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sábado, 15 de junho de 2013

Verbum Sacrum: O passado era belo?




Alguns reconstrucionistas das religiões pagãs na atualidade sustentam a imagem de que os povos que vivenciaram na antiguidade tais religiões mantinham um estilo de vida pacato e pacifico, de plena integração com a natureza e de total respeito ao corpo humano e as regras de boa conduta que temos hoje.

Estes que pintam ou aceitam tal imagem como verossímil ou se quer próxima da verdade, não estudaram historia corretamente ou são cegos e tolos para a verdade que os assola a porta. Pode-se observar uma série de praticas atuais que geram fortes impactos ambientais (cujos quais, inclusive, é muito comum ver tais reconstrucionistas lutarem e protestarem contra, intitulados ou amparados ironicamente por preceitos pagãos) que tem origem em rituais pagãos ou superstições antigas de povos tribais que supostamente seriam nosso elo perdido com nossa conexão natural.

Que dizer de homens que compram barbatanas de tubarão para ter sucesso financeiro ou de jovens que, para provar sua maturidade, adentram o mar e lutam contra golfinhos, ou ainda daqueles que usam pés de coelho para trazer sorte e sacrificam animais em rituais em prol de benefícios? Não seriam estas práticas pagãs? Então deve-se criar uma outra classificação para o grupo de religiões e seitas que originaram e/ou ainda fazem uso dessas praticas? Quem passaria ileso nesta seleção?

Se estas questões assombram o leitor, ou lhe tomam de surpresa, lhe fazendo questionar o caminho que escolheu, significa que o mesmo deve propor-se a uma investigação mais sensata e coerente daquilo que diz ter escolhido pra própria vida (tendo por viés a premissa de que este é um jornal destinado ao publico pagão). Compreender a base histórica e real da sua religião pode e deve ser de fato uma prova de fé, o portador de uma religião deve se questionar a respeito de suas origens e de suas conjecturas, a decisão deve ser clara e coesa para que somente assim uma verdadeira fé surja, somente através do verdadeiro conhecimento de suas opções é que se pode fazer uma escolha sensata e real, de resto a qualquer brisa que venha sua crença é posta em cheque.

É fato que, historicamente, para que o preconceito criado acerca dessas conjecturas religiosas fosse derrubado, houve uma necessidade de se exaltar as qualidades dos povos de onde se originaram, porem essa primeira vestimenta bela e colorida tem a única intenção de agradar os olhos do povo comum e não pertencente a tais meios, o que se difere em muito daqueles que optaram, ou dizem ter optado, vivenciar profundamente tais aspectos, para o segundo caso faz-se necessário uma investigação mais refinada, um mergulho mais profundo, uma experiência inteira e integral dos fatos. O buscador pode (e legalmente deve) optar por não exercer nenhuma das atividades macabras que sua religião ou a base da mesma já possa ter acreditado, porem o mesmo deve compreender que ela existiu e as razões que  fizeram com que se perdesse tais hábitos, ou não, através dos séculos, ou anos de sua existência.

Assim como outros grupos religiosos devem ter um olhar mais critico para sua historia e talvez até existência, este conjunto de religiões denominadas pagãs também o devem, para que sua própria essência não se perca (como já vem ocorrendo, principalmente nos veios mais populares como a wicca) para que seus praticantes sejam de fato praticantes, e principalmente para que sejam de fato entendedores daquilo que dizem vivenciar.

Progredir sempre!
Lupos, Canis – O caçador

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Universo Simbólico: A Magiah dos Nós - Simples, porém eficaz!



Olá pessoal, abordaremos hoje um assunto que não podemos deixar que caia no esquecimento, muito menos que seja menosprezado pelas pompas de rituais luxuosos. Falaremos sobre a Magiah dos nós. Uma ferramenta simples, mas que se bem trabalhada pode resultar em êxito.

Para falarmos de Magiah dos nós, dentro da lógica, veremos um pouco sobre o simbolismo da corda (barbante) que sem ela a ferramenta Mágicka de nós é basicamente ineficaz.

A simbologia da “corda” possui algumas particularidades, porém há também uma semelhança com os significados que envolvem o signo “árvore”, “fio da aranha”, sempre no que se refere a elevação do ser. A corda representa o intermediário entre dois pontos, assim como o desejo da ascensão. O segredo de magias, poderes e virtudes ocultas são representados quando observamos uma corda que possui uma grande quantidade de nós. A Maçonaria possui em suas lojas uma corda com vários nós que representam a união de cada membro e esta mesma pode ser refletida quando todos eles dão as mãos em corrente. Quando observamos uma corda esticada por um arco, na cultura “Védica” podemos observar e compreendermos que ela não é de origem masculina, ou que provenha da dureza, ou das coisas matérias, mas sua correspondência é semelhante a que conhecemos quando tratamos do Sagrado Feminino, imaterial, intuitivo, de uma fortaleza natural e invisível, onde através da tensão passa a funcionalidade para o arco.

Podemos encontrar a simbologia da “corda de prata”, ou “fio de prata”, a consciência inerente do ser humano que liga o espírito a essência Universal. Esse caminho prateado é aquele que percorremos quando entramos em estado meditativo, ou quando fazemos viagens astrais. Tamanha é a importância da corda para os Hindus que o Deus “Varuna” em posse de uma, demonstra todo o seu poder de unir e desunir. Em culturas como a Egípcia podemos encontrar nos hieróglifos cordas cheias de nós que representam a existência indiferente de um ser humano, assim como lendas Gregas nos mostram que a corda pode significar correntes de castigo perpétuo. As civilizações Maya e Mexicana têm-na como símbolo de fertilidade Divina, quando essas cordas apontando para os céus representam a semente que cairá sobre a terra e a fertilizará. E o nome do mês no calendário antigo Mexicano que representava o início das chuvas chamava-se “Toxcat” (corda trançada). Um costume bem comum é a associação das cordas as chuvas, assim como enterrar seus entes com cordas para que eles tenham como se defender de animais ferozes do “outro mundo”. Na África ela é utilizada pelos Bruxos das “Vévés”, o “Voodoo” tradicional, que segundo eles são serpentes que agem na Magiah.

As “Shimenawas” shintoístas, cordas feitas com palha de arroz onde em sua extremidade pode-se ver a origem, é utilizado por muitos como instrumento de proteção, onde são colocadas em caminhos, portas e entradas de templos para protegem das energias negativas também da invasão de espíritos mal intencionados. Os japoneses colocam-na sobre a porta de entrada de suas casas na semana de Ano-Novo para proteger destas energias nocivas.
Existe o uso desta forma de Magiah na cultura Nórdica, onde esta civilização atava os ventos com seus poderes utilizando de nós. A famosa ilustração de “Olaüs Magnus, Roma 1555”, contando a história de “Gentibus Septentrionalibus” que parado de pé em frente a navegantes negocia corda com três nós que garantiria um ótimo auxilio na viagem. Ao desatar o primeiro nó, um vento suave viria do Oeste-Sudoeste; Ao desatar o segundo foram surpreendidos por um vento rude do norte; E se desatassem o terceiro uma imensa tempestade os acometeria. O simbolismo da corda nos remete para a solidariedade humana que precisamos em nosso cotidiano. Essencialmente é a reconciliação Universal.

Agora que já conhecemos o instrumento básico desta forma de Magiah podemos dar seguimento.

A magiah dos nós teve seus experimentos iniciados a mais de 4000 anos, quando os tablados cuneiformes do oriente foram confeccionados no Oriente. Sua eficácia já era garantida a 2000 a.c e nos dias atuais podemos utilizar esta poderosa ferramenta, porém o que acontece é a desvalorização de magias aparentemente simples, a ponto de torna-la na maioria das vezes como parte integrante de folclores locais, rebaixando o nível desta ferramenta.

O nó que é atado com um desejo especifico estabelece uma ligação da mente do operante com a fio. Encontramos aquelas magias com nós, onde se amarra ao redor do dedo um barbante para que não se esqueça de algo. Essa conexão é estabelecida e a energia é movimentada para o objetivo do operador. O poder não está dentro de nó, ele é liberado para fazer com que sua necessidade se manifeste. O barbante com nó é uma representação física de sua necessidade, assim como uma imagem. Até que aconteça, mantenha o barbante com você ou em algum lugar seguro.

Houve um tempo na Alemanha em que a Magiah dos nós era proibida, pois o numero de imagens literalmente amarradas aumentou, porém era um costume a utilização de nós encantados nas igrejas para proteger de espíritos e pagãos. Assim como todas as coisas neste mundo, esta ferramenta não seria diferente e existe sim, a possibilidade de se trabalhar para o lado da desconstrução. E por ser um tipo de Arte de forma simples a exigência além da intenção para com o objetivo proposto é expressar a emoção do momento e utiliza-la a seu favor.

Os barbantes são utilizados em nós mágicos, porém alguns cuidados devem ser tomados para que o desenvolvimento e eficácia da prática seja conquistada. Na maioria dos encantamentos com nós não se utiliza mais que 60cm de barbante, porém os nós os consomem muito, então a depender da prática mágicka pode-se utilizar um pouco mais. As cores são bastante utilizadas e a correspondência delas são a mesma. Não podemos esquecer que o material do barbante também tem sua importância, recomendando-se fios de algodão e lã, evitando náilon e poliéster. Se for preferível, sabemos que é muito mais poderoso e bastante recomendado, é fazer seus próprios barbantes, pois o ato de tecer além de mesclar suas energias com o trabalho executado, o ato por sí é uma Arte Divina. E quando seus anseios forem concretizados no plano físico assegure que seu nó jamais seja desatado. E para este fato pode-se queimar, enterrar, ou deixar em algum local realmente seguro.

Os materiais que falam a respeito desta ferramenta poderosa atualmente estão escassos, porém com uma boa pesquisa pode-se achar algumas práticas que podem ser aproveitadas para uma familiarização inicial e possivelmente um entendimento mais aprofundado no conteúdo. Acreditando que tudo mencionado será de grande valia, desejo a todos que chegaram até aqui  a harmonia e o sucesso dos ventos benfazejos.

A todos,
Pax, Lux et Nox

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Verbum Sacrum: Com quem esta o controle?



“O primeiro ato para mudar a sua vida é mudar a si.”
Apesar deste ser um terrível clichê é ainda também uma temível verdade. Sendo o todo mental o primeiro passo que o ocultista deve buscar alcançar é controlar, ao menos, sua mente menor.
Muitos dizem serem poderosos, conhecedores de profundas verdades, detentores de conhecimentos secretos e obscuros a sociedade comum, mas ao observarmos estes atentamente vemos um quadro de homens e mulheres, com serias perturbações e conflitos quando bem, mal resolvidos.  Propriamente é comum as almas conturbadas buscarem uma ilusão para preencher-lhes o vazio que carregam, e se delegarem especiais em vários aspectos que ou não podem ser facilmente contestados ou simplesmente não podem ser provados.

Entretanto alheio a isso são as almas que se colocam aos pés desses pobres seres, tão ou (e particularmente creio na segunda opção) mais desesperadas a ponto de transformá-los em seu ideal de vida, dando-lhes um “atestado de poder” baseado na estupidez (ou inocência, chame como preferir) de seus seguidores.
Apesar deste texto se encaixar perfeitamente no meio do ocultismo, ele também se aplica a vida comum, pois ambos estão sempre ligados, apesar dos fantasiosos discordarem, e estes perfis se apresentam em outros aspectos nos diversos setores de nossas pequenas vidas, seja aquele sujeito que sonha em ser o gerente da loja e por isso bajula o dono, ou aquele pobre diabo que deseja profundamente aquela mulher e por isso se tranca no quarto e fica tentando ser igual o namorado dela em frente ao espelho, ou ainda aquela senhorita que encantada com a originalidade de uma mulher forte, fica tentando imitá-la sem perceber que a originalidade só pertence a quem é original.

A questão maior aqui é: “Com quem esta o controle?”
 A sua vida é um mero lamber de sola de sapatos de outrem, ou decidiu assumir o controle da sua vontade de ser e começar a ser de fato? O ocultismo baseia-se em alterar a realidade a nosso favor, a questão é que nem sempre (ou nunca) se faz necessário ascender velas para obter o que se deseja, basta ter a coragem e a vontade necessária para chegar-se até o objetivo e conquistá-lo.
Para que essas qualidades se despertem em um buscador a primeira coisa que ele tem que buscar é a si, pois assim encontrará as ferramentas verdadeiras que dispõem para conquistar seus próprios méritos, ao invés de ficar “adorando”  outros coitados que como ele vivem em um eterna ilusão e sem qualquer verdadeira felicidade. Então buscador sugiro que se pergunte “o que controla você?” e se a resposta não for satisfatória mude-a, transforme-se em algo melhor.

Progredir Sempre

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Verbum Sacrum: O manipulador e o manipulado


Existem muitas idéias sobre qual a melhor forma de se ascender a plena consciência, encontrar a mente primaria ou ainda a total compreensão, dentro dessas correntes muitos aspectos são difundidos e por muitas vezes pouco ou nada questionados,  quando o fato maior é que se nem bolo, se seguirmos integralmente a receita, sem acrescer de quaisquer toque pessoal, fica bem feito, quiçá a nossa própria lenda poderá ser preenchida pelo texto de outro.

Viver imbuindo-se de chavões e condições mais hipotéticas do que fatídicas não lhe propiciará grandiosos frutos. Pensar em signos, nomes e influencias planetárias, não te fará ter real domínio de si. Tomar sua razão de ser como pré-definida por um mapa astral e se obrigar aqueles padrões não é ser controlador de suas vontades e sim ser controlado por rascunhos e rabiscos sobre parábolas planetárias. Pensar que todas as conseqüências de sua infelicidade se justificam na má organização numérica de seu nome é atestar-se incompetente e inábil  de construir ou mudar sua realidade. Supor que rituais só podem ser executados as terças de tal dia do mês sobre a influencia de tal hora é como declarar que sua condição criativa como um todo e sua condição de reflexo divino é limitada e parca demais para gerar aquela energia ou manipulá-la de acordo com suas necessidades e, ainda pior, é supor que o tempo da vida, espera os caprichos da semana.

O verdadeiro caminho tem que ser escrito um passo de cada vez e com um outro nível de atenção tal que os detalhes não passem despercebidos. De nada adiantaria saber do futuro se não pudéssemos alterá-lo, de nada serviria entender a teia do destino se ela não pudesse ser reescrita. Não haveria razão para buscarmos a iluminação se ela não pudesse ser alcançada em qualquer vida e momento e não seria ela algo tão grandioso se estivesse limitada a nomes, apelidos e horas quiçá a qualquer parafernália que se compra industrialmente em lojinhas de umbanda.

É obvio que os escritos e as tradições tem sim seu valor, mas se o buscador não gastar um bom tempo interpretando e buscando a verdadeira compreensão sobre tais assuntos ele se tornará somente mais um religioso cego. Um alguém que esta diante da paisagem e não consegue apreciá-la por que pouco antes decidiu jogar seus olhos fora. Ele se achará dono de si, quando na realidade continua sendo manipulado, só que agora pela ilusão de ter vida.

 
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