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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Entrevista com Odir Fontoura - Blogueiro e crítico pagão

O Jornal O Bruxo começa hoje uma série de entrevistas com diferentes representantes do movimento pagão no Brasil e no Mundo. Começamos essa série com o querido Odir Fontoura, 25, autor do blog Diannus do Nemi. A seriedade de seu trabalho e suas críticas ao movimento pagão fizeram dele uma das pessoas mais influentes do meio na web. Residente em Guaíba (RS), ele ainda atua como professor, historiador e com a leitura de Tarô.

Legenda:
- JOB: Jornal O Bruxo
- OF: Odir Fontoura


JOB: Como foi teu começo no Paganismo?

OF: Comecei a estudar o paganismo há cerca de nove anos atrás. Ainda estava no ensino médio e, de bobeira na internet, fui procurar imagens relacionadas a fantasmas, espíritos e assombrações. Sempre gostei de coisas do gênero. Fui testando diferentes palavras-chave na busca de imagens do Google, até que digitei "bruxaria". Não achei nada de assustador e, para minha surpresa, a "bruxaria" que descobri naquele momento nada tinha de macabro. Ao invés de pesquisar imagens, comecei a ler alguns textos, descobri a palavra "Wicca" e minha vida mudou para sempre desde então. Os anos se passaram, terminei a escola, comecei a fazer faculdade de História (estudei sobre as relações do paganismo e do cristianismo na Antiguidade Tardia), já terminei o curso e hoje estou no mestrado e já dou aulas. Dou palestras sobre o assunto, já escrevi um romance histórico tratando do tema, o "Sob o Sol já Deitado" e continuo trabalhando no meu blog, o "Diannus do Nemi - Artes e Paganismo" há cerca de sete anos.

JOB: E como foi começar a atuar no ativismo pagão?

OF: Depende do que você chama de ativismo... Eu prefiro falar em cidadania. Penso que todo pagão deveria repensar e exercitar o conceito de cidadania, principalmente levando em conta o que os povos antigos, como gregos e romanos, viam o assunto. A diferença é que se compararmos o mundo do séc. XXI com a sociedade ateniense, por exemplo, é importante que o conceito de “cidadão” deve ser ampliado a todas as pessoas possíveis, e não apenas a uma pequena elite culta. O meu papel "público" no paganismo é um trabalho intelectual, de reflexão e de debate de ideias. Tão importante quanto o trabalho daquele pagão, por exemplo, que sai nas ruas e levanta a bandeira da liberdade religiosa ou da preservação da natureza. São trabalhos que se complementam e uma coisa não acontece sem a outra. Acho que cada um tem a sua esfera de atuação pública e política e deveria exercitá-la constantemente e da melhor forma possível.

JOB: O seu blog, Diannus do Nemi, tomou uma projeção incrível, tornando-se uma das páginas de referência no meio pagão. Como começou esse trabalho e como foi o ver tomando tal proporção?

OF: O blog começou sem muitas ambições. Era pra ser algo pessoal: eu escrevia poesias e assuntos muito íntimos. Como muitos adolescentes, eu me utilizei da escrita como uma forma de expiação, de fuga, pra traduzir (na medida do possível) aqueles sentimentos que não podiam ser expressos senão pela arte. Mas o tempo passou, as visitas começaram a aumentar, meu perfil de escrita também se transformou e a coisa mudou de forma.
Quando eu passei a escrever só sobre o paganismo e minhas opiniões sobre isso, as visitas começaram a crescer absurdamente. Fiquei assustado, mas também excitado pela forma em que as coisas aconteceram. Até hoje, nada me deixa mais feliz do que receber, gratuitamente, e-mail de algum leitor agradecendo pelo que lê... O que é uma ironia, pois era eu quem deveria agradecer por tamanho carinho e por tantas coisas que aprendo com os comentários, sugestões ou compartilhamentos dos leitores.
Assumo que de uns meses pra cá o blog está meio parado, mas prometo que a situação nos próximos meses vai mudar (risos). Coisas novas vêm por aí.

JOB: Alguns dos textos tratados no seu blog são bem polêmicos e são conhecidos por não medirem palavras ao comentar sobre certos aspectos do cenário pagão. Como são as respostas a esses textos?

OF: Eu confesso que alguns desses textos são propositalmente provocativos. Existem algumas "feridas" do cenário pagão que eu faço questão de mexer: a insistência que muitos pagãos tem em “vilanizar” o cristianismo é uma dessas questões. O discurso das "bruxas ancestrais que foram sumariamente mortas nas fogueiras", por exemplo, além de estar recheado de preconceitos e equívocos históricos, é pobre, simplista e vitimista. O cristianismo prejudicou sim a continuidade das tradições pagãs, mas é uma relação de mão dupla. O que muitos esquecem é que, se não fossem muitos sábios cristãos, tão "malvados", muito da literatura ou da filosofia clássica, por exemplo, que cristianizada, não teria chegado até nós.
Outra questão polêmica é a da bruxaria como algo marginal. Todos sabem que, pra mim, bruxaria nunca foi religião. A bruxaria é um ofício historicamente marginal e periférico a todas as religiões, inclusive as cristãs. Se hoje as pessoas a veem como tal, o que considero legítimo, aí é outra história. O que não podemos é dar continuidade ao discurso Murray de um "culto" bruxo e pagão que sobreviveu desde a pré-história aos dias atuais. Crer nisso, pelo menos pra mim, é ingenuidade.
Mas respondendo a sua pergunta: as respostas a esses textos nem sempre são favoráveis.
O que é bom. O conhecimento é construído através do debate, do diálogo e da discussão (quando respeitosa). Esses debates são construtivos não só pra quem discute, mas pra quem, em silêncio, acompanha de fora e só lê descendo a barra de rolagem - como eu penso ser a maioria do público leitor. Eu gosto de polemizar. "Da água parada espere veneno" já dizia William Blake.

JOB: E como você responde a essas críticas? Seu blog vem abordando bastante as questões políticas, como isso tem repercutido?

OF: A ferramenta do blog não é propícia para debates. Você verá que as postagens geralmente têm poucos comentários, não é algo muito funcional. Mas as páginas de comunidades em redes sociais, como as do facebook sim. Então as pessoas tem o hábito de ler no blog e discutir nas comunidades. É lá que eu respondo. Independente se os leitores concordam ou discordam, é sempre muito positivo pelos motivos que falei acima.
Sobre as questões políticas, volto ao que falei sobre a cidadania. Pensar a política e pensar a sociedade é ser cidadão. E ser pagão é ser cidadão: é uma questão, inclusive, etimológica. É comumente aceito que paganismo vem do "pagus" ou "campo". Mas estudos recentes lançam a possibilidade de que "pagão" não é o que vem do "campo", mas o defensor da "terra", ou seja, "do lugar".
O pagão é quem preza, então, pelas tradições. Se o pagão se importa com o lugar, com a terra, ele se importa com a sua cidade, com seu estado, com seu país, com seu planeta.
Politicamente falando: o paganismo não pode mais esconder-se nos parques públicos, nas praias isoladas, ou nos nossos quartos durante a madrugada. Ele deve estar na urna eletrônica na hora do voto, na ponta da língua na hora de criticar a alienação do povo e em tanto outros momentos públicos, civis, sociais.

JOB: E como você enxerga esse público pagão?

OF: Posso ser honesto? O paganismo aqui no Brasil é constituído predominantemente de gente jovem. Mas muitos são jovens conservadores. Não só politicamente, mas espiritualmente também. Acho que as pessoas tem que ter coragem de colocar à prova suas crenças e seus argumentos. Não é feio se contradizer. Eu mesmo me "desminto" frequentemente, por algo que defendi no passado e já não creio mais. Todos sabem que eu tenho uma visão política de esquerda. Então acho que é possível equilibrar uma visões políticas “tradicionais” (no sentido de preservar o que é importante como, por exemplo, nossos recursos naturais ou os avanços democráticos que lentamente conquistamos) com visões políticas transformadoras (por exemplo: a convicção de que a sociedade deve ser menos desigual e menos repressora).

JOB: Em 2011, você publicou um romance-histórico bastante interessante que retrata a transição entre a sociedade pagã e cristã. Como repercutiu esse trabalho? Planejas publicar um próximo trabalho do gênero?

OF: O romance foi um experimento. Eu escrevi um conto com esse nome que repercutiu muito bem. Muitas pessoas comentaram e algumas ficaram muito emocionadas, o que me deixou muito feliz. Depois da resposta tão positiva do conto, desdobrei a ideia e escrevi o romance. Utilizei o conto, adaptado, como epílogo do livro. Recebi uma resposta bacana, mas hoje faria diferente. Penso que o livro ficou grande demais, e nem todos ainda tem o hábito de ler e-books. Penso em voltar a escrever ficção, mas se de fato fazê-lo, lançarei como livro físico. Essa é uma das ideias que está "germinando" aos poucos (risos). Pelo menos por enquanto eu estou focando mais no meu trabalho “profissional” de historiador.

JOB: Mas falando um pouco mais do movimento pagão, como você vê o cenário pagão do Rio Grande do Sul e do Brasil?

OF: Eu acho promissora. Em especial no Rio Grande do Sul, que é onde moro e tenho a oportunidade de acompanhar de perto. Aqui temos um grupo coeso e organizado, que é o pessoal do outrora chamado Coven Serpente de Fogo, liderado pelo Luís Gustavo Pereira. Os encontros são organizados, ininterruptamente, como já disse, há 10 anos: situação única em todo o Brasil. Eu não sei exatamente, mas parece que hoje esse grupo trabalha junto com o pessoal do Rosa dos Ventos Conclave de Bruxaria. De qualquer forma, o que o paganismo precisa é justamente disso: de pessoas organizadas, lúcidas, que disponham de tempo (e coragem) para organizar encontros, reuniões, rituais e debates com certa periodicidade. O paganismo ainda é muito virtual. E esses encontros pessoais são muito enriquecedores!
Outra lembrança que vale comentar é o pessoal do Og Sperle que organiza as passeatas em prol da liberdade religiosa. Já tive a oportunidade de ver a Mavesper Ceridwen discursando em Brasília sobre questões semelhantes. E tem muita gente boa por aí! Mas precisamos de mais gente.
O que mais vemos por aí são "líderes" ou "sacerdotes" que não fazem muito mais do que polemizar nas redes sociais com seus shows de ego: falam, falam, mas nunca dizem nada. Acho que falta isso: o paganismo precisa ter voz. Menos compartilhamento de fotos de fadinhas e gatinhos falantes com frases bonitinhas. Mais reflexão. Mais opinião. Mais encontros presenciais, mais debates cara-a-cara com leitura e embasamento.
E isso é muito importante: o paganismo precisa deixar pra trás sua face “esquisotérica”. Chega de fantasias, de lantejoulas, de extraterrestres e coisas do gênero. Precisamos sair do "plano das ideias", das viagens do History Channel e colocar em prática o que acreditamos, como seres políticos e sociais (e materiais, terrenos) que somos.

JOB: Então, finalizando a entrevista, qual o seu recado final para nossos leitores?

OF: Fica aqui o meu agradecimento e o meu reconhecimento a você, Douglas, pelo trabalho do Jornal "O Bruxo", desejo sucesso e parabenizo pela iniciativa! Aos leitores da entrevista, espero que tenham conseguido extrair algo de útil dessa conversa. Estou sempre aberto para críticas e sugestões. Vou terminar essa entrevista com a nossa saudação tradicional: Um feliz encontro para um feliz reencontro! Abençoados sejam.


terça-feira, 25 de março de 2014

Apresentação e atividades culturais marcam celebração da Festa das Flores


Na manhã do domingo (23/03/2014) foi realizado no Parque da Cidade, em Teresina, o evento de celebração da Festa das Flores 2014, promovido pela Vila Pagã. Diversas atividades foram realizadas durante a ocasião, como palestras, piquenique, encenação e a performance artística representando a chegada da Deusa Flora. O evento teve o objetivo de integrar adeptos de espiritualidades pagãs da região, para a celebração do equinócio.
Dentre as palestras, foram abordados os temas "Flora e a Ressignificação do Sentido da Vida" (Rafael Nolêto); "O arquétipo de Nefertum" (JP Santos); "O arquétipo de Dodola e Vesna" (Nádia Frazão); "O arquétipo de Cordélia" (Hera Regina) e "As Flores no Alimento" (Lu Falcoa).






quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Romuva: O Paganismo Báltico

Muitas tradições pagãs tem ganhado força nos últimos anos, se espalhando por todos os continentes e especialmente em nações indo-europeias e latinas, onde a influência de certas tradições pagãs foi transmitida com mais força. Romuva é o termo usado para designar a religião neopagã dos povos bálticos.


Definição de Romuva
Esse termo refere-se ao paganismo lituano. Seguidores da religião lituana nativa escolheram o nome "Romuva" para denominar a tradição, em 1920. O termo foi escolhido em homenagem ao santuário Báltico prussiano chamado Romuva, localizado na terra de Nadruvia (perto Chernahovsk região de Kaliningrado). O termo Romuva significa "templo, santuário, espaço interno, área sagrada". Os seguidores são chamados romuviai ou romuvitas. Também podem ser chamados de Sentikiai, que significa "Velhos Crentes". 

Essa religiosidade pagã é originalmente inspirada nos cultos politeístas dos povos bálticos. O termo báltico se refere as nações que habitavam as margens do mar báltico, como a Suécia, a Finlândia, a Polônia, e os países que compõem ex-repúblicas soviéticas (Lituânia, Letônia e Estônia). Os povos dessa zona fazem parte do grupo étnico indo europeu, semelhantes aos povos eslavos e nórdicos. 

Divindades

Laima e Žemyna são as duas maiores Deusas cultuadas pelos seguidores da Romuva. Elas foram cultuadas desde muito tempo nessas áreas pelos antepassados dos povos bálticos atuais. Laima é a amada Mãe Divina , que protege a vida humana . É invocada para conceder sorte (seu nome está ligado ao significado de sorte). 
Žemyna é a querida Mãe Terra , que protege a vida de animais e plantas. É tanto o útero como também o túmulo. Os lituanos costumam rezar a Žemyna ao se levantar de manhã e ao ir para a cama à noite.

Dievas, Perkunas e Velnias

O Templo Romuva Prussiano estabeleceu Dievas, Perkunas e Velnias como os três principais Deuses. Dievas é o Deus do Céu , que vive no topo da Montanha Celestial. é ele quem tem a função de proteger e orientar o trabalho agrícola, sendo invocado para ajudar os necessitados. 

Perkunas é o Deus do Clima e da Montanha que eleva a justiça . Velnias é Deus promíscuo e truculento, considerado o Deus de Morte. O cristianismo deturpou e usou o nome "Velnias" para designar o Satanás. 

A religião báltica da Lituânia possui muitas outras divindades. Por conta da influência da dominação monoteísta, desde a Idade Média muitos pagãos assimilaram a ideia de uma unidade divina, um só Deus que se manifesta sob diversas faces, diversos Deuses e Deusas. Com esse pensamento, muitos acreditam em várias personificações da divindade e escolhem aquelas que mais lhe agradam. Essa influência monoteísta ocorre tanto na Lituânia como na Letónia. 

Celebrações 

* Krikštas: É a mais importante celebração da Lituânia. Uma celebração da vida. É realizado com bebês recém-nascidos. O bebê recebe um banho sagrado onde são feitos pedidos para que ele tenha uma vida saudável e boa sorte. 

* Vestuvės: É festa de casamento e dura três dias. Através de uma série de belos rituais antigos, uma menina e um menino se tornam adultos. Eles deixam suas famílias e formam uma nova família. Os participantes costumam evocar os Deuses e fazem pedidos de prosperidade, saúde e fortuna para o casal.

* Šermenys e Laidotuvės: São as cerimônias fúnebres onde são feitas libações longe do local de residência do falecido, onde se coloca a frase: "Onde você vai, nós vamos"

* Kalėdos: É um dos grandes festivais agrícolas. Marcado pelo Solstício de Inverno e celebrado em 25 de Dezembro. As pessoas visitam os vizinhos e amigos, compartilham alimentos, queiman a "árvore de Yule" e fazem previsões para o ano novo. É bastante semelhante com a celebração de Yule dos neopagãos wiccanos.

* Pusiaužiemis: Marca o meio do inverno, em primeiro de Março.

* Užgavėnės: Simboliza o fim do inverno. As pessoas se vestem com disfarces sobrenaturais e entram nos campos para afastar o inverno com ruídos, danças, truques e alimentos. 

* Velykos: É a comemoração do Solstício de Primavera, quando se festeja a nova vida através da troca de ovos decorados com símbolos mitológicos entre os participantes.

* Jore e Samboriai: . É celebrada a colheita dos primeiros frutos e grãos.

* Rasa ou Kupolinė: É a celebração do Solstício de Verão. As pessoas caminham através dos campos e recolhem ervas para serem abençoada nesta noite. Os jovens se mantem acordados durante toda a noite, fazendo vigília. Durante a manhã, o orvalho é recolhido e utilizado para fins medicinais.

* Rugių Svente e Dagotuvës: Rugių Svente é a festa que marca o início do Verão e o fim das colheitas. Dagotuvës é a festa que marca a semeadura de inverno. Ambas as festas agradecem pelas bênçãos e pela proteção dos Deuses.

* Vélines: Uma celebração da morte que é realizada no mês de outubro, culminando em 01 de novembro (semelhante ao Samhain). Uma data em que os mortos são lembrados convidados para jantar com os vivos. Os "refrigerantes" oferecidos aos mortos são móbiles pendurados nas mesas de jantar.

* Kūčios: É o Solstício de Inverno, o ponto culminante do ano. Como preparação para essa festa, todos que por ventura estejam "brigados" com alguém devem reconciliar-se. As famílias se reúnem para celebrar a união entre vivos e mortos. Ritos de adivinhação são realizadas no ano novo. Todos são abençoados com pedidos de sorte, prosperidade, saúde e sabedoria. 

As celebrações lituanas são uma tradição ininterrupta desde os tempos mais antigos. Sobreviveram mesmo com as perseguições do Cristianismo e do bolchevismo soviético, que tentaram erradicar a todo custo essas manifestações. Como aconteceu na Europa e nos Estados Unidos, muitas vezes as festividades assumiram"rótulos cristãos" em tempos de perseguição.


Rituais

O rito do fogo é, desde que a história registrada, um dos rituais mais centrais da religiosidade báltica e lituana. O ponto focal de cada templo báltico é o Aukuras, o Altar de Fogo. O rito é realizado para comemorar ocasiões especiais e é um componente essencial em muitas comemorações. 


O Aukuras é erguido em um lugar sagrado, geralmente em área aberta em meio a natureza. Os participantes lavam as mãos e rostos para a ocasião. Um grupo de pessoas coordena e auxilia os fieis na hora de cantar os Dainas, antigos hinos espirituais recitados enquanto o fogo é aceso. 

Os sacerdotes entregam flores, comida e bebida para o fogo, continuando a cantar os Dainas. Os participantes geralmente são convidados a adicionar suas ofertas e também suas próprias contribuições verbais ou silenciosas. 

O simbolismo deste rito é relacionado com a crença de que as oferendas e preces são entregues aos Deuses através do fogo, subindo aos reinos divinos em forma de fumaça e faíscas. Em casa, também são realizados ritos domésticos diariamente, com libações semelhantes

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Sexo e paganismo na abertura do Festival Internacional de Cinema

Teve início no dia 02 de Julho o FIDMarseille, Festival Internacional de Cinema, que acontece na França até o dia 08 de Julho. Além da competição, o festival reúne cineastas para a discussão sobre os mais diversos projetos cinematográficos e definição do futuro do cinema mundial. A abertura do evento se deu com com a apresentação do último trabalho russo Aleksei Fedorchenko, realizador de filmes como Silent Souls. 

Recuperado a região onde filmou essa obra, e pegando em 23 segmentos que acompanham as mulheres de Mari, uma povoação na região no norte da Rússia e que se distingue da restante nação pela manutenção das suas tradições pagãs, bem longe do moralismo cristão (católico ou ortodoxo), Fedorchenko convida o espectador a seguir uma série de histórias individuais ou coletivas que transpiram a sexualidade e o misticismo que já deu a este Celestial Wives of the Meadow Mari (Nebesnye zheny lugovykh mari) o apelido de Decameron do leste. Esse mesmo apelido acaba por justificar a inclusão do filme como obra de abertura do certame, pois um dos grandes momentos do FIDMarseille é mesmo uma grande retrospetiva e homenagem a Pier Paolo Pasolini – que em 1971 realizou esse mesmo filme.

Escusado será dizer que o espectador comum sentir-se-a como um ovni no meio das histórias aqui retratadas em modo calendário da população, muitas delas apresentadas de forma curta e onde o surrealismo transparece com a exposição à letra de muitos dos mitos e folclore da zona, como o da criatura que vive nas florestas, ou um pássaro comum numa ravina que habita a vagina de uma mulher amaldiçoada, ou ainda a mulher que perde o apetite pela vida a não ser que peça perdão a uma árvore.

É assim entre risos, alguma estupefacção mas sempre fascínio que o espectador se deixa envolver num filme que tem de ser visto para se crer.

Fonte consultada: C7nema

quarta-feira, 3 de julho de 2013

II Encontro Pernambucano de Neopaganismo estremece solo nordestino



Entre os dias 12, 13 e 14 de Julho, no Centro Cultural Luiz Freire, em Olinda, Pernambuco se torna palco de um dos gritos do movimento pagão nordestino. O Encontro Pernambucano de Neopaganismo entra em sua segunda edição, prometendo trazer explosões de conhecimento e alegria em três dias de muitas atrações.


O evento conta com palestras, mesas-redondas e vivências sobre variados temas da policromia pagã no Brasil. Debates e explanações sobre os movimentos reconstrucionistas, xamânico e wiccan, bem como uma palestra abordando o Panteísmo compõem algumas das atrações desse ano. O evento é inteiramente gratuito e as inscrições podem ser feitas através do envio do formulário <http://migre.me/fhQqK> para o endereço: jose_polank@hotmail.com


Em sua primeira edição, no ano passado, o encontro contou com a presença de mais de 150 pessoas, vindas de diversos estados das regiões Norte e Nordeste. Venha fazer parte desse rugido que pretende estremecer o solo desse Leão do Norte.


Mais informações: encpenp.blogspot.com
                                 www.facebook.com/ENCPENP

Confira a programação

sábado, 15 de junho de 2013

Verbum Sacrum: O passado era belo?




Alguns reconstrucionistas das religiões pagãs na atualidade sustentam a imagem de que os povos que vivenciaram na antiguidade tais religiões mantinham um estilo de vida pacato e pacifico, de plena integração com a natureza e de total respeito ao corpo humano e as regras de boa conduta que temos hoje.

Estes que pintam ou aceitam tal imagem como verossímil ou se quer próxima da verdade, não estudaram historia corretamente ou são cegos e tolos para a verdade que os assola a porta. Pode-se observar uma série de praticas atuais que geram fortes impactos ambientais (cujos quais, inclusive, é muito comum ver tais reconstrucionistas lutarem e protestarem contra, intitulados ou amparados ironicamente por preceitos pagãos) que tem origem em rituais pagãos ou superstições antigas de povos tribais que supostamente seriam nosso elo perdido com nossa conexão natural.

Que dizer de homens que compram barbatanas de tubarão para ter sucesso financeiro ou de jovens que, para provar sua maturidade, adentram o mar e lutam contra golfinhos, ou ainda daqueles que usam pés de coelho para trazer sorte e sacrificam animais em rituais em prol de benefícios? Não seriam estas práticas pagãs? Então deve-se criar uma outra classificação para o grupo de religiões e seitas que originaram e/ou ainda fazem uso dessas praticas? Quem passaria ileso nesta seleção?

Se estas questões assombram o leitor, ou lhe tomam de surpresa, lhe fazendo questionar o caminho que escolheu, significa que o mesmo deve propor-se a uma investigação mais sensata e coerente daquilo que diz ter escolhido pra própria vida (tendo por viés a premissa de que este é um jornal destinado ao publico pagão). Compreender a base histórica e real da sua religião pode e deve ser de fato uma prova de fé, o portador de uma religião deve se questionar a respeito de suas origens e de suas conjecturas, a decisão deve ser clara e coesa para que somente assim uma verdadeira fé surja, somente através do verdadeiro conhecimento de suas opções é que se pode fazer uma escolha sensata e real, de resto a qualquer brisa que venha sua crença é posta em cheque.

É fato que, historicamente, para que o preconceito criado acerca dessas conjecturas religiosas fosse derrubado, houve uma necessidade de se exaltar as qualidades dos povos de onde se originaram, porem essa primeira vestimenta bela e colorida tem a única intenção de agradar os olhos do povo comum e não pertencente a tais meios, o que se difere em muito daqueles que optaram, ou dizem ter optado, vivenciar profundamente tais aspectos, para o segundo caso faz-se necessário uma investigação mais refinada, um mergulho mais profundo, uma experiência inteira e integral dos fatos. O buscador pode (e legalmente deve) optar por não exercer nenhuma das atividades macabras que sua religião ou a base da mesma já possa ter acreditado, porem o mesmo deve compreender que ela existiu e as razões que  fizeram com que se perdesse tais hábitos, ou não, através dos séculos, ou anos de sua existência.

Assim como outros grupos religiosos devem ter um olhar mais critico para sua historia e talvez até existência, este conjunto de religiões denominadas pagãs também o devem, para que sua própria essência não se perca (como já vem ocorrendo, principalmente nos veios mais populares como a wicca) para que seus praticantes sejam de fato praticantes, e principalmente para que sejam de fato entendedores daquilo que dizem vivenciar.

Progredir sempre!
Lupos, Canis – O caçador

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O Paganismo na Arte: A Sagração da Primavera, de Stravinsky, completa 100 anos

03.jpg (608×456)No dia 29 de maio de 1913, a elite parisiense se reuniu no recém-inaugurado teatro des Champs-Elysées para ver mais um espetáculo dos Balés Russos de Serghei Diaghilev, sem saber que a noite entraria para a história da música e da dança. Era a estreia da Sagração da Primavera, uma composição de Igor Stravinsky coreografada pelo mítico bailarino Vaslav Nijinsky. Na época, não se sabe se é a música ou a coreografia que provoca mais escândalo.  

A coreografia só aprofundou o desconforto que a música havia muito bem instaurado: a história de uma virgem sacrificada em favor do deus da primavera após o embate entre tribos rivais. O músico maturava a composição desde pelo menos 1910. “A ideia de Le Sacre du Printemps me veio enquanto ainda estava compondo O Pássaro de Fogo. Sonhei com uma cena de paganismo ritual na qual uma virgem escolhida para sacrifício dança até a morte. Essa visão não veio acompanhada de ideias musicais concretas”, conta ele numa de suas várias explicações sobre o momento de inspiração. Ao longo dos anos, em razão dos contextos, as versões se alterariam.

Revolucionária, a obra provocou desmaios, gritos e insultos. Foi um verdadeiro tumulto, como relembrou o próprio Stravinky em uma entrevista nos anos 60: "O público gritava, assobiava e vaiava desde o início. Os espectadores tinham vindo para ver balés tradicionais, como 'Sherazade' ou 'Cleópatra', e se depararam com 'A Sagração da Primavera'. Ficaram muito chocados", contou o compositor.

"A Sagração da Primavera" afunda suas raízes no folclore eslavo e na rica tradição musical russa. Enquanto a partitura extraía novos sons de instrumentos familiares e tomava liberdades com o ritmo, os dançarinos quebravam todas as regras do balé tradicional: em vez das graciosas pontas, por exemplo, os pés eram virados para dentro.

Para festejar o centenário da histórica estreia em Paris e o seu próprio aniversário, o Teatro des Champs-Elysées foi palco nos dias 29, 30 e 31 de maio, de quatro representações excepcionais do balé original de Nijinsky. Perdida durante décadas, a coreografia foi reconstituída nos anos 80 graças às pesquisas de uma coreógrafa americana e um historiador da arte inglês.

O balé do Teatro Mariinsky de São Petersburgo apresenta em Paris a coreografia original de Nijinsky para "A Sagração da Primavera".Ela foi apresentada pelo balé e orquestra do teatro Mariinsky, de São Petersburgo, junto com uma recriação inédita assinada por Sasha Waltz, um dos maiores nomes da dança contemporânea. O fato é que aos poucos A Sagração se ramificou: a alemã Pina Bausch, o francês Maurice Béjart, a norte-americana Martha Graham ressignificaram as reflexões que a peça propõe. No centro, estão a temática do feminino, do sacrifício, da purificação tão comuns na época quanto parecem ser urgentes agora em pleno século XXI. “Hoje em dia, quase qualquer pessoa pode se tornar uma vítima e os contextos sociais do sacrifício são infinitos – família, trabalho, igreja, política, guerras, etc. – e, mesmo assim, já não existem certezas acerca da absolvição”, escreve Nadja Kadel.

Apesar de curta, são cerca de 33 minutos de música, a apresentação parece ter durado bem mais tempo naquele dia. Em verdade, como um marco da vanguarda, dura até hoje.

Segue abaixo um vídeo de uma das representações da peça:

Fontes: O Povo e rfi

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Vila Pagã é divulgada no ENCENP

Durante os dias 3, 4 e 5 de maio foi realizado em Fortaleza o primeiro Encontro Cearence de Neopaganismo, ENCENP, onde estiveram presentes representantes de quase todos os estados do nordeste brasileiro. A Vila Pagã também esteve presente no evento, através da palestra sobre paganismo no Piauí e também na mesa onde foram expostos produtos da Vila. A seguir, confira algumas fotos da mesa, da palestra e dos amigos que passaram pelo evento.













Os participantes puderam conferir a palestra "Piauí Pagão: dos tempos primitivos a Colônia Neopagã", onde foi mostrado um panorama da história do paganismo e das práticas mágicas no Estado ao longo de 50 mil anos.
























 
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