sábado, 26 de setembro de 2009

Bruxos Ocultos


A herança deixada pela igreja medieval à sociedade moderna de hoje chega a ser impactante, toda a mudança simbológica, cientificista e religiosa das práticas pagãs, perduram até os dias atuais em alta e boa denominação. Tal consequência tem nos feito voltar aos tempos medievais por um conceito chamado "Bruxos Ocultos".

Esse conceito é a forma de denominar os bruxos que são obrigados a esconder sua crença por preconceito da família ou das pessoas com quem convivem. Bruxaria, como todos sabem, virou sinônimo de satanismo, mesmo que uma não tenha relação com a outra, mas a verdade é que por causa dessa falsa relação, a sociedade costuma não aceitar que pessoas pertençam a tal crença. A família é a principal preocupação dos bruxos, pois geralmente vivem com eles, então grandes disputas são travadas dentro da própria casa.

Vários afirmam que esconder é a única escolha diante da ignorância da família, o que nos lembra, como já mencionado, os tempos medievais, em que as pessoas escondiam que eram integrantes da Antiga Crença com medo de serem torturadas e mortas na inquisição. A descoberta é a pior dos confrontos. Quando os pais ou membros da família, descobrem que, geralmente, seus filhos são bruxos a discussão é inevitável, chegando a ocorrer brigas sérias. "Minha mãe me pegou realizando um ritual no meu quarto e praticamente disse que eu estava possuída. Depois daquele dia ela ficou sem falar comigo direito, me vigiando para ver se eu voltava a praticar rituais. Minha vida virou um caos, tive que ficar um bom tempo sem fazer rituais propriamente ditos. Ela depois voltou a falar comigo normalmente, não contou nada para o meu pai. Outro dia, arrumando minhas coisas, ela descobriu o meu Livro das Sombras, cheguei no quarto e lá estava ela folheando ele. Ela não falou nada, me olhou de lado e saiu do quarto. Ela sabe que sou bruxa, mas prefere não tocar no assunto, talvez tentando acreditar que tudo seja apenas um sonho". Esse foi um relato de uma bruxa de 17 anos que mora em Pernambuco.

Essa é outra opção dos pais, o silêncio. Preferem acreditar que tudo é apenas uma fase e que logo ele voltará a si. Alguns pais vem aceitando que seus filhos ingressem em sua opção, mas tem medo do preconceito das pessoas.

Quando as pessoas estarão prontas para aceitarem seus semelhantes do jeito que eles são, e não do jeito que eles esperam?



- Douglas Phoenix -




2 comentários:

Júh Gouveia disse...

Eu também passo por essa não-aceitação. Minha mãe já chegou a jogar fora minha veste ritual e tb alguns objetos do meu "mini-altar".
Depois disso, eu não tenho mais altar fixo em casa e sempre que quero fazer um ritual tenho que ir pra algum outro local.

É incrível a intolerância familiar! O pior é que nós temos que conviver com a religião deles e respeitar.

Gostaria que fizessem isso comigo tb!

Mas isso nunca será motivo para eu desistir da minha crença.
Os Deuses conduzem meu caminho.

Abraços a todos, continuem participando do blog que é sempre mto legal!

Júh Gouveia

Golden Morgaine disse...

Olá Douglas! Muito bom seu texto.
Relata muito bem a realidade que temos que enfrentar.

Como nossa amiga Júh citou acima, Nós respeitamos as crenças deles, eles deviam respeitar a nossa também.

Eu sempre me pergunto o mesmo que você propôs no texto: "quando será que as pessoas vão aceitar as outras como elas são e não como elas esperam que as outras sejam?"

Temos muito o que crescer. o Mínimo que podiamos esperar de nossa familia era o respeito e compreensão. É uma pena que tenhamos que lidar com a intolerância.

Um grande abraço!

 
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