quinta-feira, 31 de maio de 2012

Caminhando entre as Deusas: A Dama do Lago


A Dama do Lago, também conhecida como Vivian, Viviane, Elaine, Nemue (e algumas outras variações deste nomes), é conhecida por ser a principal sacerdotisa da Ilha de Avalon, segundo a lenda Arthuriana.

Não se sabe ao certo quando ou como esta personagem entrou no ciclo de lendas sobre o Rei Arthur. Uma de suas aparições é feita na antiga novela de Ulrich von Zatzikhoven, chamada Lanzelet, no qual ela é uma donzela aquática que reinava em uma ilha habitada somente por donzelas situada no coração de um lago encantado, onde o inverno não chegava nunca e não se conhecia a dor. Outra lenda nos diz que ela surgiu cruzando o caminho do Rei Ban. O castelo de Ban pegou fogo e no meio da confusão a Rainha deixou seu filho recém nascido na beira de um lago, quando voltou a criança estava sendo acalentada por uma linda donzela, que apesar das súplicas da Rainha, sumiu com a criança no lago.

Outros histórias desta figura destacam-na como sendo aquela que forjou Excalibur ajudando Merlin a confirmar a legitimidade de Arthur ao trono, como também é aquela que junto a Morgana e mais duas rainhas das  fadas buscam Arthur no final de seu reinado para salvá-lo da morte e cuidar dele na mítica Avalon.

Como Nimue, ela é encontrada casualmente por Merlin, quando este se retira à solidão dos bosques de Broceliande em busca do ovo da serpente e de aperfeiçoar todos os seus conhecimentos sobre magia, cosmologia, ciências naturais e etc. Ela entra na história como sendo o braço direito de Merlin, aquela que o acolhe em sua loucura e torna-se sua amante e assim ele compartilha com ela de todo o seu conhecimento. Ou seja, ela torna-se também a principal sacerdotisa de Merlin e segundo alguns por ela é enfeitiçado.

Existe também uma versão que diz que ela viveu na ilha de Shalott, junto a Merlin, Arthur e suas fadas, ajudando a construir Camelot há uma curta distância do rio que leva a Shalott e que os camponeses que lá habitavam possuíam medo de seus encantamentos assim como nos finais da tarde, quando ela sentava-se em sua torre junto ao seu espelho por onde sempre vigiava e cuidava do reino, ela cantava e tocava em sua harpa diversas melodias que aliviam o cansaço dos camponeses e dos cavalheiros que guardavam o reino.

Também é bastante conhecida pelas histórias de Marion Zimmer Bradley e o seu romance "As Brumas de Avalon", onde o leitor muitas vezes fica na dúvida se a ama ou odeia, visto que ela passa por cima de tudo em nome de salvar a antiga religião e a ilha de Avalon e é morta por um dos filhos do Rei Ban, Balin.

O fato, como já citado antes, é que não se sabe ao certo de onde vem o poder tão fascinante da Dama do Lago que segue gerando várias lendas ao seu respeito, suas aparições são feitas como donzela, como fada, feiticeira, traiçoeira, uma anciã. A imagem mais marcante que se tem a respeito dela é a de uma mão para fora do lago segurando a espada Excalibur. 

Acredito que uma mistura entre realidade e religião deve ter surgido para criar este personagem imponente. Tendo, portanto, esta mulher uma faceta humana e uma faceta divina, como todos nós. Que lutou pelo acesso ao seu poder e pelo seu povo, sendo assim amada e odiada, sendo transformada em uma fada e donzela adorável, assim como em uma amante cruel e que aprisiona o homem que lhe ensinou tudo que sabe (como dizem que ela fez com Merlin)!

Contudo, seu poder e experiência pode ser acessado, tanto como uma fada da água como pelo poder que carrega como sacerdotisa da Deusa. Por isso, quando puder imagine-se às margens de um lago encoberto por espessa neblina, chame-a e faça uma boa viagem pelo interior do lago que existem em cada um de nós.

Beijocas estaladas no coração de todos! Boa viagem! E até a próxima semana!

Referências Bibliograficas:
- ROBLES, M.; Mulheres, mitos e deusas: o feminino através dos tempos. São Paulo: Aleph, 2006;
- BRADLEY, M. Z.; As Brumas de Avalon. Rio de Janeiro: Imago Ed., 1989. (Vol 1, 2, 3 e 4 - Série Ficção e experiência interior)

A Feitiçaria e a pena de morte na Arábia Saudita (Parte 1)


Recentemente, uma mulher do Sri lanka foi presa pelas autoridades sauditas acusada de praticar feitiçaria. Um homem acusou esta mulher de ter lançado um feitiço em uma garota de 13 anos de idade durante um passeio da família às compras. Ele queixou-se à polícia que a menina 'começou a agir de uma forma anormal' depois de um contato mais próximo com a mulher em um shopping center na cidade portuária de Jidá. Segundo a imprensa, a mulher está sob custódia da polícia na Arábia Saudita. Se as autoridades Sauditas não forem pressionadas para poupar a vida desta mulher inocente, ela pode ser decapitada a qualquer momento.


Na Arábia Saudita, a feitiçaria é um crime punível com a morte. No ano passado, autoridades sauditas decapitaram duas pessoas, uma mulher e um homem sudaneses, por praticarem feitiçaria. Não está claro como o sistema judicial do país define e condena este crime ou o justifica como uma prática prejudicial punível com a morte. É difícil entender como os tribunais árabes julgam e condenam as pessoas pelo delito de feitiçaria. Definitivamente, esses procedimentos ficam aquém dos padrões internacionais. Queria muito saber qual campo do governo da Arábia Saudita continua permitindo a execução de pessoas que supostamentes tivessem cometido esses "crimes". Eu entendo que a Arábia Saudita não tem por escrito um código penal, então não há nada como "letra da lei" em termos de crime de feitiçaria. As decisões judiciais são baseadas na fé, crenças e mentalidade dos juízes.

Feitiçaria é um crime imaginário que não deveria ser associado com o código penal de nenhum país em pleno século XXI. Não há nenhuma evidência de que algumas pessoas possuam poderes sobrenaturais e que podem causar danos a outros por meio de meios mágicos. A feitiçaria é uma crença na qual as pessoas, por medo e ignorância, associam com prejuízo, maldade e infelicidade, e o crime por feitiçaria é um legado doloroso deste primitivo e duradouro medo (e superstição). Isso massacra minhas ideias, que um país como a Arábia Saudita ainda reconheça a feitiçaria como crime e de fato chega ao ponto de decapitar pessoas por cometer a "infração". Estou literalmente chocado com o criminoso silêncio dos Estados e da comunidade internacional em relação ao terror da caça às bruxas em lugares como a Arábia Saudita.


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Universo Simbólico - O Círculo Runamal



Olá pessoal, resolvi falar um pouco das Runas e seu Runamal, somando a base da parte prática de uma das coisas que podemos fazer com elas, e aproveitar o seu melhor dentro do bem comum e dentro das Leis Universais.

É um poderoso oráculo, o das Runas (mais conhecido como FUTHARK) de 24 símbolos agrupados em três famílias ou “Aetts" (Aett de Frey; Aett de Haegl e Aett de Tyr) e tem suas origens nos tempos bem remotos do Norte, no que hoje conhecemos como Europa, muito antes do Cristianismo. Os Grandes Mestres riscavam seus símbolos sagrados em seixos ou em gravetos de uma árvore frutífera, utilizando até mesmo seu sangue para dar mais força mágicka e espiritual ao que desejavam. Cada Sign é sagrado e também é uma representação de Deuses do Panteão Nórdico, e não somente um símbolo aleatório de um alfabeto antigo. O Runamal é a força intencional de um grupo ou de uma Runa com um determinado propósito, e na antiguidade esse conhecimento não era restrito e sim compartilhado dentre homens e mulheres iniciados para tal. O Círculo Runamal é uma forma de trabalho mágicko que ajuda a mesclar as energias das runas e direcioná-las para os vários ramos da nossa vida de acordo com o propósito a ser alcançado. Acompanhe:

Fazemo-lo em um papel no formato e na cor (com tinta, caneta, etc.) de nosso propósito, uma roda com oito raios, representando a Roda do Ano e a força da Divindade que tudo habita. Podemos escolher somente duas runas que se encaixem ao nosso objetivo, pois dois são os pilares do Universo, e preenchemos cada um dos raios (no sentido horário) com elas e após terminado, o Runamal precisa ser ativado e completo com um ENCANTAMENTO PESSOAL de acordo com o que desejas.

Após encantado o Círculo Runamal está pronto para vibrar em prol do seu objetivo. Guarde-o onde ninguém o toque nem o veja. Use de sua intuição para utiliza-lo da melhor forma possível. Dentro do bem comum, do respeito à Antiga Arte e aos Mestres que habitam em cada Runa, só resta ter a confiança em si mesmo e batalhar pelo que se quer.
Espero que a ti isto seja muito útil, até a semana que vem.

A todos,
Bons Feitos!
Pax, Lux et Nox

terça-feira, 29 de maio de 2012

Filosofia Oculta: Parte 5: transmutação, O Demiurgo

(Parte 5: transmutação, O Demiurgo)


Lord Vincus: Para se bem entender acerca das transformações, necessito ser mais claro sobre o demiurgo e seu fim, pois tudo aquilo que é possui um fim. A princípio é necessário dizer que o fim de tudo é  seguir o ser primeiro ao passo que o fim do ser primeiro é gerar e como motor promover o movimento.


Orodreth: Então poderá haver outros motores imóveis?


Lord Vincus: Óbvio que não, pois somos, todos os seres engendrados, diferentes de Deus. Ora, somos pensamento e Deus é a mente. Tendemos sempre à origem mas, como seres criados, iremos sempre nos corromper, nos transformar.


Orodreth: Seja mais claro.


Lord Vincus: Deus é o ser primeiro, o Demiurgo é o segundo e inferior a Deus, o ser humano é inferior ao Demiurgo, os animais ao ser humano e por aí se segue. Deus como ser perfeito é Bom, o Demiurgo como vem em segundo não é perfeito e logo não bom, ao passo que o ser humano é ainda, nesse sentido, duas vezes não bom.


E para poder crescer e seguir sua natureza (ir em direção ao ser primeiro) precisa ser sempre purificado, e é essa purificação que os tolos chamam de morte. [...]


O Demiurgo, por ser movido, sofre alterações. Abaixo dele vive os astros que também sofrem e promovem alterações. Nos astros planetários existem os daemons que cuidam dos homens comuns e os elementais que promovem as alterações na natureza, todos esses sob o demiurgo.


Eis que esses elementais e esses daemons são chamados deuses, mas não são perfeitos, e é impiedade chama-los assim.
[...]


Todos os seres, com efeito, podem e devem promover alterações, pois o superior sempre cuida do inferior, Deus cuida do Demiurgo, O Demiurgo dos astros, os astros dos entes supra sensíveis, os entes supra sensíveis dos homens e dos elementos, o homens dos animais, os animais de seus inferiores.


Orodreth: Estou confuso, como se dá esse cuidado, os homens realmente cuidam dos animais e do meio, como você afirma que fazem?

Lord Vincus: A grande maioria, os impiedosos, almas recém incorporadas em homens, acostumadas as bestas e de baixo intelecto não o fazem, pois ainda não acostumaram-se ao novo oficio, ou se renderam as paixões. [...] Ao passo que esse problema não afeta somente os homens, mas os daemons e elementais, que podem negar seu oficio, fazê-lo mau ou pior, atentar contra o que deveriam cuidar. Pois muito pouco difere o homem comum daqueles chamados deuses.[...]
Um antigo sábio diria que os homens são deuses mortais e os deuses homens imortais. Sabemos que na verdade ambos são imortais, o que os difere de fato, o tempo que levam para serem transformados.


Mas todos estão fadados à falsa morte, os homens piedosos são transformados em daemons, os impiedosos são transformados em homens novamente ou podem regressar até as bestas primitivas, a depender do nível de purificação que lhe seja necessário.


Orodreth: E o que pode levar o homem a tão terrível fim?


Lord Vincus: As paixões contam muito, como a glutonaria, mas o que realmente é perigoso aos homens, nos mais diversos níveis, e o não cumprimento do oficio.


Orodreth: Explique melhor tal oficio.


Lord Vincus: O oficio do homem e de qualquer outro ser é a felicidade, e esta no homem está ligada ao intelecto, no conhecimento dos seres, pois conhecendo aquilo que foi criado, pode-se aproximar-se do criador. Primeiro olhamos o que nos é passivo ou semelhante, até subirmos o posto, e olharmos de um ponto de vista melhor, aquilo que já fomos. Assim fazem os “deuses”.


Orodreth: Então o que diz, é que se eu viver pleno de minha própria natureza, buscar sempre minha felicidade, estarei consequentemente cumprindo meu oficio e sendo feliz?


Lord Vincus: Grosso modo você está certo.


Orodreth: Instrua-me sobre a natureza do homem.


continua...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A Lança: Rama (parte 2)

Recado da autora: para ler o início da história, clique aqui!

Jatayu, o abutre bondoso, amigo do pai de Rama estava sobrevoando a área e viu o que estava acontecendo com Sita e imediatamente correu para ajudá-la.

No entanto, ele não conseguiu deter Ravana e caiu dos céus em direção a morte. Rama ao voltar soube de tudo que ocorreu, e ao ver o corpo do abutre ficou cheio de tristeza.

Continuou sua jornada atrás de sua esposa e depois de viajar bastante encontrou um outro rakchasa, que perguntou quem vinha lá. Rama respondeu e o demônio ficou todo contente, pois havia sido amaldiçoado pelo Deus Indra. A maldição do demônio seria retirada no dia em que ele se deparasse com Rama e seu irmão, tendo um papel fundamental na história desse príncipe.

O rakchasa pediu para que Rama queimasse seu corpo em uma pira e ao jogar o corpo nas chamas, Rama pediu para que o demônio falasse. O demônio transformou-se em uma forma grandiosa e disse para Rama procurar o rei-macaco destronado, Sugriva, este o levaria até Hanuman, o Deus-macaco, único que poderia ajudar Rama na batalha contra Ravana.

Rama encontrou Hanuman e Sugriva, devolveu a este o reino que lhe haviam tirado e descobriu que Sita havia deixava por onde ia passando algumas de suas joias, e assim os macacos podiam dizer para onde estava indo Ravana.

Hanuman e Sugriva uniram-se a Rama e Lakshman e para saber onde encontrava-se a cidade oculta de Ravana, o Deus-macaco foi ter com Varuna, o Deus das águas. Varuna, pediu ajuda ao Deus Sol, para que  verificasse além dos seus domínios o que ocorria. O Deus Sol disse que a cidade de Ravana estava depois dos domínios do Deus da água e que lá se encontrava a bela Sita.

Hanuman decidiu ir ver com seus próprios olhos o que acontecia. Criou asas e com a ajuda de seu pai, Vayu, o Deus dos ventos, foi pousar nas margens da praia da cidade de Ravana. Ao cair da noite, o Deus-macaco foi verificar o terreno e procurar por Sita. Encontrou a bela esposa de Rama e se ofereceu para leva-la de volta, no entanto, ela não aceitou dizendo que iria esperar seu esposo. Antes de partir, o Deus-macaco ainda quis ir ter com Ravana e deu um jeito de ser visto e preso. Ravana gostaria de te-lo decapitado, mas seria uma ofensa matar o mensageiro, portanto infligiu-lhe uma humilhação, mandou que pusessem fogo em seu rabo. Hanuman pediu ajuda a Agni, o Deus do fogo, para que tirasse a ardência de sua cauda e deixasse apenas a bela chama, o pedido foi concedido e antes de fugir ele pôs fogo na cidade.

Ao voltar, o deus-macaco contou a Rama tudo o que viu e juntos ao exército do Rei Sigra partiram todos atrás de Ravana, em sua jornada, ainda uniu-se ao exército que se formava o exército de Jambavan, o general urso com sua unidade inteira! Para conseguirem atravessar o mar, foi preciso construir uma ponte por cima da coluna de Varuna e assim o grande exército chegou além dos domínios do Deus das águas. Contudo, Ravana já havia se preparado e sua cidade flutuava.

Escadas foram construídas e a Batalha de Vimanas, teve início. Muitas vidas foram perdidas até que se conseguisse que os macacos entrassem na cidade de Lanka. Hanuman em um dos seus grandes feitos, conseguiu tomar um dos portões da cidade facilitando a entrada de todos. A batalha passou a ocorrer dentro da cidade. Ravana mandou seu filho que matou diversos soldados das filas de Rama, inclusive chegando a prender o príncipe e seu irmão que foram salvos por Garuda, a águia gigante do Deus Vishnu. Ravana mandou então seu filho acordar Kumbakarna, o devorador, um monstro gigante que dormia há séculos.

E o restante fica para a semana que vem... Até lá!

Beijocas estaladas para todos!



Bibliografia consultada:


domingo, 27 de maio de 2012

Magia Draconiana: Partindo em Busca dos Dragões

Nesses três artigos que tive o prazer de escrever para o Jornal O Bruxo, pude compartilhar com vocês, queridos leitores, um pouco do conhecimento básico e teórico a respeito do Mundo dos Dragões. Falamos sobre aquilo que eles são, aquilo que eles não são, viajamos juntos encontrando sua presença nas mais diversas culturas espalhadas pela humanidade e juntos pudemos decifrar um pouco desse tema tão mágico – para alguns, até mesmo enigmático.

Por conta de inúmeros afazeres pessoais como estudos, seminários, trabalho, construção de novos projetos e os cuidados que mantenho diariamente com minha congregação de Bruxaria, o Grove Serpente de Fogo e sua célula-mãe, o Coven Serpente de Ouro (manutenção diária de altares, do Templo, treinamento sacerdotal, reuniões semanais, rituais etc.), assim como as atividades públicas mensais que promovemos, fui obrigado a fazer algumas escolhas. Afinal, a vida é feita delas e se não formos capazes de fazê-las corretamente, não conseguiremos nos dedicar inteiramente a um projeto que merece toda nossa atenção.

Aqui, nesse caso, creio que escrever para o Jornal e falar de um assunto tão sério quanto a Magia Draconiana pede necessariamente uma entrega total, para que o desenrolar da construção dos conceitos seja concreto, profundo e cheio de significado.

Mas, mesmo me despedindo da coluna e do Jornal pelos motivos acima mencionados, quero fazer um convite irresistível aqueles que estão lendo essas palavras:


VAMOS PARTIR EM BUSCA DOS DRAGÕES?


Você realmente quer conhecer esses seres, se aprofundar em seu significado? Se sua vontade for legítima e não for passível de interesses puramente especulativos ou manipuladores, com certeza você conseguirá! Afinal, como já vimos, a Natureza Draconiana está diretamente ligada ao espírito da retidão de caráter, concretude do ser, proteção da Natureza e daquilo mais que necessita, assim como respeito por tudo aquilo que se conhece – e principalmente, por aquilo que se desconhece.

Os Dragões, naturalmente, não são nossos amigos, nem nossos inimigos. Poderão vir a ser, de acordo com nossas atitudes e o tipo de contato que viermos a travar com eles. E estão enganados aqueles que pensam que só contataremos Dragões através de ritos magistrais e ocultos: o encontraremos todo o tempo, seja na cultura, na literatura, também na magia e pasmem: muitas vezes convivendo conosco em nosso dia a dia, sem que nós percebamos.


Para que essa busca seja possível, lanço alguns questionamentos que poderão servir de norte para aqueles que realmente desejam trilhar essa senda:

- Afinal, o que é um Dragão?

- Posso eu manipular um Dragão ao bel prazer e favor próprio?

- Dragões são somente seres astrais e/ou metafísicos ou também personificam determinados conceitos, fundamentos, energias e forças da Terra e do Universo?

- Dragões podem ser elementais? Talvez guardiões? Espíritos que vivem somente no “Outro Mundo” ? Deuses... ?

- Dragões estão passíveis da curta visão maniqueísta do mundo, isto é, podem ser considerados “bons” ou “ruins” ?

- É possível tomar o Dragão como símbolo arquetípico para a personalidade de determinados seres humanos?

- Por que realmente quero ao sair EM BUSCA DOS DRAGÕES?

Essas e outras perguntas certamente serão respondidas por aqueles que do fundo da alma tiverem o ímpeto de buscarem os Dragões como uma forma de melhor compreendê-los, assim como seu significado, sem quererem auto glorificação ou se utilizarem de seus “poderes” para fins que sejam meramente vis. A jornada é longa. As respostas não estão em livros, nem em artigos, mas em cada passo sincero que for dado dentro dessa esplendida caminhada.

Um grande abraço e abençoados sejam por TIAMAT, 
a Grande Deusa-Mãe Dragão da Babilônia!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O Bosque: Druidismos pelo Brasil afora

Há três anos estou conhecendo, estudando e praticando o Druidismo. E durante esse tempo, conheci pessoas que estão nele há mais de vinte anos (e são druidas de fato e formação) e pessoas como eu, que começaram há poucos anos ou que ainda estão começando. É interessante perceber as abordagens e manifestações de cada um, as dúvidas, a curiosidade a respeito das celebrações rituais, das lendas, do Ogham. Aos poucos e com a ajuda valiosa dos mais experientes, vamos discernindo o que é “viagem esquisotérica” do que é o real, possível e praticável dentro da religião que chamamos de Druidismo.

Como não vivemos juntos e estamos espalhados por todo o país (ou pelo menos por uma parte dele), a maneira que a maioria dos interessados tem de aprender e desmistificar o Druidismo é muitas vezes virtual mesmo, já que os bons livros sobre o assunto são caros para muitos, e ainda por cima são em outras línguas. Então, através de listas de discussão e grupos em redes sociais são feitas amizades e trocam-se conhecimentos e ensinamentos. E eles aparecem até mesmo em brincadeiras: um jogo de charadas, por exemplo. A pessoa que participa do jogo é levada a estudar para encontrar a resposta (caso não saiba), ou é levada a vasculhar na memória aquilo que aprendeu anos atrás. É uma forma divertida e leve de se aprender e compreender as lendas que guardam os mitos, o comportamento e as regras dos povos de origem celta. 

Alguns grupos druídicos do Brasil
Apesar de serem poucos (se comparados aos covens Wicca, por exemplo) os grupos druídicos no Brasil, há uma união saudável e respeitosa entre eles. Claro que não são todos iguais, há os que seguem uma linha reconstrucionista, mais ligada ao factual e, há os que estão ligados ao Renascimento Druídico do século XVIII, que abrange outras linhas como o ocultismo e a maçonaria. Há grupos devotos de deuses irlandeses, gauleses, celtibéricos, e por aí vai. Existem grupos druídicos no Pará, na Paraíba, em Brasília, em São Paulo (a maior concentração), no Rio de Janeiro, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. 

Se são assim tão diversos, o que todos possuem em comum? Talvez, a busca pelo equilíbrio, honradez e sabedoria, qualidades tão divulgadas a respeito dos druidas da antiguidade; o respeito e devoção à Terra sagrada, aos deuses e ancestrais. 

Ainda existem indivíduos que não estão ligados a nenhuma escola ou grupo druídico em particular no Brasil, o que não os torna de forma alguma menos importantes, muito pelo contrário. Conheço dois que são de extrema importância para a comunidade druídica (e para todos que tenham curiosidade pelos celtas e druidas) pelo trabalho excelente que realizam ‘online’: o druida Bellovesos Isarnos e o celtista Claudio Quintino Crow. Pode parecer rasgação de seda (e é), mas sem a consulta ao material que eles disponibilizam eu não saberia muito do que sei hoje, tanto sobre os celtas, quanto sobre Druidismo. Extremamente válida e recomendável a leitura de ambos. 

Essa união saudável da qual falei acima gerou um encontro nacional itinerante, que em 2012 vai para a sua terceira edição. Através dele podemos assistir a várias palestras, além de participar de vivências que nos conectam uns aos outros, e nos direcionam ao estudo sério e prática sincera da espiritualidade ancestral dos sábios druidas do passado. 

Vida longa ao Druidismo brasileiro. /|\


Links para pesquisa e estudo:

* Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta - EBDRC:

*Bellovesos Isarnos:

*Claudio Quintino Crow:

*Druidismo Brasil - lista de discussão no Yahoo! Grupos:

*Teallach - lista de discussão no Yahoo! Grupos:

*Grupo de estudos Caer Siddi



quinta-feira, 24 de maio de 2012

Caminhando entre as Deusas: Hera


Hera, filha mais velha de Réia e Cronos, irmã e esposa de Zeus. Senhora sagrada da família, protetora do casamento. Mulher ciumenta e voluntariosa. Uma Deusa transformada em um ser vil, por aqueles que só conheceram uma de suas faces.

Ela nasceu na ilha de Samos, suas amas foram as estações do ano, foi educada por Temeno, o filho da Antiguidade. Face Donzela da Grande Mãe, Hera reinou com a impulsividade, inocência e força de uma Jovem até que o poder crescente do patriarcado colocou Zeus em seu trono.

Conta a lenda que Zeus disfarçou-se de cuco, para assim ganhar a atenção da graciosa Donzela. Esta ao ver o  cuco arrastando-se pelo solo, levou-o ao seio para assim melhor  acalenta-lo, enquanto contava seus sonhos juvenis, confiando que aquele lindo pássaro guardaria seus segredos. De repente, o cuco transforma-se em Zeus que violenta a Deusa e deixa-a cheia de desespero, vergonha e desonra.  Sendo a única forma de reparar e recuperar o seu status, ela casa-se com ele.

Se pararmos um pouco para pensar, podemos perceber que Hera por ser a mais velha dos filhos de Cronos e Réia, teria mais direito ao trono do que Zeus. Porém, a sociedade não aceitava mais as mulheres como detentoras do poder e assim, concedem a Zeus o trono; mas que para isso pudesse ser concluído e aceito era necessário fazer com que todos aqueles que ainda honravam o poder do sagrado feminino aceitassem o fato de que Hera não teria mais poder. E qual a melhor forma de fazer isso se não desonrando o que a mulher tem de mais sagrado: o direito de conceder o seu corpo a quem quiser, ao seu bel prazer?

Existe também duas vertentes sobre os filhos de Hera: alguns dizem que Ares, talvez Éris, e Hefesto não são filhos de Hera e Zeus, mas sim que foram gerados no ato da Grande Deusa de tocar uma determinada flor, enquanto banhava-se na fonte de Canatos, tentando em vão recuperar a sua virgindade. 

Ao casar-se com o Senhor do Olimpo, Ela foi privada de todos os seus atributos, exceto o da profecia.  Dizem, que para Ela, estar em casa e cuidar dela e do seu esposo é a "sétima maravilha do mundo". No entanto, a verdade ao que parece não é bem essa.

Hera tem por excelência o Poder do feminino: a fecundidade e a dedicação para cuidar de seus filhos, de sua obra. Ela cuida e protege, alimenta e nutre a família e os seus filhos sagrados; assim, ela também os desafia, os contem para que descubram os limites e conheçam as leis que regem o universo para que este não entre no caos desordenado. Seus símbolos são: a romã de ouro, dada de presente de casamento por sua mãe, representa a fecundidade eterna; o pavão, que representa sua beleza e o seu encanto, e porque não dizer, o seu mistério.

Portanto, permita que Hera entre em sua vida e mostre suas diversas faces. Aprenda com Ela o poder da proteção, do cuidado, da contenção e da ousadia de criar. E lembre-se que mesmo submetida, ela nunca esteve por completo nessa condição.

Beijocas estaladas no coração de todos! Até a próxima!

Referências Bibliográficas:

- GENEST, E.; FÉRON, J.; DESMURGER, M.; As mais belas Lendas da Mitologia. São Paulo: Martins Fontes, 2006;

- ROBLES, M.; Mulheres, mitos e deusas: o feminino através dos tempos. São Paulo: Aleph, 2006;

- SALIS, V. D.; Mitologia viva: aprendendo com os deuses a arte de viver e amar. São Paulo: Editora Nova Alexandria, 2003;

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Tubilustrium será realizado em Teresina (PI)


Neste sábado, 26 de maio, será celebrado em Teresina (PI) o Rito em honra ao Deus romano Vulcanus, o "ferreiro dos Deuses". O evento "Tubilustrium" será realizado das 9:20h às 11:20h da manhã, no bosque do Shopping Riverside, Teresina.

O Tubilustrium era uma festividade romana que consistia em uma cerimônia realizada em maio, período no qual eram lançadas as campanhas militares. A cerimônia consistia na lavagem sagrada (lustrium) das cornetas de guerra (trombetas, tubae). Deus do Fogo Perigoso, que, mais arcaicamente, poderia ter também um aspecto bélico. Na época antiga, Ele tinha o Seu próprio sacerdote, o Flamen Volcanalis.

Chamado de "ferreiro divino", o Deus Vulcano era o fabricante dos instrumentos sagrados dos Deuses. Na modernidade interpreta-se a data como um momento de reflexão sobre os instrumentos que devemos buscar para nossa própria melhoria, tanto espiritual como física e mental.

TUBILUSTRIUM
Quando? Sábado, 26 de maio de 2012.
Horário: das 9:20h às 11:20h.
Onde? Bosque do Shopping Riverside, às margens do Rio Poty.
Ponto de encontro: Parada de ônibus.
O que levar? Quem desejar pode levar seus instrumentos ritualísticos para serem consagrados no ritual. Também podem levar algum objeto artesanal feito por você mesmo, simbolizando um pedido ou agradecimento, para oferecer a Vulcanus.
Quem for deve levar algum alimento, de preferência salgado, para compartilhar. Não leve carne ou bebidas alcoólicas. Nas celebrações públicas vinho pode ser usado em casos especiais, apenas com finalidades ritualísticas.
Sugestão de vestimenta: Cores Branca, Amarela ou Vermelha.

* Para mais informações, os interessados em participar podem contactar Rafael Nolêto pelo e-mail rafaellugh@gmail.com ou pelo fone (86)94160070.

Grupo pagão promove ação ambiental no RJ

No dia mundial da conservação da natureza a tradição pagã "Antiga Essência" promoverá no Rio de Janeiro uma louvável ação em prol do meio ambiente local, limpando o praião de Barra de São João - RJ e conscientizando cidadãos para respeitar a natureza e não jogar lixo nas praias. A ação será realizada no dia 28 de julho, a partir das 10 horas da manhã, com concentração saindo da Capela de São joão Batista (Igreja da Prainha)
Para mais informações, acesse o site:
http://www.wix.com/antigaessencia/antiga-essencia

Universo Simbólico - Os Glifos - Parte II


Olá Pessoal, mais uma semana que passou como uma vassoura a jato. Daremos continuidade aos Glifos e suas influências nas nossas vidas, lembrando que a maioria dos Glifos são formados por três símbolos básicos (a Cruz, o Círculo e o Semicírculo) e seus elementos: a Matéria, a Plenitude e a Receptividade temos:

O Sol: O Universo dentro de outro Universo, que irradia Luz e nos remete ao nosso Deus Interior. Dois círculos que representa o nosso Ego perfeito e equilibrado. Algo pleno inserido em outra plenitude, a nossa pura identidade que possui vários universos internos e infinitos em luz.

A Lua: A Lua representa a mais alta receptividade vinda por dois semicírculos, um que está visível e outro que não se mostra. Ela necessita de algo a mais parecendo sempre estar incompleta, indica as nossas respostas emocionais ao mundo e como precisamos deste retorno para nos sentir bem.

Mercúrio: Os três símbolos se encontram neste Glifo nos mostrando que ele é a perfeição na área de se comunicar. O semicírculo capta as mensagens do Divino e condensa, processando e selecionando através do círculo e somente após todos esses processos de avaliação que é dissipada pelo moinho da matéria. Não é por nada que mercúrio é o mensageiro dos Deuses.

Vênus: A concretização do Divino na Terra. A afirmação da plenitude e busca da perfeição através de nossos esforços. Vênus é o significado de valor em definir o que nos aproxima deste Divino. Para a mulher é a expressão do feminino e para o Homem é o ideal no sexo oposto e todas as qualidades que podemos apresentar.

Marte: Marte e muito parecido com Vênus. Ele coloca a cruz da matéria acima do espírito, dando razão aos atos impulsivos e ao pensamento lógico que em certas ocasiões e que resolvem as coisas. É o nosso agir para conquistar e sempre que a ação supera o pensamento.

Júpiter: Enquanto outros planetas influenciam na vida pessoal Júpiter influencia na vida social. Formado por um semicírculo acima da matéria, nos mostra que é preciso primeiro conhecer para depois concretizar. É a foice leve que nos faz colher dos frutos mais altos.

Saturno: A matéria sobre o semicírculo, o contrário de Júpiter. É a foice pesada que nos fortalece e faz a recompensa ser válida. Indica nossos talentos ocultos e importantes que temos que desenvolver sozinhos. Antigamente Saturno era a Morte, porém hoje é tudo que não nos mata, mas nos fortalece.

Urano: A Cruz da matéria fica entre dois semicírculos e logo abaixo a esfera da plenitude nos ensinando que a perfeição vem através do aprendizado de nossos pares e que pela comunicação e o trabalho em conjunto todo o processo se antecipa.

Netuno: O tridente de Netuno. Setas aos ares, um semicírculo em suas bases e a cruz da matéria como cabo. É o nosso desejo desesperado de alcançar o Divino, porém ele nos alerta com relação à alienação e a loucura deixando bem claro a nossa humanidade. São nossos desejos de grandeza e a nossa frustração com os limites da realidade.

Plutão: Glifo das crises e conflitos inesperados e dos assuntos difíceis de falar. Nele estaremos mais próximo do Divino (já tendemos a olhar para ele nos momentos de crises) e sua influência nos molda de forma irreversível. A mensagem já vem elaborada e contra ela nada podemos fazer pois estamos sobre um plano maior.

Espero que tenham gostado e que possamos ter uma compreensão maior quanto aos planetas e suas influências para que nossos feitos sejam sempre em Luz e graça.

Que assim seja e Assim se faça!

A todos,
Pax, Lux et Nox.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Filosofia oculta: ( Parte 4: O uno e o demiurgo)

( Parte 4: O uno e o demiurgo)

Orodreth: Um deus único? Fala agora como um desses cristãos protestantes liberais, que ignoram todos os nossos deuses, digo - de nossos seres superiores, sé que posso chama-los de deuses, seguindo teu pensamento. Ora Vincus, está quase a me convencer.


Lord Vincus: Cristão? Por acaso não me ouviu dizer que Deus precisa ser perfeito? Por acaso nunca se pôs a ler o livro de Moisés? Aquele que os bajuladores chamam de Gênesis?


Orodreth: Não, nunca o li.


Lord Vincus: Imperdoável seu desinteresse, Orodreth, mas não me interessa. Nesse mesmo livro, o “deus” bíblico, arrepende-se após o dilúvio [Gênesis 6.6]. O que é o arrependimento se não a constatação de um erro, e o desejo de não ter errado? Como algo poderia ser mais imperfeito que isso? E quando este ira-se? Como a onipotência pode ser passiva de ira? Ou de qualquer outro sentimento? O motor primeiro não pode ser passivo a nada. Ele é causa sempre, não sente amor, é causa do amor, não sente fúria, mas é causa desta, não em si mesmo obviamente, pois, como ser perfeito é não passivo.


Orodreth: O “deus” cristão, quando bem pensado sob seu ponto de vista, faz lembrar o Demiurgo.


Lord Vincus: Totalmente plausível, mas isso implicaria retirar dele muito de seus títulos, seria impiedade com o pré-principio chamar o “deus” cristão perfeito e onipotente. [...]

Orodreth: Tu disseste também, que Deus é eterno, logo sempre existiu e vai existir sempre.


Lord Vincus: Obviamente, nada há mais potente, que possa destruí-lo.


Orodreth: Bem, a cerca do divino, sinto-me satisfeito, mas todo esse diálogo me deixou curioso acerca da morte e da destruição. O demiurgo pode morrer? Quero dizer, ele irá acabar?
Lord Vincus: Evitarei alongar-me falando da morte, pois sobre esta já discorri bastante em outro escrito.


Orodreth: Sim, no diálogo acerca da morte e o mito do deus polvo.


Lord Vincus: Correto, mas entendo necessário pincelar um pouco acerca da destruição. Nada que existe é destruído, já que a destruição significa transformar-se em nada, num zero absoluto. E como já foi dito, o nada não existe, pois se existisse precisaria existir antes de Deus, e se Deus é eterno o nada não pode existir.
Outro detalhe meu caro: já concordamos que Deus criou tudo por pensamento, e logo, por pensamento podemos conhecer tudo, pois só o semelhante reconhece o semelhante. Mas observe que não podemos pensar o nada, este de fato só existe em nome, pois uma vez que não podemos pensa-lo, significa que de maneira alguma foi criado, e como nada, esse não poderia vir a ser alguma coisa, seria eterno, e o único eterno é o motor imóvel...


Orodreth: Ainda não respondeu minha pergunta.


Lord Vincus: Então mantenha os ouvidos atentos e mais abertos que a boca, pois ainda não terminei de falar.
Com efeito, o Demiurgo é imortal, pois nada que existe pode deixar de existir; não confunda imortal com eterno, ambos são muito diferentes, tudo que é eterno é também imortal, mas nem tudo que é imortal é eterno, e eterno só é Deus.


Orodreth: Poderia ser ainda mais claro.


Lord Vincus: Com certeza, observe que eterno é tudo aquilo que é sempre, e o imortal pode ter sido criado, como pelo pensamento, e uma vez feito não é destruído jamais, logo jamais morre.


Orodreth: E o que ocorre, Lord Vincus?


Lord Vincus: Estes são transformados.



segunda-feira, 21 de maio de 2012

A Lança: Rama (parte 1)


Rama é a sétima encarnação do Deus Vishnu (O Preservador), ou o sétimo avatar, como diriam na Índia. Sua história é contada na epopeia Ramaiana, escrita por Valmiki, uma das histórias mais respeitadas e contadas na cultura indiana. Quem assistiu "A Princesinha" pode lembrar das primeiras cenas do filme, em que a história de Rama está sendo contada para a Princesinha.

Rama era  o príncipe herdeiro do trono, casou-se com Sita e logo após o seu casamento, intrigas palacianas fizeram com que ele precisasse renunciar ao trono para salvar a honra do seu pai. Dessa forma, Rama, Sita e Lakshman (fiel irmão de Rama) viram-se exilados durante quatorze anos em uma floresta. Durante este tempo eles passaram muitas necessidades e, por mais que Rama e Sita tentassem ver o lado positivo da situação, Lakshman o tempo todo os lembrava das dificuldades que agora estavam passando.

Contudo, o rei morre e o seu trono passa a ser de Bharata, seu irmão, que acha que uma grande injustiça foi cometida com Rama e resolve devolver o reino a ele. Ele vai atrás de Rama com uma comitiva enorme, mas ao chegar ao Deus e dizer-lhe que veio devolver seu trono, este abdica e pede para que Bharata continue reinando em seu lugar. O impasse é resolvido ao Bharata ter a ideia de levar as sandálias de ouro de Rama e ser o regente durante o período de tempo do exílio de Rama.

Em um dado momento da história, os três companheiros encontram-se frente a uma rakchasa (demônio hindu) fêmea, que apaixona-se perdidamente por Rama. Seu nome era Surpanakha e era irmã de Ravana, o pior rakchasa que a Índia já havia visto, com dez cabeças e vinte braços. Ela oferece-se para Rama, que a rejeita; desesperada, ela se oferece também para Lakshman que também a rejeita, deixando-a altamente violenta. Rama intervém mandando-a partir, entretanto, ela diz de quem é irmã e ataca-o, dizendo que ele não pode fazer essa ofensa para ela. Este é defendido por seu irmão que decepa o nariz e as orelhas do demônio, que vai embora morrendo de raiva.

Um pouco depois, no entanto, ela está de volta acompanhada de seu irmão, Khara. Eles estavam acompanhados de quatorze demônios menores, que Rama logo extermina com suas flechas. Khara vai embora e volta novamente, agora com quatorze mil demônios. Rama compreende que apenas um Deus poderia realizar o feito de vencer todos esses inimigos de uma vez. Pede para que sua esposa e seu irmão corram e enfrenta os demônios todos de uma vez e sozinho. Eles disparam várias flechas contra o Deus, que protege-se com seu escudo feito do mais puro ouro. O escudo fica cravejado de flechas, seu dono o gira ferozmente e rapidamente fazendo com que todas as flechas voltem para os seus respectivos donos, que tombaram todos ao mesmo tempo. Rama tira uma flecha de sua aljava e com ela acerta o demônio Khara, matando-o. 

Ravana quando soube do ocorrido com seus irmãos jurou vingança. E aconselhado por Maricha, um rishi amigo seu, criou um plano para raptar Sita e machucar seu inimigo no que ele tinha de mais precioso. O plano era o seguinte: Maricha se metamorfosearia em um cervo de ouro e aparecia para Sita, distraindo-a, para o rakchasa poder raptá-la. 

Então, no dia seguinte de manhã, Sita acorda e vê aquele belo cervo em frente a sua cabana. Pede para que seu amado esposo o capture vivo, para que ela possa cuidar do cervo. Rama sai em busca do cervo, no entanto não consegue alcança-lo; a única forma seria abatendo-o. E por ser o melhor esposo, ele decide levar apenas a pele do cervo para sua adorável esposa. Acerta o cervo fatalmente, mas este, antes de morrer põe-se a gritar pedindo ajuda, como se fosse Rama em perigo. Lakshman e Sita ouvem o grito de ajuda e, ela manda o irmão de seu esposo ir correndo ver o que aconteceu. Ao ficar só, descobre-se só na presença de Ravana, que a pega ferozmente e a coloca sobre sua biga voadora, que estava estacionada perto da lareira em que a jovem vivia com seu adorável esposo.

Bem! Como ainda resta muito desta história para contar, até a semana que vem! Beijos estalados para todos!


Bibliografia consultada:

domingo, 20 de maio de 2012

Cultus Deorum: Viva o mundo Multicultural

O paganismo greco-romano possui um riquíssimo conjunto de elementos históricos e culturais que precisa ser conhecido e resgatado. 
Por muito tempo trabalhei para amenizar o desconhecimento dos leigos em relação ao tema, mas é uma pena que pessoas ignorantes ainda tenham preconceito contra uma manifestação cultural tão bela e antiga.

Uma imagem de santo, por exemplo, antes de ser um símbolo de fé, é uma obra de arte; e o mesmo ocorre com as obras artísticas pagãs. 
Mas na maioria dos casos, quando se apresenta uma obra pagã a leigos, o olhar religioso acaba vindo primeiro que qualquer outro, e vem carregado de preconceitos.

As pessoas precisam se despir de seus preconceitos para enxergar as coisas em sua essência real, sem colocar rótulos na frente. Conhecer uma cultura diferente pode te ajudar a aceitá-la, e não necessariamente fazer com que você se torne adepto dela. O segredo da paz está no respeito mútuo mesmo quando existem diferenças.

O pior tipo de ignorante é aquele que se recusa a adquirir conhecimento, aquele que se recusa a aprender, tentar enxergar as coisas por um ângulo novo. 

Para os ignorantes por opção, só demonstro meu desprezo total, e não faço questão nenhuma de manter contato com quem nutre convicções preconceituosas e exclui os outros simplesmente por conta de suas crenças e cultura diferentes. 

Vale a pena ter ao meu redor pessoas inteligentes, que busquem somar e crescer ao invés de segregar e se trancar em um mundo sem janelas ou perspectivas.

Quem ama cultura, arte e amizade, independente de religião, cor ou qualquer outro fator, está no caminho certo para absorver conhecimento e se tornar alguém com uma rica bagagem cultural e, principalmente, de amizades.

Essa amplitude de pensamento é uma das belas coisas que aprendi com o paganismo romano, que ao dominar as mais diversas regiões com seus exércitos, adotava para si a cultura e a religião local, juntamente com tudo o que elas podiam oferecer.

A adoção dos cultos e sistemas religiosos estrangeiros ocorria sutilmente na Roma Antiga, através da interpretatio, um termo que hoje podemos identificar como uma espécie de sincretismo, mas que se distinguia pela aproximação de arquétipos, e não pela exclusão de faces divinas, sendo o contrário do que aconteceu quando a igreja católica obrigou os escravos a banirem seus orixás e adotarem os santos.

A lição que pode ser extraida para a vida moderna é: aprender a conviver com as diferenças, extraindo o melhor que cada cultura, pessoa ou tradição diferente tem a nos ensinar.

sábado, 19 de maio de 2012

Cotidiano Pagão: Receita do Bolo da Bruxa


Sei que é um tópico bem conhecido e que já quase todo o Mundo conhece este bolo, mas não me sentiria bem sem o partilhar novamente! Este bolo é ótimo, muito gostoso e bem fácil de fazer. É algo que adoro cozinhar! 

Gostaria de o cozinhar e tirar fotos, mas minha atual casa não tem forno, por isso... Mas, assim que tiver oportunidade, o cozinharei e irei mostrar para vocês as fotos do processo!

Ingredientes:
  • 1 Xícara de mel
  • 1 Xícara de açúcar
  • 1 Xícara de manteiga
  • 5 Ovos
  • 2 Xícaras de farinha de trigo
  • 3 colheres de sopa de iogurte (sabor à escolha)
  • Casca de limão ralado
  • 1 colher de fermento
  • 2 Maçãs cortadas em rodelas no sentido horizontal com casca (opcional)
Procedimento:
Bater bem o mel, açúcar e manteiga. Acrescentar os ovos e continuar a bater. Colocar a farinha e os restantes ingredientes, menos as maçãs.
Untar uma forma com manteiga e polvilhar com açúcar e canela, colocando as rodelas de maçã no fundo. De seguida, deite a massa do bolo em cima. Assar num forno já aquecido.

Espero que gostem de o cozinhar e, acima de tudo, de comer! É muito bom e, na minha opinião, ótimo para partilhar numa boa celebração de Sabbat ou de Esbat juntamente com um bom sumo natural! 

Bênçãos da Deusa,
MissElphie


sexta-feira, 18 de maio de 2012

Runenmagie: Runas e a História - Parte I

Hail!* 
E chega a nossa Sexta-Feira em honra à Mardoll (Freyja) e suas runas!
Como prometido, vou começar a explanação do que são runas sob a ótica histórica (registros, teorias e arqueologia) e a visão mitológica (Aesir e Wanen). Estas últimas ainda tem subdivisões bastante interessantes que iremos explorar ao longo do tempo.



RUNAS E A HISTÓRIA



Dentro do imaginário popular, se pensarmos rapidamente na origem de instrumentos ligados à magia e ao paganismo, principalmente os envoltos de mistérios (como Runas e Tarot) temos a tendência de deixar a fantasia vagar e pouco nos fixamos nos fatos.
Assumo que para mim, descobrir que as runas tem registros válidos em tempos mais recentes do que eu previa foi um baque num chão raso. Em minha concepção, a história e os mitos se mesclavam em dado ponto em certa época. Tive por base teorias exotéricas que tentavam comprovar a veracidade de mitos, e nisso me perdi. Caindo em eloqüência somente posteriormente, com um estudo superficial e compreensão mais ampla sobre o assunto.

Runas, como as conhecemos hoje, para chegarem a este ponto sofreram grandes e diversas mudanças durante os anos em que se disseminaram pela Europa. Como já citado, em vários pontos distintos do continente foram encontrados registros e artefatos que comprovam a utilização dos talismãs e do alfabeto rúnico gravados em rochas. Ainda com todo este material, não se pode precisar em que época se deu a origem real dos grifos. O período mais convincente é o que se situa próximo ao ano 1300 AEC. Com esta falta de registros mais sólidos, os historiadores, pesquisadores e antropólogos tomam o rumo da especulação e com os rastros encontrados parte-se então para a formulação das teorias.

1-      Teorias

Das quatro mais conhecidas e divulgadas, duas já foram descartadas por não serem compatíveis com outros achados arqueológicos e as datas não são convincentes.
São elas:

- Latina/Romana: defende que o as runas foram originadas de uma adaptação do alfabeto latino. A semelhança entre alguns símbolos e as letras é o que dá base à teoria. Contudo, achados arqueológicos anteriores à data atribuída de quando teria ocorrido a origem do alfabeto tornam a versão inválida.

- Grega: posterior à romana, diz que os godos reformularam a escrita cursiva dos gregos e exportaram esta nova escrita por certa região da Europa (Mar Negro – Escandinávia). Vários achados na Rússia e Romênia comprovam a teoria, mas datas desencontradas também dão invalidez à hipótese.

Essas duas teorias formuladas nas últimas décadas de 1800 por mais que já descartadas, ainda têm validade para alguns. Porém não são mais bem aceitas dentro das vistas acadêmicas, por motivos óbvios.

As que tem mais respaldo histórico e que tem uma certa lógica são as seguintes:

- Etrusca: diz que as runas teriam surgido do alfabeto do povo etrusco que vivia ao norte ibérico e que eles teriam difundido-as pelos povos teutônicos e posteriormente pelo resto da Europa. Em favor desta teoria tem a descoberta de diversos artefatos arqueológicos com símbolos semelhantes às runas gravados neles do século IV AEC, além de outro oráculo inscrito em varetas com um sistema bastante semelhante ao rúnico. Por mais que a semelhança de alguns símbolos seja indiscutível, o alfabeto etrusco ainda não foi compreendido nem decifrado, logo não se pode dizer que eles e as runas tem realmente uma ligação efetiva, apenas que houve um ponto de encontro.

- Hallristinger: (mais aceita pelos historiadores acadêmicos) tem como base a semelhança das runas com as inscrições rupestres datadas em 1300-800 AEC (Idade do Bronze e Ferro).
Estas inscrições eram símbolos religiosos provavelmente ligados a um xamanismo europeu primitivo. Os caracteres não deixam sobrar dúvidas de que estão ligados a adoração ao Sol e ao Sagrado Feminino, além de ter a presença da famosa suástica, símbolo de fertilidade e que remete a fenômenos climáticos e astrológicos. Sobre o alfabeto Hallristinger pode-se deduzir que assim como as runas eles eram um sistema simbólico para expressar a sabedoria e os mistérios sagrados.
Segundo a teoria, as runas teriam sido resultado de uma modificação causada pelas várias gerações e transmigrações destes antigos símbolos rupestres estacionado entre os etruscos e os teutônicos onde conseguiram uma identidade própria e se tornaram uma linguagem escrita – ainda mantendo toda a simbologia sagrada.

Sob a ótica histórica, particularmente sou seguidor da última teoria. Fazendo uma revisão antropológica, a ligação entre as runas, seus portadores e usuários e o alfabeto que as originou tem uma linearidade mais convincente e provável.
Ainda podemos encontrar mais duas visões bastante difundidas. Classificadas como esotéricas, estas teorias nos remetem a compreensão de um outro mistério mundial. São representadas por dois grandiosos e bastante reconhecidos pesquisadores e runólogos: Guido Von List e Friedrich Berhnard Marby.
As correntes esotéricas afirmam que as runas sejam códigos cósmicos que teriam sido herdados de uma cultura antediluviana de povos evoluídos que habitavam terra lendárias.
List defende que as runas teriam sido trazidas por sua concepção do que foram os arianos.  Já Marby aponta que as runas vieram de Thule que afundou no Mar Norte há milênios atrás.
Continua...
* Nota: uma correção deve ser feita em relação ao meu primeiro texto em que usei “Heil”. Escrevi a fonética ao invés da palavra correta. No mais, “Hail” é uma saudação em alemão.


Bibliografia consultada:- FAUR, Mirella. Mistérios Nórdicos: deuses, runas, magias, rituais. Ed. Pensamento, 2007- Runemal (www.runemal.com)- MonteMor (www.marquesdemontemor.blogspot.com.br)

 
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