quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Documentário "A Teia Pagã" Será lançado nessa sexta-feira

Nessa sexta-feira (02/09) será realizada em Teresina a exibição de lançamento do documentário “A Teia Pagã”, produzido pelo jornalista Rafael Nolêto. A estreia ocorrerá no Palácio da Música, espaço mantido pela Prefeitura de Teresina, por meio da Fundação Cultural Monsenhor Chaves, abre as portas para a exibir a produção por acreditar na importância de discutir temáticas como a que é abordada pelo documentário.

A produção adéqua desde o culto aos ciclos da natureza, práticas politeístas, rituais de magia e conexão com as energias cósmicas; todos esses elementos são característicos do paganismo, um conjunto de tradições religiosas que resgatam práticas de bruxaria e antigas crenças da Europa pré-cristã.

Na atualidade, as vertentes do paganismo, inclusive no Piauí, são difundidas e ganham fôlego com a ajuda da internet e das ferramentas virtuais. Foi essa curiosa temática que inspirou a produção de “A Teia Pagã”, o novo documentário do jornalista Rafael Nolêto, um vídeo onde são mostrados depoimentos de magos e bruxas reais, que vivem no Piauí e contam detalhes sobre suas crenças e práticas religiosas.

O documentário "A Teia Pagã" começou a ser gravada em janeiro de 2011 e foi concluída em Julho deste ano. O DVD, que estará disponível após o lançamento, possui opções de legendas em português, inglês, espanhol e italiano. O filme tem aproximadamente 30 minutos de duração e é resultado de uma pesquisa acadêmica de graduação em jornalismo.

Para a produção foram realizadas entrevistas com a pesquisadora Francisca Verônica Cavalcante e com o escritor italiano Andrea Romanazzi, que opinam sobre o tema. Além disso também foram ouvidos membros do movimento pagão nas cidades de Teresina, Floriano, Paulistana e Parnaíba. No filme, os neo-pagãos, magos e bruxas modernas revelam de que maneira usam a internet para promoverem o intercâmbio e a difusão pagã na atualidade.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

CELTAS: Uma História!


Há cerca de três mil anos, emergiu na Europa central uma civilização indo-europeia que chegou a dominar o norte do continente. Possuidora de uma cultura avançada, a estrutura de sua sociedade belicosa, aliada a sua capacidade de produzir bem feitas armas de metal, fez dela uma força a ser considerada. Os mercadores gregos que primeiro os encontraram no séc. VI a. C. chamaram-nos keltoi ou galatai. Hoje os conhecemos como celtas ou gálatas.

Os celtas têm sido descritos de diversas formas: como "conquistadores da Europa" ou, de forma menos lisonjeira, como "os bárbaros da Europa". Certamente, foram eles os primeiros europeus setentrionais organizados o bastante para ser marcados como uma civilização. No ápice de seu poder durante o séc. II a. C., o mundo céltico estendia-se da Turquia à Irlanda e da Espanha à Alemanha. Outras povoações célticas têm sido localizadas até na Ucrânia. 

Povos célticos habitaram as margens de grandes rios da Europa; o Danúbio, o Reno, o Rone, o Pó, o Tâmisa, o Sena e o Loire. Em consequência, esses povos estabeleceram ligações comerciais com seus vizinhos no Mediterrâneo e mercadorias do Oriente Médio têm sido descobertas em áreas de sepultamento célticas na França e Alemanha modernas. Todo o continente europeu ao norte dos Alpes estava unido em uma frouxa confederação de tribos que compartilhavam de uma cultura céltica comum.

Muito do que sabemos sobre os celtas vem de relatos de romanos e gregos, bem como de pistas arqueológicas que os celtas deixaram para trás. Para as civilizações do Mediterrâneo Clássico, os celtas eram um povo a ser temido e exércitos célticos irromperam na Itália, na Grécia e na Espanha antes de os romanos poderem contê-los. Guerreiros célticos foram recrutados para servir nos exércitos dos inimigos de Roma e tornaram-se os inimigos mais implacáveis de Roma.

Os celtas eram uma aristocracia guerreira e a destreza militar era considerada uma das virtudes mais fortes de um governante céltico. Eram também impetuosos e sua avidez por encontrar o inimigo em combate mostrou-se uma fraqueza que os romanos exploraram ao máximo. A civilização céltica na Europa continental foi praticamente...

... extinta em uma só década quando Iulius Caesar invadiu a Gallia em meados do séc. I a. C. O único grupo restante de povos célticos estava na Britannia e um século mais tarde os romanos iniciaram a conquista desse último bastião céltico. Os romanos foram seguidos pelos conquistadores germânicos e, por volta do séc. X, os celtas estavam reduzidos a uma sombra de sua antiga glória. A partir dessa época, o mundo céltico abrangia somente um pequeno número de nações pequenas e pobres, agarrada às margens atlânticas do continente europeu.

Os celtas eram considerados um dos maiores povos artísticos do mundo antigo e do primeiro período medieval. Deixaram um legado artístico em artefatos metálicos, muitos dos quais vistos como alguns dos mais belos jamais produzidos. Eles possuíam uma inclinação e vibração artísticas que sobreviveram aos séculos. Quando os celtas se converteram ao cristianismo, essa capacidade artística foi canalizada para a produção de requintados objetos devocionais, incluindo manuscritos iluminados que ainda surpreendem o público com suas cores e beleza complexa. 

Acima de tudo, os celtas são lembrados por sua enigmática assinatura artística: complexos padrões entrelaçados e decoração espiralante que embelezaram os esforços artísticos dos celtas por mais de mil anos.
Através desse legado artístico e também por meio dos mitos e lendas escritos por escribas célticos tardios podemos compreender um pouco do mundo desse povo céltico; como viviam, a quem adoravam, como pensavam, como lutavam e como celebravam a vida. Sua civilização alcançou a maior parte da Europa em algum ponto de sua história e permanece como uma das mais enigmáticas e mal compreendidas entre todas as grandes culturas do mundo. Esteja pronto para cair sob o encanto dos celtas ao viajar por seu rico e colorido mundo.

Fonte: Konstam, Angus. Historical Atlas of the Celtic World. Mercury Books, London, 2003. ISBN 1-904668-01-1.
Tradução: Bellovesos

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Indígenas lançam manifesto contra os riscos dos "negócios verdes"

Indígenas esbarram frequentemente na dificuldade de serem ouvidos. "A maioria das autoridades ignora o nosso conhecimento tradicional, que vem dos ancestrais, acha que é bobagem. Mas queremos mostrar que entendemos sobre tudo isso que está acontecendo. Queremos colaborar com todo o processo de discussão sobre a crise climática e temos muito a contribuir", garante Sônia Guajajara, da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB).


Com o objetivo de chacoalhar a opinião internacional, uma mobilização inédita reuniu povos indígenas da Amazônia e organizações nacionais de nove Estados na América do Sul com o objetivo de chamar a atenção para problemas já conhecidos por todos os governos: "A crise climática e ambiental é gravíssima, em pouco tempo será irreversível, os poderes globais e nacionais não podem nem querem detê-la, e pior, pretendem aproveitá-la com mais negócios verdes mesmo que ponham em perigo todas as formas de vida."


O texto faz parte do manifesto assinado por organizações do Brasil, Bolívia, Equador, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Venezuela e Suriname. O grupo cansou do vocabulário suave e denuncia a "hipocrisia e contradição nas políticas globais e nacionais sobre florestas".Segundo o documento, essa hipocrisia é vista em declarações, planos, pequenos projetos "sustentáveis" que têm um efeito reverso. E os impactos negativos da longa lista de atividades no território amazônico - entre elas o desmatamento, exploração de minérios, de hidrocarbonetos, megahidrelétricas, pecuária extensiva, biopirataria e roubo dos conhecimentos ancestrais - atingem em cheio as populações indígenas.

CAUTELA A FAVOR DO CLIMA

Uma das grandes ameaças vistas pelos indígenas é o processo de negociação do mecanismo REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação). Eles alegam que essa ferramenta, que ainda está em fase de elaboração como arma contra o aquecimento global, corre o risco de beneficiar aqueles que sempre desmataram e degradaram."Nós defendemos que o REDD seja revertido em benefício coletivo, e não em recursos financeiros que irão parar nas mãos daqueles que buscam exclusivamente o dinheiro", explica Guajajara. "Nós, os índios, buscamos a valorização e o reconhecimento pelo serviço prestado ao meio ambiente, porque sempre conservamos a floresta", continua.

Em busca dos créditos de carbono, vendidos para indústrias que buscam compensar suas emissões, as abordagens nas comunidades indígenas são cada vez mais intensas, afirma a Coordenação das Nações Indígenas da Amazônia (COICA). Os índios relatam que ONGs com intenções duvidosas incentivam as comunidades a assinar contratos sem que as lideranças locais compreendam exatamente o que está escrito."Experiências no Peru e na Bolívia mostram casos de abuso e má-fé, e várias comunidades estão sofrendo muito para reverter algumas situações", relata Edwin Vasquez Campos, coordenador da COICA no Peru. Os chamados "caçadores de carbono" procuram tirar vantagens de frágeis leis locais com o intuito de fazer dinheiro.

DENÚNCIA CONTRA A INDÚSTRIA

É o que aconteceu com o grupo indígena dos Matsés, no Peru. Após serem assediados pela empresa Sustainable Carbon Resources Limited, representada pelo australiano David John Nilsson, a Aidesp, organização nacional dos indígenas peruanos, pediu a intervenção da Justiça para evitar uma tragédia.Segundo relata um documento publicado em abril último, Nilsson tentou coagir os índios a assinarem um contrato de negócios de carbono que daria total poder à empresa sobre os 420 mil hectares de mata preservada. O empresário teria apresentado um documento em inglês e oferecido a quantia de 10 mil dólares aos indígenas.

A reportagem da Deutsche Welle tentou falar com a Sustainable Carbon Resources Limited, mas o único contato público disponível é uma página na internet que está "em construção".Tendo em vista casos como o registrado no Peru, o manifesto assinado por grupos de nove países recomenda que Estados e bancos assumam sua responsabilidade para frear a expansão dos "ladrões de REDD" e rejeitem empresas e ONGs fraudadoras denunciadas pelos povos indígenas.

EXPECTADORES E FINANCIADORES

Num encontro de cúpula de lideranças indígenas, realizado em Manaus na semana passada, estiveram presentes representantes da Organização das Nações Unidas (ONU), do Banco Mundial, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e agências de cooperação, inclusive da Alemanha, além de cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas).Peter Hilliges, do banco de desenvolvimento alemão KfW, que financia projetos na Amazônia, leu o manifesto dos indígenas e afirma que os direitos desses povos são levados em consideração tanto nas negociações climáticas quanto nas atividades que recebem dinheiro do banco."

O KfW se preocupa em ser um agente neutro, não se posicionando nem do lado dos indígenas nem da iniciativa privada tampouco de algum governo. Nós procuramos, em meio a diferentes interesses e necessidades, encontrar sempre uma solução pragmática e realizável", disse em entrevista à Deutsche Welle.

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Carlos Albuquerque

domingo, 28 de agosto de 2011

Grupo de Estudos sobre Astrologia e Tarô

Você alguma vez já se perguntou se existem mistérios além do que supomos? O que guarda as veredas empoeiradas dos primeiros mistérios? Diversas pessoas já se fizeram estas perguntas e buscando entendê-las, acabaram por desenvolver um dos estudos mais místicos, desafiador e milenar de todos os tempos. Surgindo por volta de 3000 a.C., a Astrologia é o estudo da influência dos astros na personalidade de uma pessoa, e suas influências auxiliaram as bases da astronomia antiga e na formação de culturas milenares. Além desse estudo, antigos conhecimentos foram colocados em pequenos símbolos difundidos em um jogo que superou todas as expectativas nele criadas. As cartas de Tarot, segundo alguns, foram criadas no norte da Itália por volta dos séculos XV e XVI, desde então vem sendo alvo de imensa curiosidade entre pessoas do meio mágicko e fora deste também.

Visando todos esses atributos e a sede de conhecimento que nos corrói a cada minuto, um grupo de estudos sobre astrologia e tarot está sendo formado aqui em Recife, com direito a reuniões e debates, tanto presenciais quanto via web. 

Se você se interessa em fazer parte desse grupo de estudos entre em contato através do e-mail: Emmanuel.rsr@gmail.com

sábado, 27 de agosto de 2011

Material do ESP-PE Agosto 2011 - Expansão da Consciência e Autoconhecimento

O material de apoio da palestra do ESP-PE desse mês, com o tema Expansão da Consciência e Autoconhecimento, já está disponiblizado para download no link abaixo. Também gostariamos de informar que a pré-palestra desse mês será um debate sobre um assunto que vem causando grande polêmica que é a Os povos indígenas frente ao "progresso" da sociedade atual. Preparem-se para uma tarde de comunhão de saberes e debates polêmicos. Pedimos a todos que puderem, que levem lanches para a confraternização.

Só relembrando, o evento acontece amanhã, 28 de Agosto, às 14hs na Praça da República (em frente ao Teatro Santa Isabel), Recife. Uma placa com a identificação do evento servirá para encontrar o grupo. Para quem não sabe como chegar no local, uma pessoa estará responsável de encontrá-los em um determinado ponto e levá-los até o local. Basta que enviem um e-mail para: nati_celestial@hotmail.com

Para mais informações é só mandar um e-mail para: esp_pe@yahoo.com.br


EXPANSÃO DA CONSCIÊNCIA E AUTOCONHECIMENTO

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Universidades americanas reconhecem feriados pagãos em seu calendário oficial


Nos EUA, várias universidades têm já calendários que reconhecem os feriados pagãos. O caso mais recente é o da Universidade de Vanderbilt, em Nasghville, Tenessee, que no seu calendário adicionou quatro dias de feriados pagãos, o que significa que nestes dias os alunos pagãos poderão ser dispensados de testes, aulas e outras atividades acadêmicas, tal como sucede já com os estudantes muçulmanos e judeus.

Outros exemplos de caráter universitário foram o da Marshall University, em West Virginia, o que na altura deu muito que falar em todo o país, e também o Departamento de Educação do Estado de Nova Jersey, que adicionou oito feriados pagãos à sua lista «oficial» de feriados; o Estado da Carolina do Norte, por seu turno, aprovou uma lei que garante dois feriados religiosos por ano nas universidades locais.

Para já, os feriados em causa são os do calendário Wicca/Celta, mas, à medida que o Paganismo cresce, outras correntes pagãs poderão igualmente ser reconhecidos os seus dias sagrados.

Fonte Original: Patheus

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Líder druida perde caso contra exumação em Stonehenge

Stonehenge é uma das maravilhas do mundo antigo mais famosas de todos os tempos. O curioso círculo de pedras estonteantemente grandes foi construído por volta de 3.000 a.C., como afirmam alguns estudiosos. Realizando pesquisas em 2008, arqueólogos da Universidade de Sheffield exumaram cerca de 50 corpos enterrados no local, na tentativa de entender para quê e o porquê dos círculos terem sido erguidos. Os corpos, segundo análises, são datados de cerca de 5 mil anos.

Entretanto pagãos britânicos, mais especificamente pertencentes ao Druidismo, são contra a exumação dos restos mortais, e estes entraram na justiça pedindo a devolução dos corpos ao seu jazigo. Liderando esse processo contra a ação dos arqueólogos está o líder druida e ex-militar King Arthur Pendragon, que trocou legalmente seu nome. Em entrevista a rede britânica BBC, este disse que teme que os corpos não retornem ao local onde foram encontrados e que ele fará o possível para que isso não aconteça.

Ontem, 23, o líder druida perdeu o processo na Justiça Britânica, e os corpos poderão ser estudados pelos cientistas da Universidade até o ano de 2015. Veja abaixo a matéria feita pela BBC sobre o caso.


Texto de Douglas Phoenix
Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Fotos da Marcha pelo Estado Laico


Ontem, 21, ocorreu a Marcha Pelo Estado Laico aqui em Pernambuco. A manifestação que está acontecendo em diversas capitais brasileiras, não conseguiu reunir um grande número de pessoas na capital pernambucana. A marcha saiu da Praça do Diário e seguiu rumo ao Recife Antigo, circulando locais como a do Rua do Bom Jesus e a Praça do Arsenal, com ponto final no Marco Zero.

Estiveram presentes representantes do movimento Feminista, LGBT (que sofrem devido aos conceitos religiosos dos fundamentalistas), representantes dos Ateus, Comunidade Acadêmica, público em geral e eu, Douglas Phoenix, como único representante do Neopaganismo.


Apesar de não ter reunido tantas pessoas quanto o esperado, este manifesto serviu para darmos o primeiro grito frente a hegemonia religiosa que atinge o Brasil. Hoje, em um país que se diz laico, as correntes fundamentalistas e extremistas ganham cada vez mais força, e não podemos nos calar diante de tal fato. "E você, não vai dizer nada?". 

domingo, 21 de agosto de 2011

Marcha pelo Estado Laico acontece Hoje no Recife

Acontece hoje no Recife - Pernambuco, 21 de Agosto, às 15 horas na Praça do Diário, a Marcha pelo Estado Laico. Para quem não sabe, segundo o artigo 19 da Constituição Federal de 1988, o Brasil é um Estado Laico, ou seja, não possui nenhuma religião oficial e não defende ou se apoia em qualquer forma religiosa, respeitando assim a pluralidade e a liberdade de crença. Porém não é isso que acontece em nosso país. "Só um estado VERDADEIRAMENTE laico, que não se submete a dogmas e líderes religiosos, pode garantir a liberdade de professar ou não uma religião e garantir também a diversidade religiosa".

Convocamos as pessoas de diversas religiões e/ou crenças, desde judeus, umbandistas, neopagãos, católicos até maçons, budistas, ciganos, além daqueles que não possuem nenhuma forma de religião e/ou crença, como agnósticos, gnósticos, ateus, entre outros, para que agnósticos juntem-se a nós nessa manifestação que reivindica os direitos de uma sociedade plural, sem distinção de credo ou valorização de uma em específico.

Venha e faça parte dessa luta contra a Hegemonia Religiosa!

sábado, 20 de agosto de 2011

Laicidade e Ensino Religioso no Brasil

Além das operações matemáticas, das regras ortográficas e dos fatos históricos, os princípios e conceitos das principais religiões também devem ser discutidos em sala de aula. A Constituição Federal Brasileira determina que a oferta do ensino religioso deve ser obrigatória nas escolas da rede pública de ensino fundamental, com matrícula facultativa - ou seja, cabe aos pais decidir se os filhos vão frequentar as aulas.

Pesquisas recentes e ações na Justiça questionam a inclusão da religião nas escolas, já que, desde a Constituição Federal de 1890,o Brasil é um país laico, ou seja, a população é livre para ter diferentes credos, mas as religiões devem estar afastadas do ordenamento oficial do Estado.

Apesar da obrigatoriedade, ainda não há uma diretriz curricular para todo o país que estabeleça o conteúdo a ser ensinado, de maneira a garantir uma abordagem plural sem caráter doutrinário. Outro problema é a falta de critérios nacionais para contratação de professores de religião. Hoje, o país conta com 425 mil docentes, formados em diversas áreas.

O ensino religioso está presente no Brasil desde o período colonial, com a chegada dos padres jesuítas de Portugal para catequizar os índios.
Atualmente, de acordo com a Constituição, a disciplina deve fazer parte da grade horária regular das escolas públicas de ensino fundamental. Em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) definiu que as unidades federativas são responsáveis por organizar a oferta, desde que seja observado o respeito à diversidade religiosa e proibida qualquer forma de proselitismo ou doutrinação.

"Alguns historiadores que tratam da participação da religião na vida pública mostram que o ensino religioso foi uma concessão à laicidade à época da Constituinte. Havia uma falsa presunção de que religião era importante para a formação do caráter, da vida e dos indivíduos participativos e bons. Essa é uma presunção que discrimina grupos que não professem nenhuma religião. Isso foi uma concessão à pressão dos grupos religiosos", avalia a socióloga Debora Diniz, da Universidade de Brasília (UnB).

Debora é autora, junto com as pesquisadoras Tatiana Lionço e Vanessa Carrião, do livro Laicidade e Ensino Religioso, publicado no último semestre. O estudo investigou como o ensino religioso se configura no país e se as escolas garantem, na prática, espaços semelhantes para todos os credos, como preconiza a LDB. A conclusão é que não há igualdade de representação religiosa nas salas de aula. 

"Ele é um ensino cristão, majoritariamente católico, e não há igualdade de representação religiosa com outros grupos, principalmente os minoritários", destaca Debora.
Há mais de uma década acompanhando essa discussão, o Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso (Fonaper) reconhece que há muitos desafios para garantir a pluralidade. Mas defende que o conteúdo é importante para a formação dos alunos. 

"Nós vislumbramos, desde a LDB, que o ensino religioso poderia assumir uma identidade bastante pedagógica, que fosse de fato uma disciplina como qualquer outra e que a escola pudesse contribuir para o conhecimento da diversidade religiosa de modo científico. O professor, independentemente do seu credo, estaria ajudando os alunos a conhecer o papel da religião na sociedade e a melhorar o relacionamento com as diferenças", aponta o coordenador do Fonaper, Elcio Cecchetti.

No Rio de Janeiro, por exemplo, o ensino religioso é oferecido apenas nas escolas estaduais. Nas unidades municipais, ainda não foi implantado, mas há um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Vereadores da capital fluminense que prevê a oferta nas cerca de mil escolas da rede, com frequência facultativa. A recepcionista Jussara Figueiredo Bezerra tem dois filhos que estudam em uma escola municipal da zona sul do Rio de Janeiro e acompanha com certo receio a discussão. Ela é evangélica e acredita que esses valores devem ser transmitidos em casa, pela família.

"Quem são os professores que vão dar as aulas de religião? Será que eles serão imparciais? Além disso, com tantas dificuldades e carências que o ensino público já enfrenta, por que gastar dinheiro com isso? Esses recursos poderiam ser usados de outra forma, para melhorar a estrutura já existente nas escolas. Quem quiser aprender mais sobre uma religião deve procurar uma igreja ou uma instituição religiosa", opina.

Para quem lida na ponta com os delicados limites dessa questão, torna-se um desafio garantir um ensino religioso que contemple as diferentes experiências e crenças encontradas em uma sala de aula. "Nós preferiríamos que a oferta do ensino religioso não fosse obrigatória porque a escola é laica e deve respeitar todas as religiões. O que a gente quer é que os dirigentes possam utilizar essas aulas com um proveito muito melhor do que a doutrinação, abordando o respeito aos direitos humanos e à diversidade e a tolerância, conceitos que permeiam todas as religiões", defende a presidenta da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Repulho.

Atualmente, duas ações diretas de inconstitucionalidade (Adin) questionam a oferta do ensino religioso no formato atual e aguardam julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma delas foi proposta pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e questiona o acordo firmado em 2009 entre o governo brasileiro e o Vaticano. O Artigo 11 desse documento, que foi aprovado pelo Congresso Nacional, determina que "o ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental". Ao pautar o ensino religioso por doutrinas ligadas a igrejas, o acordo, na avaliação da PGR, afronta o princípio da laicidade.

 
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