Mostrando postagens com marcador Runenmagie. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Runenmagie. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Runenmagie: Galdr – Magia Rúnica de Som I



Hail, leitores!
Passado o entendimento básico do uso oracular, que tal irmos para outra das principais formas de uso de runas? O Galdr  (lê-se “gáldra”). O princípio do nome das runas é “sussurro”, o que nos faz interpretar o alfabeto como sendo inspirado numa fonética que há muito se perdeu e que hoje se associa a linguagem atual. O que não deixa sombra de dúvidas é que o Galdr é uma das formas mais poderosas de utilização das runas e principalmente que sua utilização estava em muito sincronizada com a magia clássica e tradicional.

Mas o que é Galdr?

De início vamos relembrar um pouco de Física. Segundo a Física Moderna, o som é a propagação de ondas tridimensionais que não movem partículas, mas fazem com que elas “vibrem”. Esta vibração provocada por uma onda sonora causa uma alteração no equilíbrio de partículas de ar.


Logo, o Galdr é utilizar esta propagação, vibração e alteração para um determinado fim. Algo de novo para quem utiliza tambores e outros instrumentos para alteração de consciência, cânticos e rimas para feitiços, poemas para invocações ou mesmo silenciosas danças (que contem ondas infrassonoras inaudíveis para humanos) para alcançar o êxtase ritual? Não, não há nada de novo!
O Galdr é uma das formas de magias mais antigas do mundo. Ela sofreu poucas alterações no resultado, e enormes nos métodos, instrumentos e meios de uso. A diferença é apenas a nomenclatura e o fato de que na Runenmagie os sons produzidos tentam despertar e canalizar o poder dos Espíritos Rúnicos.
Um paralelo que gosto de fazer é que como as chamadas obras de arte, o Galdr se utiliza de sons (audíveis ou inaldíveis) para representar algo real ou pretendido. Pode ser num misto harmônico, ou desarmônico, o que importa é que tal som reproduza em você e em que o ouve a sensação pretendida.

Como utilizar?

O processo de utilização do Galdr, na maioria das vezes é muito mais intuitivo que consciente. Você por vezes não se dá conta que por segundos elevou ou baixou o tom de sua voz ou deu ênfase em uma determinada palavra numa conversação, mas todos estes mínimos detalhes comuns à comunicação, desde gestos à fonética são as formas básicas de Galdr.
Repetindo, você sempre cria uma expressão de som enviando uma mensagem (ou energia) para um determinado receptor (ou fim). A dúvida novamente é como fazer uso destes princípios utilizando runas.
Faur tem uma listagem muito boa sobre quais sons vocais podem ser atribuídos a runas. Ela os correlacionou com a fonética atual. Mas como já citei em outro momento, o som real das runas foi algo que se perdeu. Vale salientar que além da lista no livro de Faur,  há outros níveis de utilização e outros instrumentos que podem ser utilizados no processo de magia sonora.
Por exemplo, se quero trabalhar a runa Uruz (bisão, força primal, selvageria), como atingir uma forma de som que SEJA Uruz utilizando um tambor e minha voz?


Eivør - Trøllabundin

Esta música é um exemplo perfeito de que independente do que se é dito em palavras, qual língua se está falando ou qualquer outra coisa a cantora conseguiu extrair do tambor e de sua voz um som que nos remete à forma mais visceral e selvagem do instinto. Pessoas sensíveis à sonoridade e que gostem de dançar sentirão esta energia mesmo que ela fale em qualquer língua morta. Porque a mensagem a energia transcendeu a linguagem e chegou ao conceito, o significado e energia. Isto é Galdr.

Continuo no próximo texto!

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Runenmagie: O Oráculo Rúnico II


Hail!

Na postagem anterior, eu dei uma introdução sobre o oráculo rúnico a partir das minhas experiências e vivências. Hoje, vou continuar abordando o aspecto oracular, no entanto de uma a mais técnica.

A Leitura

As runas tem uma linguagem pictográfica, ou seja, elas apresentam uma ideia, um conceito, ou uma força quando tratadas como instrumento mágico oracular. Este conceito é amplo e extremamente variado. O que vai nortear a leitura é a combinação com outros conceitos, e principalmente a sua intuição.
Um exemplo, se eu sortear runas para saber se devo ou não utilizar aquela essência de sândalo para um feitiço de Glamour e me sai tal jogo:


Se eu interpretar cada runa individualmente terei na ordem que segue a seta: o Sol, o Granizo e o Espinho. Após captar este conceito mais obvio das runas, farei, ainda individualmente, as associações de acordo com a minha pergunta: Sol – Sucesso; Granizo – Ação certeira; Espinho – Sofrimento. Combinando estas três informações assimiladas o que posso concluir sobre o uso do sândalo? Que se a utilização, o ato desencadeará um conceito. Certo?

Mas e se eu fizesse estas associações: Sol – Luz vitoriosa; Granizo – Quebra ou Destruição; Espinho – Aspectos prejudiciais. A resposta toma um sentido completamente diferente. “A luz produzida pelo glamour quebraria os aspectos negativos”. O que vai nortear o consulente, ou Runemál, é justamente a sua intuição. Sua assimilação do “sussurro” das runas.

Métodos

Em termos de métodos, eu colocarei uma bibliografia recomendada para quem quiser testar os métodos mais comuns. Mas não há uma quantidade certa, ou um posicionamento melhor ou pior no uso da runas. No uso cotidiano, e no despertar da afinidade você cria seu próprio método, sua maneira de ler as runas. Os métodos que eu mais utilizo são os:

Método de 3 Runas: O mais simples e o mais utilizado. Correlacionado com as Nornas, como eu já havia citado; com o presente, passado e futuro; com a causa, ação e resultado e várias outras trindades.

Método de 9 Runas: Este método tem vários posicionamentos, mas é a interpretação a partir da Yggdrasil e seus nove mundos. Você posiciona as runas de acordo com os mundos e interpreta a partir das correlações deles com a situação. Muito parecido com o método clássico do Tarot.

Método de 12 Runas: A junção dos dois. Associado à mitologia da Yggdrasil e com as três Nornas. Onde as nove primeiras tem a função de compreensão e resolução do problema e as três últimas são uma espécie de conselho, ou mesmo uma previsão do que irá acontecer.

Espíritos Rúnicos, Você e o Oráculo

Partindo do princípio que estamos entrando em contato com espíritos primordiais ou mesmo com sabedorias que mantém o fluxo da existência em circulação, fica-se claro que o uso arbitrário das runas, assim como de qualquer outro oráculo, não é aconselhável. Você deve ter ciência da responsabilidade do ato e para quem segue o caminho sacerdotal, deve ter a ciência de que aquilo é um ato sagrado, parte de sua função.
Sua postura é também essencial. Tem de se estar preparado para o que vai ser dito. A linguagem dura que os Espíritos se utilizam serve como canal de direto aprendizado. Como citei no outro texto, há quem sinta as respostas das runas como um tratamento bruto, por vezes ácido. Outras pessoas já sentem o contrário. A linguagem prática lhe trás mais benefícios e compreensão.

De toda forma o autoconhecimento retirado dessas práticas é algo único.
Até mais!

Bibliografia recomendada:
- FAUR, Mirella. Mistérios Nórdicos: deuses, runas, magias, rituais. Ed. Pensamento, 2007
- BLUM, Ralph. O Livro das Runas. 3ª Edição em Ebook

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Runenmagie: O Oráculo Rúnico


Hail!



Como estão? Espero que bem! Pois hoje vamos finalmente tirar aquelas runas que ganhamos ou compramos do fundo do baú, onde foram enclausuradas desde que você depois de várias tentativas chegou a conclusão de que elas lhe odeiam e nunca vão falar nem um “ai” pra você.
Chegou a hora de mexer no saquinho de runas, fazer do tilintar delas, do som que elas produzem a ponte para a alteração de consciência e de nossa boca um canal para os sussurros de sabedoria que elas tem a ofertar.

Não se sabe quando exatamente o primeiro Runemál (aquele que lida com runas) decidiu averiguar sua sorte, ou prever o futuro com este alfabeto ideográfico. Sabe-se que este é o uso mais difundido e praticado em relação às runas. Por isso não vou me ater muito a ele. Há vários livros sobre o assunto, com vários métodos e maneiras de interpretar, até aplicativos e sites que sorteiam runas pra você já existem (quem pratica tecnomagia já utiliza). Então vou dar um pequeno resumo superficial da minha visão sobre o oráculo rúnico e a comparação dele com outros oráculos. Superficial, pois um Runemál dedicado sempre consegue atingir um nível mais profundo de interpretações, métodos e interação com as runas. Ele sempre consegue ir além de uma maneira única e particular.
Como sempre gosto de dizer, a magia rúnica é uma eterna fonte e prática de aprendizado e estudo. Descubro quase a todo instante novas características desta ou daquela runa que não vejo catalogado em nenhum dos mais célebres artigos de autores renomados. E é este nível de intimidade com os espíritos rúnicos que você deve pretender chegar. Primeiro iniciando pelo básico, a identificação das runas.
Quando começo a ensinar runas a alguém sempre digo pra que a pessoa crie o hábito de, ao acordar, sorteiar uma runa. Claro que nunca devemos sortear runas deliberadamente. Dê sempre um propósito para o ato. Se vai sortear aquela runa, peça para que ela lhe dê uma prévia do seu dia ou lhe ajude em algum aspecto da sua vida. E durante o decorrer do dia você vai meditar e relembrar desta runa. Tentar identificar, se for o caso, a ação dela no seu cotidiano. Tentar identificar o alerta ou conselho que ela lhe deu. Ver onde ela se encaixa e tudo mais.
Lembro que quando fiz este mesmo exercício a primeira runa que saiu foi a Algiz – que indica perigo, cuidados – e durante todo o dia eu fiquei em alerta com medo de que algo acontecesse. No fim do dia eu estava meditando novamente sobre em que campo da minha vida Algiz se manifestou, já que nada de ruim havia acontecido. E num clique percebi outro aspecto da runa, que era o da Atenção... Fui atencioso durante todo o dia sem nem perceber!
O bom deste exercício é que em um mês você já terá feito isso com todas as runas e com isso as conhecerá e saberá das suas diversas facetas. Quando já tiver terminado você pode modificar o exercício para o sorteio e combinação de duas ou mais runas.

Diferente de vários oráculos, as runas tem como particularidade a sua precisão e clareza nos significados. Diferente do Tarô, elas não são nada subjetivas. Muito pelo contrário, por vezes elas tem uma linguagem ácida, digna dos bárbaros nórdicos, que para um interprete acostumado com as mancias mais comuns e menos “diretas” pode até parecer rude. Elas, normalmente, não dão um leque de possibilidades e sim demonstram a possibilidade mais eminente, agem sobre um único aspecto que normalmente se destaca perante os outros. Dentre outras particularidades não tão vistas em métodos convencionais que só no campo experimental você vai conhecer.

Para quem já conhece bem o básico, indico o método de três runas. Onde uma pergunta é feita antes de que o sorteio seja executado. Após o sorteio, as runas são dispostas uma ao lado da outra. Na Tradição Wanen lemos as runas de maneira oposta à leitura ocidental, ou seja: ao invés de ler da esquerda para a direita (como você está fazendo agora) lemos da direita para a esquerda (como nas línguas orientais). Outras tradições leem ela de maneira convencional. Fica a seu critério que modo vai utilizar.
Após desvirar as runas, evite ao máximo ler uma a uma. Numa tiragem deste tipo, as runas se combinam. Elas são como uma frase: o sujeito precisa do verbo e do contexto para fazer sentido; se vistos em separados são informações sem nexo.
E é justamente neste processo de leitura da “frase” que muita gente se perde. A intuição tende a falhar, ou às vezes está acostumada com a grande variedade de símbolos que outros oráculos dispõem e por mais que você olhe para as runas, não consegue ver nada.
É aí que entra o “mote” da leitura rúnica. Ela se passa num nível tão denso do inconsciente que alguns sinais são negligenciados. O que você sentiu quando viu as três runas dispostas? Quais daquelas runas lhe chamou mais atenção? Qual runa está gritando a mensagem? Em outras palavras, quem é o sujeito, o verbo e o contexto/tempo?
Você precisa se antenar a isto para a as leituras, com calma paciência e muitas e muitas tentativas erradas e algumas certas, até que sua intuição se afine e você se sincronize com a linguagem das runas.

Por hoje é isto! Até a próxima!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Runenmagie: Significados das Runas e Runa Branca


Hail leitores! Como estão?

Para começar o nosso uso prático das runas precisamos primeiramente observar cada uma em específico. Darei nesta postagem a relação das vinte e quatro runas, palavras-chave para cada uma delas e ainda explicarei sobre a vigésima quinta runa.

Vigésima quinta?
Isso mesmo! Há muito ocorre a disseminação da runa branca, a famosa runa de Odin. Segundo as pessoas que defendem seu uso. A runa branca, também conhecida como “Wyrd”, é a runa que definiria a ação direta das divindades, ou mais especificamente, as Nornas. Wyrd em si significa DESTINO: a força carmática, a predestinação, o caos e o poder das Nornas - que estão numa ‘hierarquia’ maior que os Deuses no ponto de vista Aesir - controlando assim o destino destes. O significado obvio, e abrangente é tudo o que vir a acontecer está nas mãos das Senhoras da Fonte Sagrada.
Todo este significado é encontrado em outras runas o que de certa forma invalida o uso da branca. Os próprios historiadores crêem que a utilização desta runa foi uma coisa que aconteceu em decorrência do tempo sem um motivo específico ou com base em algum dos mitos. Já que em nenhum trecho dos Eddas a presença desta runa é citada.
Eu, particularmente, não utilizo esta runa. Na Wanen ela não é utilizada e  sinceramente acho que quando compramos um jogo de runas e vem uma runa em branco em meio às outras é para o fato de que se por um acaso você perder uma das runas você tem outro molde para substituí-la e nada mais. Tudo uma questão de precaução...

Mas enfim. Tornou-se comum a comparação entre o alfabeto rúnico e o nosso alfabeto comum. Isto dá às runas certos valores fonéticos, que na prática do Galdr nos contribui com muita coisa, já que o valor fonético real das runas se perdeu. O que temos hoje é uma especulação e adaptação. Seguem na imagem os símbolos rúnicos disposto na ordem dos Aett’s com a sua correspondência no alfabeto comum.



As runas tem como partida norteadora do seu significado certas ‘palavras-chave’. São certos príncípios que identificam qual o real significado de cada runa, sua apresentação. Diferente de outros oráculos, cada símbolo rúnico carrega uma imensidão de significados, mesmo se tratando de alguns riscos. Certas runas tem uma carga tão grande de significados (como Peorth) que em uma leitura se sua intuição não estiver afiada e sua sintonia com o jogo não for suficientemente boa, você pode se atrapalhar.
Listarei três princípios de cada runa para servir de base para futuras interpretações na ordem da imagem anterior. Mas desde já indico o estudo intensivo, pesquisa e meditação sobre os significados das runas, você vai se surpreender com o quão rico é cada um dos símbolos. Eu mesmo já observei várias visões diferentes da mesma runa em consagrados autores de livros sobre o assunto. E sobre o mais completo, indico o que sempre aparece na maioria dos meus textos daqui: Mistérios Nórdicos. Faur conseguiu reunir várias simbologias e fazer várias correspondências das runas, seu significado e uso prático no capítulo específico para as mesmas.

FEHU – Riqueza, Fertilidade, Prosperidade
URUZ – Força Primitiva, Iniciação, Bisão
THURIZAS – Espinho, Escudo, Trovão
ANSUZ – Sabedoria, Expressão, Boca
RAIDHO – Caminhos, Movimento, Viajem
KAUNAZ – Fogo espiritual, Transmutação, Tocha
GEBO – Dádiva, Harmonia, União
WUNJO – Prazer, Alegria, Orgulho
HAGALAZ – Granizo, Ação direta, Impacto
NAUTHIZ – Necessidade, Ajuda, Motivação
ISA – Gelo, Concreto, Dar forma
JERA – Ciclos, Causa e Efeito, Semente
EIWHAZ – Morte, Equilíbrio, Beleza
PEORTH – Lareira, Destino, Mulher
ALGIZ – Proteção, Atenção, Perigo
SOWELO – Sol, Vitória, Ofuscação
TIWAZ – Justiça, Direção, Agir com razão
BERKANA – Renascimento, Transformação, Cura
EHWAZ – Cavalo, Força bruta, Instinto
MANAZ – Homem, Posição social, Sociedade
LAGUZ – Intuição, Sentimentos, Inconsciente
INGUZ – O Eu, Sexo, Evolução
DAGAZ – O Dia, Portais, Espelhos
OTHILA – A Tradição, A Família, Ancestralidade

Estes são os princípios básicos de cada runa. Por eles podemos nos nortear numa consulta oracular, feitiços, encantos e demais utilizações mágicas. Mas como eu disse, e repito, são princípios básicos, há muito a se explorar em cada uma das runas. È um caminho imensiso e sem fim para aquele que se dedica completamente a ele.
Bem... Por hoje é só.
Até o próximo texto!!!

Bibliografia consultada:
- FAUR, Mirella. Mistérios Nórdicos: deuses, runas, magias, rituais. Ed. Pensamento, 2007
- PERICO, Wagner. Apostila: "Curso de Runas". Abrawicca-PE, 2009
- DAVIDSON, Hilda R. E. Myths and symbols in pagan Europe.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Runenmagie: Runas e os Wanen/Vanir


Hail!

Primeiramente, desculpem pela ausência da última postagem. Estive na organização do ENCPENP (Encontro Pernambucano de Neopaganismo) e realmente me fugiu da memória a publicação. Novamente, desculpem.

Em segundo lugar, hoje iremos finalmente concluir os aspectos mitológicos das runas e partir para suas particularidades oraculares. Deixei para o fim, propositalmente, a análise do mito presente na Tradição Wanen.


Vou ressaltar mais uma vez que a Tradição Wanen segue uma via de conhecimento e crenças que não dá para em todas as suas tônicas ser comparadas com o que foi datado ou documentado. Ou seja, muito do que vou escrever aqui não vai ser encontrado em livros, pois a Tradição tem uma visão própria e diferente dos Deuses.

Mandala com a presença de Mardoll, seus gatos (Trygull e Bygull),
o colar mítico e a espiral dupla, simbolo da Tradição Wanen.
 Na mitologia Wanen, as runas foram criadas por Mardoll, ou a Freyja germânica. Freyja é a Deusa da beleza, do prazer e da magia, nos mitos a que todos tem acesso. Para a Wanen, Freyja é um título e a primeira a utilizar tal título, foi Mardoll, a principal Deusa dos cultos da Tradição.


Além dos atributos já citados, Mardoll também é reconhecida como a Deusa dos Nascimentos, do Fogo e do Gelo, da Criação, da Arte, das Runas, do Seidr (técnica de xamanismo nórdico), das Valquírias e do Galdr¹.


Seu surgimento, assim como dos principais Deuses da Tradição e das runas é contado no Mito de Criação. Segundo ele



tudo era vazio, e no vazio rompeu-se a luz e seu nome era Mardoll²; sozinha no infinito, ela criou com um hálito gelado um espelho no qual se mirou e apaixonou-se pela sua própria imagem. Traçou nele um símbolo³ e sobre ele sussurrou "Galdr". O seu reflexo no espelho de Gelo se tornou sua segunda polaridade e traçou de maneira invertida o mesmo símbolo formando assim a runa Inguz. O reflexo de Mardoll então tomou forma e emergiu do espelho4 na forma do Deus Inguz, consorte de Mardoll.

Os Deuses dançaram e se amaram no vazio e, neste ato surgiram outros Deuses. Enquanto amava Inguz, Mardoll continuou traçando os símbolos rúnicos e sussurrou sobre eles. Os Espíritos Rúnicos foram então tomando também forma e começaram a dançar e se amar entre si e a criar novas combinações rúnicas. E destas combinações que foram surgindo os mundos, os seres e cada coisa existente



As runas, ou Espíritos Rúnicos, são agentes diretos no momento da Criação, sendo a matéria prima para tudo o que existe (tal quais os códigos do filme Matrix). São sigilos para a sabedoria primitiva. Cada sussurro de Mardoll continha determinada energia fundamental para a criação dos mundos. E é isso que as runas são para os Wanen: Espíritos Sagrados essenciais para a existência e harmonia das coisas.

¹Técnica germânica de magia sonora.
²Significa: “aquela que brilha sobre o mar” 
³Ela traçou a Runa Kaunaz (<), a runa do fogo espiritual, da criação e que a representava.
4Que por si só já era uma runa, a Isa. Runa do gelo e da forma concreta e material.

 Fonte: Tradição Wanen

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Runenmagie: Havamal e o Sacrifício de Odin

Hail!

Vamos finalmente começar a compreender as runas pelo sentido mitológico e assim compreenderemos a sua importância para a religião Asatrú (fé nos Asen) e Vanatrú (fé nos Wanen), assim como para as várias tradições germânicas e nórdicas.

Um erro bastante comum para quem começa a estudar runas é compreender na visão Asen e odinista que Odin foi quem criou as runas. Há muitos autores e próprios membros de tradições e vertentes Asatrú que dizem isto, mais no sentido de atribuir o fato das runas existirem à falácia da mitologia nórdica do que dizer que foi ele quem criou. De todo modo ainda é uma proclamação errada. 

Segundo o poema Havamál (presente nas Eddas Poéticas), Odin teria recebido as runas e sua sabedoria após um ritual iniciático que ele fizera na grande árvore Yggdrasil. O ritual feito por ele foi um sacrifício e auto-imolação, em que ele ficou suspenso de ponta cabeça num dos galhos da grande árvore da vida, com uma lança transpassada em seu corpo pelo período de nove dias e nove noites.

O sacrifício, feito dele para ele mesmo – como é dito no poema – é motivo de muitas especulações. Dizem que o Odin que fez o sacrifício não era o Odin divindade, talvez um líder da tribo que cultuava um Deus com seu mesmo nome. O que torna este ritual o caso de uma jornada xamânica em que o xamã se sacrifica ao seu Eu Superior para alcançar a sabedoria. Alguns autores sustentam esta teoria, afirmando que o indivíduo que se sacrificou teria sido apenas um mortal que entrou em contato com sua essência divina e mais tarde, depois de passar o conhecimento e sabedoria deste ato, assim como sua historia foi divulgada e transformada em lenda, ele foi dito como Deus.

Ainda falando sobre o ritual, ele é presente em muitas culturas antigas. Quando um individuo, por meio da morte ou sofrimento extremo do corpo físico e oferta tal ato a alguma divindade, penetra o mundo dos espíritos superiores e tem a possibilidade de arrecadar sabedorias. A volta desta jornada mais sábio, divinizado e com uma ponte eterna com o mundo dos espíritos é um renascimento e o que faz do individuo um ser entre os mundos, o que o torna, de fato, um xamã.

No caso de Odin, a sabedoria veio em forma dos símbolos rúnicos. Que no Havamál ele dita ter vislumbrado no fundo das raízes da árvore da vida e de lá as agarrou. Vale salientar que os símbolos rúnicos citados não tem uma origem definida. É como se já existissem até antes dos Deuses sendo apenas adicionados na cultura dos Aesir com este ato de Odin. Também estes símbolos são desprovidos de espíritos, como é visto em algumas Tradições. São apenas os mesmos símbolos, chaves e portais para sabedorias e mundos próprios, oposta da visão de espíritos individuais.

Do Havamál, também se compara os nove dias e nove noites de sacrifício como uma assimilação dos nove mundos que compõem a mitologia nórdica e a Árvore Yggdrasil. Supõe-se que cada dia seria dedicado a meditação dos mundos externos e internos de Odin, reforçando que as runas e o xamanismo nórdico estão muito ligados ao autoconhecimento e ao desdobramento entre mundos.

Segue uma tradução do Havamál e até o próximo texto! Onde sairemos da zona do conceito de runas, para começar a verificar as runas em seu sentido individual.

"Estive pendurado nove noites
na árvore açoitada pelos ventos,
por lança trespassado e dado a Odin
eu mesmo, a mim mesmo, naquela árvore
que nenhum homem sabe de onde brota.
Com pão não me abençoaram, nem com chifre,
olhava para baixo; e então tomei
as runas eu tomei vociferando,
de lá tombei de novo depois disso.
Encantamentos nove eu aprendi
daqueles filhos célebres de Boltor,
o pai de Bestla; e foi-me dado então
beber do hidromel caro de Odreri.
Depois revigorei-me e fiz-me sábio,
cresci e logrei ter maior poder;
dito buscava dito de meu dito,
obra buscava obra de minha obra.
Runas tu hás de encontrar e letras lidas,
letras mui grandes, letras mui robustas,
e pelo grande sábio desenhadas
e pelos grandes deuses engendradas,
e pelo Hropt divino entalhadas.
Entre os ases Odin, e entre os elfos
Dáinn, e Dvalinn diante dos anões,
e diante dos gigantes está Ásvid,
e eu próprio talhei algumas delas.
Sabes como entalhar, tu sabes ler?
Sabes como traçar, sabes testar?
Sabes como pedir, como imolar?
Sabes sacrificar, sabes matar?
Melhor é não pedir que imolar muito,
sempre o regalo atenta ao pagamento;
melhor sem sacrifício que matança.
Assim à gente diva Thund talhou;
lá, de onde retornou, ele se ergueu."


Bibliografia consultada:
- FAUR, Mirella. Mistérios Nórdicos: deuses, runas, magias, rituais. Ed. Pensamento, 2007
- DAVIDSON, Hilda R. E. Myths and symbols in pagan Europe.
- Link (www.pget.ufsc.br/in-traducoes/edicao_3/o_verso_theo.pdf)




sexta-feira, 15 de junho de 2012

Runenmagie: Sobre a Mitologia Nórdica


Hail, leitores!

Após compreender o que de fato é uma runa, vamos começar a ver os conceitos mitológicos sobre elas. O material-base para vários mitos nórdicos são os chamados Eddas.
A Edda em Prosa (Prose Edda), escrita por Snorri Sturluson, é uma coletânea de textos nórdicos que por mais que escritos sob uma ótica cristã e masculina tem muito valor para a cultura nórdica por conta do grandioso trabalho feito pelo seu autor. Foi muita busca, pesquisa e dedicação para a produção dos textos.
A Edda Poética (Poetic Edda), também conhecido como Codex Regius e Elder Edda, são um conjunto de textos que foram encontrados em um antigo manuscrito na Islândia. É deste texto que se tem a maioria das explanações sobre os mitos nórdicos. Tanto por ser mais antigo, como por sua forma de vesros nos darem abertura para várias interpretações e visões amplas dos mitos antigos.
Dentro da visão mitológica, como já citei antes, temos duas teorias, assim como na própria mitologia nórdica/germânica temos duas famílias divinas: os Aesir (ou Asen) e os Vanir (ou Wanen). Os Eddas reforçam em muito a visão Aesir dos mitos. Visto que eles foram os povos que dominaram de certa forma os Vanir, nada mais plausível que seus mitos serem os levados adiante. Já o que se tem sobre os Wanen é fruto de interpretações a partir dos Eddas e da oralidade da Tradição que vive aqui no Brasil.
Para facilitar a compreensão de quem é quem, e assim facilitar a noção de onde as runas entram em cada um dos povos ou clãs divinos, reservo esta postagem para a explicação de cada um dos povos e norteá-los sobre as diferenças entre ambos e o que eles tem em comum.

Os Aesir

Liderados por Odin, este povo bélico migrou da Índia e norte da Europa (sendo assim chamados indo-europeus) para as regiões onde seus mitos tiveram mais ênfase. Segundo os seus mitos mais conhecidos, Odin e seus irmãos (Vili e Vê) deram origem aos homens e aos mundos a partir do corpo de Ymir, um gigante de Fogo, filho de uma outra família divinizada dos povos europeus.
São Deuses normalmente ligados à guerra, justiça, ordem e englobam os arquétipos de Deuses dos Céus. Poucos sendo ligados à energias telúricas (terra) e aos mares. Vivem em Asgard, de onde governam Midgard e todos os outros mundos de Yggdrasil.
Entre os Aesir mais conhecidos temos o “trapaceiro”, Loki, responsável pelo estopim do Ragnarok; o Deus do Trovão, Thor, bastante em evidência graças à Marvel e aos filme “The Avengers” e o que leva o próprio nome; Frigga, a esposa de Odin, geralmente confundida com Freyja ou Mardoll; o Deus Benevolente, Baldur, geralmente associado pelos mitólogos cristão a Jesus Cristo, visto que os arquétipos das divindades são bastante semelhantes e ambos desempenham papel parecido em seus mitos; Heimdall que é o guardião da ponte arco-íris, Birsfrost, responsável pela guarda de Asgard. E tem, é claro, Odin, que é o Deus Supremo deste clã. É o Pai de todos, soberano por natureza, também conhecido como Wotan em algumas regiões. É um deus misterioso e paradoxal, que migra de guerreiro à xamã dentre os vários mitos em que se apresenta.

Os Vanir

Os Deuses Vanir sãos os Deuses mais arcaicos, nos Eddas e em outros escritos não há menção de sua origem, mas crê-se que como deuses primitivos eles tenha iniciado seu culto pela relação do homem primitivo com as forças e mistérios da natureza. Os Wanen são deuses ditos mais pacíficos, relacionados à fertilidade, sexualidade, agricultura, riqueza, e às forças da natureza. Ainda segundo os registros diz-se que eles já se encontravam no continente quando os Aesir chegaram e por anos tentaram conviver com as diferenças, mas elas ainda foram motivos para a famosa Guerra das Tribos.
Segundo a Tradição, os Deuses Wanens foram originados e primeiramente cultuados em Thule, um antigo arqupélago ao norte Europeu que desapareceu da mesma forma que Atlântida e Hiperbórea. Só depois do desaparecimento de Thule é que a tribo migrou para o continente europeu e se instalou lá.
Liderados por Mardoll (aquela que brilha sobre o mar), que recebe o titulo de Freyja (Senhora) vivem em Wanaheim, são detentores do conhecimento e sabedoria assim como da magia e dos seus usos. São os Deuses Xamãs, já que foi Freyja Mardoll quem detinha o conhecimento sobre o Seidr (xamanismo nórdico) e depois passou este conhecimento para Odin.
Entre os Deuses Wanens mais conhecidos estão Freyr, dito irmão gêmeo  de Freyja nos Eddas, Senhor das Florestas, Animais e Instintos; Ran, Senhora dos oceanos; Aegir, consorte de Ran; Njord e Nerthus; Deuses Ancestrais do Mar e da Terra, respectivamente. Há quem diga que Tyr também seja um Deus Vanir, visto que seu culto é mais antigo em algumas regiões que o culto do próprio Odin. E tem a famosa Gulltweig/Heide, Deusa da Transformação, Magia e do Renascimento que foi o estopim da guerra entre os Wanen e os Asen.
Há uma variedade de contradições entre o que os Eddas falam sobre os Wanen e o que a Tradição conta sobre eles. O que sabemos ocorrer com freqüência quando um povo “vence” outro. A verdade é de quem ganha. E no caso desta guerra os “vencedores” foram os Aesir.

Guerra das Tribos

Diz o mito que Gulltweig foi como uma diplomata fazer uma visita aos Asen em Asgard. A Deusa Wanen despertou a cobiça pelo ouro entre os filhos de Odin, visto que um dos seus poderes era tornar ouro tudo o que desejasse, assim como andava repleta de jóias e adornos dourado. Seu próprio nome significa “O Caminho Dourado”.

Odin deve ter interpretado isto como uma ofensa. O que se sabe é que não há razão aparente para o que houve em seguida a esta visita. Os Asen a fizeram prisioneira e por três vezes a queimaram e por três vezes ela renasceu das próprias cinzas sendo chamada depois disso de Heidhe, a Brilhante.
Após este acontecimento várias batalhas ocorreram e como não havia um vencedor entre eles foi feito um acordo de paz, onde dizem terem sido trocados alguns deuses. Indo alguns Wanen indo viver em Asgard e outros Asen indo para o Wanaheim.

Para a Tradição Wanen, a guerra ocorreu com os mesmos moldes, mas no fim enquanto não houve algum vencedor, após o acordo selado. Houve uma mescla entre os povos, mas os Wanen, orgulhosos como bem são, migraram novamente se instalando onde seria hoje a Escandinávia. E diferente do dito, a soberana Mardoll ou Freyja não ficou em Asgard, o que pode ter acontecido é uma das sacerdotisas dela ter ficado lá. Mas isto é uma outra questão de interpretações que se distancia da base acadêmica para a interpretativa e religiosa.

Por hoje é só pessoas!
Na próxima postagem descreverei por fim os mitos Wanen e Aesir sobre a aparição e criação das Runas em seus clãs.

Bibliografia consultada:
- FAUR, Mirella. Mistérios Nórdicos: deuses, runas, magias, rituais. Ed. Pensamento, 2007
- DAVIDSON, Hilda Ellis. Gods and Myths of Northern Europe. Peguin Books, 1964

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Runenmagie: Runas e a História - Parte II


Hail!
Na última postagem nós conhecemos as teorias da origem histórica dos grifos rúnicos e um pouco do que dizem terem sido seus antecessores. Hoje vamos vasculhar as evidências, os vestígios arqueológicos de alguns dos Futharks mais difundidos.




RUNAS E A HISTÓRIA II

Os Vikings são os maiores responsáveis pelas evidências arqueológicas acerca das runas. O costume (mistico ou não) que eles tinham de cravar runas em seus escudos, elmos, espadas e outros utensílios de casa ou de uso doméstico foi essencial para a catalogação das runas e a fundamentação das teorias.
Além disso, é justo por estas evidências que somos cientes hoje de uma magia rúnica básica a Taufr (magia talismânica). Acredita-se que todos os artefatos de guerra encontrados foram um dia talismãs mágicos para os guerreiros. As principais runas cravadas nestes objetos são a Týr e a Sowelo, ambas runas ligadas à vitória, a primeira a um Deus de Justiça e de Batalha e outra a runa do Sol. 
Outros ainda são runas cravadas em sua utilização alfabética, sem nenhum apelo mágico. Como é o caso de alguns Runestones e outros artefatos presentes em tesouros.
Não sei dizer se foi encontrado algum oráculo rúnico como o utilizamos hoje (o jogo de 24 "pedrinhas"). Creio que não já que era costume que as runas fossem cravadas em materiais facilmente consumidos pelo tempo (ossos, madeira e varetas).
A seguir, alguns dos objetos mais famosos. 



2-      Vestígios Arqueológicos 



 A Pedra Kylver (Gotland, 1903): a pedra é a tampa de uma sepultura. Encontrada num dos maiores sítios arqueológicos de runas. Nela é que está inscrito o mais antigo Futhark conhecido. Ele está cravado na parte interna da sepultura de frente ao cadáver (o que sugere que a sequência rúnica tenha sido parte de algum rito funerário envolvendo magia). Há também uma Bindrune (runas atadas) com a runa Týr e uma palavra não tão bem decifrada.



O Torc de Pietroasa (Torc de Buzău): parte de um misterioso tesouro datado por volta entre 250 e 400 DEC numa colina em Pietroasele junto a outros objetos de ouro. Foram encontrados originalmente dois anéis sob uma massa negra, o que foi deduzido como sendo couro ou algum tipo de pano desintegrado onde os objetos foram enrolados. Um dos anéis foi roubado logo durante a descoberta e o outro foi cortado e teve os símbolos danificados por um ourives.



Runestones: Grandes pedras com runas gravadas. A primeira tem 18 metros de circunferência e se encontra no caminho arborizado que dá para uma igreja. Foi colocado por um ex-capitão em memória à sua mãe e em honra própria por ter sido um sobrevivente da guarda a que serviu. Já a segunda está numa cidade da Suécia e ainda é debatido o propósito da criação, assim como o significado de seus símbolos.



Os Chifres de Ouro de Gallehus: dois chifres feitos de folhas de ouro, um mais curto que o outro encontrados em anos diferentes em Jutlândia do Sul e na Dinamarca. Os chifres originais foram também roubados, mas réplicas deles estão expostas no Museu Nacional e no Museu Moesgaard, ambos na Dinamarca.



O Caixão Frank: o caixão é densamente decorado com runas anglo-saxônicas e com cenas diversas que remetem ao cristianismo, mitos e imperadores romanos e a algumas lendas germânicas. As inscrições são em alto relevo e suas traduções estão disponíveis para quem tiver curiosidade.

Outras Imagens:


 




Terminamos aqui, uma breve explicação das runas históricas. Mas aviso que este conhecimento é bastante superficial, quem se interessar para adentrar neste estudo, me procure que indico alguns livros e sites bons.

Até mais!


Bibliografia consultada:
- FAUR, Mirella. Mistérios Nórdicos: deuses, runas, magias, rituais. Ed. Pensamento, 2007
- Wikipédia (http://en.wikipedia.org/wiki/Portal:Ancient_Germanic_culture/Runic_inscription)
- Rune Web Vitki (www.runewebvitki.com)



sexta-feira, 18 de maio de 2012

Runenmagie: Runas e a História - Parte I

Hail!* 
E chega a nossa Sexta-Feira em honra à Mardoll (Freyja) e suas runas!
Como prometido, vou começar a explanação do que são runas sob a ótica histórica (registros, teorias e arqueologia) e a visão mitológica (Aesir e Wanen). Estas últimas ainda tem subdivisões bastante interessantes que iremos explorar ao longo do tempo.



RUNAS E A HISTÓRIA



Dentro do imaginário popular, se pensarmos rapidamente na origem de instrumentos ligados à magia e ao paganismo, principalmente os envoltos de mistérios (como Runas e Tarot) temos a tendência de deixar a fantasia vagar e pouco nos fixamos nos fatos.
Assumo que para mim, descobrir que as runas tem registros válidos em tempos mais recentes do que eu previa foi um baque num chão raso. Em minha concepção, a história e os mitos se mesclavam em dado ponto em certa época. Tive por base teorias exotéricas que tentavam comprovar a veracidade de mitos, e nisso me perdi. Caindo em eloqüência somente posteriormente, com um estudo superficial e compreensão mais ampla sobre o assunto.

Runas, como as conhecemos hoje, para chegarem a este ponto sofreram grandes e diversas mudanças durante os anos em que se disseminaram pela Europa. Como já citado, em vários pontos distintos do continente foram encontrados registros e artefatos que comprovam a utilização dos talismãs e do alfabeto rúnico gravados em rochas. Ainda com todo este material, não se pode precisar em que época se deu a origem real dos grifos. O período mais convincente é o que se situa próximo ao ano 1300 AEC. Com esta falta de registros mais sólidos, os historiadores, pesquisadores e antropólogos tomam o rumo da especulação e com os rastros encontrados parte-se então para a formulação das teorias.

1-      Teorias

Das quatro mais conhecidas e divulgadas, duas já foram descartadas por não serem compatíveis com outros achados arqueológicos e as datas não são convincentes.
São elas:

- Latina/Romana: defende que o as runas foram originadas de uma adaptação do alfabeto latino. A semelhança entre alguns símbolos e as letras é o que dá base à teoria. Contudo, achados arqueológicos anteriores à data atribuída de quando teria ocorrido a origem do alfabeto tornam a versão inválida.

- Grega: posterior à romana, diz que os godos reformularam a escrita cursiva dos gregos e exportaram esta nova escrita por certa região da Europa (Mar Negro – Escandinávia). Vários achados na Rússia e Romênia comprovam a teoria, mas datas desencontradas também dão invalidez à hipótese.

Essas duas teorias formuladas nas últimas décadas de 1800 por mais que já descartadas, ainda têm validade para alguns. Porém não são mais bem aceitas dentro das vistas acadêmicas, por motivos óbvios.

As que tem mais respaldo histórico e que tem uma certa lógica são as seguintes:

- Etrusca: diz que as runas teriam surgido do alfabeto do povo etrusco que vivia ao norte ibérico e que eles teriam difundido-as pelos povos teutônicos e posteriormente pelo resto da Europa. Em favor desta teoria tem a descoberta de diversos artefatos arqueológicos com símbolos semelhantes às runas gravados neles do século IV AEC, além de outro oráculo inscrito em varetas com um sistema bastante semelhante ao rúnico. Por mais que a semelhança de alguns símbolos seja indiscutível, o alfabeto etrusco ainda não foi compreendido nem decifrado, logo não se pode dizer que eles e as runas tem realmente uma ligação efetiva, apenas que houve um ponto de encontro.

- Hallristinger: (mais aceita pelos historiadores acadêmicos) tem como base a semelhança das runas com as inscrições rupestres datadas em 1300-800 AEC (Idade do Bronze e Ferro).
Estas inscrições eram símbolos religiosos provavelmente ligados a um xamanismo europeu primitivo. Os caracteres não deixam sobrar dúvidas de que estão ligados a adoração ao Sol e ao Sagrado Feminino, além de ter a presença da famosa suástica, símbolo de fertilidade e que remete a fenômenos climáticos e astrológicos. Sobre o alfabeto Hallristinger pode-se deduzir que assim como as runas eles eram um sistema simbólico para expressar a sabedoria e os mistérios sagrados.
Segundo a teoria, as runas teriam sido resultado de uma modificação causada pelas várias gerações e transmigrações destes antigos símbolos rupestres estacionado entre os etruscos e os teutônicos onde conseguiram uma identidade própria e se tornaram uma linguagem escrita – ainda mantendo toda a simbologia sagrada.

Sob a ótica histórica, particularmente sou seguidor da última teoria. Fazendo uma revisão antropológica, a ligação entre as runas, seus portadores e usuários e o alfabeto que as originou tem uma linearidade mais convincente e provável.
Ainda podemos encontrar mais duas visões bastante difundidas. Classificadas como esotéricas, estas teorias nos remetem a compreensão de um outro mistério mundial. São representadas por dois grandiosos e bastante reconhecidos pesquisadores e runólogos: Guido Von List e Friedrich Berhnard Marby.
As correntes esotéricas afirmam que as runas sejam códigos cósmicos que teriam sido herdados de uma cultura antediluviana de povos evoluídos que habitavam terra lendárias.
List defende que as runas teriam sido trazidas por sua concepção do que foram os arianos.  Já Marby aponta que as runas vieram de Thule que afundou no Mar Norte há milênios atrás.
Continua...
* Nota: uma correção deve ser feita em relação ao meu primeiro texto em que usei “Heil”. Escrevi a fonética ao invés da palavra correta. No mais, “Hail” é uma saudação em alemão.


Bibliografia consultada:- FAUR, Mirella. Mistérios Nórdicos: deuses, runas, magias, rituais. Ed. Pensamento, 2007- Runemal (www.runemal.com)- MonteMor (www.marquesdemontemor.blogspot.com.br)

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Hostgator Discount Code