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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Fotos do ESP-PE Novembro 2011: Culto a Ísis

O Encontro Social Pagão de Pernambuco (ESP®-PE) do mês de novembro aconteceu no último domingo do mês (27). Primeiramente, a organização pede desculpas pelo não comparecimento de nenhum dos membros devido a problemas pessoais e profissionais. Visto isso, a organização pediu a André Raven, visitante assíduo e colaborador do encontro, para que fizesse as honras na condução do evento.

O evento começou com o debate sobre o tão polêmico tema "Bruxaria: Religião ou Sistema mágicko?", que após tantas opiniões contrárias, finalmente se chegou a um consenso. Pelo menos, a maior parte definiu a Bruxaria como um conjunto de práticas mágickas com credos próprios, podendo a ser considerada como religião a depender do grupo ou vertente.


Após isso, deu-se início a palestra central do encontro, que tinha como tema "Culto a Ísis". A palestra foi ministrada pela neopagã Ariella Marques, que abordou inicialmente o mito dessa deusa e seus locais de culto, e como estes se espalharam pelo mundo. A palestra também trouxe alguns dos vários aspectos dessa deusa, além de seu conceito principal que é o resgate ao feminino. Os vários aspectos do sacerdócio também foram abordados, ressaltando os detalhes dos rituais, como a purificação.

Tendo em vista isso, a palestrante, após a permissão de todos os presentes, aplicou um Reiki coletivo para que amenizasse as energias influentes em cada pessoa, após isso foi feita uma prece a Deusa Ísis, pedindo para que ela e sua energia despertassem em cada um dos que lá estavam. Para finalizar a palestra, foi feita uma meditação intitulada "Jornada ao Templo de Ísis", com o intuito de resgatar as qualidades femininas presentes em cada pessoa e que possam ter sido deixadas de lado devido a traumas ou motivos diversos. Após todos compartilharem suas experiências e ser feita a confraternização, deu-se por encerrado o encontro. 


O encontro deste mês (Dezembro) já está com data marcada, será no dia 11, com a palestra de uma das organizadoras do ESP®-PE, Júh Gouveia, sobre Shantalas. Para mais informações sobre os encontros acesse www.esppe.net ou entre em contato com a organização através do e-mail esp_pe@yahoo.com.br

domingo, 22 de maio de 2011

Àmon-Rá, um Deus Transcendente

Deus principal de Tebas (Waset), cidade do Alto Egito sede do governo durante o Novo Império (cerca de 1550-1070 a.C.), Àmon tornou-se um dos mais poderosos deuses da Antiguidade.
Sua proeminência na região já é notada no Médio Império (cerca de 2040-1640 a.C.), quando, por razões que ignoramos, os príncipes da XI Dinastia, o adotaram como deus da sua residência.
Instalado em Tebas, ao lado do antigo deus local Montu, foi logo assimilado a Min, deus da fecundidade.
Foi, entretanto, nos cinco séculos do Novo Império que Àmon se tornou o líder do panteão egípcio.
Àmon não tinha mitologia própria. Criaram-lhe, então, uma família: Mut (uma deusa mãe) tornou-se sua esposa e Kensu (o deus da lua) seu filho.

Àmon foi associado ao deus criador solar Rá (de Heliópolis) daí o nome Àmon-Rá; e posteriormente o assimilaram à outro deus criador, Ptah (Mênfis).  Tantas associações devem ter causado muita confusão, mas Àmon-Rá tornou-se uma síntese de todos os deuses criadores, sendo chamado de "Àmon-Rá, Rei dos Deuses".

Ele era o chefe indiscutido do panteão e deus do Império.  Seu nome quer dizer "O Oculto", e seu mistério está contido em seu nome, pois sua essência é imperceptível, e ele não pode ser chamado por qualquer termo que dê idéia de sua natureza íntima, e subjacente de "ocultação".  Sua identidade é tão secreta que nenhum outro deus conhece seu nome verdadeiro.  Tebas, sua cidade sagrada era o Olho de Rá, e vigiava todas as outras cidades.  Àmon-Rá criara-se a si próprio, era invisível, nascido secretamente.  Todos deuses tomaram forma depois de ele ter realizado o primeiro ato de criação.




















Originalmente, Àmon fazia parte de uma das forças elementares da criação.
No mito da criação que vem da cidade de Mermópolis, Àmon e mais três deuses aparecem com suas esposas (contrapartes femininas) sobre o montículo que emerge das águas primordiais.  Parte deste mito foi assimilado pelos sacerdotes de Àmon-Rá, que associaram Tebas com montículo que emergiu do oceano primeiro. Àmon-Rá era o criador de homens, deuses e tudo o que existe sobre a terra.
 
Era ele quem fazia o Nilo transbordar na época das cheias.  Um pouco da água da inundação era recolhida em um vaso cuja tampa era esculpida na forma de uma cabeça de carneiro (o animal sagrado de Àmon-Rá) e oferecida ao deus pelo faraó.
Sem dúvida, o Nilo tornava o Egito próspero, mas Àmon-Rá também era o deus que protegia o faraó (seu filho e representante da terra) durante as conquistas militares.  A maior parte das riquezas era entregue ao clero de Àmon-Rá.  Nas paredes dos templos, o faraó é representado fazendo oferendas a Àmon-Rá e apresentando-lhe as riquezas trazidas das terras distantes.

Em honra ao deus foram construídos templos tão impressionantes, que rumores do esplendor de Tebas se espalharam para fora do Egito.
O maior templo dedicado à Àmon-Rá é o Templo de Karnak, chamado de Ipet-isut pelos antigos egípcios.  Karnak é uma vasta aglomeração de templos, capelas e outras construções de vários períodos, medindo cerca de 1,5 Km por, pelo menos 0,5 Km.

Ipet-isut era o principal centro de culto da tríade tebana, com Àmon-Rá à frente, sua esposa Mut, seu filho Kensu, e várias divindades "convidadas".  Nenhum outro lugar do Egito deixa uma impressão mais irresistível e duradoura do que Karnak: paredes lindamente decoradas, obeliscos, colunas imensas, estátuas colossais, estelas...
Visitando hoje este lugar, dá para se ter uma idéia do que foi o esplendor deste imenso local sagrado.  Durante séculos este templo foi reformado e ampliado pelos faraós.  Em Luxor (Ipet-resyt), um outro templo foi dedicado ao Rei dos Deuses.  Estendendo-se numa área de quase 260 metros, este templo foi construído essencialmente por dois faraós, Amen-Hotep III (a parte interna) e Ramsés II (a parte externa).  Vários outros reis contribuíram para as suas inscrições e decorações em relevo, acrescentando pequenas estruturas ou fazendo alterações, sobretudo Tut-Ankh-Àmon, Hor-em-heb e Alexandre Magno.  

Em Luxor, Àmon-Rá tomava a forma do deus Min.  Este templo estava em estreita ligação com o Grande Templo, em Karnak.
Uma vez por ano, durante a estação das cheias, tinha lugar em Luxor uma grande festa religiosa, a festa de Opet.  A festa tinha início em Karnak, onde as imagens de Àmon, Mut e Kensu eram colocadas em três barcos magnificamente decorados com ouro, prata, cobre e pedras preciosas.  Estes barcos, verdadeiros templos flutuantes, eram rebocados através do Nilo, até o templo de Luxor, onde as imagens permaneciam por cerca de um mês.

O último episódio da festa era o retorno da frota sagrada.  As imagens eram devidamente colocadas em seus santuários em Karnak, e oferendas e libações eram feitas pelo próprio faraó.  Os templos, as riquezas fabulosas que Àmon possuía, o clero poderoso que o servia, clero esse que desempenhou em inúmeras ocasiões papel importantíssimo, mostram a evidência que o prestígio e poder cresceram desmesuradamente no espaço de poucos anos.  O fato de os filhos de sacerdotes herdarem o poder religioso e político dos pais, assegurou um aumento cada vez maior de seu domínio sobre todo o Egito.

Porém, na XVIII Dinastia, o faraó Akh-en-Àton (1370 a.C.) tentou mudar esta situação fundando uma nova capital, onde o único deus era adorado, Àton (o disco solar).  Tebas foi abandonada e os sacerdotes privados de seu poder, pois os templos foram interditados e o nome de Àmon-Rá, assim como o de outros deuses, foram apagados dos monumentos.  Esta mudança, porém, não durou mais do que vinte anos.  Com a morte de Akh-en-Àton tudo voltou ao que era antes.  Como não poderia deixar de ser, o poder do clero de Àmon-Rá continuou a crescer.  Esse mesmo excesso de poder causou a decadência de Àmon-Rá; muitos cultos tinham sido lesados e os sacerdotes de Àmon-Rá, excessivamente poderosos, não raro representavam uma constante ameaça para os faraós.  Com o passar do tempo, houve uma contínua ascensão dos cultos que Àmon-Rá eclipsara.  Durante muito tempo, o poder de Àmon-Rá controlou o Egito, chegando até os oásis líbios, e à Kush, onde os reis o adotaram como deus supremo.  

Os sacerdotes tebanos governavam como qualquer outro poder secular e estabeleciam pequenas rivalidades com o governo dos faraós.
O resultado final de tudo isto foi que, conquistada pelos Assírios em 663 a.C., Tebas e o clero caíram como o reino.  Os deuses das províncias, libertados do jugo econômico de Tebas, retomaram antigos direitos e privilégios; Osíris, um antigo deus agrícola, aos poucos começou a ocupar o lugar que fora de Àmon-Rá.  O culto à Àmon-Rá, agora despojado de toda a sua grandeza, ainda permaneceu até o primeiro século da era cristã.
A trajetória do deus Àmon-Rá mostra como o homem é capaz de manipular e extorquir seus semelhantes através da fé.  O que o deus representava era o conceito mais puro e completo da divindade.  Àmon-Rá era o "Oculto" que se fazia presente em toda a criação.  Era o "Rei dos Deuses", que fazia o Egito prosperar e dava vida a todos os seres.

A decadência de seu poderoso clero não abalou sua majestade divina, pois Àmon-Rá transcendeu todas as falhas humanas.  A concepção de Deus que ele representava serviu de inspiração às primeiras seitas cristãs, e o grau de refinamento artístico dos tempos em que foi o deus do império, nunca foi igualado.

Texto de Wallace Gomes (egiptólogo e artísta plástico)

domingo, 15 de maio de 2011

Os Sons e a Água na Cosmologia do Antigo Egito

O “Livro dos Mortos” do antigo Egito cita: “Numerosas são as formas daquilo que procede da minha boca”. O deus Rá era também chamado de Amen-Ra, com o prefixo “Amen”. O termo AMEN, ou AMN conforme entendiam os sacerdotes egípcios da Antigüidade equipara-se ao OM dos hindus.
Praticamente todas as cosmogonias falam do som e da água no processo da criação; são dois elementos que quase sempre aparecem juntos. 

Existe um papiro em que está escrito: “Ra falou no princípio da Criação e mandou que a Terra e os céus se erguessem da imensidão das águas ”.

Segundo a cosmologia egípcia os deuses eram hábeis em pronunciar a palavra creadora. Com as “palavras de poder” a hierarquia dos deuses criavam e destruíam a forma, curavam os enfermos e davam vida aos mortos.  Assim foi que o Deus RA pronunciou palavras criadoras a fim de dar existência a todos os “deuses menores” da hierarquia celeste. Ra também revelou o segredo de certas palavras de poder ao clero terreno; palavras mediante as os répteis podiam ser dominados, e diversas enfermidades e outros males podiam ser vencidos. Isto revela que o poder criador da fala não se limitava àquilo que muitos podem chamar de mito da criação do universo. 

Segundo os escritos da Antigüidade egípcia o poder criador e transformador não era apanágio apenas dos deuses; os mortais que soubessem manejar as palavras de poder também podiam invocar e dirigir as energias dos céus, de conformidade com o que um papiro que aparece a figura de Rá ordenando: “Ouvi-me agora! Minha ordem é que todos os meus filhos sejam trazidos para junto de mim afim de que possam pronunciar palavras de poder que serão sentidas na terra e nos céus.”
Mesmo que tudo o que existe em alguns papiros, como o que mencionamos nesta palestra seja considerado por muitos como simples mitos ainda assim mostra a existência de um paralelismo com relação ao valor que era dado aos sons entre sistemas religiosos afastados no espaço e no tempo. 

A religião egípcia afirmava que do mesmo modo como os deuses criavam - pela visualização e pela fala, também era possível ao homem operar mudanças no mundo físico. Considerava que a visualização combinada com certos mantras e invocações era uma chave vital no sucesso na maioria dos atos de magia que ocupava um lugar de destaque nas atividades dos sacerdotes. Indo mais adiante, afirmava que o homem, graças ao seu versátil aparelho vocal e à sua capacidade de construir instrumentos musicais, podia ser investido de um enorme poder desde que, conhecendo o som da nota tônica de um objeto e reproduzindo aquele som ele podia assimilar a energia daquele objeto, ou pessoa. Isto constituía a principal base da magia egípcia.

Tal como na China, também no antigo Egito era mencionada a existência de sete tons cósmicos, que eram chamados de “os sete tons principais do Amen”. Existe um texto egípcio gnóstico de data e origem desconhecida que diz talvez numa forma alegórica: “No princípio Deus riu sete vezes:  Há -Há - Há - Há - Há - Há - Há. Deus riu e dos sete risos surgiram sete deuses que abarcaram todo o universo constituindo-se assim os primeiros deuses”.
Vimos que a religião do antigo Egito de várias outras são concordes com a idéia da existência de seres que denominam de “os sete primeiros deuses” os quais na cosmologia das religiões védicas eram resultantes das sete primeiras diferenciações do Tom Único. 

Por sua vez os Hebreus chamavam a esses deuses Eloim.  Em muitas passagens do gênese como consta na Bíblia, quando Deus decreta a Criação, a expressão “Senhor Deus” é, na realidade, uma simples tradução da palavra hebraica plural Eloim. Existe uma versão hebraica original que atribui ao Creador à denominação de “Deus dos sete Tons”.
A cada um dos sete primeiros deuses emanados da Trindade é atribuída uma nota tônica da escala musical, e por isso os cabalistas colocam os sete deuses no lugar dos sete sephirot da “Árvore da Vida” onde também cada sephirah corresponde a uma das notas da oitava musical.

O mesmo é dito em referência aos ensinamentos hindus; mas no Hinduísmo faz-se uma distinção entre cinco e mais dois em referência aos cinco tons e os dois semitons. (São considerados semitons duas das sete notas da escala diatônica). Dizem os brâmanes: “ Sete são os grandes Deuses abaixo do Trimurti e só cinco deles trabalham Indras, Vayu, Agni, Varuna, Kshiti” e dois estão ocultos. 

[Fonte: Laercio do Egito]

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A Visão da Fênix dentro da Magia Egípcia (Princípio de Set)


A Fênix era o pássaro simbólico do retorno, representando vários ciclos de tempo como ensinado nas antigas escolas de mistérios. A Fênix era a constelação na qual Sothis (A Estrela de Set) era a estrela principal. Como uma constelação provavelmente correspondera à de Cygnus e Aquila, a Águia. Tanto o cisne quanto a águia eram representações de Bennu ou pássaro do retorno. Estes podem ser encontrados representados nas tradições mais antigas de formas similares. a Fênix dos romanos era a Águia, enquanto que a alternativa dos Hindus e Sumérios (Yezidi) foi o Pavão.
De acordo com Plinius, a vida da Fênix tem direta conexão com o ano maior do ciclo de renovação, a duração deste ciclo, no qual as estrelas e constelações retornam a suas posições originais, varia de acordo com diferentes autoridades. Um prescreve um período de 666 anos, outro, de 1461 anos, sendo este período o específico do ciclo de Sirius. Heródoto afirma que a Fênix ressurge a cada quinhentos anos, dando ele, portanto, este número como a duração do ano maior de retorno cíclico.
Os adoradores de Set eram os astrônomos mais eruditos do Antigo Egito, havendo rumores de eles terem sido os construtores da Grande Pirâmide. Eles estavam informados do ciclo de recessão e calcularam-no como um período de 52 períodos da Fênix, sendo cada um destes de quinhentos anos. Portanto, de acordo com o Sacerdócio de Set original, o Grande Ano tinha 26 mil anos.
A Fênix era conhecida como "A Dupla Trilha", a ave do retorno e a eterna vindoura e, como tal, era representada na Ordem da Aurora Dourada (GD) como o Mestre que empunhava a vara da Fênix. Este título específico é também mencionado no terceiro capítulo do Livro da Lei e é de relevância específica como expressão da fórmula dinâmica de Thelema e Ágape na magia sexual moderna. No Egito, a ave Bennu ou Fênix era representada pelo Heron ou Falcão e sendo que o falcão dourado era visto como o veículo solar e fálico de Hórus, podemos ver a relação direta com a mensagem do Livro da Lei e a comunicação de Aiwaz.
A Fênix era escolhida como um glifo do Cajado Duplo (Double Wanded One) porque simbolizava retorno cíclico ou aeônico. O Aeon renova-se como a Fênix e portanto a relação entre estes dois conceitos dá algum crédito a uma mensagem interna por trás de Thelema. A mensagem interna está baseada no fato de que o primeiro herói celestial não foi o Sol, mas o conquistador do fogo solar, representado pela estrela Cão (Canis) não apenas como um Senhor do Fogo mas como um governante do fogo. Portanto, quando o Sol achava-se no signo de Leão e o calor africano estava perto do intolerável, Set como a Estrela Cão ou Set/Hórus (Orion) ascendia. E então quando o Sol atingia sua altura máxima e começava a declinar, a Estrela Cão de Sirius e os gêmeos Hórus/Set (Orion) eram adorados como conquistadores das causas de tormenta. O Deus Set que derrotou o Leão do Sol e trouxe a cheia do Nilo era o arauto das transbordantes águas de Nuit que salvam as terras de aniquilação.
Em termos esotéricos, Set é a besta que salta do sol ou Falo e ascende como a Fênix do dilúvio das águas cósmicas que irradiam de Nuit através do abismo em direção aos mundos ou dimensões mais baixas. Crowley restaurou a tradição Draconiana mais antiga e o culto sem nome que se espargiu além dos Aeons e trouxe a humanidade para o limiar dos diversos ciclos Aeonicos. Estes ciclos são preparatórios para a ascensão do ser humano, como uma Fênix, em um novo estado de ser, o Homem Superior.
Para entender plenamente a mensagem do pássaro Bennu, devemos primeiramente examinar na Qabbalah esta fascinante criatura e sua relação com a formação do Homem Superior e as vindouras correntes de energia.

[Fonte: Manual Prático de Magia Sexual]

domingo, 13 de março de 2011

A Batalha de Hórus e Seth

Hórus já era um homem feito quando Ísis veio a ter com ele novamente, ela o ensinou a entrar em comunhão com o pai em Amentet (mundo dos mortos), e foi com Osíris que ele, Hórus, aprendeu a lutar e usar o arco e a flecha aprendeu a cavalgar e a domesticar os leões. Certa manhã a deusa Hator, filha de Rá, veio até o Nilo e avistou Hórus se banhando. A imagem do deus fez com que ela cantasse e dançasse de excitação e toda pessoa que ela fitava imediatamente se apaixonava.

Ela passou a ficar muito próxima de Hórus desde então, e ele nutria por ela o mesmo interesse. Mas ela não era a única a se apaixonar por Hórus. Néftis à muito tempo já havia deixado Seth e este casou-se pela segunda vez com Tauret (a mais antiga deusa da fertilidade). Quando Tauret soube sobre o jovem e viril falcão de Tebas, logo foi procurá-lo para fazer dele seu marido. Seth que já não gostava de Hórus por sua descendência e por medo de que o menino-falcão viesse cobrar o trono de seu pai, ficou ainda mais furioso com a notícia de que sua esposa tivesse o procurado. Enfurecido Seth colocou a coroa de guerra, pegou sua adaga e foi à procura de Hórus, como quem caça um javali. E a hora chegou, mas a luta entre Seth e Hórus seria longa e angustiosa; uma briga que aparecia não ter fim, na qual um e outro infringiam tanto mal como o que recebiam do seu adversário. E eles lutaram. Durante oitenta anos, suas facas se chocaram. Lutaram brandindo as clavas e atirando flechas. Os dois deuses emergiam do Nilo como homens, de pé sobre o dorso de crocodilos. Transformaram-se em Ursos, mordendo e dando patadas, transformaram-se em cobras, em feras selvagens, em asnos em falcões e leões. Transformados em hipopótamos, mergulharam nas águas claras do Nilo, apiedada, Ísis fez sua própria lança e, sem saber qual dos hipopótamos era seu filho, fincou sua arma nas costas de Hórus. Hórus precipitou-se das águas como uma pantera selvagem e correu atrás de Ísis, que fugiu como uma gazela amedrontada. Finalmente ele a apanhou, ergueu a faca e com um golpe arrancou-lhe a cabeça. Percebendo o que fizera, que sua cólera o traíra e que ferira Ísis mortalmente, Hórus deixou cair a arma e correu para as montanhas com a intenção de nunca mais voltar. Toth desceu a Terra e com palavras de magia colocou uma cabeça de vaca sobre os ombros de Ísis e a ressuscitou. Seth seguiu Hórus e o encontrou dormindo, sob o luar, debaixo de uma tamareira. Hórus acordou tarde demais, Seth já havia o agarrado. Com sua adaga que já havia rasgado Osíris, Seth arrancou os dois olhos de Hórus jogando-os ao sopé da montanha.


Hator, a deusa da festividade, da dança e da alegria encontrou seu amado Hórus deitado com a face virada para baixo. Ela começou a dançar e cantar para alegrar o deus. Quando viu que o deus-falcão estava sem os olhos, espremeu seu peito até que até as cavidades oculares de Hórus. O leite da deusa fez com que Hórus voltasse a ver. Tão penoso foi o combate entre Seth e Hórus que Toth, o deus da Lua e a divindade da ordem e a inteligência, se apiedou dos combatentes e interveio para mediar na disputa, levando ambos ao tribunal dos deuses e fazendo comparecer também Osíris, para que todos pudessem ouvir as razões de um e dos outros. O tribunal sentencia que, na longa e controversa vista da briga entre Seth e Hórus, que durou nada menos que oitenta anos, os direitos sucessórios de Osíris pertencem a Hórus. O filho póstumo de Osíris recuperava o que correspondia pela sua linhagem: a sucessão no trono de Egito. Assim, o filho era reconhecido pela divindade como soberano indiscutível, dentro da tradição clássica que adjudicava aos reis e aos reinos um sentido de vontade divina. Por esta sentença, Seth perde o seu poder sobre as terras negras e férteis do Egito, voltando a reinar apenas na terra vermelha, mas ele não é castigado nem afastado do mundo.

Seth passa a ser também uma divindade necessária ao ser acolhido por Rá, para que se ocupe nos céus de alternar a noite com o dia e deixe que sejam os reis os que governem sobre a terra.

Hórus, por sua vez, engendra quatro filhos: Imset (Amsiti), Hapi, Duametef (Tuemeft) e Quebsnauf (Kevsnef). Estes filhos, que acompanharão Osiris nos julgamentos aos mortos, também cuidam dos quatro pontos cardeais e se ocupam de velar pelas necessidades e pela saúde das entranhas de Osíris.
 
[Fonte: Blog Mitologias e Religiões]

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A luta de Hórus e Seth

Hórus já era um homem feito quando Ísis veio a ter com ele novamente, ela o ensinou a entrar em comunhão com o pai em Amentet (mundo dos mortos), e foi com Osíris que ele, Hórus, aprendeu a lutar e usar o arco e a flecha aprendeu a cavalgar e a domesticar os leões. Certa manhã a deusa Hator, filha de Rá, veio até o Nilo e avistou Hórus se banhando. A imagem do deus fez com que ela cantasse e dançasse de excitação e toda pessoa que ela fitava imediatamente se apaixonava.

Ela passou a ficar muito próxima de Hórus desde então, e ele nutria por ela o mesmo interesse. Mas ela não era a única a se apaixonar por Hórus. Néftis à muito tempo já havia deixado Seth e este casou-se pela segunda vez com Tauret (a mais antiga deusa da fertilidade). Quando Tauret soube sobre o jovem e viril falcão de Tebas, logo foi procurá-lo para fazer dele seu marido. Seth que já não gostava de Hórus por sua descendência e por medo de que o menino-falcão viesse cobrar o trono de seu pai, ficou ainda mais furioso com a notícia de que sua esposa tivesse o procurado. Enfurecido Seth colocou a coroa de guerra, pegou sua adaga e foi à procura de Hórus, como quem caça um javali. E a hora chegou, mas a luta entre Seth e Hórus seria longa e angustiosa; uma briga que aparecia não ter fim, na qual um e outro infringiam tanto mal como o que recebiam do seu adversário. E eles lutaram. Durante oitenta anos, suas facas se chocaram. Lutaram brandindo as clavas e atirando flechas. Os dois deuses emergiam do Nilo como homens, de pé sobre o dorso de crocodilos. Transformaram-se em Ursos, mordendo e dando patadas, transformaram-se em cobras, em feras selvagens, em asnos em falcões e leões. Transformados em hipopótamos, mergulharam nas águas claras do Nilo, apiedada, Ísis fez sua própria lança e, sem saber qual dos hipopótamos era seu filho, fincou sua arma nas costas de Hórus. Hórus precipitou-se das águas como uma pantera selvagem e correu atrás de Ísis, que fugiu como uma gazela amedrontada. Finalmente ele a apanhou, ergueu a faca e com um golpe arrancou-lhe a cabeça. Percebendo o que fizera, que sua cólera o traíra e que ferira Ísis mortalmente, Hórus deixou cair a arma e correu para as montanhas com a intenção de nunca mais voltar. Toth desceu a Terra e com palavras de magia colocou uma cabeça de vaca sobre os ombros de Ísis e a ressuscitou. Seth seguiu Hórus e o encontrou dormindo, sob o luar, debaixo de uma tamareira. Hórus acordou tarde demais, Seth já havia o agarrado. Com sua adaga que já havia rasgado Osíris, Seth arrancou os dois olhos de Hórus jogando-os ao sopé da montanha.


Hator, a deusa da festividade, da dança e da alegria encontrou seu amado Hórus deitado com a face virada para baixo. Ela começou a dançar e cantar para alegrar o deus. Quando viu que o deus-falcão estava sem os olhos, espremeu seu peito até que até as cavidades oculares de Hórus. O leite da deusa fez com que Hórus voltasse a ver. Tão penoso foi o combate entre Seth e Hórus que Toth, o deus da Lua e a divindade da ordem e a inteligência, se apiedou dos combatentes e interveio para mediar na disputa, levando ambos ao tribunal dos deuses e fazendo comparecer também Osíris, para que todos pudessem ouvir as razões de um e dos outros. O tribunal sentencia que, na longa e controversa vista da briga entre Seth e Hórus, que durou nada menos que oitenta anos, os direitos sucessórios de Osíris pertencem a Hórus. O filho póstumo de Osíris recuperava o que correspondia pela sua linhagem: a sucessão no trono de Egito. Assim, o filho era reconhecido pela divindade como soberano indiscutível, dentro da tradição clássica que adjudicava aos reis e aos reinos um sentido de vontade divina. Por esta sentença, Seth perde o seu poder sobre as terras negras e férteis do Egito, voltando a reinar apenas na terra vermelha, mas ele não é castigado nem afastado do mundo.

Seth passa a ser também uma divindade necessária ao ser acolhido por Rá, para que se ocupe nos céus de alternar a noite com o dia e deixe que sejam os reis os que governem sobre a terra.

Hórus, por sua vez, engendra quatro filhos: Imset (Amsiti), Hapi, Duametef (Tuemeft) e Quebsnauf (Kevsnef). Estes filhos, que acompanharão Osiris nos julgamentos aos mortos, também cuidam dos quatro pontos cardeais e se ocupam de velar pelas necessidades e pela saúde das entranhas de Osíris.

Postado por Lara

 
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