletas deles e, a iconografia encontrada nos locais onde existiram tribos celtas também demonstra a importância dada aos animais, principalmente quando relacionados a divindades. 

O cavalo (ou a égua), sem dúvida, é um dos mais retratados. Ele aparece nas estátuas de Epona (como a própria deusa ou servindo de montaria para ela), e ainda é associado a outros deuses, como é o caso do cavalo Enbarr pertencente ao deus Mananánn, e de Macha, que mesmo grávida de gêmeos é obrigada a apostar uma corrida com os cavalos do rei. Ela ganha a corrida provando ser mais rápida que todos os cavalos (daí a associação com eles), e já sentindo as fortes dores do parto amaldiçoa todos os guerreiros da província do Ulster, por não terem atendido seus pedidos de ajuda. 

Os cães também eram animais importantes e sagrados aos celtas, por protegerem e ajudarem seus senhores durante a caça, como é o caso dos cães da matilha de Gwyn ap Nudd, senhor de Anwnn, o outromundo dos mortos. E quem é que não conhece o herói Cúchulainn? Setanta era seu nome, antes de ser atacado e matar o enorme e até então invencível cão de guarda da morada de Culainn. Ao deixar o anfitrião sem seu animal guardião, Setanta ofereceu a si mesmo como “cão de guarda”, assumindo assim o nome de Cúchulainn, que literalmente quer dizer ‘Cão de Culainn’. 

Em uma lenda irlandesa chamada “O Salmão do Conhecimento”, o jovem Fionn Mac Cumhaill, enquanto acompanhava seu mestre Finnegas na preparação de um salmão mágico que conferia grande saber a quem dele comesse, acidentalmente torna-se primeiro a provar do peixe, ganhando assim um imenso conhecimento, para depois seguir seu caminho tornando-se o líder dos guerreiros intitulados Fianna. Um salmão também é o animal que revela onde está escondido o jovem Mabon, no conto “Culhwch e Olwen”. 

Outro animal extremamente conhecido e reverenciado é o corvo, relacionado com a profecia, a morte na batalha e com deusas como Morrigan e Badba. 

Lobos, pássaros, cervos, o cisne, a vaca e o touro, o javali e o urso também são animais relacionados tanto a personagens das lendas irlandesas e galesas, como também a deuses e deusas. É o caso da deusa Artio, relacionada com o urso, e também do cisne, relacionado com os filhos encantados de Lir e com a bela Caer, donzela-cisne com quem Óengus sonha e se apaixona perdidamente. 

É fácil perceber que praticamente todos os animais que fizessem parte da vida dos celtas seriam relacionados de alguma forma ao divino ou ao fantástico. Então vem a pergunta: por quê? Pela forma como viviam, pela proximidade com tais animais, era possível conhecer seus hábitos e comportamentos, e dessa forma perceber e relacionar a manifestação das divindades dos três mundos em determinados seres que não os humanos. 

Até a próxima. 


* Referências: 

- Green, Miranda Aldhouse. An archaeology of images - Iconology and cosmology in Iron Age and Roman Europe, pgs. 113 - 148.

- Mabinogion, analisado por Will Parker - http://www.mabinogion.info/index.html

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Deus Lugh


A ideia de que os guardiões protegiam e defendiam o Planeta Terra, com certeza veio dos pensamentos celtas, pois fica explicito nos estudos que procedem do deus Sol, LUGH.

Lugh é um Deus Celta, representado em muitas Lendas Irlandesas como sendo o triunfo da Luz sobre a Escuridão. Ele é o Guardião legítimo da Lança Mágica de Glorias e era particularmente associado ao uso da funda (arma feita de pele de animal com a qual se lançam pedras ), com a qual matou o seu terrível adversário, Balor.

Lugh é um Deus que está presente em todos os Panteões Celtas.. Em Gaulês antigo tinha o nome de Lugos, e ao longo do resto da Ilha Britânica, é conhecido como Lug. As Histórias e mitos sobre ele diferem em cada região onde é reverenciado de inúmeras formas e através de diferentes ritos.

Principalmente conhecido como Deus do Sol, Lugh também é um Deus Guerreiro, da Medicina, Druida, Bardo, Ferreiro, Cervejeiro, entre outras coisas.

As suas funções identificam-no como um Deus da Guerra e das Artes Mágicas, mas os poetas e todos os artistas também são por ele beneficiados, juntamente com os guerreiros e os magos. As suas armas sagradas em todas as tradições são a funda e a lança. No folclore Irlandês ele é o Pai do grande Herói Cuchulain.

Lugh é um Deus do céu e está fortemente ligado com o fogo, com o Sol e com o tempo. Em várias representações suas, Ele aparece com um Torc ( (peça de joalharia Celta ), e uma lança brilhante, que por vezes aparece como sendo um raio.

Ele é o Deus de todas as habilidades, artes e da excelência em todo o empenho imaginável. Ele é visto como o Protetor e Guia do seu Povo. Animais que lhe são especialmente sagrados são, as águias e os corvos que mantêm vigia sobre tudo aquilo que acontece na Terra. A sua Árvore Sagrada é o Freixo.

Embora ele seja representado das mais diversas formas e com atributos diferentes, existem alguns pontos em comum encontrados nos Mitos sobre Lugh em diferentes Tribos Celtas:

Ele é um Deus Jovem com longos cabelos e com a face brilhante como o Sol

Ele é qualificado em várias Artes

Ele é sobrevivente de gêmeos no nascimento

Ele é adotado em criança (na Irlanda por Tailtu e em Gales por Gwydion)

As suas armas principais são a lança e a funda

A sua associação com pássaros e a capacidade de se transformar neles. Lugh, assim como Morrighan, está associado com corvos e gralhas, embora na mitologia Gaulesa ele se transforme em Águia.


Lendas e Narrativas

A história de Lugh começa com o amor secreto entre Cian ( (um Dannan ) e Eithne ( filha de Balor , o Fomoriano.

Balor, para proteger a sua filha, prende-a numa torre muito alta, inalcansável por qualquer meio a não ser pelo voo. Cian, apaixonado por Eithne, pede a uma Druidesa que o torne capaz de voar sobre uma nuvem em cima da torre.

Meses depois, Eithne dá á luz duas lindas crianças (o que comprova que o pai não era um Fomoriano porque os Fomorianos são seres míticos que não devem muito á beleza ). Balor, preocupado e enfurecido com isto, lança as crianças ao mar.

Mas, uma profecia tinha sido feita anos antes, dizendo que uma criança Fomoriana de sangue Dannan provocaria a morte de Balor e este quis prevenir aquele destino fatal.

Uma das crianças afoga-se e a outra começa a nadar. Esta criança é descoberta pelo Deus do Mar, Mannanann Mac Lir que o envia a uma mulher guerreira e feiticeira, Tailtiu , para ser adoptado e cuidado até chegar o tempo em que o menino estivesse crescido o bastante para voltar com os 4 tesouros do Outro Mundo para derrotar os Fomorianos.

O Jovem Lugh foi então levado por Tailtiu que o ensinou e criou. Ele aprendeu depressa. Ela ensinou-lhe tudo o que pôde e enviou-o a outros para ele aprender o que ela não podia ensinar. Lugh teria então de voltar para Mannanan e cumprir o seu destino.

[Fonte: Enciclopédia Wicca e Bruxaria - Raven Grimassi]

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Deusa Ceridwen

Origem

Ceridwen era a Deusa da Lua, a Grande Mãe, senhora dos grãos e da natureza toda, bem como da morte, da fertilidade, da regeneração, da cura, do Amor, das águas, da inspiração, da magia, da astrologia, das ervas, da ciência, da poesia, dos encantamentos e do conhecimento. Seu símbolo é uma porca branca, a comedora de cadáveres (representação da Lua). É o princípio feminino do universo.
Na mitologia celta, Ceridwen era uma feiticeira, mãe de Taliesin, Morfran e a bela filha de Crearwy (ou Creirwy).
Para os galeses, Cerridwen é uma Deusa Tríplice (donzela, mãe e mulher idosa), cujo animal totêmico é uma grande porca branca. Ela é a mãe que conserva todos os poderes da sabedoria e do conhecimento. É ao mesmo tempo Deusa parteira e dos mortos, pois o mesmo poder que leva as almas para a morte, traz a vida. De seu ventre parte toda a vida e a vida provém da morte. Do interior de seu caldeirão emanam porções, com as quais Cerridwen comanda a sincronicidade de todo o Universo e intervém nos assuntos humanos para auxiliar seus adoradores.
Seu aspecto caracterizado em corpo de uma velha, representa o conhecimento de todos os mistérios que só a idade e a experiência podem proporcionar. Ela é a Deusa que devemos reverenciar nos momentos de dificuldades e anulação de qualquer tipo de malefício. Ela é a Deusa do caos e da paz, da harmonia e da desarmonia. Associa-se a morte, a fertilidade, a inspiração, a astrologia, as ervas, os encantamentos e o conhecimento.

Amores

Seu marido era Tegid Foel e viviam perto de Bala Lake, no País de Gales.

Lendas

O Nascimento de Taliesin

Conta-se que Cerridwen, com a bebida de seu caldeirão transformava um homem comum em um rei.
Cerridwen, viveu à margem de Llyn (lago), casada com Tegid Foel,com quem teve dois filhos. Um era belo, mas o outro muito feio, chamado de "Morfran" (grande corvo). Pensou então que o único remédio contra esta adversidade, seria torná-lo sábio. Para tanto, ela juntou ervas e fez para ele uma poção mágica. Demorou um ano e um dia para terminar a tal poção. Gwyon Bach, seu assistente estava encarregado de vigiar o fogo e a poção, mas foi advertido para não bebê-la. Entretanto, quando três gotas a poção saltaram do caldeirão, Gwyon empurra o filho de Cerridwen e as bebe. Instantaneamente, ele possuía a sabedoria do mundo, sabia até mesmo que Cerridwen tinha a intenção de matá-lo. Ele fugiu e ela foi atrás dele, no que se chamou de "Caçada Mágica".
Gwyon transformou-se em uma lebre e Cerridwen em um cão, transformou-se então em um salmão e ela em uma lontra. Por último transforma-se em um grão de trigo, mas a Deusa em corpo de uma galinha o come. Nove meses mais tarde Cerridwen deu à luz em Taliesin, o maior dos Trovadores Celtas. Depois de tê-lo em seu seio, não conseguiu mais matá-lo. Ela então o coloca dentro de um saco de pele e introduzindo-o dentro de uma pequena barca, que fica a deriva sobre as ondas.

Elphin, filho de um rico proprietário de terras, salvou o bebê e lhe deu o nome de Taliesin (semblante radiante). A criança reteve todo o conhecimento e sabedoria adquiridos pela poção e tornou-se um importante e talentoso Bardo.

(Postado originalmente no Recanto do Deuses)

 
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