segunda-feira, 15 de agosto de 2011

II Encontro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta

Comunhão de conhecimentos, vivências e aprofundamento de saberes é o que promete o II Encontro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta que acontecerá nos dias 12, 13 e 14 de novembro. O encontro que este ano será realizado em Cotia, 35 minutos de São Paulo, traz palestras de renomados nomes do druidismo e estudiosos dos antigos povos que habitavam a região da Gália.

Dentre os palestrantes estão nomes como: Bellovessos (Porto Alegre - RS), Bandruir (Rio de Janeiro - RJ), Ëldrich Hazel Ybyraptã (Hortolândia - SP), Mayra Faro / Darona ni Brighid (Belém - PA), entre outros nomes. Palestras sobre a Lei Céltica, OBOD no Brasil, Aprofundando a hipótese Gaia, além de workshops na produção de bebidas artesanais, luta com espadas, danças circulares e folclóricas, fazem parte da programação do evento.

Toda a programação e os valores da hospedagem, camping ou outros modos de acomodação podem ser vistos no link: http://www.druidismo.com.br/Index/2_Encontro_de_Druidismo_e_RC.html

As inscrições são feitas pelo e-mail marcos.reis@druidismo.com.br

Realização: Caer Itaobi; Caer Tabebuya; Ramo de Carvalho; Ramo de Prata; Tyba Imbas h’Amairgin.

domingo, 14 de agosto de 2011

GRANDE MANISFESTAÇÃO MUNDIAL PRO-XINGU


As discussões sobre o Xingu voltaram a tona nos últimos dias, depois da situação relatada pelo relatório sobre os povos indígenas das américas. Todo o assunto sobre o Xingu foi sendo bem comentado, mas saiu da mídia após a adiamento da votação. O projeto pretende implantar uma hidrelétrica em áreas do Xingu. Desde que o projeto foi levantado, diversos manifestos foram feitos e mais um acontecerá simultâneamente em todo o mundo. 

O manifesto intitulado 'Grande Manifestação Mundial Pro-Xingu' será realizado no próximo dia 20 (sábado) às 14hs (variando de acordo com o fuso-horário local) nos seguintes estados brasileiros: Pernambuco, Acre, São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Minas Gerais e Brasília.

A manifestação também irá acontecer em países como França, Equador, Peru, México, Estados Unidos, Canadá, Argentina, Chile, Reino Unido, Espanha e Portugal.

Aqui no Recife, o encontro acontecerá na Praça do Derby às 14hs. Os locais dos encontros e seus horários podem ser conferidos abaixo:
No Brasil

- Em São Paulo – SP o evento se realizará na Av. Paulista, em frente ao MASP (Museu de Arte de São Paulo) as 13 h.
- No Rio de Janeiro – RJ, posto 4 na Av. Atlântica em Copacabana, as 14 h
- Em Salvador – BA, Praça Campo Grande, até a Praça Municipal, as 14 h
- Em Fortaleza – CE, praça José de Alencar, centro, as 13 h
- Em Recife – PE, Praça do Derby, as 14 h
- Em Brasília – DF, em frente ao congresso nacional, as 14 h
- Em Belo Horizonte – MG, Av. Afonso pena, centro, em frente a sede da prefeitura, as 14 h
- Em João Pessoa – PB, feirinha de Tambaú, as 14 h
- Em Belém – PA, Praça da República, em frente ao Teatro da Paz rumo ao Ver o Peso, as 08h 30min

Na Europa

França
- PARIS, Parvis des droits de l'Homme, place du Trocadéro, 15 h
Portugal
- PORTO, Consulado Brasileiro, Av. França n° 20, as 13 h
- LISBOA, Consulado Brasileiro, Praça Luis de Camões, CHIADO

Nos EUA

- Em San Francisco, 300 Montgomery street, Suite 900, San Francisco, CA 94104, day 22, Monday, in Brazilian Consulate.

A organização do evento pede para que os participantes cheguem até duas horas mais cedo para serem pintados pelos guerreiros do Xingu. O evento contará com a presença de algumas etnias indígenas como Kalapalo, Kamayurá, Kuikuro, Guarani, Wassu cocal, Xavante, Tikuna, Pataxó, Pankararu, Fulni-ô entre outras mais. O evento contará com realização de cantos e danças tradicionais xinguanas, torés diversos e rituais de guerra xinguanos


COMPAREÇA VOCÊ TAMBÉM!!
E faça parte desta grande corrente de cidadania e justiça
PELO DIREITO DE SOBREVIVÊNCIA DOS POVOS XINGUANOS

Organização:
Sany Kalapalo
Neydison Pataxó
Kuana Kamayurá Kalapalo
Eduardo Vitszyn

Apoio:
Vedas
Casa Jaya
Greenpeace
Revolução da colher
Xingu vivo para sempre
Tradição Diânica Nemorensis
Movimento Brasil pelas florestas
Museu do índio – Embu das artes/SP

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O Nascimento da Ordem Rosacruz

Ao começo da segunda década do século XVII, reuniram-se representantes de todas as organizações que congregavam Essénios ou Cátaros e os cristãos esotéricos espalhados pelas várias cidades da Europa, com a finalidade de constituírem uma única associação que lhes permitissem maior apoio, disciplina no estudo dos mistérios e mais segurança na guarda e difusão do imenso tesouro espiritual que possuíam. Para escaparem à ferocidade da "Santa Inquisição" reuniram-se numa caverna existente nas montanhas do Tirol, entre Salzburgo e Munique. Depois de longos debates assentaram no estabelecimento de um estatuto único para regência de todos. Como no espaço sidério se congregavam os divinos seres a que chamamos Irmãos Maiores, por pertencerem a uma humanidade anterior à nossa e serem os condutores da evolução de todos os seres que existem na Terra, à nova organização foi dado o nome de Ordem Rosacruz.

Entre estes grandes seres há humanos que já se elevaram acima da vulgaridade pela sua bondade e pureza de alma. Muitos são médicos que exercem a sua profissão como se fora um sacerdócio, no estado de vigília e no de sono, sempre no seu mister em favor da saúde e bem estar dos seres terrenos e assim merecem a amizade dos Irmãos Maiores, que os fizeram seus cooperadores permanentes. Foi por esta razão que os agrupamentos de estudantes de ocultismo deixaram de usar os seus títulos antigos e se constituíram em Ramos da Ordem Rosacruz, ministrando um ensino bem definido e igual. Os seres humanos que trabalham com os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, são os chamados Irmãos Leigos. Foram altamente qualificados pelos Irmãos Maiores, que pelas suas altas qualidades os colocaram ao seu serviço.

Desta maneira os adeptos do grande filósofo, ocultista e místico que se chamou Paracelso - famoso como médico e alquimista, sábio cultor da astrologia - os Paracelsianos, bem como os Hermetistas, os Pictóricos, os Alquimistas e os Gnómicos, grupos de estudos esotéricos, parecem ter desaparecido. Na realidade apenas abandonaram as antigas designações para se integrarem na Ordem Rosacruz. Desde a sua existência, conhecida entre os hebreus, no tempo de Moisés (entre os Essénios), até ao fim do século XIX, a Ordem Rosacruz foi uma associação secreta, por os seus ensinamentos serem tão profundos que rareavam extraordinariamente as pessoas dignas de os receber! 


Se não foram a sua grande prudência no ministério da Sabedoria dos Rosacruzes, esta teria sido aplicada desonestamente, como acontece com a astrologia e outros ramos do saber oculto, na posse de pessoas sem as qualidades morais e intelectuais necessárias a tão elevados conhecimentos. Durante os séculos XVII e XIX a Ordem Rosacruz reunia grande número de pessoas escolhidas da Europa, e daqui irradiou os seus Ramos de estudo para a América do Norte.

[Fonte: Francisco Marques Rodrigues, Revista Rosacruz, nº 267, Janº-Marº, 1978]

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sacrificando Direitos em Nome do Progresso: povos indígenas ameaçados nas Américas

 

Pouco antes deste Dia Internacional dos Povos Indígenas (09/08/11), criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1994, a organização Anistia Internacional divulgou um relatório alarmante sobre a situação dos povos indígenas no continente americano. Intitulado Sacrificando Direitos em Nome do Progresso: povos indígenas ameaçados nas Américas, o documento cita o emblemático caso brasileiro de Belo Monte, no rio Xingu, e o dos Guaranis em Mato Grosso do Sul. Especialistas revelam que também as condições de vida dos índios no sul do país são preocupantes. Leia aqui a íntegra do documento (em inglês).
 
O relatório apresentado na primeira semana de agosto apela para que os líderes dos países americanos tomem medidas urgentes e decisivas para proteger os direitos indígenas. Além do Brasil - que abriga mais de 700 mil índios, de mais de 200 etnias e com 180 idiomas -, a organização enfoca Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru e Estados Unidos.

A Anistia destaca uma "dicotomia tão falsa quanto perigosa, que vê os direitos dos índios como contrários ao progresso". Frequentemente são aprovadas leis e são executados empreendimentos econômicos sem consulta prévia aos índios, acusa o documento.

No Brasil, as terras indígenas (TIs) representam 13,1% do território do país e 98,6% delas estão na Amazônia Legal - que compreende Acre, Amazonas, Amapá, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão. O 1,4% das TIs restantes espalha-se pelas regiões Nordeste, Sudeste e Sul, além do Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste.


VIOLÊNCIA EM DISPUTAS PELA TERRA

Os indígenas no Mato Grosso do Sul estão envolvidos em constantes conflitos com os agricultores locais. A Anistia Internacional acompanha de perto o caso dos Guarani-Kaiowá, sobre a qual publicou um relatório específico em fevereiro de 2011. Após sofrer com violência, assassinatos e discriminação e esperar pela demarcação de suas terras durante décadas, a comunidade - formada por cerca de 30 mil índios - começou a reivindicar seus direitos.

Os pequenos grupos indígenas se deparam com o forte lobby agrícola, especialmente devido ao boom do etanol. "Por isso há muitos conflitos e violência entre indígenas e pistoleiros contratados por proprietários de terras", relata Patrick Wilcken, pesquisador da equipe da Anistia Internacional que se ocupa do Brasil.

Dos cerca de 50 mil indígenas que vivem no Mato Grosso do Sul, os Guarani-Kaiowá são a etnia mais numerosa. Suas áreas, localizadas no sul do estado, são extensas, planas e férteis. Somente a TI localizada em Dourados, por exemplo, tem mais de 11 mil hectares, o que não significa que os índios realmente ocupem esta área.

Fany Ricardo - coordenadora do programa Povos Indígenas no Brasil, do Instituto Socioambiental (ISA) - considera a situação no Mato Grosso do Sul uma das mais críticas do país. "Lá é guerra total contra a demarcação de terras. Muitas vezes a terra indígena já está registrada, mas não há ou quase não há indígenas dentro porque os fazendeiros entram na justiça e conseguem se manter no local com liminares", afirma.

Para Wilcken, as áreas reivindicadas pelos Guarani-Kaiowá seriam suficientes para contemplar tanto a atividade agrícola quanto os direitos territoriais dos povos indígenas.

Apesar das iniciativas de promotores federais para acelerar o reconhecimento dos direitos dos índios, o processo continua paralisado. Segundo o pesquisador da Anistia, a demarcação de terras é impedida por bloqueios judiciais e pela influência dos produtores.


INTENSA OCUPAÇÃO

Desde que a questão indígena passou a ser um tema de relevância no âmbito da sociedade civil brasileira, no final da década de 1970, 400 terras indígenas já concluíram o processo demarcatório, segundo dados do ISA. A maioria delas fica no norte do país.

Enquanto 291 TIs da Amazônia Legal já estão homologadas e registradas, a situação nos estados da região Sul - Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná - e ainda de São Paulo e do Rio de Janeiro é diferente. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), das 186 terras indígenas dessa área, 29% não iniciaram ainda qualquer estudo de identificação - a primeira das sete etapas do processo demarcatório.

O contraste entre norte e sul pode ser explicado pelo fato de a colonização do Brasil ter sido iniciada pelo litoral, o que levou a embates diretos com os indígenas que ali viviam, aponta o ISA. Segundo o Instituto, aos índios restaram terras diminutas, conquistadas a duras penas. Além disso, o sul ainda hoje é mais desenvolvido e povoado que a Amazônia - região ainda em processo de ocupação. "Quanto mais ocupada a área, mas difícil é o reconhecimento da área indígena", afirma Fany Ricardo.

Segundo Clovis Brighenti, antropólogo e membro do Cimi, apesar de o Sul ser a região com o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, os indígenas que ali vivem enfrentam uma situação precária. Ele explica que isso se deve à falta de terras e ao violento processo que os índios enfrentaram no passado, ao serem confinados pelo Estado brasileiro e controlados em suas reservas. Eles perderam as terras e, hoje, os poucos hectares que recebem de volta não bastam para garantir sua sobrevivência.


PEQUENAS, MAS CONFLITUOSAS

Além de poucas, as terras indígenas do Sul são pequenas. Mas o potencial de conflito é grande, por conta da intensa ocupação da região. É o caso da Aldeia Jaraguá, do povo Guarani Mbya, em São Paulo, cuja extensão de apenas 2 hectares, apesar de demarcada, impossibilita que os indígenas extraiam seu sustento da terra.

Já os Guarani Mbya e Ñandeva, de Morro dos Cavalos, Santa Catarina, por exemplo, esperam há 18 anos pela demarcação dos seus quase 2 mil hectares de terras. "É muito urgente, [...] a gente precisa de mais lugar para morar, está muito complicado", disse o cacique Teófilo Gonçalves a Rafaela Mattevi, autora do ensaio jornalístico Nhandereko Tenonde Rã (O futuro da nossa cultura). Sem a compreensão da sociedade, os índios enfrentam a especulação fundiária, a falta de espaço e a miséria dela proveniente, enumera Mattevi.

A terra indígena de Guarani Araça'í, de 2,7 mil hectares, também em Santa Catarina, é palco de conflitos entre pequenos proprietários rurais e os índios Guarani Ñandeva, que, confinados em áreas do povo Kaingang, reivindicam o direito de retornar à sua terra. Desde 2007, sua área encontra-se declarada pelo Ministério da Justiça, o quarto dos sete estágios da demarcação.

Wilcken, da Anistia Internacional, considera "chocante o fato de, no Brasil, um país relativamente rico", tantos grupos ainda viverem em condições de miséria e discriminação. "Houve muitos avanços desde a Constituição de 1988, com sua forte legislação em defesa dos direitos dos povos indígenas, mas ainda há muitos problemas em termos de direitos sobre a terra", conclui.

[FONTE: Deutsche Welle
; Autora: Luisa Frey; Revisão: Roselaine Wandscheer]

domingo, 7 de agosto de 2011

Professor do Ensino Fundamental é acusado de estimular os alunos a aprenderem "Bruxaria"

“Eles foram atraídos pelo canto de Circe, que os recebeu gentilmente e ofereceu comida e bebida. No entanto, Circe havia misturado uma poção mágica na comida, e os homens se transformaram em porcos”. Este é o parágrafo do texto Transformando Homens em Porcos, retirado da revista Monstromania, Editora Girassol, que deu início à polêmica aula que abordou o tema magia na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Maria Pavanatti Fávaro, em Campinas. Alunos do 6º ano (antiga 5ª série) pesquisaram na última semana sobre poções mágicas, mas nem todos os pais aceitaram o conteúdo da aula de português e uma das famílias decidiu tirar o filho da escola. Para o professor N.J.S, que aplicou a lição, a atividade era uma pesquisa livre sobre expressões culturais, prevista na grade curricular, e foi mal interpretada pelas famílias.

Segundo o docente, a pesquisa faz parte da atividade extra-classe que está sendo desenvolvida sobre Harry Potter. “Os alunos voltaram das férias e pediram para ir ao cinema. O filme escolhido foi o de Harry Potter. Como também faz parte do currículo trabalharmos contos de assombração, bruxas e fadas, preparei as atividades para as aulas antes de ir ao cinema com o objetivo de contextualizar a nossa ida”, diz.

O primeiro texto trabalhado pelo professor foi Transformando Homens em Porcos. “Eles fizeram leitura e interpretação do texto e, como havia falado em poção mágica — e a minha próxima aula era na informática — pedi para que pesquisassem o que era a expressão para discutir na aula seguinte.”

Entre as poções mágicas encontradas nas pesquisas dos alunos havia fórmulas para um beijo ardente, para atrair um amor, poção afrodisíaca e banho incentivador de prosperidade financeira. O professor nega que tenha indicado sites específicos para a pesquisa das poções mágicas. “Pedi para eles pesquisarem na internet. A escola tem controle sobre determinados tipos de conteúdo, como site de relacionamentos e material pornográfico, mas a internet é livre. Eles fizeram a pesquisa em diversos sites e o resultado seria discutido na sala de aula”, afirma.

Segundo o professor, a pesquisa também daria introdução a outros textos como Os Poderes das Bruxas: Provocar Tempestades, Lançar Feitiços, Voar. “Estava tudo ligado a poções mágicas e, para concluir esse trabalho, iríamos ler O Homem Montado pela Bruxa”, afirma. N. diz que, após a aula de informática, recebeu um bilhete de um pai desautorizando o filho a assistir as aulas de português pois estaria indo contra a religião dele. “A escola é laica. Nós não trabalhamos com religião. Por todo momento, só trabalhei com o conteúdo específico do nosso currículo.”

Para a orientadora pedagógica da escola, A.S.M., a instituição precisa lidar e informar sobre a existência de diversos temas e manifestações. “O que é muito perigoso é que a gente pode acabar incorrendo no erro de enxugar do currículo todas as manifestações culturais. Por isso mesmo, a escola é laica para informar sobre a diversidade das manifestações religiosas. Se a criança vai acreditar ou se aprofundar, é um trabalho que compete à família.”

Os professores afirmam que a questão tomou um rumo que não esperavam e lamentaram a saída do aluno. Segundo os professores, a ida ao cinema está mantida e a escola está aberta ao diálogo.

[Fonte: RAC.com.br]

sábado, 6 de agosto de 2011

Religiões Indígenas: Tupi-Guarani (Parte 3)

A  enorme  dispersão  dos  povos  tupi-guaranis por uma imensa área geográfica, conjugada com um longo isolamento, provocou diferentes  transformações em seus sistemas  de  crenças.  Procuramos,  neste trabalho, acentuar mais as semelhanças do que o contrário. Mas é preciso alertar o leitor que em muitos pontos ainda existe, por parte dos diversos pesquisadores, uma incompreensão do sistema religioso, o que demanda mais pesquisas. Um desses pontos refere-se à noção de alma. Em sua denominação mais usual, provavelmente referindo-se apenas à alma de um homem vivo, o termo utilizado é owera. Uma outra denominação refere-se aos espíritos dos mortos, asonga. 

Entre os kaapor, a palavra utilizada para este caso é anhang, que freqüentemente é traduzida como “diabo”. Diferentemente dos  karoara, que são espíritos independentes dos homens, os asonga interferem nos sonhos dos vivos, perambulam pela floresta, podem ser vistos, tornando doente quem tiver a infelicidade de encontrá-los. Mas não vagam eternamente pelo mundo: ao contrário, a sua permanência é curta e um dia atingem o “céu”, através da  itakuara. Lúcia Andrade  (1992),  que trabalhou entre os assurinis do Tocantins, obteve  as  informações  que  esclarecem  a confusão entre owera e asonga:
 
“[o pajé]  aprende  as  canções nos  sonhos com os mortos, com seus espectro-terrestres, denominados asonga. Ao morrer, o ser humano divide-se em espírito-celeste (que se dirige à aldeia dos mortos e com o qual não se tem mais contato) e em espectro-terrestre, que vive na mata e ronda a aldeia […]. Há uma  clara  identificação  entre o asonga  e a personalidade do morto; não se trata de uma manifestação repetitiva e  impessoal. Os laços de parentesco e amizade parecem inclusive perpetuar-se”. 

Utilizamos a palavra “céu” para indicar o local onde vivem as almas dos antepassados e o herói mítico e principal ancestral, Mahyra. Existem divergências  a  respeito desse local: os suruís e os assurinis referem-se a uma região acima das nuvens, a que se chega através da itakuara. Os guaranis preferem se referir a uma “terra sem males”. Nimuendaju colheu uma descrição entre os apopokuvas:

“Perto da casa de Mahyra está uma grande aldeia. Seus habitantes vivem magnificamente. Para  seu sustento  diário  necessitam  apenas  de  algumas  pequenas  frutas semelhantes à cuia: ela se planta e se colhe sozinha. Mahyra e seus companheiros no campo de ikawéra têm o nome de karoara. Quando envelhecem não morrem, mas tornam-se novamente jovens. Cantam, dançam e celebram festas sem cessar”.

É difícil definir o que sejam os karoara. Wagley  e Galvão  (1961)  concordam  em parte com Nimuendaju:
 
“Os Tenetehara se referem aos sobrenaturais pela designação genérica de karoara, porém os distingue pelo menos em quatro categorias:  criadores  ou  heróis  culturais (Mahira, Mukwani, Tupã e Zurupari); os donos das florestas, das  águas  e dos  rios (Ywan, Maranaywa);  os  azang,  espíritos errantes dos mortos; e os espíritos de animais (piwara)”.

A nossa interpretação, resultante de trabalhos entre suruís e assurinis, nos levou a considerar os karoara como espíritos especiais que podem causar doenças ou mortes. Nas situações de cura, os pai’é os retiram
do corpo do doente, podendo também fazer o mesmo com os asonga. Entretanto, outros pesquisadores chegaram a conclusões diferentes. Lúcia Andrade considera que o karoara é uma espécie de força através da
qual o  pai’é  recebe a sua força, desde que ela lhe tenha sido transferida pelo espírito-onça.
 
Segundo Andrade (1992), “possuir a força implica em responsabilidade e perigo. Caso uma série de cuidados não sejam observados o karoara pode matar o seu próprio dono, ou ainda outros indivíduos”. Compete aos pai’é retirar dos homens o karoara, quando este ameaça a sua integridade. É semelhante a explicação de Antônio Carlos Magalhães (1994), que estudou os parakanãs do Tocantins, com a diferença que, nesse caso, o karoara aparece mais como uma  força negativa. Em todo caso, torna-se necessário
um estudo comparativo mais aprofundado sobre o tema.
 
Pelo texto acima, o leitor tomou conhecimento da existência de um ser sobrenatural superior: Mahyra. Ele é a personagem central de um equívoco que data de cinco séculos: no século XVI, os jesuítas procuraram descobrir uma entidade sobrenatural que pudesse ser comparada ao Deus cristão a fim de facilitar a catequese. E tudo indica  que  foi Nóbrega  quem  fez  a  escolha:
 
“Esta  gentilidade  nenhuma  coisa  adora, nem  conhece Deus,  somente  aos  trovões chamam de Tupane; que é como quem diz coisa divina. E assim nós não temos outro vocábulo mais conveniente para os trazer
ao conhecimento de Deus, que chamar-lhe Pai Tupane”. Não há dúvida que a adoção dessa palavra, com esse sentido, constituiu em mais uma dificuldade para as missões jesuíticas. Em 1914, Nimuendaju criticou
essa atitude dos missionários e demonstrou o pequeno papel ocupado por Tupã na cosmogonia indígena.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Religiões Indígenas: Tupi-Guarani (Parte 2)

A maior parte do  trabalho dos xamãs consiste em efetuar curas através do controle dos espíritos que provocam as doenças e, até mesmo, a morte. O  texto  seguinte  descreve  como  uma cura é efetuada:

“Os pajés preferem curar à noite, uma das razões é que assim garantem uma audiência, o  que  seria  difícil  durante  o  dia,  quando muitos estão para as roças. O pajé inicia a cura cantando as canções daquele sobrenatural que o seu inquérito leva a considerar como provável. Acompanha a  si mesmo, marcando  o ritmo  da  canção  como  uma batida forte de pé chacoalhando o maracá. Dança em volta do paciente; em geral, a  família  deste  e  alguns  dos  circunstantes o acompanham. A esposa ou um ajudante preparam-lhe os cigarros  feitos de  folhas de fumo enroladas em fibra de tawari. Um ajudante toma o maracá e o pajé preocupa-se daí por diante com a cura propriamente dita. Chupa  repetidas  vezes  no  cigarro para soprar a fumaça em suas mãos ou no corpo do paciente. Afasta-se para um lado e  chupa  no  cigarro  até  que, meio  tonto, recua de súbito e leva as mãos ao peito, o que  indica  ter  recebido o espírito em seu corpo. Sob a influência do espírito o pajé comporta-se de maneira peculiar. Se é espírito de macaco, por exemplo, dança aos saltos, gesticula e grita como esse animal. O  transe  se prolonga enquanto o espírito está forte. Algumas vezes o espírito ‘vem forte demais’ e ele cai ao chão inconsciente. É durante o transe, enquanto está possuído pelo espírito, que o pajé cura” (cf. Wagley & Galvão, 1961).

É comum que o xamã chupe uma parte do corpo do paciente e, em seguida, mostre um pequeno objeto, que teria retirado de dentro do mesmo. No  caso  tenetehara,  relatado acima, o pajé escondia esse objeto dentro
da mão para fazê-lo desaparecer depois. Mas é na direção dos rituais coletivos que o xamã demonstra o seu prestígio junto ao  grupo. Gostaríamos  de  descrever  um ritual a que assistimos entre os suruís, do sudeste do Pará.

O Ahiohaia ocorre na primeira lua cheia, depois da queimada da roça. A providência inicial para a sua celebração é o erguimento de uma casa cerimonial no centro do pátio da aldeia. Ela é toda fechada com folhas de palmeira tendo, apenas, uma pequena porta. Essa  casa,  que  recebe  o  nome  de  tokasa (esta mesma palavra significa “tocaia”), é a  representação da  itakuara  (literalmente “buraco na pedra”, caverna onde vivem os karuara). Enquanto durar a  lua cheia, os homens, devidamente pintados com  tinta de jenipapo, participam de uma dança que se realiza desde o nascer do sol até cerca de duas horas mais tarde. 

Recomeçam ao entardecer,  com  a mesma  duração,  até  o pôr-do-sol. Nesse período é interditado aos participantes deixar a aldeia, por qualquer motivo,  não  podendo  banhar-se  nos  riachos  e  principalmente  entrar  na floresta. Somente  determinadas  pessoas  podem participar da caça e ir ao igarapé buscar a água  necessária,  inclusive,  para  o  banho dos participantes. Acredita-se que o xamã, além de atrair os karuara – uma variedade de seres sobrenaturais –, atrai também as almas dos  antepassados das pessoas presentes no ritual.

De fato, uma das canções entoadas  no  início  do  ritual  possuía  um estribilho que era precedido pelos nomes de todos os antepassados que ainda constam da memória do grupo. No final do ritual, a casa é desmanchada e o material jogado bem longe no mato.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Palestra Gratuita sobre o Portal 11:11

Será realizada no dia 04 de agosto (quinta feira) as 19h30 no Espaço TerSer (Av Santos Dumont 1084,Pça. do Rosarinho – Recife PE) o WORKSHOP PORTAL 11:11 – O Emergir dos Seres Verdadeiros, Com Viviane Querino e Felipe Soares.

O Portal 11:11 é um evento Cósmico que significa que o planeta terra terminou sua viagem em uma aspiral e agora começa em uma nova era. Esta aspiral antiga tinha uma impressão da dimensão até então conhecida, como a dualidade, a separação, seres individualizados, separados da fonte, perdidos, abandonados.

Sempre tivemos dentro de nós, sem que tivéssemos consciência, o desejo de retornar ao lar, sem sabermos, entretanto, onde encontrava-se esse lugar mágico. Nos últimos tempos podemos notar que essa busca é maior, arrastando mais e mais indivíduos que estão saindo do inconsciente e despertando a consciência. Todo esse processo é resultado de Grandes INFLUÊNCIAS CÓSMICAS, sobre o planeta terra e seus habitantes, e do AMOR DE INCONTÁVEIS SERES DE LUZ, uma vez que a terra precisa avançar em sua evolução - O Tempo da Mudança Chegou!


Dentro do Portal 11:11 existem Onze Portais. Cada Portal é uma estação mais elevada para uma nova banda de freqüência de energia. Estes Portais são similares a comportas em um canal. Assim que um Portal é ativado e acessado, nós começamos um intenso programa de transformação e iniciação conforme nossos corpos são imergidos em um novo padrão de freqüência. Viajando sobre estas bandas de freqüência, nós dominamos as lições de cada Portal até chegarmos ao Portal seguinte.


É uma ocorrência extremamente rara, uma vez a cada dois éons, a qual nos oferece a oportunidade sem precedentes de acelerarmos as espirais evolucionárias.

Cada Portal tem uma única nota-chave vibratória com a qual nós temos que nos alinhar em um estado de ressonância harmônica. é este processo de alinhamento que nos dá a necessária recalibração de modo que possamos viajar mais profundamente no Invisível.
“O 11:11 é a ponte entre a dualidade e a Unidade.
É o nosso caminho rumo ao desconhecido.”

Cada vez que vemos os números 11:11, os nossos bancos de memória celular são ativados. Há uma profunda agitação interior, uma sugestão de lembrança de algo há muito esquecido. A aparição do 11:11 é uma confirmação poderosa de que estamos no caminho certo, alinhados com a Realidade Maior.

Quando o 11:11 aparece para você, é a sua chamada de despertar. Um canal direto se abre entre você e a Realidade Maior.

“Grandes Tempos precisam de Grandeza de Ação e de Grandeza de Ser.
É hora dos Seres Verdadeiros Emergirem!”


Para maiores informações e reservas:
www.nvisible.com/portugues/indexpor.html

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Religiões Indígenas: Tupi-Guarani (Parte 1)

Mais uma série de postagens para vocês leitores, dessa vez abordando uma cultura extremamente brasileira. Esse trabalho de pesquisa foi desenvolvido pelo professor da UCG e da UnB, Roque de Barros Laraia, e foi publicado na Revista USP em novembro de 2005. Espero que gostem dessa nova série. 

No levantamento das religiões existentes no mundo não é comum a inclusão das religiões das sociedades indígenas, apesar de Emile Durkheim considerar a importância das mesmas: “[…] não são menos respeitáveis do que as outras. Elas respondem às mesmas necessidades, desempenham o mesmo papel, dependem das mesmas causas; portanto podem perfeitamente servir para manifestar a natureza da vida religiosa”.
Judaísmo, cristianismo, islamismo, budismo e hinduísmo  são exemplos de grandes  religiões, que  possuem muitos  adeptos,  porque  passaram  por  um  longo  processo  de  globalização. Existem, porém, numerosas outras religiões que ficaram à margem desse processo. É o caso das religiões das chamadas  sociedades  indígenas. No Brasil são muito numerosas e pouco estudadas.

Quando Durkheim procurou descrever as formas elementares da vida religiosa das “sociedades primitivas”, encontrou o  seu modelo nas  religiões  totêmicas do  continente australiano. No Brasil, a equivalência encontra-se  nas  religiões  xamanísticas. Segundo Mircea Eliade  (1994),  desde  o princípio  do  século XX,  “os  etnólogos adotaram o costume de empregar indistintamente os termos xamã, homem-médico, feiticeiro  ou mago,  para  designar  determinados  indivíduos  dotados  de  prestígio mágico-religioso e reconhecidos em todas as ‘sociedades primitivas’’’. 

A palavra xamã é originária de um povo siberiano,  os  tungus. Eliade  restringiu  o uso do termo aos especialistas do religioso que acreditam, através do estado de transe, entrar em contato com seres sobrenaturais, sejam eles as almas dos seus antepassados ou  diferentes  tipos  de  espíritos. Este  é  o caso da maioria dos líderes espirituais indígenas. A palavra tupi-guarani que, entre nós, designa o xamã é pai’é, grafada em português como pajé.

Embora exista uma surpreendente uniformidade nos procedimentos dos xamãs, ocorre  uma  grande diversidade  de  explicações  para  o  surgimento  dos mesmos. Em  alguns  casos,  a  explicação  é  a hereditariedade,  ou  seja,  somente  podem  ser xamãs os descendentes de um outro. No caso tupi-guarani, o fator hereditário não é necessário. Acredita-se que se trata de um dom que deve ser descoberto e desenvolvido através do aprendizado. 

Entre os assurinis, do Rio Tocantins, constatamos a existência de um ritual denominado opetimo (literalmente: comer fumo) que tem como objetivo identificar, entre os jovens, aqueles que têm o potencial de se transformar em um pai’é. Entre cantos e danças, os candidatos fumam um grande charuto de tabaco, engolindo a fumaça. Os que se sentem mal, ou seja, têm ânsia de vômitos, são descartados. Os que desmaiam  são  os  escolhidos.  “Omano”, grita o pai’é oficiante do ritual, ou seja: “ele morreu”. É “morrendo” que se faz a viagem para o outro mundo, o que torna possível o contato com os antepassados.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Devido as chuvas o ESP-PE foi adiado para o dia 07 de agosto

Devido a chuva do último domingo, 31, dia para o qual estava marcado a palestra sobre Awen e Leis Druídicas do Encontro Social Pagão de Pernambuco (ESP®-PE), o encontro, pelas regras gerais do ESP Brasil, foi adiado apra o próximo domingo, dia 07 de agosto.

Até o momento a organização do ESP-PE informou que o encontro será no mesmo horário e local, sujeito a mudanças para um local coberto, com as informações divulgadas pelo blog oficial até a quinta.-feira.

O debate sobre Educação Religiosa no Brasil também será nesse dia. A organização também informou o sorteio de brindes que será realizado entre os participantes, além de comunicados especiais dados em primeira mão.

Para mais informações acesse o blog www.esppe.net ou entre em contato pelo e-mail esp_pe@yahoo.com.br

 
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