segunda-feira, 4 de julho de 2011

Atividades Pagãs no Brasil e no Mundo



Desde o século XIX, as correntes reconstrucionistas já vinham atuando fortemente na Europa entre a sociedade aristocrática, baseados em seitas herméticas, ordens rosacrusianas e maçônicas, com influência de nomes como Eliphas Levi e Aleisteir Crowley. O resgate ao Antigo Culto agia de forma muito fechada, mas foi na década de 1950 que se firmou totalmente o neopaganismo, através da publicação do livro "Bruxaria Hoje" por Gerald B. Gardner, fundador da Tradição Gardneriana. Desde então, o movimento de reconstrução da Antiga Crença por parte de diversos grupos e vertentes, aos poucos, foi tomando espaço no âmbito mundial, apesar das críticas negativas e do sensacionalismo criado em torno disso. 

Primeiramente com a oficialização da Asatrú nos países nórdicos na década de 1970, e depois com criações de organizações próprias do neopaganismo nos Estados Unidos e na Inglaterra. Nomes como Paul Husson, Janet e Stewart Farrar, Doreen Valiente, Scott Cunningham, Raymond Buckland, Raven Grimassi, Gerina Dunwich, Alex Sanders e outros atuaram fortemente na divulgação do neopaganismo, através de livros e influenciadores de grupos atuantes no universo social.

O Brasil recebeu uma grande influência da Stregheria com a imigração de italianos nas décadas de 1880 até 1930, permanecendo até hoje uma grande tradição familiar, principalmente focado nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Apesar dessa grande influência da Bruxaria Italiana e da herança cultural deixada pelos povos indígenas, a vertente mais popular no país e no mundo é a Wicca, que ganhou divulgação nacionalmente com a publicação do livro "Wicca, a Religião da Deusa" por Claudiney Prieto em 2001. Já na década de 90, os pioneiros grupos wiccans se fixaram no sudeste do país, onde hoje se focam os principais grupos de atuação, com exceção de Santa Catarina.

A Federação Pagã Internacional (PFI), fundada em 1971 na Inglaterra, é a maior, mais abrangente e mais respeitada organização internacional de Pagãos. A Federação Pagã começou sua presença no Brasil sob orientação de Anthony Kemp, então Coordenador Internacional. Posteriormente, Isabel Andrade, que já então era Coordenadora para Portugal, assumiu essa posição também para o Brasil. Foi sucedida por Lailah Aisling, a primeira Coordenadora Nacional brasileira, no segundo semestre de 1998, a qual posteriormente deu lugar ao Coordenador atual, Nero, em fevereiro de 1999. Associada a Tradição da Lua Negra (TLN), com a qual realizava eventos no Rio de Janeiro, a PFI não relatou mais encontros em seu site desde 2009.

Em meados de 1997, um grupo de bruxos e bruxas fundou a Associação Brasileira da Arte e Filosofia da Religião Wicca (Abrawicca), tentando firmar um grupo que representasse e atendesse aos anseios dos bruxos brasileiros, centrando sua preocupação em defesa jurídica e institucional contra o preconceito. Seu primeiro presidente foi Claudiney Prieto.
Em 1998, as atividades públicas da Abrawicca começaram, primeiramente com o I Encontro de Bruxaria do Brasil, organizado por Wagner Périco e Denise de Santi, logo após abrangendo outros estados como o evento Bruxos Brasileiros em Brasília (BBB) (organizado por Marcia Bianchi, conhecida no meio pagão pelo nome de Mavesper Cy Ceridwen) e o Encontro Anual de Bruxos, que em sua primeira edição reuniu 400 pessoas, passando a ocorrer anualmente.

Em 2001, surge uma das autoras mais polêmicas no universo neopagão nacional. Eddie Van Feu, dita pertencente à sub-vertente Wicca Eclética, começou com a publicação de algumas revistas de bancas de jornal, intituladas "Wicca". Com o repentino sucesso das revistas, que foram até publicadas no exterior, a autora começou a escrever livros e a organizar eventos e cursos, sendo um deles o Wiccanique, evento que tende a reunir wiccans para uma tarde de confraternização com direito a lanches, rituais e outros. Além destes, a autora possui um programa on-line e, atualmente, têm 65 livros publicados.

Outro evento promovido é a Convenção de Bruxas e Magos em Paranapiacaba, ocorrida todos os anos com o apoio da Prefeitura de Santo André, e organizado por Tania Gori. O evento escolhe um tema anual e reúne palestrantes e ministradores de workshops em três dias de eventos.

Em 2003, Hellenah Leão, vendo a necessidade de se criar um evento livre para debate e interação entre os pagãos de variadas vertentes e pessoas interessadas no tema, criou o Encontro Social Pagão (ESP®) no Rio de Janeiro, que recebeu grandes elogios. Vendo a grande aceitação do evento, logo ele foi sendo realizado em outros estados como em Pernambuco, São Paulo, Ceará, Goiás e outros, abrangendo todas as regiões brasileiras. O evento conta, atualmente, com um total de 27 organizadores por todo o país, todos cadastrados no Projeto Gaia Paganus. O ESP® ainda conta com o apoio da Federação Pagã Internacional.

Em 2004, uma organização, sem fins lucrativos, intitulada União Wicca do Brasil (UWB) traz objetivos semelhantes aos da Abrawicca em sua fundação, atuando em defesa de um membro, caso aconteça algum problema motivado pela intolerância religiosa. Esta também lançou um projeto de Cadastro Nacional de Tradições da Wicca, a fim de se manter um registro de tais, para que ficasse mais fácil o contato entre interessados e as mesmas.

Em 2010, um projeto de instituição semelhante foi lançado e está em processo de fundamentação. A tão polêmica Igreja de Bruxaria e Wicca do Brasil (IBWB) vem causando grande tumulto no palco reconstrucionista atual, demonstrando interesse em se declarar representante da comunidade wicca e afins diante do governo brasileiro. Tanto esta quanto a UWB traz sua organização regida por um Conselho de Élderes. A IBWB, projeto de Mavesper Cy Cerridwen, juntamente com outros nomes ligados a Abrawicca, causa não só rebuliço devido ao seu nome, igreja, como algumas de suas propostas, dentre as quais estão à criação de um conceito básico de Bruxaria, fato inaceitável segundo a maior parte da comunidade neopagã atual, e um Cadastro de Sacerdotes.

Além destes principais, diversos grupos e pessoas realizam o papel de ativismo pagão nacionalmente, como o Círculo Sagrado de Visões Femininas, Templo Sagrado de Adoração à Grande Mãe, e outros. Apesar dos diversos fatores que infligem esses eventos, o movimento ativista só tende a crescer no país, quebrando barreiras em meio a dita sociedade “laica” do Brasil.

Texto de Douglas Phoenix

1 comentários:

Lia disse...

Desculpe, sua linha do tempo está errada.
A Abrawicca começou a ser considerada pelo Prieto em 98, ele procurou a Claudia Hauy e o grupo dela (do qual eu fazia parte) e foi apresentar as idéias dele em uma reunião mais ou menos em agosto de 98.
Lembro bem.
Mais aqui, pelas palavras da própria Hauy...
https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/Arte_Magicka/conversations/topics/39848

Os encontros anteriores a essa data não teriam como ser organizados pela Abrawicca.

 
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