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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Verbum Sacrum: O Choque de gerações


Sempre é esperado que a geração mais nova conflite ideias com a geração anterior. Este mesmo princípio vive fazendo o mundo girar em extremos opostos. Desde a alta iluminação científica até os obscuros anos  do mundo nazista.


A grande questão é: quando uma mudança é boa ou ruim? Dentro do instinto humano, obviamente pressentimos logo que toda mudança é ruim, temos uma natural relutância ao novo e na prática vemos que nem sempre é assim. Infelizmente entender a linha que separa as mudanças boas das ruins ainda é coisa muito complexa a nós mortais. E devido a esse fato permanecemos no estágio científico da experimentação.

Dentro do ocultismo não é diferente, e quando envolve âmbitos religiosos é ainda mais complicado perceber tal divisória. Vemos constantemente novas práticas filosóficas surgirem e serem arrebatadoramente criticadas. Algumas conseguem seguir em frente, outras morrem de vez ou para renascer logo adiante com uma nova cara.

Estranhamente quando se para pra refletir nas tradições tão cultuadas ou cujo renome é usado como maximus argumentum em discussões comparativas com as novas idéias que surgem em nosso tempo, tais tradições surgiram em momentos similares de caos ideológico, foram extremamente criticadas, tentaram suprimi-las e muitos de seus criadores têm históricos altamente prejudicados pelas artes que tentavam desenvolver.

Particularmente valorizo muito aqueles que tentam o novo, mesmo que a conclusão seja trágica. Esse é um risco que só os ousados podem correr. Ao passo que tenho visto muita produção que foge completamente (ou quase isso) a toda concepção tradicional já vista, e de fato isso assusta um pouco, principalmente pelos aforismos de que a fé não precisa de constatação ou lógica. Dentro do ocultismo isso nunca foi bem aceito devido ao método pseudo, mas ainda sim científico em que se elaboram as práticas e as técnicas no mundo dos véus.

Seguindo ainda a lógica do nosso último encontro sobre a qualidade da informação, transmito aqui algo a mais para facilitar esta seleção. Devemos ter em mente que quando nos propomos a conhecer profundamente algo temos que buscar primeiramente os conteúdos renomados e indicados, para que doravante possamos aplicar-lhes o devido bom senso e analise para nos aproximar de tal conhecimento e poder por fim tecer-lhe alguma crítica ou inová-lo. Salvo raras exceções, é acertadamente ruim aceitar ideias que não têm nenhum embasamento prévio, ou não se baseiam em real estrutura lógica qualquer. É ver, por exemplo - após milênios de relatos sobre a mutabilidade das essências - milhares de pessoas entrarem para um novo grupo religioso que alega que se pode ter a alma de um “dragão verde dos olhos rosas” e por acidente encarnar na forma humana, sendo portanto um dragão enclausurado no corpo de humano; ou ainda grupos que idolatram um sujeito que alega ser a reencarnação do conde Drácula ou de Jesus, e pior que isto é ainda observar que tais criações se embasam em argumentos ainda mais estúpidos como: “Jesus previu que seria ridicularizado quando retornasse portanto a prova de que sou Jesus é que vocês me acham ridículo” ou “Se você sente que o mundo precisa melhorar você provavelmente é um dragão preso num corpo humano”.

Como disse, valorizo aqueles que tentam o novo e quero deixar claro que não discurso contra as inovações, porem chamo a atenção daqueles que tem gana por um ideal, e aceitam o novo somente por ser novo. Clareando: aqueles que propõem algo novo por mais tolo que seja ainda está sendo ousado, já aquele que não propõe nada novo e ainda por cima opta por seguir um tolo está unicamente sendo duplamente tolo. Portanto se for para ser tolo seja ao menos um tolo criativo, do contrário procure bons grupos e boa literatura para embasar suas práticas. Estejamos sempre atentos à coisas novas e buscando compreendê-las, mas não nos vendemos para uma fé cega e degenerada, onde morre todo o senso crítico.

Progredir Sempre! 
Lupos, Canis - O caçador

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O Nascimento da Ordem Rosacruz

Ao começo da segunda década do século XVII, reuniram-se representantes de todas as organizações que congregavam Essénios ou Cátaros e os cristãos esotéricos espalhados pelas várias cidades da Europa, com a finalidade de constituírem uma única associação que lhes permitissem maior apoio, disciplina no estudo dos mistérios e mais segurança na guarda e difusão do imenso tesouro espiritual que possuíam. Para escaparem à ferocidade da "Santa Inquisição" reuniram-se numa caverna existente nas montanhas do Tirol, entre Salzburgo e Munique. Depois de longos debates assentaram no estabelecimento de um estatuto único para regência de todos. Como no espaço sidério se congregavam os divinos seres a que chamamos Irmãos Maiores, por pertencerem a uma humanidade anterior à nossa e serem os condutores da evolução de todos os seres que existem na Terra, à nova organização foi dado o nome de Ordem Rosacruz.

Entre estes grandes seres há humanos que já se elevaram acima da vulgaridade pela sua bondade e pureza de alma. Muitos são médicos que exercem a sua profissão como se fora um sacerdócio, no estado de vigília e no de sono, sempre no seu mister em favor da saúde e bem estar dos seres terrenos e assim merecem a amizade dos Irmãos Maiores, que os fizeram seus cooperadores permanentes. Foi por esta razão que os agrupamentos de estudantes de ocultismo deixaram de usar os seus títulos antigos e se constituíram em Ramos da Ordem Rosacruz, ministrando um ensino bem definido e igual. Os seres humanos que trabalham com os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, são os chamados Irmãos Leigos. Foram altamente qualificados pelos Irmãos Maiores, que pelas suas altas qualidades os colocaram ao seu serviço.

Desta maneira os adeptos do grande filósofo, ocultista e místico que se chamou Paracelso - famoso como médico e alquimista, sábio cultor da astrologia - os Paracelsianos, bem como os Hermetistas, os Pictóricos, os Alquimistas e os Gnómicos, grupos de estudos esotéricos, parecem ter desaparecido. Na realidade apenas abandonaram as antigas designações para se integrarem na Ordem Rosacruz. Desde a sua existência, conhecida entre os hebreus, no tempo de Moisés (entre os Essénios), até ao fim do século XIX, a Ordem Rosacruz foi uma associação secreta, por os seus ensinamentos serem tão profundos que rareavam extraordinariamente as pessoas dignas de os receber! 


Se não foram a sua grande prudência no ministério da Sabedoria dos Rosacruzes, esta teria sido aplicada desonestamente, como acontece com a astrologia e outros ramos do saber oculto, na posse de pessoas sem as qualidades morais e intelectuais necessárias a tão elevados conhecimentos. Durante os séculos XVII e XIX a Ordem Rosacruz reunia grande número de pessoas escolhidas da Europa, e daqui irradiou os seus Ramos de estudo para a América do Norte.

[Fonte: Francisco Marques Rodrigues, Revista Rosacruz, nº 267, Janº-Marº, 1978]

 
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